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A ciência deve responder aos interesses da sociedade*
25 de outubro de 1968 Ciência Edições Anteriores
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Nas universidades, é preciso estudar o marxismo nas ciências econômicas, filosóficas, etc., estudar o marxismo aplicado hoje, a concepção marxista da história aplicada hoje. Analisar a utilização da ciência hoje, a ciência prática, a capacidade da ciência, a quem ela serve.

O movimento operário, movimentos sociais, partidos, junto com estudantes devem discutir um programa que esteja de acordo ao interesse socialista da humanidade. Por exemplo, como é que é discutida atualmente a crise do capitalismo na universidade? Ainda como resultado da economia. Enquanto nós fazemos uma comparação com os sistemas socialistas. É preciso discutir demonstrando que é o sistema capitalista o que produz esta crise. Que nos países socialistas ela não existe devido ao sistema de propriedade estatizada. Entretanto isso ainda não se discute nas universidades. Nem sobre a origem e o porquê das doenças, por exemplo. Nas faculdades de medicina é preciso discutir as doenças, mas combinadamente com sua origem, como elas vêm apoiadas e constituídas por uma relação do ser humano com a natureza, onde a chave que coloca o homem em contato com a natureza é a sociedade.

Não existe natureza para um lado e ser humano para outro. Entre a natureza e o ser humano existe a sociedade, as relações sociais, que são de exploração, debilitamento do organismo, de diminuição da capacidade orgânica, má alimentação, poluição, má oxigenação, tudo isto. A chave que coloca o ser humano em contato com a natureza é a sociedade. Então o que é que precisa ser mudado? O ser humano ou a natureza? Nem um nem outro, mas a forma de vida social que produz tais relações. Atualmente não se discute nestes termos. Ainda se fica no nível da doença é a doença, em si. A doença é resultado da relação entre o ser humano e a natureza. Bem, quem estabelece esta relação? A sociedade, o regime social, a forma de vida.

Da mesma forma é preciso encarar a ciência jurídica e seus anexos. Eles defendem que as ciências jurídicas respondam às necessidades das relações humanas. Isso é falso! Não só não respondem às necessidades das relações humanas, como ao contrário, respondem às regras das relações humanas impostas pela estrutura e o regime em que se vive. Não se pode discutir uma mentira. Essas regras, essa regulamentação, estão determinadas pelo regime de propriedade privada, nada mais. As leis e os códigos são regras convencionadas em função do interesse do regime, para se manter, para se defender, para fazer frente às conseqüências das relações do sistema capitalista.

Em relação às ciências físicas, químicas e à física nuclear, o capitalismo já demonstrou sua incapacidade de desenvolver as possibilidades que tem, por exemplo, a ciência nuclear.

E o que se deve fazer, quando se for definir um programa de luta, um programa revolucionário socialista antes de se discutir a física nuclear, por exemplo, ou incorporar as massas na discussão sobre física nuclear, é preciso discutir qual a possibilidade de se utilizar os recursos nucleares. E que é possível usá-los em benefício das massas. Que se veja, consequentemente, que todo o emprego atual da física nuclear responde a interesses políticos ou militares. E discutir que para que ela possa ser utilizada corretamente, é necessário que a sociedade se apodere da possibilidade de usá-la para si. Mas a humanidade ainda não tem essa possibilidade. Não por falta de meios técnicos, mas porque não é a sociedade que determina, e os recursos nucleares estão nas mãos da propriedade privada. E consequentemente, com toda a capacidade da sociedade para a utilização destes recursos, estes são usados somente por um pequeno círculo vinculado ao capitalismo. Os benefícios para a humanidade são limitados. Ou seja, dar à ciência a sua base histórica: a sociedade, os seus reais interesses, a vida humana: a sociedade deve ser a base de toda a ciência.

A ciência ainda não obedece aos interesses da mesma. Ela ainda responde apenas a uma parte, a um pequeno círculo. Dessa forma, ela ainda se expressa de forma limitada, amputada, além de que, para demonstrar sua capacidade histórica de organização, necessita da participação de toda a sociedade. De toda sociedade significa de toda a sua capacidade criadora. Porque a ciência, mesmo em seus mais altos níveis, é resultado da investigação coletiva de toda a humanidade; desde o camponês até às crianças, a partir dos lugares mais afastados da terra, até os que estudam com toda honestidade, e outros sem nenhuma honestidade. Porque cada um transmite experiências que fez na sua relação com a natureza, no contato com as relações sociais, na intervenção de cada um e suas experiências. E através desta intervenção trata de agir, de desenvolver, de sentir as possibilidades de organizar, de aproveitar a natureza, de utilizá-la criando as pequenas invenções que são base para criação das grandes.

Toda grande invenção é resultado da criatividade social coletiva. O socialismo vai liberar plenamente esta capacidade dos povos do mundo para a criação das grandes invenções. A tendência futura não vai ser produto de um sujeito que vem, senta-se e pensa. Antes do inventor sempre existe uma quantidade enorme de pequenas experiências, de pequenas invenções, que se foram acumulando e permitindo passos progressivos, maiores, até que surge a possibilidade de utilização porque a sociedade desenvolve os meios mecânico, científicos, além da dedicação específica a isso. No entanto, a dedicação peculiar, a especialização, aparece hoje como um grande desenvolvimento, mas no socialismo será uma limitação, porque aí não haverá especialização; todo mundo vai estar incorporado ao progresso.

J.Posadas

25.1.1966

* Extrato de um texto sobre ensino socialista e o programa anti-capitalista para os estudantes, do folheto sobre o “Movimento Estudantil, ensino e universidade” publicado em 7/74.


{Acessos: 197}
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