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A Arte de Van Gogh (J.Posadas)
25 de setembro de 2012 J. Posadas
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Esta página cultural do jornal “Revolução Socialista” tem por objetivo focalizar temas indispensáveis para a construção integral do militante, em boa parte abandonada por segmentos da esquerda que dedicam-se exclusivamente aos temas políticos. Os militantes devem ser formados como construtores de um mundo novo, compreendendo e assimilando todo o patrimônio cultural da humanidade como essencial para solidificar uma consciência capaz de explicar as origens da humanidade, sua trajetória histórica e a conclusão de que o socialismo é uma necessidade para a organização inteligente da vida. Não é uma sociedade que se constrói com o sentimento de vingança. Por isso, a arte de Van Gogh é parte desta caminhada em direção a relações humanas sem qualquer forma de opressão ou embrutecimento, livres da propriedade privada. Já foi dito que a cultura é a ecologia do chamam de alma, assim como que “Nem só de política vive o homem”. Este texto de J. Posadas permite entender a identidade entre os artistas e os revolucionários, assim como a função da arte como instrumento indispensável para o progresso e o embelezamento da vida e das relações humanas.

A Arte de Van Gogh (J. Posadas – 09.12.78)

As figuras dos quadros de Van Gogh, as árvores, os movimentos das árvores, o efeito do movimento do vento, da luz, do sol, foram feitos com imenso amor. Tudo é feito com muito carinho à humanidade, à terra, a natureza. E ele, se propor, desenvolve uma unidade entre estes elementos. Foi o enorme sentimento de amor humano, que levou a fazer tudo isso. Nenhum dos críticos analisa assim. Tomam Van Gogh como louco.

Mesmo os traços fortes que aparecem em algumas árvores, as figuras que são formadas nos ramos pelo vento, não são movimentos que dão impressão tétrica, são apenas movimentos de tristeza. A impressão que dá, principalmente quando Van Gogh utiliza e combina constantemente o amarelo, é que deseja transmitir claridade mas deixa a impressão de que a vida é triste. No entanto, não transmite tristeza para as pessoas, as eleva com o conjunto do quadro. Isto é, o autor comunica a tristeza porque ela está presente em sua vida, porém é o amor humano o que sobressai em seu quadro, por cima do aspecto triste dos movimentos e combinações de cores. E toda a combinação de cores mesmo aparecendo certa tristeza, expressa alegria, clareza; e ainda que não seja a alegria que impulsiona a agir, é a alegria que impulsiona a agir, é a alegria otimista de ver e amar a natureza.

A representação dos sentimentos humanos

Van Gogh tem formas, modulações de movimentos que não são normais, mas que existem, nas pessoas, na planta, na flor, no efeito do vento sobre as árvores; tem efeitos de movimentos, que só se pode fazer quando se tem um profundo amor humano, e se pinta a natureza pensando nos seres humanos. Por isso quando ele pinta os operários trabalhando, sua figura é uma parte da produção, da árvore, da flor, do fruto. Van Gogh não expressa na arte uma condenação ao sistema capitalista, ou à exploração, ele realmente vê o amor desta forma. Posteriormente vieram pintores que utilizaram estas figuras para condenar. Mas Van Gogh não pinta para condenar, ele pinta: esta é a realidade, e pronto, é a sua forma de condenar. É o caso da pintura do par de sapatos, que parecem reais e dão a impressão de que estão dizendo: “que cansaço”. Os sapatos têm uma expressão de cansaço, que representa o casanço das massas. Tem quadros de batatas que falam, quando se olha dá a impressão de que estão falando: “as pessoas pobres comem isto”. E nesta época, havia pintores que faziam quadros das pessoas da burguesia. E mesmo quando Van Gogh pintou os cafés de Paris, fez uma combinação de cores muito linda, era a luz que ele tinha dentro de si e queria ver e transmitir.

O quadro “Comedores de batatas” são uma denúncia, não são para retratar a natureza. Para isso, utilizava as flores; neste quadro trata-se de uma denúncia à sociedade. Mas não o faz apenas como denúncia, e sim porque sente-se a traído pelas pessoas pobres. Inclusive pinta os velhinhos, mas não decrépitos, pinta-os como um resultado da brutalidade da vida. Não coloca o ancião decrépito. Goya, por exemplo, pinta uns reis velhos e decrépitos, e ninguém protestou, porque é a verdade.

O que mais se destaca em Van Gogh, é a combinação de cores, de figuras, de forma, de movimentos que ele faz, que reflete um amor muito profundo pela natureza e pelas massas. Pinta detalhes do campo, das plantações, da colheita, e é o detalhe de quem ama isso . Ele não é o pintor que se coloca por cima, este é um pintor a mais. Van Gogh sentia dentro de si tudo o que pintava. Na árvore retorcida se vê Van Gogh, também no amarelo candente, porque o seu objetivo era este (transmitir tais sentimentos – N. de R.). Expressava um pouco de sentimento religioso, porque era a sua origem, mas o que determinava era o amor à humanidade. Por isso a burguesia em sua época deixou-o jogado num canto. Agora isso mudou.

No futuro a concepção da arte, vai modificar-se. A arte surge de uma sociedade dividida, desigual, explorada, onde a inteligência encontra-se oprimida, sequestrada, e antes ela expressava mais pureza, porque surgia como uma necessidade de representação do ser humano frente a vida, quando ainda não existia toda essa opressão, então era mais pura. No futuro a arte vai expressar-se, na forma, como a dos primitivos, sem a necessidade da comunicação do primitivo. Ã arte é uma continuação que se centraliza na natureza, mas é uma criação humana, não da natureza. O ser humano é uma criação da natureza, mas a arte é uma criação do ser humano.

As cores utilizadas por Van Gogh não dão uma impressão tétrica, são cores muito sombrias que mostram o aspecto da miséria, da pobreza ou do abandono, de falta de meios, e de gente que vive interessada no que está fazendo. E mostra a falta de meios dessa gente.

Van Gogh viveu em plena época do ascenso capitalista, do poder colonial capitalista e suas pinturas não têm nada a ver com isto.

Ou seja, a arte se choca com o poder. As cores brilhantes, a sua combinação, dão uma sensação de harmonia que tem todo um efeito de atração agradável, não é uma cor que repele. A cor representava o sentimento das pessoas, da mãe, do filho, da relação humana das massas. E não o sentimento de poder a força, ela, ao contrário, inspira-se em sentimentos nobres, se não for assim, não existe arte. Aqueles que fazem outra coisa, não fazem arte. Pintam bem para uma pessoa, destacam bem a luz, mas não conseguem nenhum efeito humano, ou seja, mostrar que relação existe entre a humanidade e a pintura.

No quadro da colheita do trigo, este representa o trabalho do ser humano, é uma continuação do ser humano, das relações humanas. Por isso suas cores se destacam, não é uma cor vibrante, é a cor humana, que tem relação com a humanidade, o trigo é uma continuação do trabalho humano.

Os quadros das batatas mostram como Van Gogh vivia a tragédia do povo holandês, pintava a comida do povo, era sua forma de protestar. Unia a batata à vida das massas, a sua pobreza, e procurava motivos (para a pintura – N. de R.) inspirados na vida das pessoas, o que era um protesto e uma crítica à sociedade. Ele pinta a comida do povo e não dos ricos, nem da burguesia e nem dos reis; pinta batatas.

A crítica social através da arte

No quadro das botas , por exemplo, Van Gogh mostra-as como produto do trabalho e da vida humana, não pinta o esplendor do capitalismo que estava em pleno ascenso, fazendo a Torre Eiffell, conquistando a África e parte da Ásia. E ele pinta botas que mostram o trabalho humano. Em troca, os impressionistas eram muito atraídos por temas burgueses, quase todos seus temas eram burgueses. Mesmo sendo bons pintores, eram atraídos por temas burgueses, Van Gogh não. Por isso ele rompeu com os impressionistas.

As paisagens de Van Gogh mostram que havia nele um sentimento de solidão muito grande, mas ao mesmo tempo um sentimento de amor humano também muito grande. A solidão não o levava a opor-se à humanidade, a viver isoladamente ou servindo ao poder, era resultado de um problema psíquico que ele resolvia fazendo pinturas e unindo-se à natureza, porque ele se une mais à natureza do que aos seres humanos. Mas quando pinta pessoas, pinta o povo pobre, que produz, que trabalha, em contato com a natureza, pinta os instrumentos da vida, como o sapato, e não o dinheiro, o patrão ou a barriga do patrão. Pinta o sapato como um instrumento da vida, que pertence, ao operário que produz.

A arte no século passado, não podia render muito mais do que rendeu, era muito mais do que rendeu, era uma expressão individual, não podia criar um desenvolvimento coletivo, porque se tratava da propriedade privada. Mas no socialismo sim, se pode desenvolver no pintor a mesma concepção do sistema privado, e ainda que faça boas obras, desenvolve a concepção privada. A arte surgiu como uma medida de construção do ser humano, que é capaz de construir de forma superior que a própria natureza e as relações sociais portanto mostra que é capaz de construir muito mais do que as simples relações sociais podem ou permitem fazer. Isto vai elevar-se muito, mas não com o mesmo significado de agora, porque amanhã a arte deixará de ser uma obra para um sujeito, para umas tantas pessoas, e será para a sociedade.

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