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A GUERRA E A ELIMINAÇÃO MUNDIAL DO SISTEMA CAPITALISTA
27 de outubro de 1979 Artigos Edições Anteriores J. Posadas
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Este é um processo de inevitável preparação de guerra por parte do
imperialismo. Isso requer tempo, mas a guerra pode eclodir a qualquer
momento, porque ela não depende da sua preparação militar, mas do
desenvolvimento da crise social mundial anticapitalista. E esta crise vai
derrotar o capitalismo sob todos os pontos de vista. O capitalismo entrará na
guerra; já a prepara no interior dos processos revolucionários.

Os Partidos comunistas dos países capitalistas não promovem a discussão
sobre esse tema. Os Estados operários têm, em parte, noção destes problemas;
não completamente, mas em parte sim. A guerra será muito curta e a
revolução, a explosão revolucionária mundial muito rápida. Terminará com
toda a Europa, a Ásia, a América Latina e, parte da África, transformadas
em Estado operário. Será todo um processo mundial de desenvolvimento da
revolução, ainda que num só lance.

O imperialismo vê isto. Prepara a guerra não só pela crise econômica,
mas porque é consciente deste processo. Mesmo que não existisse a crise
econômica, prepararia a guerra da mesma forma. Está desencadeando-se
um processo que derruba as estruturas sociais do capitalismo. Os Partidos
comunistas não estão habituados a pensar nisto. Viveram com o pensamento
idílico de persuadir os capitalistas, de substituí-los ou anulá-los. Esse era o
pensamento deles e desenvolveram uma camada de conciliadores. A história
não suporta isto porque não pode avançar desta forma e o Estado operário
ainda não tem a direção genuína; sua direção é burocrática, mas se aproxima à
necessidade (ainda que não a expresse) e tenderá a se aproximar cada vez mais
da necessidade, eliminando aqueles que são um estorvo e uma perturbação a
uma integração maior da população com o Estado operário. Esse é o sentido

da crítica de Breznev a vários ministros soviéticos. Não se trata da crítica a
um ladrão, mas da crítica a elementos que separam a população dos planos do
Estado operário, e das conclusões que surgem destes planos.

O Estado operário tem que se preparar necessariamente ao antagonismo
histórico com o capitalismo. Isso surge naturalmente. A população no Estado
operário se educa no antagonismo com o sistema capitalista; não com as
pessoas que vivem nos países capitalistas, mas com o sistema capitalista. E foi
assim mesmo considerando todas as limitações da época de Stalin; apesar de
Stalin haver impedido o pensamento marxista e qualquer pensamento, ainda
que empiricamente dialético. Mas quem terminou esmagada foi a burocracia
soviética, e o stalinismo, que é o aspecto assassino da burocracia. Enquanto
que a burocracia de hoje tem que impulsionar a revolução.

Hoje a União Soviética é o aliado natural do progresso, não um aliado
circunstancial simplesmente. Sua raiz e seu objetivo histórico determinam
que seja assim. Ainda não tem a compreensão, nem os interesses sociais
necessários; mas tampouco são opostos. Isso se verifica na nova Constituição
soviética (1).

Os Partidos comunistas não discutem nada disto, quando teria que ser sua
preocupação fundamental. Enquanto eles não discutem, a mãe de Cárter
declara que é preciso matar Khomeini. E Breznev está dizendo aos ministros
que eles estão trabalhando para si mesmos enquanto a população necessita
dispor de serviços elementares. Neste processo tem uma importância muito
grande o confronto do significado da classe operária como classe nos países
capitalistas, e da classe operária representada pelos Estados operários, que são
a forma de expressão superior da classe operária. O Estado operário representa
os interesses históricos do futuro. O proletariado dos países capitalistas, sendo
importante, não os representa. O proletariado do Estado operário sim, porque
ele já tem o Estado operário. É ele que estimula a revolução mundial. Não há
discussão sobre isso nem nos Estados operários, nem nos Partidos comunistas.

De toda forma, o proletariado dos países capitalistas tem a sua importância,
porque é o centro para impulsionar as lutas sociais destes países e preparar a
derrubada do capitalismo no momento que este lançar a guerra.

Nós não confiamos na força de um ou outro Partido comunista dos países
capitalistas – embora confiemos em que tem que se desenvolver uma reação
como a que já se inicia no Partido comunista italiano – mas, sobretudo, na

força do proletariado dos Estados operários, que é quem tem a autoridade
frente ao mundo, e não o alemão, o italiano ou o francês. Sendo importante
a função do proletariado destes países, é o Estado operário, os Estados
operários como tais, que incluem o proletariado e toda a população, os que
têm influência. A humanidade vê neles uma direção, vê o proletariado na sua
forma de direção mundial através do Estado operário.

O capitalismo não tem possibilidade de fazer retroceder a história e
tampouco a burocracia, porque já existe a inteligência; já existe a estrutura
mundial do conhecimento, das relações humanas, o conhecimento e a estrutura
científica e técnica. Pode-se destruir tudo isso, mas voltará a se construir e
melhor que antes. Poder-se-á destruir tudo o que existe de material, mas o
conhecimento e a segurança adquiridos, a organização, a homogeneidade e
coesão adquiridas pela humanidade não podem ser destruídas.

O maio de 1968 foi a expressão, numa etapa sem direção, e com a
resistência e a oposição dos Partidos comunistas e socialistas, de uma enorme
quantidade de pessoas que se tornaram revolucionárias fora dos partidos
comunista e socialista, e que ao não terem uma resposta programática nem
uma direção política para progredir se diluíram. Não foram vencidos, nem
esmagados, nem obrigados a retroceder, nem dissuadidos ou dissolvidos pela
repressão capitalista, mas limitados pela falta de direção política, de programa
e de objetivos.

Não é verdade que o Maio francês de 1968 tenha terminado. O processo
atual é um novo Maio e isto significa que uma quantidade enorme de setores,
que não estão organizados em partidos operários, nem nos sindicatos, sai
a lutar. Parte deles são os ecologistas. A sociedade está madura para se
transformar. Daí a urgência do capitalismo em preparar a guerra. A sociedade
está disposta a mudanças atrás de mudanças. Nestas condições o imperialismo
prepara a guerra encontrando resistência em alguns países capitalistas, não ao
uso da arma atômica em si contra os Estados operários e o proletariado, mas
por seu enfraquecimento como países capitalistas na sua concorrência com
os ianques, porque sentem que se debilitam nesta concorrência. Estas são as
contradições do sistema capitalista que não existem nos Estados operários.

Entre a China e a União Soviética não existe antagonismo nem contradição.
O problema é outro: a direção política. No sistema capitalista, ao invés, se
trata da estrutura de cada país, da burguesia de cada país que se choca com a
outra. No Estado operário é a direção, não a estrutura do país.

Assim que se iniciar, será muito rápida a mudança da direção chinesa. Na
China se produziram constantes mudanças de direção, passando pela época
das «cem flores» (2) e pelos enormes exageros da direção com respeito à
colheita de trigo que se havia realmente obtido. Ocorreram mudanças totais
de direção por falta de funcionamento e de estrutura como Partido. Tudo isso,
porém, é resultado da burocracia soviética, não é um resultado intrínseco aos
chineses; não é um mal chinês, é um resultado da burocracia soviética, do
estrangulamento, da pressão e da imposição que a burocracia soviética fez
sobre a China. A China dependia dela para o fornecimento de armas, para a
direção militar e tudo o que necessitava.

A guerra vai ser um ato desesperado do capitalismo, que ainda tem os meios
de lançá-la devido aos erros dos Estados operários, aos interesses burocráticos
de suas direções, que não criaram a corrente comunista necessária. Os
Partidos comunistas dos países capitalistas, com suas limitações, resultam da
burocracia soviética, do stalinismo. Porém a guerra é o fim do capitalismo
e é preciso destacar isso para educar a pequena burguesia, para ganhá-la e
preparar a classe operária, os Partidos comunistas, os cientistas, os técnicos
para a etapa da guerra e para que se torne o mais curta possível e permitir a
reanimação da humanidade no prazo mais breve possível.

Diferentemente do que sucedeu em outras guerras, nas quais a revolução
ocorria nas etapas finais, esta agora vai se desenvolver imediatamente,
porque os soviéticos vão promovê-la e apoiá-la. As condições não serão as
que o imperialismo quer. Por isso este busca fazer uma guerra relâmpago,
percebe que não pode manter-se. A guerra não vai ter o caráter que imaginam
muitos dirigentes comunistas, de desastre; na realidade vai estimular a
revolução rapidamente. A revolução não vai demorar quatro anos como na
guerra anterior, será muito rápida. E, além disso, o exército soviético e os
Estados operários têm, como parte de sua estratégia, o apoio das massas. E
o proletariado dos Estados Unidos não está submetido. O proletariado russo
também parecia submetido e tomou o poder. O proletariado norte-americano
lê. Não tem vida política nem sindical, mas está aprendendo.

O capitalismo prepara a guerra, porém o mundo capitalista não pode
determinar as conseqüências da guerra. Ao contrário, são os Estados operários
que estão preparados. A guerra vai ser muito curta e vai significar a destruição
dos principais centros do sistema capitalista, porque o capitalismo não
terá força para reorganizar-se, enquanto que o Estado operário fará isso

naturalmente. Se na guerra anterior, sob o impulso da influência soviética
metade da Europa se fez comunista, desta vez será muito mais profundo. E na
China esta direção será liquidada (3).

A guerra de 1870 trouxe a Comuna de Paris; a de 1914 trouxe a União
Soviética; a guerra de 1939 trouxe vinte Estados operários; a guerra da
Indochina trouxe três Estados operários; e a guerra que o imperialismo prepara
trará o fim do capitalismo e da burocracia. Isso não é automático, mas esse é o
programa da história.

Por isso o imperialismo quer fazer algo fulminante, onde intervenha todo o
mundo. Percebe que não pode entrar numa guerra na qual sejam vencedores
os seus rivais capitalistas. Para o imperialismo não se trata somente da
União Soviética, mas também da Alemanha, do Japão e dos outros países
capitalistas. O que prevalece é o interesse de classe de enfrentar a União
Soviética, mas também existe a concorrência com os outros países capitalistas.

Os mísseis que os ianques querem instalar na Europa não modificam muito
a situação. Modificam, mas não muito. Os países europeus já têm mísseis
que não alcançam a URSS, mas alcançam os outros Estados operários. Agora
vão instalar mísseis que atinjam a URSS. E vão obrigar a União Soviética
a liquidar todos estes países europeus, o que é fácil porque já possuem
mísseis para isso. O interesse do imperialismo é de fazer com que os países
capitalistas europeus paguem o custo destes preparativos de guerra. Por
isso a resistência dos europeus, como a Alemanha, que sentem que podem
agüentar sem essas armas. Mas é limitado o que podem agüentar impedindo
o armamento, porque por sua vez sentem que como capitalistas têm que
enfrentar de toda forma os Estados operários. Isto vai acentuar uma tendência
no capitalismo europeu favorável a um maior endurecimento das lutas contra
os sindicatos, contra os partidos comunistas, para ir preparando o aparato para
a guerra.

Mas o capitalismo, na sua insensatez, não vê a diferença: uma coisa é a
guerra entre os capitalistas e outra coisa é a guerra contra o Estado operário,
na qual, ainda que tomem medidas de repressão, não terão nenhum apoio e se
produzirão levantes muito mais rapidamente, porque o invadido se unirá ao
invasor. Na guerra, a União Soviética necessita como parte de sua estratégia,
unir-se às massas do país em que vai entrar. Já o fizeram antes com os alemães
e agora farão de forma muito superior.

As burguesias européias querem os mísseis ianques para a defesa do seu
interesse como sistema capitalista alemão, italiano e dos outros países e não
porque queiram prestar um serviço aos ianques. As bases ianques na Europa
existem não só pelo interesse ianque, mas para defender o sistema capitalista
europeu.

Os mísseis na Europa vão ser controlados pelos ianques. Mas para controlar
todo este sistema, desde Nápoles até a Bélgica, necessitam de um instrumento
com uma coordenação que só é possível quando há confiança no regime.
Não é uma coordenação que possa ser conseguida só com a estrutura militar:
requer a confiança de que o que se faz está certo. Mas entre os ianques não
existe isso; a metade dos sujeitos que compõem o aparato desertarão. Não
têm nenhuma segurança nem confiança. É gente que está aí por dinheiro, por
interesses, mas que tem o medo que lhe dá o interesse e a consciência que lhe
dá o medo. Enquanto que nos Estados operários isso não existe. Ceaucescu,
apesar de suas posições, teve que declarar no Congresso do Partido comunista
romeno que se atacam o Pacto de Varsóvia, a Rumenia estará com ele. Tito
também terá que fazer a mesma coisa.

Muitos dirigentes comunistas europeus sentem-se satisfeitos de que
passaram «trinta anos sem guerra»; e pensam que isto se deve à habilidade
dos Partidos comunistas. Mas não falam que igualmente houve guerras, aonde
morreram milhões, nem falam dos que morreram como conseqüência dos
danos provocados pelo sistema capitalista. Eles dizem isso porque na Europa
não houve guerras, porque eles não sofreram as conseqüências das guerras
que ocorreram em outros lados. Estes dirigentes acreditam que as pessoas têm
medo da guerra. Mas é o imperialismo que em primeiro lugar tem medo da
guerra.

Estes companheiros acreditam que foram eles que conseguiram evitar
a guerra até agora. Na realidade, são os Estados operários que impedem a
guerra. O capitalismo agüentou até hoje sem guerras, mas já não pode mais
porque a crise se aprofunda. E agora, junto com os preparativos da guerra,
na Itália se reduz o pagamento do auxílio-desemprego. Isto significa que
o capitalismo se prepara para defender-se do desemprego. Sente que se
preparam grandes lutas e prepara a guerra. Esse é o plano combinado do
capitalismo: instalar os mísseis e não pagar mais aos operários. A culpa pelo
desemprego é do capitalismo, não dos operários. Os operários não deixam
de trabalhar porque queiram, mas porque não lhes dão trabalho. Isso vai
generalizar-se e na França já se iniciou também; aí já começaram a liquidar

os operários estrangeiros. Quando tomam tal medida, que em última instância
lhes provoca uma perda de votos, é porque preparam outra coisa: a guerra.
Na cabeça dos capitalistas existe esta conclusão. Como não podem lançá-la
quando queiram, nem como queiram e, sobretudo, como sentem que é o seu
fim, surgem temores, hesitação, dúvidas e lentidão para dirigir este processo.
Do contrário, há muito tempo já teriam feito este plano de armamentos.

O capitalismo trata de buscar um equilíbrio na economia para se preparar
para a guerra. Sua crise avança, avança e aumenta a profundidade do processo
revolucionário. O imperialismo entra na guerra nas piores condições. Não tem
aliados no mundo. Em cada país capitalista aliado, o povo não é seu aliado.

J. Posadas, 27 de outubro de 1979

(1) A propósito da Constituição soviética, aprovada em maio de 1977, J.
Posadas escreveu um trabalho intitulado “O progresso das lutas no mundo e
a constituição soviética”, de 3 de junho de 1977, publicado em língua
espanhola no volume “La función de la Urss en la transformación socialista
de la humanidad”, edita-do pelas Ediciones Ciencia, Cultura e Política de
Colômbia.
(2) Em 1957 a direção chinesa junto com um maior incentivo de preços à
produção agrícola e a reorganização das cooperativas, adotou uma política
dirigida a atrair os intelectuais, concedendo-lhes direitos especiais, que foi
chamada de “cem flores”. Um ano depois tiveram de mudar de política.
(3) Se refere à direção reformista de Deng Siao Ping que promoveu a
economia de mercado e, entre outras, em 1979 a invasão contra-
revolucionária da China ao Vietnã.

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