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A intervenção da Rússia na Síria, salto histórico que comove o mundo
14 de outubro de 2015 Artigos
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A intervenção da Rússia na Síria, salto histórico que comove o mundo e encurta os prazos do ajuste final de contas.

A intervenção da Rússia na Síria tem um sentido e uma transcendência históricas semelhantes à intervenção de Trotsky com o Exército Vermelho do Estado operário na Polônia para estender a revolução socialista. É um salto de qualidade imenso realizado pela direção de Putin e que abre uma nova etapa histórica, eleva as exigências da luta revolucionária e tira as bases da política conciliadora.

Em que se apoia esta direção, de onde obtém a força e a decisão para lançar esta ofensiva? Ao largo dos últimos anos recebeu, viveu, sentiu e amadureceu com a influência e os estímulos dos avanços da Revolução Socialista Mundial, sobretudo na América Latina, com os saltos da Revolução Permanente e a luta das massas que impôs os novos governos, fundamentalmente, da Venezuela que, com Chávez, restaurou e afirmou a confiança na luta pelo socialismo, de Bolívia, Equador, e que fizeram com que o imperialismo perdesse o domínio político do continente; dos povos da Europa, que com Sryza, Podemos, o Partido Nacionalista Escocês, Corbyn (que com o apoio de mais de 60% dos votos, a base do Partido Trabalhista derrota a direção burguesa e abre a via para regenerar o partido operário mais antigo do mundo depois da SPD alemã) e agora, o Bloco de Portugal, preme por constituir-se um instrumento, mesmo que transitório, para passar a uma etapa superior da luta contra o capitalismo; do povo dos Estados Unidos, com as lutas do negros, dos trabalhadores dos restaurantes de comida rápida e fundamentalmente dos imigrantes, os mais explorados (que o próprio Papa se vê obrigado a apoiar), que buscam por meio do candidato Sanders, que se declara socialista, impor uma via para romper o domínio do imperialismo; do povo da África e do Oriente Médio, onde os palestinos que não claudicaram frente a Israel, são o Vietnã de hoje; este povo árabe que construiu Estados Revolucionários em vários países, dos quais, a Líbia, a Síria, o Iraque e o Yemen foram os mais elevados. Estas são as bases deste salto de qualidade.

Já não se trata da intervenção como na Tchecoslováquia e Afeganistão, ou seja, nas fronteiras imediatas da URSS para conter o imperialismo, mas sim, um passo que exige muito maior audácia, segurança e decisão, num país que se encontra no epicentro do enfrentamento mundial com o imperialismo. A Rússia atua de aglutinador da Frente Única Anti-imperialista na região, unindo e encabeçando a Síria, o Iraque, o Irã e Hezbollá com a vontade de expulsar a penetração imperialista.

Há um comando militar unificado objetivo, comprovado com o lançamentos dos foguetes de cruzeiro desde buques no Mar Cáspio e que sobrevoam 1.500 km em Irã e Iraque para atingir um alvo na Síria, motivando preocupação nos generais ianques. Estes, desesperados, difundiram notícias falsas de que quatro desses foguetes caíram por erro no Irã, mas o comandante dos “Guardas da Revolução”, Jazyeri, desmentiu, reafirmando, ao contrário, que o Irã apoia a intervenção da Rússia na Síria.

Esta intervenção não foi decidida em um dia; ela vem de longe e é resultado de um acúmulo de experiências, debates e conclusões de toda a última etapa. Não há vida política orgânica dos sindicatos e o partido, não se veem grandes debates, manifestações e comícios, polêmica na imprensa, agitação, mas a caldeira que ferve na Rússia é muito mais importante que o que sai à luz.  Um salto como este não ocorreria se não houvesse uma resolução muito firme de avançar e com apoio no povo, nos quadros dirigentes, expressa na aprovação unânime no parlamento da proposta de ajuda militar à Síria, apesar de haver partidos contrários a Putin. Não houve uma só voz contrária! Este salto reflete a situação existente e prepara novos saltos.

Esta é a expressão do amadurecimento da equipe dirigente da Rússia, que já se manifestou no apoio, tímido e vacilante, então, e não com a enorme audácia e força de agora, às repúblicas de Lugansk e Donetsk, que tem um funcionamento soviético, com conselhos operários, camponeses e milicianos armados, e com a recuperação da Criméia, que foi a resposta do proletariado ante o golpe militar do imperialismo na Ucrânia. Nas grandes manifestações para comemorar o sentimento revolucionário de derrota do nazismo em 9 de maio, como não havia havido desde a Revolução Russa, com milhões nas ruas, com os retratos de familiares que lutaram na guerra, como o próprio pai de Putin, este, marchou à cabeça da manifestação e em meio à multidão, como faziam Lenin e Trotsky, com a bandeira vermelha com a foice e o martelo, refletindo este estado de ânimo do inteiro povo do antigo Estado Operário. Como a URSS antes, a Rússia continua agora e eleva a função histórica do Estado operário que vem da Revolução de Outubro, e que é, como caracterizava J. Posadas, a caixa de ressonância que recebe os estímulos da Revolução Socialista Mundial e os desenvolve amplificados.

É transcendente também o apoio da China, que manifesta que está disposta a enviar tropas à Síria. A Frente Única objetiva da Rússia e da China, com todo tipo de acordos econômicos, políticos e militares, anuncia e prepara já a união dos Estados Operários (países socialistas), que está em debate e se ensaiando, como numa cidade fronteiriça com a China, onde se decide usar uma moeda comum. Putin preparou um projeto para retirar o dólar e o euro do intercâmbio comercial entre os países da CEI (Comunidade do Estados Independentes). Com o BRICS, a Organização de Cooperação de Shanghai, a nova “Rota da Seda”, e sobretudo o novo Banco Asiático de Investimento em Infra-estruturas, se cria um campo que agrupa a maioria dos países, inclusive a Europa capitalista. Isto reafirma a previsão de J. Posadas de que a unificação da URSS e da China era o fim do capitalismo.

A repercussão mundial desta ação da Rússia é e será enorme, um trovão universal. O imperialismo não esperava e ficou surpreso e paralisado. A burguesia europeia também e não sabe o que fazer. Se rompe e descompõe ainda mais a frente burguesa e, sobretudo, o exército ianque, que já está em plena desintegração, e tem que apoiar-se fundamentalmente nos mercenários. Assange e Snowden são somente a ponta do iceberg que mostra a derrota e a decomposição do exército do imperialismo, cuja cúpula e setores da burguesia claudicam e se desligam. Mas a contrarrevolução mundial irá responder. O bombardeio do hospital de Afeganistão, a reiteração dos assassinatos em Gaza, a bomba contra a manifestação pela paz em Ankara e a firma a toda velocidade do tratado de livro comércio do Pacífico mostram que não há possibilidades de conciliação e que se encurtam os prazos de ajuste final de contas. O tratado comercial do Pacífico revela que forças restaram ao capitalismo hoje, e que todo o resto está influído pela revolução.

A vanguarda revolucionaria, o proletariado mundial, as massas exploradas do mundo inteiro veem, sentem, vivem, se comovem e estimulam com a ação da Rússia, continuadora da função histórica da URSS, que sustenta e defende o governo da Síria, que junto com a Líbia foi o Estado Revolucionário mais avançado do Oriente Médio. Lavrov defende a Venezuela e alerta à burguesia mundial de que não intervenha ali. Antes, a Rússia, deixou cair Iraque, Iugoslavia e Líbia, mas agora defende a Síria e a Venezuela, estendendo sua influência na América Latina.

A Revolução Política e a Regeneração Parcial marcham a passos acelerados. Isso terá um efeito imediato de grande impulso à luta de classes na Europa, de amadurecimento de camadas e quadros dirigentes, estimulando a reflexão, o estudo, a compreensão e  a aceitação posta em prática do programa marxista, no conjunto da população que verá na Rússia um ponto de apoio seguro com o que se pode contar para enfrentar a burguesia e o imperialismo. Mas as ondas chegam também à África, Ásia e América Latina e farão dar outro salto à China, estimulando ainda mais o proletariado a limpar e regenerar o Estado operário. A China concentra hoje a maioria do proletariado mundial, e as massas chinesas, com todas as limitações, repressão e contenção impostas pela direção burocrática, tem a maior porcentagem mundial de greves e protestos contra a miséria e a corrupção que provocou o retrocesso a mecanismos capitalistas. Essa é a raiz das mudanças atuais na China.

A intervenção da Rússia na Síria encontrou o silêncio, indiferença e incompreensão e também o rechaço de todas as direções burocráticas operárias, socialistas e inclusive das dos partidos comunistas. Os partidos comunistas nasceram com a Revolução de Outubro e tinham a missão de estender o programa do Estado operário e de representá-lo politicamente em cada país. Criaram-se para cumprir essa função. Ao longo da história, a força dos partidos comunistas era dada pela autoridade mundial da URSS e dessa forma puderam crescer e consolidar-se.

O estalinismo e a herança que deixou, impediram que se cumprisse essa função histórica, pois abandonou-se o programa marxista e a luta pelo poder, dirigindo toda a atividade à disputa parlamentar e à conciliação com a burguesia. A burguesia europeia pôde lançar-se a destruir as conquistas operárias nos últimos trinta anos sem encontrar resistência nos sindicatos e partidos operários, que não tinham, nem tem o programa anticapitalista para opor e dar uma saída revolucionaria à crise do capitalismo. Com a ofensiva na Síria, a Rússia dá agora o exemplo da decisão de enfrenar o imperialismo; e os sindicatos e os partidos operários têm que sentir e vibrar com esse exemplo, apoiá-lo, discuti-lo e adotar essa mesma decisão de luta. Quando Chávez chamou a criar a V Internacional também encontrou a mesma atitude de indiferença, incompreensão e rechaço, inclusive dos partidos comunistas. Esse isolamento deu alas ao imperialismo para assassiná-lo. Nas circunstancias históricas atuais, com a poderosa intervenção mundial da Rússia, esse assassinato teria sido impossível ou muito difícil. É preciso tirar conclusões desse episódio criminoso para intervir agora e não deixar a Rússia sozinha nestes momentos decisivos. Agora é quando é preciso aplicar de fato, a palavra de ordem “defender e apoiar a Rússia”, que continua a função da URSS de antes.

É preciso acompanhar, alentar e defender esta decisão audaz e histórica da direção de Putin. É preciso apoiar e difundir intervenções como esta que fez aos jornalistas norte-americanos explicando como os EUA criaram o ISIS, e denuncia abertamente o imperialismo (https://www.youtube.com/watch?v=AzQk-5g3-O8&feature=youtu.be&t=46). É preciso chamar a fazer declarações, assembleias, reuniões, manifestações para viver plenamente a experiencia atual, discutir e apoiar a decisão de enfrentar e fazer retroceder o imperialismo, mas discutir, ao mesmo tempo o programa anticapitalista, que é a saída à situação atual. Na intervenção da Rússia falta a orientação política, que é infinitamente superior à ação militar, o chamado aos povos do mundo, aos partidos e sindicatos a derrubar o capitalismo e o imperialismo, que a burocracia não pode dar nas suas condições atuais, mas cuja ação, por si só, e um estímulo à polémica e à luta revolucionaria que socava as bases em que se apoia e a obriga a mudar cada vez mais.

Toda esta situação mostra a plena vigência e atualidade do Programa de Transição que não foi superado e cuja ausência se expressa, entre outras coisas, na experiência de Syriza e Podemos, que depois de dar um salto nos objetivos, retrocedem quando chegam às portas do poder e retrocedem porque não tem a consciência e a preparação marxista da tomada do poder. Isso é a essência do Programa de Transição e está somente aí e em nenhuma outra parte. Por isso é preciso insistir e agora há ouvidos muito mais receptivos do que nunca antes, na necessidade do programa marxista, da Revolução Política e da volta aos Sete Primeiros Anos da Revolução Russa, de recuperar na Rússia, China e nos demais antigos Estados operários e Estados Revolucionários os princípios da Revolução de Outubro: a propriedade estatizada e o funcionamento soviético da sociedade.

12 de outubro de 2015

Correspondente na Europa de “Voz Posadista” (Uruguai)

 


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