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A participação da mulher e os direitos humanos no Irã
26 de abril de 2011 Artigos Edições Anteriores Politica
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A questão dos direitos humanos no Irã, com um dos focos na questão “mulher” no Irã ocupou,
nos últimos tempos, vários espaços dos grandes meios de comunicação, a ponto de levar esse
país, injustamente, ao banco dos réus da ONU, com o surpreendente alinhamento do governo
brasileiro no voto condenatório. Isso, poucos dias antes da chegada de uma delegação de 8
brasileiros, composta de jornalistas, produtores de TVs comunitárias e educativas, escritores e
blogueiros, ávidos a conhecer a vida, a cultura e a história deste pequeno e grande herdeiro do
antigo império persa, berço de tantos patrimônios culturais da humanidade.

Ao se defrontar no longo percurso realizado desde Teerã, a Shiraz, Persépolis, Isfahan a
Yazd, com um povo culto, respeitador, comunicativo e solidário, livre, alegre, incluindo todas
as mulheres com o hijab (véu) na cabeça, e ao visualizar cidades organizadas, limpas, sem
favelas, nem mendigos nas ruas, o sentimento inicial, como brasileiros, foi de desculpar-
se perante este povo e seu governo pela injusta e equivocada posição do Brasil na ONU,
que feriu todos os esforços de integração Brasil-Irã levados nos últimos anos pelo governo
Lula. Lamentável a concessão à falsa ladainha midiática dos “direitos humanos” tocada pelos
Estados Unidos e Israel, promotores de guerras, massacres, e exemplares transgressores dos
direitos humanos da legalidade internacional da própria ONU. (1)

Os direitos humanos no que concerne a vida do trabalhador, do jovem, das mulheres,
crianças e anciãos iranianos são razoavelmente respeitados e como! Desde 1979, após
32 anos da Revolução Iraniana iniciada com Komeyni e continuada com Ahmanidejad, o
Irã, com o petróleo nacionalizado, adquiriu um alto desenvolvimento tecnológico no campo
aeroespacial, automotor, na indústria farmacêutica, implementou medidas sociais, de
educação, saúde e moradia que tendem a se elevar visivelmente. Quase 90% de seu povo é
alfabetizado; há 400 universidades, 50 mil universitários por 1 milhão de habitantes (o dobro
do Brasil), 3,5 milhões de universitários, dos quais 68% são mulheres (na época do Xá eram
somente 5% e as mulheres maquiadas eram malvistas, chamadas de prostitutas pela moral de
então. Isto tudo foi superado).

A participação da mulher no Irã

Dado que um dos focos da vergonhosa campanha internacional contra o Irã é a questão
dos direitos da mulher, vale a pena relatar algumas constatações em loco. A visita cultural no
Irã nos permitiu colocar uma luz de objetividade na sublime participação da mulher na história
da humanidade como ela merece, e não com a vulgarização dos seus direitos que respondem
a um protótipo de mulher fabricado no mercado capitalista. Já o famoso cilindro de Ciro (559
a 530 a.c.) trazido do Museu Britânico ao Museu Nacional do Irã em exposição nos últimos
meses, nos permitiu constatar uma carta milenar dos direitos humanos na raiz deste povo, no
longínquo império persa. A lição de história na visita realizada a Persépolis berço da dinastia
dos Aquemênidas, nos diz que na época de Dario, a mulher jogou um papel central nesse
período: eram supervisoras, conselheiras do comando naval e membros do Conselho de
guerra.

Nas fases posteriores ao estabelecimento do islamismo, nas mesquitas e palácios de
Isfahan, durante a dinastia de Safavid, se denotam a harmonia, a inteligência embutida no
renascimento islâmico, onde se combinam arte e capacidade técnico-científica, com pinturas
coloridas de mulheres que refletem relações sociais harmoniosas e relativa igualdade de
gênero. Na história do islamismo na Pérsia não se sente o mesmo peso da igreja medieval
católica romana, sob a égide do obscurantismo e da inquisição, com rostos de mulheres
perseguidas e submetidas. Hoje, por exemplo, no Irã islâmico e em transformação, não há
impedimentos para a realização de pesquisas com células troncos. Isso, superado um dos
períodos mais tenebrosos no Irã que foi o da dinastia do Xá Reza Palevi. Nos suntuosos
palácios de inverno e verão da família do Xá (hoje museu, aberto ao público), se espelhava o
individualismo, a repressão contra o povo, e o “direito humano e exclusivo” da mulher do Xá.
Os direitos da mulher, a sua participação dirigente na sociedade, latentes no ancestral
império persa, renasceram através da revolução de Komeyni.

Visita ao Centro de Defesa da Mulher e da Família junto à Presidência da República

A delegação brasileira foi recebida pela Presidenta do Centro de Defesa da Mulher e da
Família, Maryam Mojatahedzadeh, Conselheira do Presidente da República que, junto com
Maryam Arshadi, Secretária de Relações Públicas do Centro expuseram a situação atual da
mulher no Irã. Colhemos também depoimentos de Mahdieh Jamshidi, Diretora da Secretaria de
Cultura de Yazd.
O Centro foi fundado em 1988. A partir de 1990, a Diretora passa a ser membro da
Secretaria da Presidência. Depois disso foram escolhidas Conselheiras do Ministério da Mulher
para defender os interesses da mulher. Qualquer decisão passa por essas Conselheiras. Há
mecanismos em todas as cidades e províncias onde as Conselheiras intervém em problemas
educacionais. Há 148 versos do Alcorão que compreendem 700 páginas sobre os direitos da
mulher na sociedade iraniana.

O Centro focaliza o papel da mulher como mãe e impulsiona a sua função dirigente na
família para ser útil na sociedade. Nos tribunais há conselheiras para ajudar em casos de
divórcio na reconciliação das famílias. No caso de divórcio se asseguram direitos financeiros
à mulher, como o valor chamado “mahrieh” (afeto) estabelecido por contrato matrimonial,
resgatável em extrema necessidade, mesmo sem separação. Há também intervenções contra
a violência à mulher sobretudo nos extratos mais baixos da população, nos subúrbios das
cidades, onde a ausência de uma erradicação completa da exploração econômica burguesa
se faz sentir, e as mulheres são ainda as primeiras vítimas. Mesmo que as mulheres não
estejam segregadas por razões legais como na Arábia Saudita. Há uma luta contra a máfia dos
taxistas que exercem a violência contra a mulher. De toda forma, na balança dos desiguais e
combinados, há um grande estímulo ao protagonismo feminino, sob a gestão de Ahmadinejad.
Há mulheres taxistas, motoristas de ônibus, caminhões e dirigentes de fábrica.

Nos locais visitados como uma Clínica Oftalmológica, escritórios da Press TV, a maioria
do pessoal era de mulheres. Há muitas mulheres na área da engenharia, da pesquisa aero-
espacial e médica. Na agricultura aumentou de 35% a participação das mulheres, e de 39% em
trabalhos de engenharia e agricultura (de 1976 a 2006). Nos serviços públicos aumentou 41%
e nas áreas governamentais, 77,5%. O número de cooperativas de mulheres, aumentou de
958% (de 1986 a 2006). Nos trabalhos técnicos e científicos, 140% de 1976 a 2006.

A Presidenta do Centro de Defesa da Mulher e da Família, Maryam Mojatahedzadeh
destacou que “a mulher iraniana cresceu muito na produção de pensamento e idéias”. Há 7
mulheres deputadas e uma Ministra da Saúde. Sabemos que deveriam ser elegidas outras
2 ministras indicadas pela Presidência, mas foram cortadas pelos setores conservadores do
Parlamento. Há 15% de mulheres em postos importantes do governo. Há várias mulheres
dirigentes de empresa. De fato, é notável que sob o hijab na cabeça das mulheres, não há
rostos submissos, mas olhares inteligentes e participativos. O salário da mulher trabalhadora é
igual à do homem. É proibida a demissão da mulher grávida; 6 meses de licença maternidade
com salário integral; o estado reconhece a função social da amamentação e para isso concede
um horário livre à mãe, de 2 a 3 horas durante o trabalho, pelo período de até 2 anos após o
nascimento da criança, sem reduzir o seu salário.

Todas estas são conquistas depois da revolução liderada por Komeiny, e afirmadas nos
últimos anos em meio a pressões do imperialismo, a uma guerra e a uma luta interna com
setores conservadores. Antes, elas eram consideradas mulher-objeto, e as que se projetavam
eram mulheres de ministros e pertencentes às camadas mais ricas.

Sobre o uso do véu ou da vestimenta (hijab) das mulheres iranianas explicam que não
é verdade que isso represente uma limitação. Houve um plebiscito e 98% votou a favor
do uso do “hijab”. “A maioria das mulheres do Irã não sente a obrigatoriedade do uso do
véu como uma limitação, ao contrário, isso lhes dá paz e proteção. Não é uma limitação,
mas um fator positivo”. Antes da revolução já usavam o hijab. Antes não permitiam ela
escolher a vestimenta. Na época da guerra muitas mulheres usavam o hijab. E foi com o
véu que as mulheres participaram da revolução contra a ditadura do Xá e depois, armadas,
muitas participaram da guerra contra o Iraque, que era apoiado pelos EUA. As mulheres
que trabalham na área médica e desportiva usam o hijab, e nunca sentiram isso como um
problema. As desportistas iranianas registraram excelentes desempenhos nos jogos olímpicos

asiáticos.

Maryam Mojtahedzadeh declarou que confiam na continuidade de um processo de
integração entre o Brasil e o Irã, “apesar de que há inimigos que não querem”. Cita o exemplo
do caso Sakineh: “é um processo que corre desde 5 anos atrás. A condenação seria para
garantir a segurança dos homens” (ela assassinou barbaramente o marido, esquartejando-
o). “Há uma lei do código penal. O não cumprimento da lei causa um outro problema. Seja
como for, os opositores criarão um problema. O que o ocidente questiona é a forma de
condenação. Sempre há uma minoria que quer desestabilizar com falsidades.”

Sabe-se que em 30 anos de revolução, não houve nenhum caso de apedrejamento.
O presidente Ahmedinejad bem respondeu que o caso de Sakineh está na área do poder
Judiciário e não do Executivo. Os países do chamado Ocidente querem fazer disso um caso
político para desestabilizar o seu governo. Na imprensa do país o caso de Sakineh não
tem tanta difusão, como na mídia internacional e brasileira. O que comprova como o caso é
artificialmente destacado aqui para envenenar as boas relações entre o Brasil e o Irã. Outra
comprovação da fabricação interessada de inverdades é o caso da falsa notícia sobre a
censura aos livros de Paulo Coelho; a delegação brasileira comprovou que há pelo menos 4
títulos expostos à venda em uma livraria visitada em Teerã.

Organização popular e sindical

Evidentemente, o sindicato não constitui uma tradição no país. Mas, sabe-se que na falta
dele, as rezas de 6ª. feira nas mesquitas, têm sido lugar de reunião, de debate sobre vários
temas econômicos, energéticos e até sobre os conflitos mundiais. Não tivemos a ocasião
de presenciar, mas o presidente Ahmadinejad, trata de mobilizar a população realizando
assembléias semanais em cada região, abertas ao público e mantê-la em ativa discussão
sobre os problemas locais e nacionais, através de viagens e caravanas no interior do país.
Isso tem estimulado as mulheres a ocuparem 68% dos bancos da universidade e a retomarem
as manifestações, onde elas compõem a parte mais alegre e rumorosa. É verdade também
que, por outro lado, como indica um debate oficial, somente 17% delas são absorvidas no
mercado de trabalho. Há um fator cultural que induz a mulher a optar posteriormente pela
dedicação às tarefas domésticas, ou ao trabalho artesanal e familiar como a tapeçaria, dado
que o marido, em muitos casos, não permite que a mulher trabalhe num ambiente separado
do núcleo familiar. Soma-se ao fato que há uma corrente privatizante na economia, regida
por proprietários de fábricas, que corre contra as leis governamentais que exigem que elas
não fechem, nem diminuam o seu pessoal no arco de 5 anos. Muitas fábricas trabalham
com a mínima produtividade, e até suspendem a atividade, sustentando uma política anti-
governamental. Neste primeiro de maio, o ministro do trabalho ameaça renacionalizar as
empresas que demitem os operários.

Sobre a participação da mulher no contexto atual da guerra

As mulheres iranianas tiveram uma ativa participação na guerra Irã-Iraque na defesa da
pátria. Maryam Mojtahedzadeh afirma que a guerra entre o Irã e o Iraque não foi uma escolha
do povo iraniano. Houve muitas mulheres que perderam maridos, filhos e familiares na guerra.
Segundo ela, lutar na guerra para defender o país e o povo é um caminho sagrado. Ela mesma
tinha, nessa época, 22 anos e perdeu um filho de um ano e meio na guerra e diz que daria
a sua vida em outra guerra se necessário. Durante a guerra muitas mulheres estavam na
retaguarda preparando coisas necessárias, eram enfermeiras sob os tiros de canhão, à mão
desarmada contra os tanques que invadiam as cidades. Elas nunca vacilaram em bendizer
seus filhos e enviá-los para a guerra, para defender o Islam e a revolução com Khomeyni.
Existe um Centro de Mártires da Guerra (há em várias cidades do país) que dá ajuda financeira
estatal às mulheres viúvas dos combatentes. Maryam recordou que hoje em dia há vários
países muçulmanos que podem se unir para lutar contra os invasores das casas em Bharein
que estão espancando mulheres. O que dizem os defensores dos “direitos humanos” no
Ocidente sobre isso? Isso corresponde a milhões de apedrejamentos. Confirma-se, mais esta
vez, que as mulheres do Irã estão dispostas a lutar até as últimas conseqüências diante da
ameaça intervencionista e guerreira contra o Irã, na defesa dos reais direitos humanos e da
soberania do seu país.

A delegação agradeceu o troféu que lhe brindou o Centro de Defesa da Mulher e da Família
junto à Presidência do Irã, denominado: “Transmissores da Verdade”. O recado era: “Basta que
digam a verdade sobre o que viram no Irã”.

Brasilia, 26 de abril de 2011

[De 11 a 19 de abril, um grupo de jornalistas de TVs comunitárias e educativas, e blogueiros independentes viajou a
Teerã, Shiraz, Isfahan e Yazd para conhecer a realidade iraniana)


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