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A mudança de governo na Espanha, a consolidação do acordo de esquerda e a intervenção das massas
28 de junho de 2018 Artigos
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A caída de Rajoy foi resultado de uma série de fatores que foram desagregando o Partido Popular e onde a corrupção expressou a debilidade e a crise da direita. Mas, o elemento fundamental que determinou esta mudança foi a constante e permanente intervenção das massas.

A moção de censura que levou Pedro Sánchez ao governo e a frente dos partidos de esquerda junto a setores nacionalistas foi expressão de um descontentamento popular e uma rebelião de amplos setores da sociedade que precipitaram a decomposição do Partido Popular.

As políticas de recortes de Rajoy tiveram resposta em grandes mobilizações que rechaçaram as medidas antissociais na educação, saúde, aposentadorias e direitos trabalhistas, sociais e de liberdade de expressão.

O surgimento explosivo da Maré Pensionista que se vinha gestando há seis anos, levou às ruas dezenas de milhares de aposentados indignados com a política do governo de congelas as aposentadorias e oferecer neste ano um aumento de 0,25% quando o custo da vida subiu acima de 2%. Mesmo as pensões, por si mesmas, não cobrem as necessidades de uma grande parte dos aposentados que tem que sobreviver com menos de 600 euros ao mês. As grandes capitais e especialmente Bilbao foram um exemplo de extensão da luta; começaram com concentrações de centenas de aposentados e chegaram a dezenas de milhares. Diante desta situação social, como o Partido Nacionalista Basco não iria votar a moção de censura?

Este clima de rebelião teve seu auge na greve de mulheres e nas grandes mobilizações em todo o país no dia 8 de março na defesa da igualdade de direitos contra o capitalismo e o patriarcado. Esta tem sido uma greve de classe que se expressou mundialmente com grandes manifestações nos EUA e na América Latina.

Esta situação de duplo poder está instalada na sociedade e as mulheres estão enfrentando permanentemente todas as formas de violência de gênero que são parte do funcionamento do sistema capitalista e que estimula com suas políticas de fechar os olhos para a violência desde a justiça até os aparatos repressivos.

Esta violência do sistema se manifesta de forma mais cruel nos setores mais vulneráveis: mulheres e imigrantes. A luta dos imigrantes para serem reconhecidos como cidadãos de pleno direito (ter regularizada a situação que lhes permita ter acesso ao trabalho, à saúde, moradia e educação) levou-os a estender núcleos na defesa de suas reivindicações em diferentes cidades da Catalunha.

Estes núcleos contam com o apoio de sindicatos e organizações sociais. São dois meses em que se reúnem, funcionam em assembleias, realizam debates e todo tipo de atividades. A sua repercussão social é tão grande que o presidente da Generalitat e da prefeitura de Barcelona tiveram que visita-los, ouvir suas reivindicações e comprometer-se a tomar medidas nas suas áreas.

Estes foram os principais eixos através dos quais organizou-se a mobilização social, mas houve múltiplos conflitos produto dos recortes e da reforma trabalhista que gerou a uma grande precariedade, baixos salários e deterioração das condições de vida e das conquistas dos trabalhadores.

As mobilizações nas atividades hoteleiras, distribuidoras de comida a domicílio, Amazon, HyM, na siderúrgica de Cádiz, estivadores, trabalhadores da indústria de carne (a maioria são imigrantes que sofrem condições de extrema exploração), taxistas (que resistem à liberalização do setor à entrada das multinacionais); e tantos outros conflitos contribuem ao clima de aumento da confrontação social que ainda não se estendeu às grandes empresas devido à politica conciliadora dos sindicatos majoritários.

O governo do Partido Socialista nasce debilitado porque não tem um grande apoio parlamentar  e se verá obrigado a negociar algumas medidas importantes com os setores nacionalistas burgueses; não pretende revogar a Reforma Trabalhista, mas sim, modificar alguns aspectos que produziram a situação atual.

Uma das primeiras decisões é voltar a implantar o sistema de saúde pública universal para toda a população, inclusive aos chamados “sem documentos”, que o Partido Popular havia eliminado. Dotar de meios à lei de Memória Histórica e se propõe a retirar os restos de Franco do El Valle dos Caídos, monumento construído pelos presos republicanos e erigido como exaltação ao franquismo. Mudar a política de imigração iniciando com um gesto de recepção na cidade de Valência ao navio dos imigrantes rechaçados pela Itália.

A formação do novo governo da Catalunha possibilitou a suspensão da aplicação do artigo 155 da Constituição, ao qual recorreu Rajoy para intervir na autonomia catalã, impedindo a Catalunha de dispor dos recursos públicos. Todas estas mudanças favorecem a uma distensão e coloca a possibilidade de um acordo entre ambos os governos. A disposição de Pedro Sánchez de avançar na aproximação com os presos independentistas, que estão nos cárceres de Madrid, é um elemento importante a considerar para facilitar ainda mais o diálogo.

O papel de Podemos foi importante para impulsionar a moção de censura e abrir uma nova etapa na Espanha. A liderança de Pablo Iglesias propôs ao PSOE eliminar os vetos que o governo Rajoy havia imposto a iniciativas legislativas sociais propostas por Podemos. Propicia-se uma linha de rota em comum que passa pelos seguintes pontos: blindagem do aumento das pensões, igualdade de licença maternidade e paternidade, cumprimento do Pacto do Estado contra a violência machista, a recuperação do dinheiro de resgate bancário, a revogação da Lei Mordaça que levou à prisão muitos lutadores sindicais, cantores de rap, etc... o aumento do salario mínimo inter-profissional a 1.000 euros e o fechamento dos Centros de internamento para os imigrantes.

Outros dos aspectos mais candentes é a reforma da lei de Arrendamentos Urbanos que diminuiu a duração dos contratos de aluguel a três anos, o que prejudicou os setores de baixa renda. Esta lei, somada à crise da bolha imobiliária dos aluguéis, conduziu a que aumentassem o número de despejos com suas graves consequências sociais. A Plataforma de Afetados pela Hipoteca (PAH) saiu na defesa dos inquilinos que se organizaram como um novo movimento social.

Há condições para avançar e tomar medidas mais profundas, mas é necessário que esta confluência da esquerda tenha uma estrutura programática que tenha como objetivo a transformação social. Mas, para esta nova etapa, o Partido Socialista tem que se desprender dos setores do aparato que vem da época de Felipe González, sustentadores de uma concepção neoliberal da economia.

As declarações de Sánchez destacando a importância do acordo entre Podemos e o PSOE para impulsionar um processo de mudanças mostra já a existência de uma corrente de esquerda consolidada dentro dos socialistas, representando uma disposição de enfrentamento aos velhos dirigentes do Partido.

Este processo significou uma mudança muito importante na correlação de forças no país; é parte das lutas que as massas estão levando em toda a América Latina, resistindo aos planos do imperialismo, e da enorme contestação dentro dos EUA à política de Trump por parte de uma grande maioria da população.


Palavras-chave: Espanha;Pedro Sánchez;Pablo Iglesias

{Acessos: 157}
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