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A rosa e a vida
01 de maio de 1981 Edições Anteriores J. Posadas
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A ROSA E A VIDA

 

J. Posadas

1 de maio de 1981

 

J. Posadas gerou este texto quando ao longo de uma caminhada particularmente especial, ao retorno de uma manifestação de 1º de maio de 1981 em Roma, se defrontou diante de um belíssimo roseiral. Na sua concepção dialética da vida, a morte é superada na medida em que o ser humano, assim como as rosas quando são arrancadas do seu pé, continua na vida dos demais que permanecem (1) . Esta foi a sua conduta nos seus últimos dias de vida: elaborar textos, orientações constantes para impulsionar a continuação da vida na luta pelo socialismo.

 

Jeannine Polet foi uma das tantas rosas vermelhas cultivadas no jardim das idéias do marxismo-posadismo, que lutou até o último momento da sua vida em reunião com seus camaradas, para deixar o exemplo vivo de que o ideal revolucionário do socialismo é o mais sublime e necessário do universo e que a humanidade deve persegui-lo, até as últimas conseqüências.

           

 

Os seres humanos usam as flores tanto como um meio de comunicação com a natureza como entre si mesmos. A rosa é a flor que simboliza de forma mais elevada este sentimento. Ela vem de épocas muito remotas da humanidade, tendo estrutura molecular e componentes necessários à saúde, à vida. A partir da rosa se fazem chás, saladas; aliás, todas as flores têm essas propriedades; as verduras também, mas em outras formas. Por enquanto, não são digeríveis, mas se vêem animais que se sustentam de flores, como é o caso da abelha que produz o mel; ou seja, a abelha realiza uma transformação. Todas as matérias primas das flores – tanto os ácidos, como as proteínas – são transformadas para que sejam assimiladas pelo ser humano. As outras flores também devem ser assim. Nós não comemos flores, devido aos hábitos da alimentação vigente com carne e outros produtos.

 

A mais linda flor da comunicação humana é a rosa, que vem desde a origem do ser humano. A rosa é a mais comunicativa. Tenho a impressão que deve ser pelo seu perfume, que é o mais agradável de todos; e também pelas suas cores que são muito harmoniosas. As rosas têm cores que harmonizam com a vista, com o olhar, com o pensamento, e o seu perfume é o mais suave e profundo. É por isto que se diz a uma garota jovem e bonita, ou a uma criança linda: “você parece uma rosa!” É comparada a uma rosa. E num momento em que estou pensando sobre o passado, as rosas tomam uma maior dimensão e chegam até mim, para que o perfume, a cor e o aspecto se comuniquem com o passado. Assim, eu penso e as rosas se movem, percebendo minha preocupação em encontrar uma compreensão ou explicação de alguma coisa. É aí que ela se move e diz: “Veja, isto é assim!” E agradece, com o seu perfume, seu aroma e sua cor.

 

No Estado operário, as flores vivem sem preocupação, pois elas não são arrancadas inutilmente, não são maltratadas. Elas não se sentem maltratadas. Pode-se arrancar uma flor, mas neste ato há uma continuação da sua vida, mesmo que ela deixe de viver, ela faz com que vivamos. Ela faz parte da continuação da vida. Assim, a vida é unitária, é única, e desenvolvida em diversas formas; a flor de um jeito, e os seres humanos de outro. Desta forma, a fragrância, a cor e o frescor da flor se incorporam à nossa inteligência e desenvolvem a capacidade da inteligência. A flor está presente aí, no desenvolvimento das idéias. É uma centralização feita pelo ser humano, concentrando todo o desenvolvimento da natureza e expressando em seguida uma forma superior da natureza: o ser humano – o qual também representa a flor. A flor é parte da composição orgânica da natureza; tal como o ser humano, não como gênero humano – porque este é uma particularidade do outro –  mas, organicamente, como natureza, nós somos iguais à rosa. E mesmo tendo em conta que alguns não são nada mais que os espinhos das rosas, que são os capitalistas; mas que já não conseguem espinhar mais. A humanidade já aprendeu a se manifestar, por isso, eles não espinham mais.

 

As flores, as plantas, e os animais serão partes integrantes da vida. Não a vida como gênero humano, em forma animal, de tal ou qual reino. Estas são divisões obsoletas, que tiveram que fazer, embora não sejam mal feitas para sua época. Contudo, agora, é preciso ver que todo animal, e flor, formam parte da vida – em forma de planta, de animal, ou em forma de ser humano – que, em certa medida, se pode dizer, não estrita ou organicamente igual: “uma forma superior”. Relativamente é uma forma superior, porque foi assim que a natureza se desenvolveu, mas quando houver a integração de tudo, encontraremos uma forma de vida superior das plantas, muito superior. Da mesma forma como encontraremos o jeito de respirar debaixo d’água, e o faremos. Hoje não acontece isto por uma condição que é o resultado de uma estruturação anterior, mas logo será possível faze-lo. Não será apenas com relação à água ou ao ar, e sim, em relação à água, ar, terra e cosmos: ou seja, tudo se unifica. O ser humano quer voltar à sua origem – e não é possível estabelecer quantos anos, que são trilhões – mas a origem é o cosmos. A humanidade está no despontar de conhecer-se a si mesma.

 

(1) J. Posadas veio a falecer alguns dias depois, em 25 de maio de 1981.

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