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A Bomba de nêutron, arma de essência social contra-revolucionária(*)
28 de agosto de 1977 Ciência Edições Anteriores J. Posadas
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Ocupação de Berlim pelo exército soviético na derrota do nazismo. Sobre os escombros da guerra, as massas impuseram novos países revolucionários no Leste Europeu

(*)A bomba de nêutrons – as experiências com a bomba de nêutrons foram autorizadas e efetuadas em 1963, em instalações subterrâneas de Nevada nos EUA, com o pretexto do rompimento da moratória das experiências nucleares pela URSS em 1961. O desenvolvimento desta bomba foi suspenso na presidência de Carter e retomado por Reagan em 1981. Clinton em 1996 começou com o desmantelamento do estoque americano. A França explodiu a sua primeira bomba sobre o atol de Mururoa em 1980 e começou a produzi-la também.



A agonia mortal do sistema capitalista adquire, hoje, forma bem terminante que se expressa na bomba de nêutrons. É preciso ter claro que esta arma de nêutrons foi inventada, criada, essencialmente, com caráter local contra-revolucionário, para ser jogada contra uma manifestação, num comício, numa reunião, contra um movimento revolucionário. É uma arma criada para essa finalidade. É uma arma de essência social contra-revolucionária, para enfrentar os movimentos revolucionários.

 


 

Como toda arma mortífera ao máximo grau, também encontrará sua resposta ao máximo grau. E a resposta que em breve começará, e que nós propomos aos camaradas soviéticos, é o estudo de formas de organização militar, de funcionamento, que se oponham à bomba de nêutrons. Ninguém poderá impedir que a fabriquem e que a usem, então em vez de oferecer um alvo, oferecer mil alvos, nos quais eles tenham que distribuir-se. Essa bomba tem o mesmo sentido, com o qual a seu tempo, o capitalismo construiu as grandes avenidas na França para enfrentar as massas, eliminando os lugares nos quais se reunia o proletariado. Depois da Comuna de Paris, o capitalismo viu que as ruas, tal como eram, facilitavam a ação revolucionária, então, construíram grandes avenidas para impedir a concentração. Isso, de toda forma, não impediu o surgimento e a existência de 20 Estados operários. E a bomba de nêutrons tampouco determinará que o processo da história seja neutro. A uma arma mortífera responderão com outra arma mortífera, que é a organização revolucionária das massas.

 

Nós propomos que os Estados operários estudem a forma de organização e mobilização para enfrentar esta bomba. E uma das bases essenciais será um apelo aos exércitos, a influência e a pressão sobre os exércitos para que usem esta bomba contra os seus chefes. Além disso, virá a bomba anti-nêutron. Se o nêutron pode ser utilizado para asfixiar e matar, se há de encontrar o meio contra isso. Esse é um aspecto no qual se demonstra que não existe força que possa impedir o progresso da revolução, porque esta é uma necessidade básica da história.

 

A bomba de nêutrons indica que o capitalismo prepara-se consciente de que a revolução virá. Esta é urna bomba contra-revolucionaria. A guerra do imperialismo é contra-revolucionaria, mas esta não é urna bomba para ser utilizada numa guerra, é urna bomba contra ações revolucionárias. Para ações de guerra tem pouco uso, porque a próxima guerra não será um enfrentamento entre grandes exércitos, mas serão disposições de armas acionadas por um reduzido número de pessoas. Por isso é urna bomba que é destinada contra movimentos revolucionários, particularmente nos Estados Unidos e na Inglaterra. É contra as massas norte-americanas, francesas, alemãs, inglesas e do resto da Europa que esta bomba está preparada.

 

É preciso sentir que quando o imperialismo prepara tal arma, não é por necessidade militar. É mentira! É muito pequeno o efeito militar dessa bomba, o efeito é social. O que demonstra que o objetivo deles é suprimir as pessoas. É urna bomba essencialmente contra os movimentos revolucionários das massas. Toda a guerra do imperialismo é contra-revolucionaria, porém, esta é urna bomba contra os movimentos revolucionários das massas de cada país e contra a parte de suas próprias tropas que se rebelará.

 

Mas isso não resolve as contradições do sistema capitalista: matam todas as pessoas com a bomba de nêutron, reorganizam a economia e depois, quem consome? Em dez anos refazem todo o ciclo e depois devem matar novamente, ou, devem impedir que as pessoas nasçam. São as contradições do sistema de propriedade privada.

 

Reafirmo a conclusão: a bomba de nêutrons é destinada a ser jogada contra as mobilizações revolucionárias das massas. Esse é o objetivo essencial dessa bomba. A próxima guerra não será uma guerra de grandes movimentos como anteriormente, quando um exército de milhares se deslocava de um lado a outro para ganhar posições. Mesmo os navios não têm mais importância militar. As guerras serão de armas atômicas na água, na terra ou no ar. Inclusive o satélite, feito recentemente pelos italianos, dito para as comunicações telefônicas, é um satélite militar.

 

Tudo isso demonstra que o imperialismo está buscando a arma invencível. Não existe arma invencível, porque a arma não pode substituir as pessoas. E as pessoas são mais importantes que todas as armas. A guerra, por si mesma, irá levar ao campo da revolução a metade das pessoas que hoje não estão com a revolução. Somente a guerra produz essa virada O capitalismo, incluído os Estados Unidos, contam com isso, porque as massas vão fazer o mesmo também nos Estados Unidos. Antes da segunda guerra, não havia passado pela cabeça de ninguém que pudesse vir a revolução em países como a Tchecoslováquia, a Romênia, a Hungria e a Bulgária. Os Estados Unidos vêem isso; sentem que a guerra será um impulso anti-capitalista poderoso no próprio Estados Unidos, e deseja a bomba de nêutrons para conter esse processo. O capitalismo observa o comportamento das massas nos Estados Unidos: fazem um chamado em defesa da democracia e não vai ninguém. Enquanto que todo o mundo dizia: «terminem com o Vietnã, deixem o Vietnã». Não é por desinteresse, é o interesse de que o Vietnã viva e que os ianques não se metam.

 

Sem dúvida não preparam a bomba somente para os Estados Unidos. Preparam também para jogar contra o exército soviético e dos demais Estados operários, para matar o máximo que possam. Farão isso. No entanto, é preciso considerar a previsão de que começada a guerra, 50 por cento das forças do sistema capitalista se voltarão contra. Mesmo que não passem a agir imediatamente com a revolução, se voltarão contra. Se expressará de diversas formas, no esquecimento do fuzil, na falta de balas, mas de todas as maneiras darão uma virada

 

Por essa razão, o capitalismo está estudando um quadro de ameaças, porque observa o comportamento político dos seus oficiais e não tem tempo para preparar uma nova camada de oficiais, já que serão influídos, de toda maneira, pelo processo de decomposição social do capitalismo, e também ao mesmo tempo, pelo ascenso dos Estados operários. Se fosse somente a decomposição do capitalismo, este teria certa esperança. Mas junto com a decomposição está o ascenso dos Estados operários, que por sua vez, é de fato o fator essencial da decomposição do capitalismo. Dessa forma, o capitalismo vê que a decomposição surge não do fato de que os oficiais vejam que irão morrer, mas porque estão frente a um regime social superior. Tres dirigentes militares do capitalismo já manifestaram isso: «perderemos a guerra porque a União Soviética é um regime social superior».

 

 

J. Posadas

28 de agosto de 1977

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