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A REBELIÃO DAS MASSAS DA CRIMÉIA, DONETSK E LUGANSK E O PAPEL DA RUSSIA
08 de setembro de 2014
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Bandera vermelha em Berlin na vitória contra o nazismo em 1945

A REBELIÃO DAS MASSAS DA CRIMÉIA, DONETSK Y LUGANSK CONTRA O GOLPE FASCISTA PRO-IMPERIALISTA E O PAPEL DA RUSSIA COMO PARTE DA FRENTE ÚNICA MUNDIAL ANTIIMPERIALISTA

 

Merece relevo e apoio a decisão das massas da Crimeia, seguida por Donetsk e Lugansk (no referendum do dia 13 de maio) de unir-se à Russia, que respondeu positivamente, permitindo à classe operária desde Sloviank até Marivpol na Ucrania a expressar – com a força da humanidade – sua vontade anti-nazista e antiimperialista de construir Repúblicas Populares e Federações contra a OTAN.

 

Por outro lado, foi determinante a firmeza com que a Rússia, sob a direção de Putin, respondeu à iniciativa e ao chamado das massas de origem russa na Ucrania, mobilizando o exército e fazendo uma campanha mundial para denunciar a ingerência imperialista nos fatos, rechaçando o golpe de estado em Kiev.

 

A direção russa não somente não se intimidou, como ameaçou o imperialismo com terríveis contra-sanções. Putin dirige-se à burguesia europeia para separá-la da frente-anglo-americana, advertindo-a de que se continua intervindo, terá que pagar um preço terrivelmente alto; leia-se, interrupção do fornecimento de combustíveis e gás à Europa, uma maior aproximação da Rússia ao BRICs, e o recente acordo com a China: Putin visitará a Pequim para assinar um acordo histórico que garantirá 38 bilhões de metros cúbicos anuais de gás durante 30 anos. Esta atitude firme teve um enorme efeito interno na Rússia, unificando as forças políticas do Parlamento, inclusive os comunistas e outras forças, criando uma unanimidade programática sem precedentes e um gigantesco consenso social. Esta é a prova cabal da existência da difusa memória histórica da União Soviética. A linguagem de Putin não é a da conciliação, mas do enfrentamento com o imperialismo. Não é somente uma linguagem diplomática. É um chamado às massas europeias e norte-americanas a romper com a barreira das mentiras do imperialismo e entender que a política norte-americana e europeia é de pura agressão militar. Seria importante ler os discursos de Putin no http://revolucaosocialista.com/index.php/2014/04/21/discurso-historico-de-vladimir-putin-sobre-a-crimea/ e no http://www.voltairenet.org/article183420.html.

 

Estimuladas por esta postura firme de Rússia, as massas da Criméia – e também de Donetsk, Járkov, Lugansk, Slaviansk e outras cidades do Sul e Leste da Ucrânia – se mobilizam rechaçando o golpe pro-imperialista e fascista de fevereiro em Kiev. As declarações por Repúblicas Populares em várias regiões do país e manifestações junto às estátuas de Lenin demonstram como está viva na memoria a experiência da União Soviética. Ao querer integrar-se a Rússia, mostram que buscam a força material – que não podem ter sozinhos – para não deixar-se dominar pela Otan e a União Europeia.

 

Os trabalhadores e trabalhadoras da Ucrânia rechaçaram energicamente o governo pró-fascista e de direita de Oleksandr Oliynyk e de Peniouk em Kiev. Eles se opõem ao saqueio da Central Sindical em Kiev, às provocações e matanças, aos prógroms anti-comunistas, anti-russos e anti-judeus. Rechaçam a inaceitável repressão da língua Russa e de outras minorias da Ucrania.

 

Nas minas, as empresas, as construções navais e aeronavais, nos portos e nas bases militares ucranianas na Criméia, como em Sebastopol, os operários, os comunistas, os militares e suas famílias votaram massivamente no referendum para sua integração à Rússia. A incorporação da Crimeia à Rússia desencadeou um processo de levantamentos “pró-russos” em todo o leste da Ucrânia. As regiões da Ucrânia de maior peso industrial e proletário querem ser parte da Rússia porque sentem que se trata de um enfrentamento entre civilização e fascismo; já não confiam nas ilusões da aproximação ao capitalismo e valorizam as conquistas do comunismo. Por isso, defendem as estátuas de Lenin, enquanto que os fascistas de Kiev as derrubam.

 

O acordo de Genebra em que a União Europeia, Estados Unidos, Ucrânia e Rússia adotaram a decisão de desarme de todos os grupos ilegais, da desocupação de todos os edifícios em mãos dos pró-russos, a anistia dos manifestantes e o diálogo entre as partes enfrentadas não teve nenhum resultado prático. A Rússia tratava com isso de impor um retrocesso e isolar ainda mais os golpistas de Kiev, que evidentemente não têm nenhuma intenção de sair pacificamente do poder, sendo títeres do imperialismo.

 

A resposta tem sido a atual ofensiva militar que praticamente autoriza a Rússia a intervir na Ucrânia: Putin não descarta enviar tropas para defender os russos do leste, como fez na Crimeia para apoiar as forças de autodefesa e coloca que a reunião em Genebra não dá nenhuma legitimidade ao governo de Kiev. O massacre criminoso em Odessa, com o assalto à central sindical e o assassinato de 49 pessoas, e a ofensiva militar contra as cidades em rebelião contra os golpistas de Kiev, atiram uma pá de cal sobre a tentativa de acordo.

 

A operação militar lançada pelo governo de Kiev contra os sublevados do leste da Ucrânia é um fracasso: o exército e a policia se negam a disparar contra a população. Isto desautoriza o governo de ultra-direita e confirma a debilidade das forças armadas onde setores importantes passaram ao lado dos sublevados.

 

O imperialismo aplica sanções econômicas e políticas muito débeis contra a Rússia. Não obstante, a Otan reforça a sua presença na Lituânia e na Polônia e os ianques enviam navios de guerra com mísseis ao Mar Negro; mercenários da Otan já atuam para estimular a repressão e a ofensiva militar dos golpistas. O anuncio da Otan de mobilizar suas tropas por terra, mar e ar no leste da Europa, especialmente na Polônia e Rumânia e os países bálticos é porque já vê o fracasso deste governo títere da Ucrânia, mas principalmente porque vê os efeitos e influências que esta reação das massas ucranianas e russas contra o golpe fascista pode ter nos outros ex-Estados operários (países socialistas).

 

O problema é que nenhum teórico ou estratega do imperialismo anglo-americano foi capaz de analisar o que J. Posadas definiu como países baseados nas estruturas de Estados operários. Isso significa que a ex-Urss não estava completamente destruída, pois restavam as bases do Estado operário, estruturas estatais, apesar de parcialmente privatizadas, e depois re-estatizadas, bases da planificação econômica, o controle do Estado sobre setores essenciais da economia, a experiência das massas em exercer certo controle da economia, como na época soviética, a memória da Revolução Russa e do partido bolchevique, junto à memoria de haver sido responsável pela derrota do nazismo na segunda guerra mundial. Em resumo, a experiência do Estado operário soviético.

 

Mas a influência não provem somente da Ucrânia, mas também da Rússia, da Síria, do Oriente próximo, da América Latina, cujas mobilizações e lutas são a base do funcionamento de uma frente objetiva antiimperialista.

 

A aliança entre a China e a Rússia – com uma mudança radical com respeito à debilidade demonstrada frente aos fatos da Líbia – impetrou um fracasso na intervenção imperialista na Síria: os terroristas financiados pela Arábia Saudita e pelo imperialismo vão de derrota em derrota. O povo sírio teve a tenacidade social de resistir e basear-se nas forças mundiais, fundamentalmente no apoio russo e em elementos do Estado Revolucionário ainda vivos dentro do país. Isto impulsionou as massas do Estados Unidos e da Inglaterra, por exemplo, a manifestar-se para impedir o bombardeio imperialista contra a Síria. Mas, o fator mais decisivo foi a firmeza da Rússia, da China e de Putin em particular. Todas estas forças mundiais fazem retroceder o imperialismo mundial.

 

Esta mudança nas correlações de forças mundiais representa um apoio imenso à defesa da Revolução Bolivariana e à construção socialista da América Latina. Por isso, a direção de Nicolás Maduro na Venezuela declara firme vontade de basear-se na classe operária “para que nunca volte a burguesia a governar no Palácio Miraflores”. A resistência dos governos de UNASUR e do MERCOSUR (Brasil e Argentina incluídos) junto ao povo e ao governo da Venezuela derrotaram o golpe de estado apoiado pelos ianques. A tentativa de utilizar a OEA para condenar a Venezuela fracassou. As tentativas de desestabilização da Venezuela não conseguem obter os mesmos resultados, devido à existência de um movimento cívico-militar de massas organizado e com objetivos claros de luta pelo socialismo. Não obstante, as massas da Ucrânia aprenderam rapidamente e tem reagido.

 

Apesar de que a unificação China-Rússia significou uma mudança extraordinária na correlação mundial de forças, ela por si mesma não tem sido capaz de impedir o avanço da contrarrevolução propiciada pelo imperialismo na Ucrânia. Por isso, é necessário desenvolver um amplo debate sobre os temas de fundo desta rebelião e resistência das massas da Ucrânia, sobre a necessidade da organização de partidos revolucionários no mundo, e a Frente-Única Mundial anti-imperialista.

 

No há lugar a dúvidas de que o imperialismo expõe toda sua cara de morte e mentiras preparando-se para repetir o que fez na Síria, na Líbia, como faz na Venezuela, dividindo os povos por meio das “revoluções de cores”, com os “golpes suaves”, repletos de mentira e propagando via terrorismo midiático, e por fim, com os mercenários e franco-atiradores: é o mesmo roteiro em todas as partes, mas agora se depara com um “Basta!” gigantesco das massas da Ucrânia. Tudo o que a humanidade necessita é uma direção, e a Rússia, neste momento, com todas suas limitações, mas com sua grande potência militar e social, se apresenta como eixo fundamental para tal.

 

Jornal Revolução Socialista

13 de maio de 2014

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