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A VENEZUELA E O MERCOSUR, NA VISÃO DE HUMBERTO GÓMEZ GARCÍA
03 de julho de 2012 Artigos Batalha de Ideias Economia
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Trincheiras de Ideas

O sociólogo e historiador Humberto Gómez García analisa, neste artigo, as conspirações da direita do Paraguai e de seu próprio país, a Venezuela, para travar, durante longos e intermináveis oito anos, o ingresso do país petroleiro no Mercosul. Tudo isto porque, segundo ele, os conservadores não entenderam os novos tempos da América do Sul e seus governos progressistas voltados para a ascensão social e econIomica de seus povos.

Finalmente, depois de uma longa luta e paciente espera, a Venezuela ingressou como membro pleno no Mercosul e o fez pela porta grande, com a dignidade que caracteriza nosso governo revolucionário e depois do que poderíamos considerar uma impecável manobra plítica contra a oligarquia paraguaia e seus mentores sionistas e do governo norte-americano, por parte dos governos progressistas e de esquerda do Brasil, Argentina e Uruguai.
Fica evidente que a oligarquia paraguaia e o tiro dos senadores que durante seis anos freiaram e obstaculizaram o ingresso venezuelano no Mercosul saiu pela culatra. De uma assombrosa miopia política e um ódio visceral contra a Venzuela, seu governo e o líder da revolução Hugo Chávez, a direita fascista paraguaia, ao derrocar o presidente Lugo, evidentemente, tramava diretamente contra nosso país e trancava sua entrada no organismo.
Desatentos da realidade política que vive a América do Sul, os golpistas calcularam que sua cavilosa ação contra a nascente democracia paraguaia não teria a transcendência política que teve, começando com o seu isolamento diplomático por parte de praticamente todos os os governos que não o reconheceram, e sua suspensão da Unasul e do Mercosul.

Mas a ignomínia golpista não terminava aí, a saída do Paraguai do Mercosul significou, ipso facto, o ingresso, por maioria e unanimidade, da Venezuela no Mercosul. Tamanha dinâmica política, de impecável procedimento dos três governos que controlam a entidade é demonstrativa dos novos tempos políticos que vive nosso continente americano.
Essa decisão de abrir de imediato a entrada da Venezuela depois da saída dos golpistas gorilas paraguaios encerra evidentemente um ciclo de luta anti-imperialista dos setores nacionalistas e populares, que começou em Quebec, em 2001, quando apenas Chávez, presidente da Venezuela, e chefe do nascente governo bolivariano, votou, na Cúpula das Américas, contra a criação da ALCA, monstrengo colonialista proposto pelo genocida Bush, então presidente dos Estados Unidos. A arrogância imperial impôs inclusive uma data de nascimento do infame pacto, onde uma vez mais, o tubarão engoliria a sardinha latino-americana, se a agressão não fosse enfrentada: o ano de 2005.
É preciso analisar o histórico latino-americano entre o ano 2000, quando surgiu a proposta a ALCA, e o de 2005, quando foi abortada na Cúpula das Américas de Mar Del Plata, na Argentina, em que a dignidade e a coragem do presidente Néstor Kirchner, que enfrentou o presidente Bush e não se deixou intimidar pelo chefe imperial, ali morrendo a estratégia econômica de maior vulto preparada pelos governantes norte-americanos para garrotear a América Latina.
Neste 2005, o Brasil era governado pelo líder sindicalista Lula da Silva; no Uruguai, Tabaré Vaázquez; na Argentina, Néstor Kirchner; no Paraguai, Nicanor Duarte, e, na Venezuela, Chávez havia vencido o referendo revocatório que lhe preparou a direita opositora. Esse formidável quinteto político liderou o assalto contra a Alca e o resto dos governos complacentes e submissos com o império yanki (Colômbia, Chile, Peru e México, fundamentalmente) nada puderam fazer para impedir o desmanche da proposta imperial .
Onde se entricheiravam o império e as oligarburguesias desses países que não só temem a proposta do Mercosul controlado por governos esquerdistas como o ingresso com direitos plenos da caudal revolucionária de Chávez?
Num grupúsculo integrado por senadores oligarcas paraguaios, que, circunstancialmente, têm a maioria no Senado, trancaram, vetaram eobstaculizam por anos com pretextos, mentiras, chantagens, tentativas de suborno e corrupção a ansiada e esperada vinda da Venezuela para o Mercado Comum do Sul. Ao redor desse grupelho de politiqueiros corruptos se aninhavam os setores mais reacionários e retardatários da América, incondicionais sequazes do governo norte-americano, o do criminoso Bush e do “prêmio nobel da guerra” Obama.
Tipos sinistros como Leopoldo López, o próprio Capriles Radonski e outros fascistas venezuelanos representantes da burguesia submissa fizeram lobby junto aos senadores paraguaios para que não mudassem de posição. Pode-se mesmo cogitar que senadores da oligarquia venezueana conheciam de antemão a trama golpista contra Lugo e puderam colocar seu “grão de areia” o golpista, pois, no final, ambas as oligarquias são iguais na pequenez política e ambas tem um ódio xipófago contra Chávez e seu governo.
O golpe contra o débil governo de Fernando Lugo, disfarçado de julgamento político e só foi possível por causa da falta de apoio popular e da evidente debilidade da cultura democrática em importantes setores da sociedade que se deixaram levar e não o enfrentaram, ferindo com sua conduta covarde a proposta de abertura democrática iniciada pelo presidente Duarte e continuada por Lugo. Se tivesse havido uma mobilização popular mais contundente e se tivesse sensibilizado setores do exército, com certeza se evitaria a penúria econômica que a realidade política do isolamento latino-americano impõe aos golpistas e ao fantoche Franco.
O Mercosul em que ingressa a Venezuela não é o mesmo de 10 anos atrás, mudaram os tempos. É a época da ascensão das massas que, com seu protagonismo político, derrubaram governos neoliberais prostrados ante o imperialismo na Argentina, Equador, Bolívia e mudaram o curso de sua própria história. São a ascensão da esquerda e das incipientes revoluções socialistas na América do Sul (Venezuela, Bolívia e Equador), encabeçadas pela revolução bolivariana e Hugo Chávez, governos progressistas de esquerda no Brasil, Argentina e Uruguai; a derrota em cada realidade nacional do neoliberalismo, o nascimento de novas propostas econômicas de profundo caráter social, de democracias participativas e protagônicas, o empuxo na educação e sua massificação; os intercâmbios tecnológicos e a fortaleza energética da Venezuela (da qual carece em boa parte os países gigantes do Sul: Brasil e Argentina); o debilitamento do capitalismo selvagem e a perda hegemônica dos Estados Unidos do Norte do que ontem foi o seu quintal
Assim, a vinda da Venezuela para o Mercosul ocorre numa nova realidade histórica, tendo como base a aliança de poderosíssimas forças políticas e econômicas que levam a presidenta brasileira que agora aquele organismo é a quinta economia do mundo. Chávez não se equivocou ao propor o ingresso da Venezuela (futura potência regional). Sua visão estratégica foi coroada com uma contundente vitóriae uma medalha de ouro.

Caracas, 02/08/12
humbertocaracola@gmail.com
(A ilustração acima é do site joaoboscoleal.com.br)

 

Publicado no blog CAFE NA POLITICA

Cordialmente, FC Leite Filho


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