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A quem serve o conflito argentino-uruguaio sobre as fábricas de celulose?
07 de abril de 2006 Artigos Edições Anteriores
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Do discurso do presidente Kichner pronunciado no dia 1º de março de 2006 por ocasião da abertura do período de Sessões Ordinárias  do Congresso Nacional, a mídia em geral destaca os cinco minutos de improvisação referentes ao litígio com Uruguai pelas fábricas de celulose que consórcios internacionais estão instalando nas margens do rio Uruguai, manancial de água compartilhado com a Argentina.

            Falou-se e escreveu-se muito sobre este problema, desde o fracasso das gestões do governador da Província de Entre Rios (Argentina), Busto, para conseguir o estabelecimento das referidas empresas na costa argentina e sua reação, estimulando a mobilização da população da cidade de Gualeguaychu para bloquear as pontes que unem essa cidade com o Uruguai.

            Seja verdadeira ou não esta versão, o problema se complica notavelmente, principalmente porque no meio disso tudo se encontra como eixo central a continuidade ou não do progresso do MERCOSUL. Este é o detalhe fundamental, porque sobre a perspectiva da subsistência deste organismo se desenvolve um pólo antimperialista, especialmente anti-ianque, que se lançou com a Revolução Cubana e se estendeu com a Revolução Bolivariana na Venezuela e participam Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai de maneira ambivalente como consequência de suas contradições.

 

            O problema deve ser visto desde esta ótica: o imperialismo manobra para desintegrar este bloco, contando para isso com a aprovação de setores políticos e das burguesias que antepõem seus interesses particulares ao projeto do MERCOSUL e da integração da América Latina. Esta é uma crise que leva a América Latina a um ponto de inflexão, o que se nota na preocupação que reina nas duas populações.

 

            Kirchner tirou do bolso a sua proposta de suspender as obras por noventa dias e designar um ente misto para determinar o grau de contaminação que produz a produção de celulose. Proposta já rechaçada pelo governo uruguaio.

            Mas, porque se lançou esta controvérsia meses depois de se estar construindo as fábricas de celulose, quando já os governos da Argentina e Uruguai, desde muito tempo atrás, conheciam o projeto da obra? Qual é o significado político disso? Diante da justa reclamação ambientalista de não permitir a contaminação das águas se acentua o nacionalismo e até o chauvinismo. Com quê fim? Justamente, que cada um se arranje por sua conta e à sua maneira. Então, de quê integração estamos falando? A situação se agrava porque as iniciativas na defesa dos supostos interesses nacionais são apoiados no Uruguai pela Direção da CNT contrariando uma Resolução de um Plenário Nacional que rechaçou, por unanimidade, o prosseguimento dessas obras contaminadoras. Na Argentina, ocorre algo semelhante: o apoio às mobilizações de Entre Rios pela defesa da saúde, o ambiente e o turismo.

            As velhas e novas  – crono-lógicamente falando – direções políticas de ambos os países têm um mesmo objetivo, subordinar o MERCOSUL a seus respectivos interesses. Portanto, como a crise social é crescente em ambos os países, só sabem aplicar a fórmula tradicional do capitalismo, potenciada na época do imperialismo: “Para dar trabalho é preciso investir” e nos tempos que correm onde a economia está monopolizada por poucos consórcios financeiros, não se encontra outra saída que assegurar ao imperialismo os seus investimentos e o nível de benefícios concordados.

            Aqui na Argentina, desde o fechamento das linhas ferroviárias e as concessões feitas às grandes companhias petrolíferas durante o breve mandado de Frondizi e seguido pelo General Ongania na década de 60, começa o grande engodo do “esvaziamento das empresas nacionais” como foi a da têxtil “Campomar”. Depois vem o curso ascendente desta política com a ditadura militar e por fim com o menemismo. No programa dos governantes destes países se recalca constantemente este critério:  “que com a chegada das grandes inversões se reverte a curva do desemprego e da crise.” É uma velha história” que sempre traz aparelhado um retrocesso na saúde e na vida econômica, social e cultural das massas.

            Mas ainda não está dita a última palavra porque Chávez exerce hoje a liderança dos países da América do Sul e provavelmente intervirá para dar uma saída para essa controvérsia. Repetimos que não foi dada a última palavra dado que o MERCOSUL e a ALBA são duas entidades que asseguram a independência absoluta do continente sul-americano. Se a miopia política não permite compreender isto ou não o aceita, deixa o campo livre ao imperialismo.

            Portanto este enfrentamento político entre o Uruguai e a Argentina deixa de lado o MERCOSUL, sendo assim porque o mandato das urnas é um cheque em branco e dentro do campo político pesam muito os interesses do imperialismo e das próprias burguesias nacionais e a burocracia político-sindical. É preciso tirar uma conclusão deste enfrentamento entre uruguaios e argentinos. É preciso um MERCOSUL e uma INTEGRAÇÃO LATINOAMERICANA onde preponderem representantes populares capazes de organizar uma PLANIFICAÇÃO DA ECONOMIA para todas as massas populares deste continente, porque senão vamos correr atrás do carro das necessidades.

(do nosso correspondente na Argentina)


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