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A campanha eleitoral e o terrorismo midiático contra o governo Dilma e o PT
14 de agosto de 2014 Editorial
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Abre-se nesta semana a campanha eleitoral por televisão em todo o país. Ela já está em pleno desenvolvimento em todos os outros meios, no corpo-a-corpo, redes sociais, imprensa, mídias alternativas e rádios e canais de televisão, lamentavelmente a maioria deles pertencentes a monopólios privados.
Mas muito antes que a abertura oficial da campanha antes que a Copa do Mundo, os setores mais poderosos da burguesia financeira, industrial e do agronegócio têm feito uma campanha aberta contra o governo, com todos os meios, principalmente a mídia privada hegemônica. Após a interminável campanha contra a “corrupção”, a nauseabunda campanha pela condenação dos “mensaleiros” e o linchamento e tortura a que foram submetidos, iniciou-se a o bombardeamento da artilharia pesada da editoria econômica para apresentar um Governo Dilma em frangalhos, em crise, incapaz de governar e desenvolver o país.
Mesmo contra evidências que mostram um país sólido, resistente à crise internacional, com altos índices sociais e de emprego e estabilidade, em constante progresso em suas conquistas sociais, jogando um importante papel na conjuntura internacional, eis que o Brasil é apresentado como à beira do abismo. Quando na realidade criaram-se 21 milhões de empregos, garantiu-se ganho real de 70% para o salário mínimo, triplicaram os investimentos em educação, 36 milhões de pessoas foram retiradas da miséria e se promoveram 42 milhões à classe média – com inflação dentro da meta, dívida pública em queda, reservas internacionais sólidas e crescente protagonismo no cenário mundial.
Porque os setores mais importantes da burguesia e seus partidos ensaiam uma “mudança de lado” após ter usufruído de todos os benefícios dos governos de coalisão com o PT e do colossal desenvolvimento do mercado interno e do país em geral?
Há fatores internos e externos para isso. O mundo está à beira de uma guerra mundial, e o imperialismo norte-americano, incapaz de resolver sua crise financeira e histórica, se prepara para “virar a mesa” e apostar tudo no conflito, sem excluir a solução nuclear: atira-se em guerras já sem objetivos precisos, dispara para todos os lados, na Palestina, na Ucrânia, no Iraque, no Afeganistão, provoca a Venezuela, Cuba, a Rússia, com consequências desastrosas para os povos do mundo e para a estabilidade internacional, arrastando a Europa neste projeto de ruína, com a complacência e aplauso das altas finanças internacionais.
Os BRICS que se reuniram recentemente no Brasil respondem com unidade, projetos, financiamentos que excluem o dólar, negócios, acordos militares e científicos; a aliança China-Rússia e o projeto da Eurásia adquire uma força colossal. Ao boicote imperialista à Rússia, esta responde suspendendo a compra de alimentos da Europa e comprando-os da América Latina, inclusive do Brasil. Os países latino-americanos mantêm sua aliança, seu processo de integração, as mudanças sociais progressistas, derrotando as provocações imperialistas constantes, como a onda reacionária na Venezuela e o recente ataque financeiro dos EUA contra a Argentina, por meio da farsa do processo dos fundos abutres.
Porém, a principal vulnerabilidade da América Latina neste processo é a hegemonia da burguesia sobre a economia na maioria dos países. O desenvolvimentismo em ato, que rechaçou as teses neoliberais de mercado selvagem, introduziu fortes controles do Estado como regulador e promotor do desenvolvimento com igualdade social, as mudanças constitucionais da última década mudaram a cara dos Estados e garantiram às massas direitos básicos como saúde, educação, moradas dignas, reconhecimento das etnias, das minorias, combateram a pobreza extrema. Entretanto, os mercados continuam substancialmente regulados em maior ou menor medida pelos negócios capitalistas. Menos lá onde os meios de produção estão nas mãos do Estado, como o petróleo da Venezuela, e mais onde domina o agronegócio e a indústria de exportação, inclusive as filiais das empresas transnacionais.  O “socialismo do século XXI” é ainda um projeto no horizonte, em gestação na consciência de milhões de pessoas que saíram da pobreza, mas que precisa adquirir corpo, organização, consciência política, lideranças à altura das mudanças em vista.
Na maioria dos países, as regras de sucessão derivam da velha democracia capitalista, do voto formal, da enorme influência do poder econômico sobre o poder político, em todas as suas formas, não somente os caixas dois e três, também o financiamento internacional e, nos tempos atuais, a hegemonia da mídia privada.
Os milhões que saíram da pobreza tornaram-se consumidores, cidadãos com direitos básicos, adquiriram cultura e conhecimentos, mas no plano da hegemonia cultural este processo ainda está longe de superar a herança maldita da cultura individualista, burguesa, a influência cultural capitalista e imperialista sobre a vida das pessoas. Esta é a verdadeira vulnerabilidade da esquerda continental, em todas as suas formas: ao desenvolvimento econômico e às conquistas sociais, inquestionáveis, não houve um correspondente aumento da hegemonia política da esquerda, em diferentes graus entre os países latino-americanos  e com as devidas diferenças histórico-políticas.
O Brasil é um exemplo: o enorme esforço para aplicar,  contracorrente,  uma política desenvolvimentista de enorme êxito, não foi acompanhada de uma proposta de transição para outro regime, outro modelo de desenvolvimento, necessário e indispensável para que o perverso ciclo de desenvolvimentismo-liberalismo faça retroceder as rodas da história: o socialismo. Este é o problema do PT atual, mas não só, é o de toda a esquerda, que se permite inclusive ao luxo de fazer “oposição” ao Governo Dilma.
Um exemplo por todos for não ter combatido a mãe de todas as batalhas para avançar: a dos meios de comunicação, fortemente em mãos das oligarquias mais reacionárias e pró-imperialistas. As mudanças na Argentina, no Equador e mesmo na Venezuela ainda não impedem a atuação dos meios reacionários, fortemente internacionalizados. No Brasil é situação é muito pior, a hegemonia burguesa é quase total. A imprensa alternativa é somente foco de resistência, esforço hercúleo de blogueiros e de colunistas corajosos. O PT não tem mídia, jornal, nada. Vai à luta desarmado. E é constantemente massacrado, inapelavelmente. A fascistização da opinião pública é evidente, há cada vez menos espaço para o debate, a dialética, o confronto democrático, jornalistas e apresentadores tornam-se arautos de “editoriais” e gritos condenatórios, chamam o povo às ruas para derrotar e linchar os “vermelhos”. Até uma fracassada marcha “com Deus pela família” foi ensaiada.
A trincheira atual da esquerda e do PT é a presença no Estado, o tempo legal de televisão, o setor sindical, e um apoio social difuso, mas constantemente ameaçado pelo terror midiático, que não dá respiro nem fôlego aos cidadãos.
Mas não adianta chorar pelo leite derramado: é preciso adquirir rapidamente consciência que esta é a batalha e combater com toda as armas. Os marqueteiros não fazem milagres. O financiamento pode fugir, do bilhão previsto nas declarações feitas ao TSE para todos os partidos, o verdadeiro valor com o caixa dois pode chegar facilmente aos 3 bi.
As variações deliberadas na bolsa de valores quando as pesquisas eleitorais apontam a queda na popularidade da Presidente indicam como se comportarão os capitais, os financiadores. O imperialismo não perdoará jamais a posição integracionista dos governos Lula e Dilma, a defesa da Venezuela e da Argentina, a posição crítica a Israel, a defesa do Irã, a recusa da Nafta e da Aliança para o Pacífico: investirá todos os seus recursos na formação da opinião pública, em simbiose absoluta com as Globo, Record e Band e todos os outros meios associados. Prova é a linha editorial internacional de todos estes meio, apresentando genocídio contra os palestinos e os ataques nazi-fascistas de Israel como uma ação justa, apagando do conhecimento coletivo o golpe fascista e a guerra da Otan na Ucrânia, ocultando que os terroristas que atacam hoje o Iraque e combatem a Síria foram abundantemente financiados por eles e portam armas norte-americanas . Esta matriz de opinião deriva diretamente do Departamento de Estado e dos mais sinistros promotores da guerra mundial, e jogam todas as cartas para atacar o Brasil, romper a sua independência e o seu papel de perno da integração latino-americana. A BATALHA ELEITORAL NO BRASIL É UMA BATALHA INTERNACIONAL A SER VENCIDA PELA ESQUERDA MUNDIAL E LATINO-AMERICANA.
Nesse contexto, e como a recente experiência da Venezuela demonstra, a batalha será travada por eles com todos os meios mais sórdidos, fascistas, da mentira, da demonização, da lavagem cerebral, da provocação, sem dar fôlego às pessoas e aos eleitores. O “caso” da alteração do perfil dos jornalistas da Globo na Wikipedia é só uma pequena mostra dos outros “casos” que virão. Haverá reedições mil do “mensalão”, ressuscitarão todas as manifestações de 2013, e se preciso for, chamarão em ajuda os “black blocks” de importação para novas agressões e destruições, para criar o clima de caos.
Basta ver como derrubam a bolsa, jogam no lixo as ações da Petrobrás com mentiras deslavadas, intimidam mesmo aos empresários dispostos a investir, abrem manchetes mentirosas todos os dias sobre o “descontrole” e o “caos” econômico, prometeram os apagões (que jamais existiram), o desastre da Copa (que não ocorreu), o descontrole da inflação (que se mantêm solidamente nos limites das metas), catástrofes e furacões, pontualmente desmentidos pelos dados reais, e quando acabam os argumentos factuais, apelam para a “desconfiança” do empresariado. É um verdadeiro clima lesa-pátria, mas desde quando a burguesia tem “pátria”?
Ocorre, portanto, nas circunstâncias, cerrar as filas para reeleger o governo Dilma, utilizando todas as armas convencionais do processo eleitoral, panfletos, marqueteiros, debates, mobilizações, tudo enfim, mas não basta: é preciso que os sindicatos, os movimentos sociais conscientes desta situação global, os cidadãos, assumam uma postura correspondente ao enorme perigo que representa uma eventual eleição de Aécio Neves.
Preparar-se para o pior, para o segundo turno, para duras batalhas de informação, ideológicas, culturais, hegemônicas, e discutir a necessidade de avançar muito mais que na distribuição de renda e na economia, avançar na organização social, na democratização da mídia – tema que ainda intimida os dirigentes petistas – e no aprofundamento da democracia com a Constituinte para a reforma política, por uma verdadeira revolução tributária distributiva, por uma intervenção mais firme e decisiva do Estado nas alavancas da economia, derrotar a hegemonia do setor bancário-financeiro sobre o Banco Central e colocar os recursos à disposição de um desenvolvimento muito mais acelerado, debilitando a hegemonia do setor privado, colocando-o sob as rédeas do Estado. É urgente demonstrar às grandes massas, mesmo aos setores médios que se manifestaram em 2013, que todas as conquistas estão realmente em perigo se assume um governo neoliberal declarado.  Voltam as pegadinhas neoliberais do “desenvolvimento com menos Estado”, do “combate aos corruptos”, da defesa da “liberdade de imprensa”. As massas populares intuem que este é o canto da sereia, mas a esquerda tem que fazer a sua parte para que o desastre não ocorra.

Conselho Editorial
10 de agosto de 2013


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