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A NONA SINFONIA DE BEETHOVEN E O PROGRESSO DA HUMANIDADE
23 de maio de 1975 Edições Anteriores J. Posadas
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A música é uma criação do ser humano, que se desenvolveu com o processo da civilização humana. Ela expressa um dos níveis mais elevados de harmonia que o ser humano alcança. O que promove e determina a base essencial da música é a busca do sentido, da explicação entre a vida e a natureza, da relação da vida com o céu, com os seres humanos, e entre os seres humanos. Na etapa de Beethoven, este expressa, através da música, o que a mente dos filósofos, dos historiadores, dos sociólogos daquela época buscavam explicar, respondendo à necessidade de ordenar a vida da humanidade. O processo de criação de um gênio musical não se dá da mesma forma que de um Marx. Marx é resultado da compreensão do processo dialético e da existência do proletariado, do desenvolvimento dos regimes sociais, dos sistemas de propriedade, de produção, do regime de propriedade privada que criou o proletariado. Ao se criar o proletariado, criou-se uma condição nova para a elevação dos meios, das condições para a humanidade se libertar de todo tipo de sujeição. Não é o músico quem cria essas condições. Ele é um reflexo delas. E devem surgir condições prévias para que este se manifeste. Ou então, ele expressa antes que surjam estas condições, como é o caso da produção do músico, do artista, do pintor revolucionário. Isto é, ele prevê o curso da história sem ter plena consciência da motivação da estrutura social. Ele a exprime. A música de Beethoven é isso. Sendo um produto da revolução burguesa, da revolução francesa, expressa um nível, um alcance infinitamente superior aos limites da revolução burguesa. Ele expressa o nível alcançado pela inteligência humana, a capacidade de sentir, de reproduzir as relações humanas através da música, de forma superior. A sua música não se limita ao quê fazer diário, mas resplandece o desenvolvimento dos objetivos que a história já possibilitava que se manifestassem no ser humano. Apesar da limitação imposta pela propriedade privada, o desenvolvimento da revolução burguesa abria caminho à vida da democracia e da ciência. E mesmo mantendo a visão celestial, impulsionava os acontecimentos terrenos, sem ocultar o céu, mas libertando-se da sujeição a este. E Beethoven expressa, na música, o mais alto nível de harmonia entre a natureza, as relações humanas e o indivíduo, através da sua capacidade de interpretação, de organização, de sentimento e de consciência. A música se faz com a superestrutura do cérebro e não apenas com a inteligência. Forma parte da inteligência; é uma das maneiras mais elevadas da inteligência, ainda que não seja a mais completa. A mais completa é a de Marx, pois é a que dá as idéias para mudar a sociedade. Porém, em Beethoven expressa-se a mesma necessidade, a mesma capacidade do ser humano de chegar a tal nível de capacidade e de evolução. Se não se chegou a uma forma superior no Estado operário foi devido às travas exercidas pela direção de Stalin; do contrário, já teriam existido outras expressões superiores a Beethoven. Elas não existiram não por que não houvesse condições, mas porque o regime ou a direção stalinista impediu a continuidade de Marx, nesta etapa da história, que se daria através de Trotsky. Beethoven é ouvido e apreciado porque forma parte de um objetivo da humanidade: harmonizar a existência, elevar o seu o nível cuja base é a alegria humana de viver. E a alegria humana de viver tem que sugerir, desenvolver idéias nobres. Idéias que expressem a fraternidade e que sejam a base das relações humanas. A música de Beethoven expressa isso. A sua harmonia conduz à fraternidade humana. Por isso, em sua mais completa obra, a Nona Sinfonia, ele teve que introduzir o coro. A música era insuficiente para ele expressar o que sentia. Mesmo sendo a música mais elevada que já se ouviu, e, possivelmente, até que estejamos no socialismo, não escutaremos algo superior a Beethoven, mas ele incorporou o coro. Isso tem um significado histórico. Não era uma imitação da ópera, como dizem os historiadores da época. O coro de Beethoven não se assemelha, nem conduz a lembrar ou pensar em nenhuma ópera. Pelo contrário, a voz humana é superior ao som do instrumento. O som do instrumento também é parte do ser humano, mas passa pelo instrumento, e então a capacidade da expressão se vê cortada, diminuída. A voz é direta, reflete diretamente os sentimentos, comunica, organiza. A forma mais elevada de expressão da música é a voz humana. A forma mais elevada da fraternidade na música é expressada dessa forma por Beethoven. O que Marx expressou em sua obra, Beethoven expressou da forma mais completa na música. Podia expressar-se através da pintura, mas o efeito seria inferior, tanto com relação à música quanto como obra intelectual. O intelectual conduz à ação direta; organiza, prevê, desenvolve o raciocínio. A pintura sugere, motiva bases para raciocinar. A capacidade teórica do marxismo dá diretamente os instrumentos para compreender as causas, os fatores que intervêm na história e determinam. Na música não. Na música o músico deve interpretar, sentir (através do que se chama sensibilidade) a inspiração. Mas a inspiração não pode ser feita se não há um sentido de unidade com o ser humano, como expressa Beethoven. Por isso só há um Beethoven, que é superior a Bach, que foi dos mestres de Beethoven na forma da música, mas não socialmente. Escutamos Beethoven porque forma parte do objetivo do comunismo: elevar as relações humanas, a vida a un nível superior repleta de fraternidade. Beethoven é quem mais se aproxima disso. Beethoven poderia ter sido superado no Estado operário. Mas, mesmo assim, no Estado operário, sem Stalin, com o socialismo, é necessária uma forma estável de sociedade para expressar as formas mais elevadas de expressão artística. Beethoven já expressava a segurança de um regime que se mostrou superior ao feudalismo. E no socialismo são necessárias relações superiores para dar músicos e pintores. Escutamos Beethoven com a mais elevada alegria de sentir-nos comunicados, unidos aos criadores das relações humanas, da fraternidade humana qualquer que tenha sido o lugar ou a função que eles exerceram, como Beethoven na música. Sem dúvida, que há uma diferença muito grande entre Beethoven e Marx. Marx dava a base para dirigir, intervir e transformar a história. Beethoven dava um dos elementos para desenvolver a alegria para decidir-se a mudar a história. São diferenças de funções. Os dois eram necessários na história. A “Apassionata”, a melhor sonata de Beethoven, expressa uma comunicação e um sentimento de paixão muito profundo. Sentimento harmonioso extremamente profundo. Mesmo com aspectos melancólicos, em determinados momentos, a melancolia não desce ao nível da angústia, mas conduz à reanimação por meio do amor. A melancolia de Beethoven era por viver só, não ter companheira, por ter tido uma série de problemas com uma mulher que amava. Mas entre a mulher que amava e a música, ficou com a música. E na “Apassionata” mostra uma profundidade muito grande de sentimento apaixonado, que é um exemplo, um guia para todos. E especialmente para nós, para sentirmos que tudo o que se faça de digno na história tem que ser apaixonadamente. A paixão não é o torvelinho do ritmo, mas o sentimento de acúmulo de decisão, de amor para conseguir o que se quer. Demonstrar que se age com carinho e amor à vida, aos seres humanos e ao porvir, ou ao que chamamos de porvir. E Beethoven mostra isso muito bem. Ele era um grande apaixonado pela música e, através dela, da vida. E através da vida, da fraternidade humana. Por isso criou a Terceira, a Quinta e a Nona, que são três símbolos da fraternidade humana. E na Terceira Sinfonia está a marcha fúnebre, que não conduz a pensamentos de luto, de morte, do companheiro que se vai, mas a uma descrição de um acontecimento fora do nosso domínio – que é a morte – mas que a compreendemos, deixando de ser uma imposição.

J.Posadas

23 de maio de 1975


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