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A guerra contra a Síria, as mobilizações na Turquia e a crise do imperialismo
28 de julho de 2013 Artigos
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Putin e Obama na reunião do G8 na Irlanda do Norte

A crise na cúpula do imperialismo USA não é absolutamente superficial. O assassinato do embaixador americano em Bengazi que organizava a expedição de armas e terroristas na Síria foi uma pequena demonstração de que as suas contradições os levam a enfrentamentos internos. A guerra na cúpula do imperialismo se expressa no campo internacional. Tudo para salvar o sistema: seja contendo os terroristas canibais, a Turquia, Qatar ou Israel, seja prosseguindo com o plano que iniciou-se com a chamada “primavera árabe” e com a destruição da Líbia.

 

Se não tivessem ocorrido tantas intervenções de vários estados imperialistas, do menor ao maior, a situação na Síria já teria sido resolvida há tempo, sem que morresse ninguém. No entanto, no projeto geral da “primavera árabe”, depois da Líbia, o passo seguinte seria a Síria, para em seguida, passar ao Líbano e à resistência palestina, até chegar ao Irã. E tudo isso como passo transitório para o plano verdadeiro que é contra a Federação Russa e o Estado socialista da China, através da Coréia do Norte.

 

A Síria é um Estado revolucionário com muitos aspectos socialistas, como foi a Líbia, onde o povo tem direito à casa, à saúde e à educação e informação gratuitas; onde metade do parlamento é formado por representantes de trabalhadores e as minorias têm direito à autonomia como os curdos e os armênios, com milícias populares com menos contradições de classe que o Irã revolucionário e todos os outros Estados do Oriente Médio, mas com os defeitos do Partido Único, sobretudo devido ao desenvolvimento do mercado e das trocas no campo privado com os países límitrofes, incluindo o Irã, em que uma certa burguesia preme pela diversificação e pelo multi-partidarismo. Por outro lado, o motivo pelo qual o exército sírio tem sido firme contra a intervenção macabra, direta ou indireta, de tantos estados agressores é a própria coesão das massas sírias entre si e com o exército popular.

 

Se neste período não houvesse o intervalo dos 4 anos de governo Medvedev na Rússia com a política nacionalista e de conciliação com o imperialismo, muitos fatos dolorosos não teriam ocorrido no mundo, mas agora com Putin, que apesar de ser do mesmo partido, é diametralmente oposto no campo militar e da diplomacia internacional. Com os mísseis S300 e S400 à Síria e talvez ao Irã, a intervenção decisiva do Hezbollah libanês para acabar com os terroristas na cidade síria de Algosayr na fronteira com o Líbano, as coisas se voltam contra a intervenção norte-americana e da OTAN. Nesta derrota, como no parcial recuo dos grandes do G8 frente às decisivas pressões da Rússia de Putin na firme defesa da Síria de Bashar Al Assad, se insere a vacilação da administração Obama que quer impedir a queda do sistema capitalista e imperial, antes que todo o mundo se transforme num desastroso Iraque,  Afeganistão ou Líbia. Ele se põe de acordo com Putin contra os terroristas de Al Nosrat, mesmo contra o governo intervencionista turco, e o velho regime do Egito e, inclusive contra o governo de Netanyahu e contra a “no fly zone”; mas a cada passo encontra o campo minado.

 

No cenário da diplomacia mundial estão em jogo forças bipolares tremendamente ativas e agressivas em cada lado, separadas por uma fratura geológica e vulcânica que divide em dois os vários governos e estados, inclusive o norte-americano. Os chamados falcões e o governo americano atuam independentemente, como as dezenas de generais reformados que ontem entraram na Síria, via Turquia, ou como o ataque de Israel contra uma base militar perto de Damasco. 

 

As ameaças são permanentes de ataque ao povo sírio e a situação está por um tris, como caminhar sobre o fio da navalha; por isso, a compreensível reação de Assad depois do ataque militar aéreo de Israel, alertando que a Síria não atacará de represália e, quando decidir, será parte de uma estratégia, similar à da advertência feita por Ali Khamenei, supremo líder islâmico do Irã, de que se Israel se atrever a passar das ameaças contínuas à provocação, o Irã atuará por consequência contra Tel Aviv e Haifa. Logicamente a Rússia de Putin que dá trânsito ao ex-consultor norte-americano da NSA (Agência de Segurança Nacional) que revelou material sigiloso aos jornais do mundo, não é a mesma que vacilou no Conselho de Segurança da ONU na questão Líbia. Trata-se de umaRússia que expressa um posicionamento de integração com a CELAC e a América Latina, de enfrentamento com o imperialismo, estreitando laços com a China, como duas potências históricas, que apesar de algumas deformações burocráticas não superadas,  mantêm a estrutura basilar de Estados socialistas. A assembleia popular de 5 horas realizada por Putin, e transmitida ao vivo pela TV estatal russa, é alentadora: os ventos da Venezuela sopram além dos montes Urais.

 

Deste ponto de vista, podem ser interpretados os fatos turcos. Por diversos últimos anos, a Turquia foi atravessada pelas mais imponentes manifestações populares contra o imperialismo durante o próprio governo de Erdogan. Ele surgiu como o mal menor, após a derrubada violenta do islâmico Najmeddin Erbekan. Ele mesmo, com a mulher coberta pelo véu islâmico, foi aceito como um governo popular, laico e islâmico. Fez muitos acordo com o Irã no plano energético, de trânsito e intercâmbio com enormes investimentos, sobretudo por parte dos iranianos que tentaram comprometê-lo. Erdogan chegou a promover o acordo com Irã e Brasil para o enriquecimento do urânio iraniano a 20% para fins pacíficos; que foi impedido pelo imperialismo. Nos primeiros anos, tudo indicava que buscava chantagear com União Europeia,  dirigindo-se ao oriente, ao Irã, à Russia, à Ásia Central, à China. Não era esta a intenção. Ao provocar o incidente da frota dos pacifistas (“La Libertad”) para a Palestina, que deveria ser acompanhada pela marinha turca, e o conflito com Pérez de Israel, abandonou a reunião, com Abdullah Goel, e substituiu o Ministro das Relações Exteriores por Davudoglu, passando a uma política de aberta submissão aos planos de agressão da OTAN contra a Síria e participando do embargo contra o Irã, pensando como todos os oportunistas e carreiristas que poderia continuar gozando da popularidade inicial.

 

Um jovem turco em Istambul, que não conseguia comunicar-se com os turistas iranianos, expressou-se levantando o punho como se fosse “Superman”, gritando: “Ahmadinejad Superman! Superman!”. Todo este sentimento está no povo turco que se sentiu traído por quem lhe havia depositado confiança. Erdogan chantageou pessoalmente, inclusive aos sindicatos que pediam 5,5% de aumento, dizendo que isso prejudicaria as negociações feitas com a Alemanha e o mercado de vendas. Agora, os sindicatos também foram às ruas. O processo é tão veloz que caminha em direção à guerra civil. O governo não usa sequer a política do bastão e da cenoura; ele parte diretamente para a força militar, e os que o apoiam chamam à intervenção do exército.  Ao reprimir brutalmente a população com gases e prendendo 5.000 pessoas, estão brincando com fogo.

 

Neste campo, John Kerry intervém para conter “os excessos” turcos, que se transformaram no baluarte da intervenção militar na Síria. A explosão e o massacre de mais de 40 pessoas na cidade turca na fronteira com a Síria teria sido uma advertência contra qualquer tentativa de recuar perante uma intervenção violenta contra a Síria, onde o sul da Turquia é um campo ocupado pelas forças imperialistas e terroristas como “Black Water” depois da sua saída do Iraque, ou da Líbia como centro de distribuição de tais forças,  existentes em Qatar, Arábia Saudita, Jordânia, Tunísia, etc…

 

Tudo isso é motivo de ódio da população turca contra Erdogan, e nenhuma chantagem de Erdogan, que, para recuperar-se, dar-se razão e retornar o sentimento nacional turco, não encontra nada melhor que atacar, dentro dos limites aceitáveis a falsa democracia dos estados europeus. Mas, não conseguirá conter os altos e baixos das manifestações que a partir de um simples motivo de mudança numa praça, conseguiram crescer pela destituição de Erdogan e Daudoglu, em solidariedade com o povo siriano e com o governo de Bahar Al Assad.

 

25 de junho de 2013

 

(Do nosso correspondente especial sobre Oriente Médio)


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