Home
Videos
Edições impressas
Jornais anteriores
Contato
Sobre nós
A biomassa é nossa?
12 de junho de 2006 Artigos Edições Anteriores
Recomende essa matéria pelo WhatsApp
O agronegócio da soja leva vantagens no programa da produção de combustíveis a partir da biomassa

A repercussão das medidas tomadas pelo governo boliviano em relação ao petróleo e ao gás demonstra quão fundamental e estratégico é o domínio das fontes energéticas para o desenvolvimento de uma nação e de um povo.

        Embora o Brasil tenha conquistado a auto-suficiência na produção de petróleo, estamos longe de controlar este processo, com 60% do capital da Petrobrás em mãos privadas, dos quais 49% em Wall Street e 11% nas mãos de testas-de-ferro “brasileiros”. Além disso, frente ao fato que estes recursos deixarão de existir nos próximos 40 anos, urge discutir a utilização das grandes fontes renováveis do Brasil: água, vento, sol e biomassa. Veja-se experiência acumulada no setor, a partir do Proálcool, que vai do campo da pesquisa científica a toda a cadeia agro-industrial. A iniciativa da Petrobrás de incluir a soja no processo de refino do diesel é a mais recente expressão desta capacidade.

        O governo Lula tem expressado sensibilidade e desenvolvido nos últimos anos uma política favorável à exploração da biomassa. A mais recente proposta é a formação da Empresa Brasileira de Bioenergia. Porém, esta política não tem sido direcionada no sentido econômico e social mais justo. Já nos referimos às limitações técnicas da escolha da mamona em relação a tantos outros tipos de oleaginosas (pinhão-manso, dendê, girassol, nabo forrageiro, etc..) altamente rentáveis. Recentes pesquisas indicam um potencial muito superior da bata-doce para a produção de álcool combustível, em relação à própria cana-de-açúcar, com até 4 safras anuais e um rendimento superior. Ou seja, novas alternativas surgem, e podem ter, por via da diversificação, conseqüências sociais e ecológicas relevantes.

        O mega programa da Petrobrás de adicionar óleo de soja ao diesel pode ter implicações sociais, técnicas, e político-sociais negativas. Rogério Cezar de Cerqueira Leite, professor da Unicamp, questiona esta opção. O processo em teoria deveria economizar os custos da chamada transesterificação, ao se fazer a hidrogenação da mistura do óleo de soja com o diesel. Porém, ao se demonstrar que a produtividade por hectare da cultura de soja em relação à da cana-de-açúcar é quase 12 vezes menor, e que o seu plantio e colheita comportam um alto consumo de combustível, conclui ele que o aproveitamento energético da mistura é nulo. Este projeto não seria auto-sustentável, requereria subsídios, e visaria salvar o agronegócio da soja. Evidentemente, a inserção de 10% de óleo de soja no processo de refino do diesel implicaria num subsídio anual de quase R$ 4 bilhões ao setor. Isso, quando os créditos destinados à agricultura familiar para a safra de 2006/2007 foram somente R$ 10 bilhões enquanto ao agro-negócio R$ 50 bilhões..

        As usinas dos pequenos agricultores não têm apoio técnico e financeiro suficiente para competir. Mesmo no caso da soja, em que 50% da mesma é produzida por agricultores até 200 hectares, que poderiam ser teoricamente beneficiados. O problema é que a comercialização é controlada por 4 empresas (ADM, ABC, Cargill e Bunge e outras menores). É o mesmo caso do óleo de mamona para lubrificante de avião, resina e tinta, comercializado por empresa alemã, que também controla a comercialização do café, sem plantar um pé de café sequer. No caso da soja, além do fator comercialização, dos 120 milhões de toneladas de grãos produzidos no país, 54 são soja, ou seja, é o único produto em quantidade disponível para o mega projeto da Petrobrás.

        Até o momento, o maior favorecido dos programas de incentivos às fontes alternativas têm sido o agronegócio, seja ele o da soja ou de outras culturas. Os grandes latifundiários da cana de açúcar são os grandes beneficiários da exportação do álcool para os mercados europeus e japoneses. A opção não é “salvar” o agronegócio da cana-de-açúcar, já fartamente beneficiado por financiamentos, contra aquele da soja, mas direcionar recursos que permitam distribuir a renda no campo. Deveria haver uma grande decisão do governo no sentido de impulsionar outras culturas. Se as transnacionais e os latifundiários do agronegócio prevalecerem,  e não houver uma reação nacional, estes vão implantar o projeto conforme seus interesses. Já nos Estados Unidos há quem diga que é melhor investir nos projetos de bioenergia no Brasil que depender do petróleo venezuelano.

        A política bioenergética ao invés de ser um benefício social e estímulo à agricultura familiar para avançar na reforma agrária, pode ser somente um estímulo ao latifúndio da soja transgênica, com conseqüências devastadoras para o ambiente. Diante do declínio mundial da produção do petróleo, a burguesia trata de investir na biomassa, roubando a bandeira de luta dos movimentos sociais e dos defensores da soberania nacional, tratando de usurpar, a seu favor, a bioenergia como fonte de lucro e não como um bem social. É hora que o povo se levante e faça valer os seus direitos. Os mineiros e camponeses da Venezuela, Bolívia, Peru estão cerrando as veias abertas da América Latina, e o Brasil não pode ficar de fora:

• Dar apoio total à re-nacionalização da Vale do Rio Doce.

• Mobilizar o Sindicato dos trabalhadores da Petrobrás, da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobrás) em torno de uma campanha pela re-nacionalização da Petrobrás já!

• Lançar a campanha pela Empresa Estatal da Bioenergia, a “Biomassa é nossa!”, nas universidades, nos sindicatos, no MST e MPA. Um forte chamado ao governo Lula e aos militares nacionalistas cabe nesta luta em particular, na defesa da soberania e das riquezas nacionais a serviço do povo brasileiro.


{Acessos: 229}
Recomende essa matéria pelo WhatsApp


Faça seu Comentário



Comentários
Nenhum comentário para esse conteúdo.
EDITORIAL:

Todo apoio a Lula que não se rende e registra sua candidatura neste 15 de agosto
Somente o povo mobilizado pode dar impulso à paralisia das instituições democráticas. Não só Lula Livre, mas Lula Presidente, requer um verdadeiro levante popular com ampla difusão nas TVs e rádios comunitárias, estendendo uma verdadeira Rede da Legalidade. Todos a Brasília, no dia 15 de agosto!
Receba nossa newsletter

Videos recentes
Suplementos Especiais
Links Recomendados
Matérias recentes
Noticias recentes
Batalhas de Ideias
Comunicação
Ganma Hispan TV Press TV Russia Today TeleSUR
Palavras-chave
J. Posadas - Obras publicadas
Leituras sugeridas
A FUNÇÃO HISTÓRICA DAS INTERNACIONAIS Del Nacionalismo Revolucionario al Socialismo Iran - El proceso permanente de la revolucion Iran - El proceso permanente de la revolucion La musica, El Canto, La Lucha Por el Socialismo
Desenvolvido por Mosaic Web
Recomendar essa matéria: