Home
Videos
Edições impressas
Jornais anteriores
Contato
Sobre nós
A propósito da intervenção militar no Rio de Janeiro
20 de fevereiro de 2018 Artigos Editorial
Recomende essa matéria pelo WhatsApp

A propósito da intervenção militar no Rio de Janeiro

O país vive um dos momentos mais críticos de sua história dos últimos anos. Se já não bastassem os péssimos fundamentos referentes à crise econômica, à desnacionalização, ao desemprego, ao corte nos direitos trabalhistas e previdenciários, à violência, à dívida pública, ao golpe contra a Presidenta Dilma e à criminalização infundada do ex-Presidente Lula, caminhamos a largos passos rumo à quebra total da nossa soberania nacional. O decreto pela intervenção militar no Rio de Janeiro confirma a falência total das instituições da República: o Judiciário, a Polícia Federal, o Parlamento e o Ministério Público; e coloca em risco a integridade de umas das instituições do Estado que ainda conta com o respeito da população, as Forças Armadas, desviando-a para uma função social repressiva e não para a que lhe compete constitucionalmente.

É função das Forças Armadas a defesa da nação, das fronteiras, da integridade do povo e da soberania nacional. E se a intervenção adquirir um cenário de violência, arrisca-se receber o desprezo popular à instituição, a sua quebra interior que poderá ir para qualquer lado, entre os setores democráticos e nacionalistas e os entreguistas da nação, que querem utilizar um pretexto local da luta contra o narcotráfico, para encobrir, com a cumplicidade da Globo e da mídia hegemônica a derrota parlamentar da Reforma Previdenciária de Temer, ensaiando a repressão à reação popular e uma eventual intervenção militar nacional, ditatorial e, de roldão, impedir as eleições de outubro, abortando o processo democrático no nosso país.

Certamente, o Exército já exerceu em anos anteriores a missão de “pacificação” de algumas favelas. Ou mesmo, como diz o General Villas Boas, em muitas ocasiões tem cumprido com a função de proteção civil: “Temos operações de defesa civil, por exemplo, distribuímos água a 4 milhões de habitantes do polígono da seca no Nordeste, fazemos isso, senhoras e senhores, há 14 anos já.  ... No ano passado, 2017, tivemos 507 operações, com mais de 130 mil militares sendo empregados.” Mas, no contexto atual, sob a ingovernabilidade estadual e municipal, e o mando federal de um governo golpista, num pós-carnaval de relevante crítica social, a intervenção militar adquire uma natureza política, perigosa e condenável, sobretudo quando se sabe que a origem da violência do tráfico é a deterioração extrema da vida e dos direitos econômicos e sociais do povo, acelerada no governo golpista de Temer, na qual se inclui também a decadência total do investimento em segurança nas áreas que competem: política civil e militar. Além de tudo, é sabido que o verdadeiro cartel do narcotráfico se encontra sob comando da gang política da direita no Parlamento e no Executivo.

Faixa no carnaval da Favela da Rocinha

As queixas e o alerta social são completamente justificados. Recentemente, ecoaram rumores e clamores da direita por uma intervenção militar, um golpe a exemplo de 1964 para conter o ex-presidente Lula. A condenação do TFR4 ao Lula e as ameaças de prisão e inviabilização da sua candidatura são fatos.  Lula liderou um governo reformista que beneficiou as classes pobre e média, mas também beneficiou os Bancos, as empresas, a indústria nacional, reforçou o papel do Estado, no contexto de um desenvolvimento com distribuição de renda. O poder monopolístico financeiro internacional e golpista, incapaz de encontrar seu candidato para competir com a enorme popularidade de Lula, evidenciada nas estatísticas, no fervor unânime das caravanas e dos carnavais, está exaurindo seus últimos cartuchos. Até quando o poder judicial-midiático, do Moro ao STF, da Globo à Veja, poderá controlar a mente de um povo cansado da overdose midiática, quando os fatos mostram que Dilma e o povo foram golpeados? As estatísticas que dão 40% a favor de Lula, mostram que já fracassa a descaracterização do governo progressista de Lula, que foi fiel ao objetivo de possibilitar que 40 milhões saíssem da área da pobreza extrema e que cada brasileiro tivesse pelo menos três refeições por dia e que a classe média tivesse emprego e estudo universitário.

General Villas Bôas

 

As Forças Armadas são cientes de  que no governo anterior possibilitou-se o desenvolvimento de projetos como a construção do submarino movido por energia nuclear, e a defesa da Amazônia, da indústria naval e da construção civil; um governo que foi capaz de protagonizar a integração econômica e política dos povos e governos da América Latina e articular o BRICS.  Há descontento, redução de investimento no Exército, e agora, querem usá-lo de bucha de canhão, ou como diz o senador Requião: porteiro de favela. Até quando? Os pronunciamentos do General Villas Boas podem ser a ponta de um iceberg de um debate ou questionamento interno nas Forças Armadas. Este decreto inconstitucional de intervenção militar no Rio de Janeiro, e o envio do general Walter Braga Netto, não responde às ordens do comandante do exército, Villas Boas, mas à GSI (Gabinete de Segurança Institucional), dirigida pelo general Echegoyen que obedece diretamente à presidência da República. E mesmo assim, o interventor Braga alertou que há um escândalo midiático desproporcional em torno à situação de violência do Estado do Rio.

Há várias incógnitas sobre o desenvolvimento de uma reação interior nas Forças Armadas. Apesar do seu envolvimento no golpe de direita em 64, a sua maioria desenvolveu na gestão de Lula/Dilma, a estirpe democrática e de defesa nacional. Evidentemente, a um mês da substituição do comando do Exército do general Villas Boas, a tentativa golpista da cúpula da direita militar, entreguista, se exacerba, de Echegoyen a Mourão. Mas, o fato é que, esta intervenção militar no Rio de Janeiro, responde imediatamente a um desvio de atenção, das investigações que surgem à tona contra os abusos do poder Judiciário, e à revelação da incriminação dos vários agentes da Lava Jato, incluindo o Juiz Moro e família. Analistas destacam a possibilidade de uma próxima prisão de Lula ocorrer dentro do clima da intervenção militar “salvadora” no Rio de Janeiro.  Ou no caso da não prisão, em que a crise interna do STF (Supremo Tribunal Federal) viabilizasse a candidatura de Lula, já preparar a opinião pública para o lançamento de um candidato presidencial da direita, que acene a bandeira da luta contra a “insegurança”, já que o slogan da “anticorrupção” começa a se esvaziar e comprometer a todo o leque governista, PSDB, DEM, MDB, etc.. A esquerda deve condenar a intervenção militar, mas estar atenta também a não ceder às provocações, enfrentando os militares, e cair no absurdo jogo midiático que se atreva a colocá-los aliados ao PCC e ao narcotráfico. À intervenção militar é preciso opor a intervenção social do povo nos bairros, fábricas e sindicatos na defesa das conquistas sociais, como nesta greve geral de 19 de fevereiro. Ao problema da insegurança, há que embasar a resolução do desemprego, do Estado social para moradia, saúde, escola, pré-sal, energia.

Não há dúvidas de que os militares nacionalistas, sustentadores diretos ou indiretos da corrente de pensamento democrático do general Villas Boas devem convocar-se na defesa do povo e da soberania nacional. Houve processos ao largo da história, desde os soldados dos cravos vermelhos em Portugal, aos de Hugo Chávez na Venezuela. Mas, o ânimo destes servidores da Pátria para cortar a destruição de um povo e de uma Nação não nasce do vazio, senão de uma grande mobilização popular, dos sindicatos organizados, decididos a tomar as ruas e dizer um Basta!, aqui estamos para fazer história! Aí está em marcha, neste 19 de fevereiro, a greve geral nacional dos trabalhadores e dos sindicatos para selar a derrota das reformas previdenciárias do governo Temer. Aí estão os oprimidos dos milhares de “Tuiutis” a dizer: “Se tocarem no Lula, o morro vai descer!”.

Não se pode aceitar que o Brasil Nação seja fadado a ser uma colônia dos banqueiros, e apenas um país exportador de comodities. É preciso apoiar e convocar correntes nacionalistas que possam sustentar com ação posições expressas pelo general Villas Boas na defesa das riquezas localizadas na Amazônia, do petróleo, do nióbio do Araxá/MG, da autonomia satelitar (Base de Alcântara) e energética, do submarino nuclear da Marinha (projetado pelo almirante Othon Silva). Poderíamos enumerar uma lista de riquezas sem fim que, se bem administradas por um governo nacionalista, transformariam o país (que atualmente tem uma dívida pública de 4 trilhões e 852 bilhões de reais representando 74,45% do PIB) em uma das maiores potencias do mundo e com plena inclusão social. Não se pode permitir que o Brasil seja ocupado por instrutores e militares norte-americanos alheios ao desenvolvimento produtivo da nação e mandantes de um retrocesso ao escravagismo de 2 séculos atrás.

É de fundamental importância, e merece o nosso apoio, o discurso do general Eduardo Villas Boas quanto à falta de um projeto nacional. Projeto que pôde se transformar em realidade durante o período de 1930 a 1950 como destacou o próprio comandante,  ou seja, durante a Era Vargas. Era Vargas marcada pela proteção e nacionalização das nossas riquezas minerais, do petróleo, da constituição das  leis trabalhistas com a CLT, a criação da indústria nacional através de empresas como a Companhia Siderúrgica Nacional; o direito do voto da mulher; a criação da Petrobrás e da Companhia Siderúrgica Nacional; realizou uma auditoria da dívida pública; um projeto nacional que possibilitou o país sair da situação de um país agrário para um país industrial com a formação de um poderoso mercado interno e ganhos substanciais para a população.

Atualmente, contamos com a Frente Parlamentar Mista pela Soberania Nacional presidida pelo Senador Roberto Requião e pelo Deputado Federal Patrus Ananias. Somos sabedores das dificuldades de formar consensos em torno deste programa e mais ainda as dificuldades políticas mas sem isto, estamos fadados a ser apenas um dentre os vários países submetidos ao poder das grandes transnacionais. O grande desafio das nações neste século XXI é sair da armadilha do capital financeiro improdutivo e das elites ainda oligárquicas que buscam sacrificar o interesse do seu povo e da nação em beneficio próprio. São forças com poder global que só a unidade das forças nacionais para criar condições de construir um projeto nacional para o país. Chamamos a atenção também a acompanhar pontos de vista e análises muito significativos como a de Eugênio Aragão, ex-ministro da justiça da presidenta Dilma Rousseff  https://youtu.be/0wGAbOZJf6M.

Urge um chamado a uma unidade cívico-militar, contra o domínio imperial que ameaça a nação brasileira e a inteira região latino-americana, através de golpistas servis como Temer que durante o carnaval foi à fronteira da Roraima para articular seu apoio à ameaça de Trump à Venezuela. É preciso repudiar qualquer intervenção militar da direita no Rio do Janeiro ou em qualquer parte do país contra os movimentos sociais e populares que lutam pelos seus direitos e por um projeto de nação. Os setores progressistas das Forças Armadas devem se manifestar junto à sociedade civil quanto aos rumos do país, defender o patrimônio nacional e impedir a invasão estrangeira. Os sindicatos, os estudantes, os intelectuais, deputados e senadores progressistas, as donas de casa, os desempregados, os anciãos, trabalhadores rurais (MST e MAB), pequenos e médios empresários, comerciantes, a Frente Brasil Popular, Frente Brasil sem Medo, a Rede da Legalidade com suas 700 rádios, as TVs comunitárias, devem mover-se por uma unidade cívico militar em defesa da soberania nacional, do respeito à Constituição e aos Direitos Humanos. Entre todos estes direitos está o rechaço total a qualquer condenação, prisão ou inviabilização da candidatura de Lula da Silva nas eleições de 2018.

Comitê Editorial
Jornal Revolução Socialista

19/02/2018


Palavras-chave: intervenção militar;Rio de Janeiro

{Acessos: 659}
Recomende essa matéria pelo WhatsApp


Faça seu Comentário



Comentários
Nenhum comentário para esse conteúdo.
EDITORIAL:

Apoio incondicional à candidatura Haddad-Manuela e à coligação!
Pela composição mais ampla com todas as forças de esquerda, progressistas, nacionalistas e democráticas e dissidentes do regime ditatorial neoliberal e fascista! É preciso contar com as divergências do inimigo. É preciso emplacar Haddad no primeiro turno.
Receba nossa newsletter

Videos recentes
Suplementos Especiais
Links Recomendados
Matérias recentes
Noticias recentes
Batalhas de Ideias
Comunicação
Ganma Hispan TV Press TV Russia Today TeleSUR
Palavras-chave
J. Posadas - Obras publicadas
Leituras sugeridas
A FUNÇÃO HISTÓRICA DAS INTERNACIONAIS Del Nacionalismo Revolucionario al Socialismo Iran - El proceso permanente de la revolucion Iran - El proceso permanente de la revolucion La musica, El Canto, La Lucha Por el Socialismo
Desenvolvido por Mosaic Web
Recomendar essa matéria: