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A batalha contra o impeachment não está vencida
09 de janeiro de 2016 Artigos
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Mobilizar as ruas, vencer a batalha contra o impeachment no Congresso Nacional e retomar a ofensiva progressista na sociedade.

O ex-presidente Lula afirma que o impeachment está “morto” mas que é preciso “enterrá-lo definitivamente”. Essa é uma visão otimista, o perigo ronda, e as derrotas da esquerda são muito recentes, o terrorismo midiático continua. Mas há condições de reagir, retomar a ofensiva.

Com o provável afastamento de Eduardo Cunha, o momento político é propicio para refazer as alianças no Congresso Nacional. Pode-se reforçar o apoio no Senado, cuja maioria, no apagar das luzes do recesso parlamentar, deu uma demonstração de apoio ao Governo Dilma. E reforçar os laços com os empresários que não têm interesse em aprofundar a crise econômica. E mais do que nunca reforçar os laços com os movimentos sociais que mais uma vez se fizeram presentes em defesa da democracia e da Presidenta Dilma.  

Como fazer este pacto tão necessário? Em primeiro lugar, iniciar um ano com uma agenda positiva. Não cabe de forma alguma, melhorada em parte a situação política do governo, começar o ano anunciando reformas da Previdência e a reforma da CLT com perdas para os trabalhadores.  Desemprego se combate com crescimento econômico. Utilizar parte das reservas cambiais para investir em casas populares, em escolas, na saúde, em estradas, na reforma agrária, em programas sociais e concluir as obras da própria Petrobrás que precisam de poucos recursos para serem integradas ao processo produtivo do país, entre elas a da autossuficiência no refino de combustível.

Empresários e centrais sindicais estão dando um exemplo de maturidade, sentando na mesa de negociação para propor uma agenda de desenvolvimento para o país. Ao que tudo indica a Presidenta Dilma vai retomar o Fórum de Desenvolvimento constituído por todas as entidades da sociedade civil. A CUT como a maior entidade sindical do país, junta-se a outras centrais, e a Força Sindical exclui em declaração qualquer luta pelo impeachment da Presidenta Dilma, fato a ser levado em consideração porque o deputado federal Paulinho da Força é um dos mais ardorosos defensores sua derrubada. Perdeu respaldo da sua própria base, ou na realidade, nunca o teve para tal iniciativa.

Não bastassem todos os complicadores políticos e econômicos, temos um grande problema: a comunicação do governo é péssima. É puro suicídio querer que a mídia seja benevolente com o governo Dilma e os movimentos sociais contratando notícias nesta mesma mídia. Até mesmo neste quesito, o governo é fraco.

Apesar dos avanços extraordinários durante os governos Lula e Dilma, o oculta-se da grande massa da população esta infinidade de conquistas: Pronatec, Minha casa Minha Vida, Bolsa Família, Luz para Todos, Agricultura Familiar, creches, ciência sem fronteira, Mais médicos, criação de universidades, criação de escolas técnicas, redução da desigualdade social, diminuição da taxa de pobreza, diminuição da mortalidade infantil; aumento exponencial dos gastos públicos em saúde, em educação, aumento do número de estudantes no nível superior.  42 milhões de pessoas que saíram da miséria. A lista é enorme, mas a percepção popular desse enorme progresso é sufocada pela campanha de terror midiático quotidiano que aponta o dedo contra o PT e o governo como se todas as mazelas do país fossem de responsabilidade da “corrupção” petista.

Há uma base real nisso: ainda há 12 milhões que não atingiram aquele patamar, é preciso continuar a obra, distribuir mais a renda, conquistar permanentemente mais serviços, direitos, salários, melhor ambiente, mobilidade urbana, saneamento, saúde. Os 42 milhões já não se contentam com tudo o que foi conquistado, e isto é justo e lógico, mas há um obstáculo insuperável para que os projetos progressistas tenham continuidade: a ditadura do setor financeiro e do bloco industrial-multinacional reacionário, que não pretendem permitir este crescimento ao infinito.  Para isso, a primeira tarefa era destruir o PT. Estão quase conseguindo.

Quando Lula foi eleito em 2002, a Carta ao Povo Brasileiro selou um pacto onde todos ganharam, alguns de forma absurdamente desproporcional, como os banqueiros, mas também ganharam os trabalhadores, os empresários, os pobres, os governos. Era lógico: a velha tese da esquerda de que com distribuição de renda a economia cresceria de modo pujante se revelou mais que verdadeira, surpreendente, mesmo que sob a ditadura do Capital financeiro. Sobretudo, com a recuperação da independência nacional -reconquistada em grande parte – que permitiu ao Estado livrar-se das amarras da dependência dos blocos imperialistas, abrir rotas de comércio, diversificar mercados, superar a dependência das garras do FMI e dos centros financeiros imperiais.

Foi justamente esta estratégia independentista do governo, aderindo plenamente ao pacto com os Brics, atuando como protagonista central na recente integração da América Latina, criação da Unasur, Celac, reforço do Mercosul, e conquistando a absoluta autonomia energética com o Pré-Sal, tornando-se potência petrolífera mundial, todos estes fatores juntos tornaram-se uma ameaça para as oligarquias financeiras, para as multinacionais, para os Estados Unidos, a União Europeia e setores mais reacionários e subservientes ao império da burguesia brasileira.

Nisso tudo, os países imperialistas têm um apetite voraz de recursos para sair da própria crise, já sem qualquer regra e às custas da desestabilização do planeta, promovendo guerras e contradições, especulação financeira sem freios, terrorismo, chantagem, para tentar subordinar e derrotar os países emergentes. Não é diferente em relação ao Brasil. O problema é que cooptar o Brasil, com um governo progressista, tornou-se impossível. Então, se recorre ao golpe, à sabotagem econômica e à conspiração, seguindo um manual já conhecido e consolidado, aplicado em todas as partes.

Esse é o pano de fundo do esgotamento do Pacto Social criado por Lula. Desta forma, setores que antes apoiaram seus governos, ou apenas o toleravam, retornam ao ninho tucano e se reorganizaram nas suas bases de direita, e como representantes de interesses econômicos poderosos, buscam destituir o governo eleito democraticamente para construir um governo fantoche no país, mesmos sob o risco de criar uma guerra civil, como foi criada artificialmente na Síria com milhões de dólares de financiamento imperialista à oposição interna.

A tarefa da Dilma não é uma tarefa fácil, mas é possível desde que tenha coerência na construção do pacto de governabilidade e de desenvolvimento econômico. Se a Presidenta ficar oscilando para um lado ou outro, seguramente, não conseguirá coordenar a luta contra o golpismo. O golpismo se faz presente nestes momentos, como foi durante a morte de Getúlio Vargas e a deposição de João Goulart, com truculência, anúncios tão bombásticos quanto falsos, atuação de grupelhos fascistas e saudosistas da ditadura, mobilizações de massas da classe média alta irracional e histérica. Quando que aparece o golpismo? Quando avançam as forças que representam um programa político e de desenvolvimento econômico voltado para a nação e as massas populares. Mesmo considerando que o governo da Presidenta Dilma não significou um rompimento com a direita, tanto Lula como Dilma apontaram para um programa de transformações sociais com base na nova geopolítica mundial. Querer analisar a conjuntura nacional apenas com os elementos locais, nacionais, regionais, pode nos levar a erros políticos. Estamos dentro de um sistema global, onde o jogo é pesado, e os interesses políticos e econômicos são de dimensões globais. O mundo está tão tencionado que até o Papa Francisco, por conta dos atentados de Paris no ano passado, interpretou os acontecimentos como fragmentos de uma terceira guerra mundial. Há uma ofensiva de forças capitalistas e monopolísticas internacionais, das altas finanças, da indústria armamentista, por meio de exércitos de lobistas e refinados instrumentos midiáticos, arquitetando golpes “suaves” ou menos suaves, utilizando às vezes a legalidade burguesa, a justiça, as eleições, os acordos parlamentares, mas ao mesmo tempo atuando de maneira subversiva, violenta, conspirativa, como na Venezuela e na Argentina, visando deter com “urgência” (como faz Macri na Argentina e a direita venezuelana) todo o processo democrático e de avanço dos governos progressistas da América Latina. 

O papel da organização independente e unida dos movimentos sociais, dos sindicatos, estudantes, MST, MAB, do PT e dos demais partidos de esquerda e progressistas, as iniciativas da FBP, como demonstrado nas recentes mobilizações contra o impeachment, tem sido fundamental para dar segurança a Dilma, ao PT e às lideranças alinhadas com o anti-neoliberalismo, ou ao desenvolvimento industrial e do mercado interno (presentes na esquerda do PMDB, PDT ou PSB) para defender um verdadeiro projeto de nação independente. Os pronunciamentos de Requião e Ciro Gomes, expondo projetos nessa linha, defendendo Dilma contra o impeachment, mostram que existem forças importantes para compor uma frente na defesa da democracia e soberania nacional.

Tudo isso, mesmo sob o bombardeio da guerra midiática, estimula a confiança e o apoio dos movimentos sociais de que podem avançar e assumir protagonismo na história do Brasil. As mobilizações contra o impeachment estimularam Dilma a reunir-se mais com os movimentos sociais, até a pronunciar-se para que Brizola fosse colocado no livro dos heróis da nação. Enquanto isso, Lula atua intensamente pelo país afora, e propõe a Dilma visitar localidades do PT, falar pelas rádios e comunicar-se com o povo brasileiro sobre as medidas de governo.

É preciso que se debata tudo isso na CUT e junto às bases, aproveitando o momento também para desburocratizar e politizar o movimento sindical. É momento de revisão, autocrítica, criação de novos quadros, impulso dos movimentos sociais, união e debate em todos os níveis.  Estes são temas globais e urgentes para as esquerdas no Brasil e América Latina.

 

9 de janeiro de 2016

 

 


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