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A histórica 16a. Reunião dos não-alinhados de Teerã e a frente única mundial contra a agressão imperialista à Síria
15 de fevereiro de 2013 Artigos Edições Anteriores Politica
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Ahmadinejad e Chávez

A reunião do Movimento dos Não-alinhados sob a presidência do governo do Irã, convocando 120 países para debater a situação mundial e a luta pela paz, pela solução pacífica do conflito na Síria e contra as iniciativas provocatórias e guerreiras do imperialismo USA e da OTAN, galvaniza e representa neste momento toda uma humanidade que não aceita passivamente as consequências da catástrofe desencadeada pela crise do capitalismo mundial.

Como ensina toda a experiência da História, esta crise do mundo imperialista já sem perspectiva de solução e subterfúgios, tende a transformar-se numa escalada generalizada de guerra.  Os eixos econômicos e sociais do mundo mudaram, a vantagem do predomínio capitalista do período pós-soviético transformou-se num poderoso bumerangue contra ele mesmo: a livre atuação dos oligopólios econômico-financeiros, a hipeconcentração de renda, o domínio político e militar de vastas áreas do mundo conduziram, como era previsível, à quebradeira derivada da ditadura financeira, que não apresenta sinal de solução desde 1998 e hoje atinge a União Europeia no coração.

O que era uma escalada militar sem contraste, desde a invasão do Iraque, do Afeganistão, o ativismo global da Otan e a fulminante guerra para a demolição e recolonização da Líbia, encontra porém na Síria um obstáculo imprevisto:  a reação da China, da Rússia e do Irã, acompanhada pela resistência tenaz do governo, do exército e do povo sírio. E por que isso ocorre? Ocorre porque a experiência da Líbia demonstrou claramente que o imperialismo mira a generalização da guerra, até chegar às portas da Rússia e da China, não importa quanto sangue seja derramado pelas ruas de Damasco.

Não há saída para a sua crise, senão a guerra. Rússia, China, os chamados países emergentes, Brasil, África do Sul, Índia, o conjunto da América do Sul, descobrem novas perspectivas, experimentam novos tipos de desenvolvimento sem depender da crise dos gânglios centrais do sistema capitalista.  Uma nova hegemonia surge no mundo, a partir destas alianças, desse comércio transversal e autônomo, com a China e a Rússia aliadas, cujas economias têm por base uma tradição e memória histórica que remetem ao Estado operário e ao socialismo, à economia planificada.

Todos beberam em maior ou menor grau do veneno do desenvolvimento capitalista, da ideologia neoliberal, das privatizações, do sucateamento do Estado, da quebra da espinha dorsal dos trabalhadores: a desintegração do antigo campo socialista muitas vezes não deixou alternativa alguma, inclusive a Cuba, Vietnam, aos países de economia mais vulnerável. Seria improdutivo hoje culpá-los por ter dançado com o inimigo, como fez a Líbia com as tentativas de aproximação com a Europa, e países com história revolucionária como Angola, Moçambique, África do Sul (cujas consequências se se veem nestes dias, com o fuzilamento de mineiros em greve), toda a América Latina no ciclo perverso das privatizações selvagens, hoje em reversão.

Os Estados Revolucionários nunca foram caracterizados pela estatização total, mas por modelos híbridos, cujo escopo era o desenvolvimento, o abastecimento básico e satisfação das necessidades das suas populações, e algum desenvolvimento autônomo e independente. Quando estava a Urss e o sistema socialista, isso encontrava imediato apoio econômico, tecnológico, político e militar, para avançar mais, na direção de transformações sociais. O imperialismo via-se limitado na capacidade de boicotar, reprimir e invadir. Na era da globalização capitalista pós-Urss, só vige o chicote do mercado, as viagens dos capitais selvagens, acompanhados pelas tropas e agora pelos “drones”. Na Síria não foi diferente, mas não obstante, esta manteve as bases do seu modelo autônomo e inspirado no Estado operário, embora pagando as consequências. Os desertores de hoje são o rebotalho dessa fase nefasta, pela qual teve que passar a humanidade. Mas seria absurdo culpar a Chávez, Assad ou Ahmadinejad pela permanência de elementos de capitalismo nos seus países. A superação do capitalismo requer muito mais, requer de partidos revolucionários, e de uma nova Internacional de massas, chame-se ou não comunista.

Nos países que tomaram doses cavalares de capitalismo selvagem, em primeiro lugar a Rússia e periferia pós-Urss, e a China de Deng-Hsiao-Ping, todos os limites e desastres resultantes dessa aproximação com o sistema antagônico hoje estão expostos: a Rússia rejeita os oligopólios privados e retoma o controle da sua economia por meio de reestatizações e da reconquista da soberania nacional e militar; a China se previne contra a catástrofe capitalista iminente, reforçando o mercado interno e preparando-se para um novo ciclo de desenvolvimento muito mais próximo à concepção de uma economia planificada, com distribuição de renda e defesa da propriedade estatal. Os países do resto do mundo tomam distância dos centros capitalistas, experimentam alianças, acordos, comércio mais justo, tratados militares. A idéia de um futuro de globalização capitalista e de livre mercado dá lugar à de um mundo com distribuição de renda, crescimento para todos, sustentável, em paz. Este é o sentido desta reunião dos não-alinhados, e não pode ter outro.

Foi todo um mundo em resistência que alimentou este ciclo, entre eles o próprio Irã, e a Venezuela em particular, que com seu processo revolucionário contribuiu enormemente para a construção não só da Alba, mas da Unasur, da Celac, de toda uma nova América Latina unida, antimperialista, em pleno desenvolvimento. Não houve no mundo uma direção revolucionária, marxista, comunista, socialista, que coordenasse essas lutas. Foi um processo desigual e combinado, empírico, onde a luta pela independência econômica e tecnológica, a luta pela igualdade social, pelos direitos democráticos das amplas massas, pelo reconhecimento das chamadas minorias (na realidade maiorias) como as comunidades indígenas, afrodescendentes, pelos direitos dos trabalhadores, que animou transformações profundas que colocaram e colocam em cheque a hegemonia do capitalismo. A expansão dos mercados de consumo não beneficiou somente aos grupos capitalistas, o que também ocorreu no mundo em desenvolvimento, mas incorporou milhões e milhões de pessoas à condição de cidadãos, no Brasil, na Argentina, na Bolívia, no Equador, no Irã, em vários países dirigidos por governos progressistas, aumentando o poder real das massas populares.
Mas há uma urgência no horizonte, e esta se chama Síria, o preâmbulo da guerra contra o Irã e provavelmente da terceira guerra mundial.

Para boa parte do mundo já está claro o caráter da agressão contra a Síria, uma reedição da invasão mercenária da Líbia: Turquia, Qatar, Arábia Saudita, Otan, Mossad, Al Qaeda, toda sorte de profissionais do terror, estão presentes naquele país e armados até os dentes pelo imperialismo, com assessoramento militar e eletrônico sofisticado e absoluto domínio da mídia internacional. Os jovens que protestavam no início deste processo, refletindo o clima geral de transformação nos países árabes, foram atropelados por hordas contrarrevolucionárias. Não é uma “guerra civil”, e não tem nada de “santa”, é uma agressão neocolonial, com uma única diferença:o objetivo não é ocupar e pacificar uma colônia, é fazer terra arrasada como foi feito na Líbia, no Iraque e no Afeganistão. Para depois continuar a escalada, até o objetivo final: China e Rússia.

Irã e Rússia, porém, identificando o perigo, tomaram uma das mais corajosas iniciativas, dando suporte militar incondicional à Síria, e bloqueando as manobras diplomáticas a nível da ONU que tentam dar cobertura legal para a agressão. As massas árabes estão inquietas, no Líbano já se manifesta a preocupação em enfrentamentos, e o Egito assume uma postura independente do imperialismo, ao autorizar o tráfego de navios de guerra iranianos pelo Canal de Suez e participar do encontro dos não-alinhados. O governo Assad resiste fortemente aos ataques, como o exército e boa parte da população síria, que já conhece o trágico destino do povo líbico. Essa é a verdadeira novidade nesta situação, configura-se uma resistência antimperialista nova, plural. O Irã atribui esta resistência ao renascimento do islamismo. Há também elementos de forte nacionalismo. Mas há também bases de socialismo, cujos princípios deram dignidade ao povo da Síria para poder resistir.

O fato é que a humanidade empurra a todos os governos, a todas as direções, para encontrar com urgência uma solução que não seja a barbárie promovida pelo capitalismo. Objetivamente, se dá um encontro entre a vontade de rebelar-se das massas, com a incapacidade manifesta do regime capitalista de dar uma saída que não seja a guerra. As velhas camarilhas que o representavam desmoronam, todas estão em questão, e as direções progressistas que não estiverem à altura, serão varridas por um processo muito mais profundo: é a história que exige definições claras.

É o fim da ilusão social-democrática. Boa parte da esquerda europeia continua anestesiada, mesmo frente a evidências brutais como a liquidação da Grécia e a catástrofe iminente na Espanha e na Itália, frente à intransigência alemã. A linguagem da Merkel frente à Grécia é nazista. A resistência retórica de Hollande encontra uma forte barreira na natureza do imperialismo francês, por isso acata a posição alemã frente à Grécia à míngua. Durou pouco o keynesismo: a morsa contra o povo grego continua a apertar. Se ilusões houverem de que esta crise europeia conduza a algum tipo de retirada do front militar em algum lado, é bom alertar: a guerra é a melhor saída para um regime que não consegue produzir, dar emprego, fazer funcionar a economia. Antes que as massas percam a paciência e que movimentos e partidos antiimperialistas como o Siryza grego eclodam Europa adentro. Daí a ditadura midiática, que junto àquela do Banco Central Europeu, e à cumplicidade de boa parte da socialdemocracia, impedem às massas europeias ter uma noção exata do que ocorre em solo sírio. Por isso a derrota do imperialismo é crucial para desmascarar o complexo industrial-militar e a máquina de guerra da OTAN, que age como braço armado de todos os países capitalistas europeus, sem exceção, independentemente dos parlamentos, das Constituições democráticas, das leis. O governo sírio anuncia a captura de mercenários espanhóis, turcos e de outros países da OTAN.

Torna-se crucial a nova direção mundial, do que este encontro dos Não-Alinhados é um elemento importantíssimo. Nem a Rússia nem a China se propõem explicitamente a ser direção mundial e organizar o quer que seja: sua oposição à guerra imperial é instinto de sobrevivência, mas daqueles armados: a Rússia e a China já disseram que vão destruir quaisquer escudos antimísseis que o imperialismo construa, seja no Mar da China, seja na Polônia. Além disso fornecem armas ao Irã e à Síria. É preciso ir além, organizar as forças dispersas dos países e povos, criar uma rede de proteção econômica, tecnológica, militar, para que os países em desenvolvimento não sejam arrastados pela avalanche da crise capitalista. Mas não basta: é preciso voltar a discutir a experiência das Internacionais Comunistas e seu papel de organização e liderança das classes trabalhadoras. Não é o que está na cabeça de alguns líderes, à exceção de Hugo Chávez, da Venezuela, que tem claro o objetivo maior; entretanto, qualquer organização mundial anti-imperialista é bem-vinda, vai dar abrigo às correntes mais avançadas dos países que aspirem manter a soberania nacional e progredir social e economicamente.

Não é hora de colocar-se à margem, como ocorreu com setores de esquerda quando a Venezuela chamou à organização da V Internacional.  Podia aquele não ser o momento, podia ser prematuro, mas a humanidade está pedindo a gritos uma coordenação, um pulso firme, uma atuação conjunta dos países em desenvolvimento, já não isolados, mas com o apoio da China e da Rússia, como jamais ocorreu. O caráter da organização será determinado pela sua política e o seu programa.

A esquerda brasileira vacila, não toma posição, tergiversa. O governo expressa uma enorme lentidão em compreender o que está em jogo: o Brasil manda a Teerã uma delegação de observadores, quando deveria participar a pleno título. Não há lugar para ambiguidade e vacilação, o que se joga na Síria tem a ver com a soberania de todos os países, inclusive a do Brasil. De que lado vai estar o país se o império lança um ataque contra o Irã? Onde está o PT, o Foro de São Paulo?

Estes são os problemas cruciais do socialismo! É preciso impulsionar e apoiar todos os elementos desta poderosa Frente Única antiimperialista que se está formando.
Os membros do Movimentos dos Países Não Alinhados  podem contar com uma correlação mundial de forças favorável aos seus países, pois novos blocos políticos e econômicos se formaram independentes dos ditames do imperialismo anglo americano.  Têm plena condição de unificarem  forças para enfrentar o poderio bélico do imperialismo. Para isto, é preciso organizar as múltiplas manifestações pelo mundo – a rebelião dos povos árabes contra o atraso social, os indignados na Europa, o movimento Ocupe Wall Street, os movimentos das massas na America Latina. É preciso elevar a consciência das massas do mundo, mostrando que o imperialismo não apresenta nenhuma saída para a humanidade e que é possível romper com este círculo vicioso de crise econômica e guerra, e construir um mundo melhor para os povos de todas as nações. Essa é a maneira de preparar-se para combater a guerra que a  OTAN e os EUA estão preparando contra a Humanidade.

Resolução do Jornal Revolução Socialista

26 de agosto de 2012


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