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A tensa Argentina às vésperas das eleições
21 de outubro de 2017 Artigos
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A tensa Argentina às vésperas das eleições

Cristina Kirchner fez transbordar o estádio Racing

Oacontecimento político do início da semana, pouco visto na mídia hegemônica, mas observada com intensidade nas redes sociais e internacionais, foi o ato final de campanha eleitoral da Unidade Cidadã (UC), onde a ex-presidenta, Cristina Fernandez de Kirchner fez transbordar de energia e emoção, o estádio Presidente Juan Domingo Perón, do Racing Club no município industrial-operário de Avellaneda, durante o feriado que corresponde ao histórico “dia da Lealdade” de 17 de outubro (1945).

Vale a pena saber um pouco sobre este famoso estádio esportivoparaentender o significado histórico deste ato político! Diante deste cenário harmônico entre cânticos, hinos, gritos e vibrações desta massa (cerca de 100 mil pessoas, com a presença massiva da militância kirchnerista-peronista) era impossível não se comover. O estádio foi construído na primeira presidência de Perón . Vários operários partiram e foram caminhando desde Avellaneda até a praça de maio, no dia 17 de outubro pedindo a libertação de Perón, que era Secretário do Trabalho, e estava preso na Ilha Martin Garcia. Depois é liberado e realizam-se eleições. Em 1956 instala-se uma rádio clandestina em Avellaneda no início da resistência peronista, que teve como um dos líderes o general Valle, de ideais nacionalistas, que é descoberto e fuzilado.

Foi emblemática a escolha de Cristina, para esta data e este ponto nevrálgico, Avellaneda, da periferia urbana de Buenos Aires. Rumo ao estádio caminharam milhares de jovens, até anciãos com muleta, famílias com crianças, cordões do movimento operário, sindical, dos núcleos de vizinhança e de organizações políticas de base que após caminhadas quilométricas, atravessando a famosa ponte Pueyrredon, confluíram com força e determinação, para apoiar a batalha de Cristina e dos candidatos da frente Unidade Cidadã (UC) nas eleições legislativas do próximo fim de semana.

A lista eleitoral da UC é composta de Cristina Kirchner como primeira candidata a senadora (com votos assegurados), acompanhada pelo ex-chanceler Jorge Taiana para senador, e Fernanda Vallejos (economista) e Roberto Salvarezza (cientista) para deputados nacionais, todos pela província de Buenos Aires. Outros candidatos à Câmara de deputados da nação que seguem são, Daniel Scioli (ex-governador da província de Buenos Aires), Fernando Espinoza (líder do Partido Justicalista de Buenos Aires) e ex-prefeito de La Matanza (baluarte do kirchnerismo), Vanesa Siley (La Campora, sindicalista) e Hugo Yasky (secretario geral da CTA, sindicalista), além de outros 14 candidatos a deputados pela Província de Buenos Aires. São 3 os postos para o Senado, nos quais, deverá estar Cristina Kirchner (UC) e Esteban Bullrich (Cambiemos), ministro da Educação de Macri. O posto do terceiro senador levará ou Jorge Taiana (UC) ou Gladys Gonzáles (Cambiemos), dependendo da lista que obtiver a maioria de votos. Considera-se importante ter o terceiro posto de senador para a UC, para fortalecer uma maioria que possa apoiar Cristina na sua batalha parlamentar para tentar frear a histeria neoliberal e os ajustes já anunciados por Macri no pós-eleições de outubro.

Cristina enfatizou neste discurso final vários pontos já levados em alta voz em todos os rincões de sua campanha: “ainda estamos em tempo para colocar um limite; não permitamos que estas políticas continuem avançando e endividando o país”; “se Evita vivesse votaria em Cristina, e Perón votaria em Taiana e os dois votariam a Unidade Cidadã!”; denunciou a sabotagem realizada pela empresa ferroviária que cortou nesse dia a circulação da linha Roca por donde vinham os manifestantes de La Plata; simultaneamente, Telecentro e Speedy cortaram a internet acionando um criminoso blackout comunicacional. Mas, Cristina assegurou com forca: apesar de todas as ameaças “não iremos à lua!” (numa alusão à anunciada lista dos 562 opositores que Macri ameaçou enviar a outro planeta).

 

O caso Santiago Maldonado

Enfim, a isso se junta o clima de tensão criado em torno ao repentino achado ontem, de um corpo, que foi anunciado ser de Santiago Maldonado no rio Chubut,  na localidade de Pul Lof (Patagonia), a poucos dias das eleições do domingo, com amplo enfoque da grande mídia; a mesma que ignorou até agora, nestes 2 meses, a enorme reivindicação social e internacional pelo paradeiro deste jovem desaparecido em repressão à comunidade Mapuche. Paira uma dúvida aos que efetivamente lutaram, sobretudo seus familiares e movimentos pelos direitos humanos sobre o porque só agora, após 78 dias do desaparecimento do jovem Santiago, no mesmo lugar já rastreado pela polícia em setembro, como se o corpo fosse estado plantado, como alegam os mapuches e delegados locais. Entender o que está por trás destes acontecimentos macabros e tristes, não é simples, foge a toda normalidade dentro de um sistema democrático ao borde da ruptura.

As interrogações e opiniões estão se formando num sentido não necessariamente previstos pelo governo, habituados à manipulação diabólica atavés do Clarin e da mídia hegemônica. Interessante a pesquisa realizada pelo CEOP (Centros de Estudos de Opinião Pública), na Província de Buenos Aires, entre 1500 pessoas, com diversidade de idade, sexo e condição social, que resultaram em: 58,2% a favor da renúncia de Patrícia Bulrich, 62% responsabiliza o governo nacional pelo desaparecimento de Santiago Maldonado; e 53% acha que houve um acordo entre o Governo e a Gendarmeria para esconder a verdade. Leia. Se destapa uma situação que o governo perde controle. Há vozes dizendo que Macri não queria que o corpo aparecesse antes das eleições, numa calculada manipulação político-mafiosa do assassinato do jovem Maldonado, prestes a tornar-se um caso de lesa-humanidade. Mas, a mídia alternativa, como C5N e jornalistas que resistem, brindam ao debate central do momento, o seu trabalho informativo preciso. O programa “Minuto Uno” por exemplo escancara provas de responsabilidade direta de figuras do governo, do Chefe de Gabinete de Segurança, Pablo Noceti, às ordens do Ministério de Segurança de Patrícia Bullrich, nos atos de repressão e encobrimento do caso Maldonado.

Roberto Bacman, diretor do CEOP, citado no artigo de Raúl Kollmann (Página12), emite interessante análise: “Há ainda demasiadas dúvidas. Enquanto isso, as pessoas vão tomando posição, estruturando opiniões e gerando atitudes. Em síntese, até que a verdade saia definitivamente à luz, o que mais importa são as percepções. É o que se denomina realidade percebida. Neste trabalho de campo, realizado na província de Buenos Aires, logo após um dia do achado do corpo, 6 de cada 10 pessoas evidenciam que estão convencidos de que o governo nacional continua sendo o principal responsável por este desaparecimento. A figura que de maneira mais contundente carrega nas costas tal responsabilidade, é Patricia Bullrich, pelo seu papel de ministra da Segurança e por uma suposta proteção à ação da Gendarmeria”. ..  “Não há dúvidas de que o aparecimento de um corpo, provavelmente de Santiago Maldonado, é uma dor de cabeça para o Governo. E coloca-se em movimento o imaginário popular que tem tempos muito mais curtos do que a justiça”.  De fato, oxalá as urnas das eleições do próximo domingo possam expressar o que a percepção popular julgou sobre o caso Maldonado nesta pesquisa, que não esperem os prazos longos da Justiça, que nem sequer são uma garantia para a justa incriminação do governo e das Forças de segurança. Oxalá que o voto político se antecipe para abrir um canal para a justiça verdadeira.

Macri , no mesmo dia em que Cristina Kirchner fazia transbordar o estádio Juan Domingo Perón (Racing), realizou seu reduzido ato de campanha no micro-estádio da chamada Ferroviária Oeste protegido por um clube seleto de candidatos, e pelo comando central do seu governo de empresários. Daí lançou mais uma de suas bravatas e ameaças aos opositores: “Começamos a expulsá-los do país. É um caminho longo, mas estamos indo bem. Não vamos parar”. Para impor o terror das medidas de ajuste neoliberais na Argentina, Macri apelará à força e à supressão dos direitos democráticos para enfrentar a tradicional organização sindical e popular.

Neste momento em que concluímos esta nota, acaba-se de receber a triste confirmação do início da autopsia do corpo encontrado no rio Chubut: trata-se de Santiago Maldonado.A notícia comove toda a Argentina. Milhares de pessoas famílias caminham nesta noite, com velas e bandeiras para sua homenagem na Praça de Maio e no Morgue Judicial. Não só lágrimas, mas reflexões de qual o caminho político a seguir para impor a justiça.Há de se pensar na enorme dimensão social que tomou o caso de Santiago Maldonado, desde o seu desaparecimento em 1 de agosto, dentro deste contexto de destruição econômico-social que abateu a Argentina desde 2016. Uma avalancha de homens e mulheres, militantes ou vizinhos de bairro, 400 mil, ocuparam a praça de Maio; e depois disso, houve contínuas mobilizações massivas. A repercussão mundial foi enorme por este jovem que não era um dirigente político conhecido, mas um cidadão de família solidária contou com o apoio de todos os organismos pelos direitos humanos da Argentina, das Mães e Avós da Praça de Maio, de intelectuais e jornalistas da CELS, C5N e outros meios alternativos. O caso Santiago Maldonado passa a ser um marco. Haverá um antes e depois de Santiago na relação de forças neste país.

Certo é que, estesque querem impor-se pela força, pisoteando a memória do povo argentino, os seus direitos humanos e trabalhistas amparados na fortaleza de lutas do movimento operário-sindical, kirchnerista-peronista, independentemente do resultado eleitoral e das manobras midiáticas e financeiras de Cambiemos, já sabem que o voto é volátil, transitório e que os que marcharam ao estádio Juan Domingo Perón no dia 16 de outubro são o do voto da consciência, dos persistentes que cedo ou tarde recolherão o apoio social, amplo e organizado da maioria das forças políticas do país, incluindo a chamada classe média oscilante rumo à justiça plena e à transformação social necessária.

20/10/17

 

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