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A viagem do presidente Ahmadinejad do Irã aos países da ALBA
27 de outubro de 2012
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A turbulência iraniana continua ainda à flor da pele, mas a sua violenta carga de energia explosiva é visível nas duas viagens atuais e contrapostas: a do dirigente máximo do governo revolucionário Ahmadinejad no Estado Operário cubano e nos Estados Revolucionários e membros da ALBA (Venezuela, Equador, Nicarágua); e do outro lado, a viagem do reacionário Ali Larijani, capo do parlamento iraniano, à Turquia, justamente no momento em que ocorreu o assassinato de outro cientista nuclear, e quando o Estreito de Hormuz se transformava no centro das tensões militares entre o Irã e o imperialismo, quando este tenta estrangular a revolução iraniana impondo o embargo petroleiro.

A presença dos navios militares russos nas águas e no Porto sírio demonstra que o centro da tensão no Oriente Médio é sem dúvida a Síria, com a pressa imperialista de prosseguir com os planos contrarrevolucionários iniciado com a destruição do Estado popular líbio.

A rápida viagem de Ahmadinejad, enquanto prepara também militarmente a frente antiimperialista e revolucionária, amplia a luta interna contra as tentativas reacionárias em escala internacional, importando, por sua vez, a qualidade e o prestígio dos processos, Estados, governos e dirigentes revolucionários como Chávez, Fidel, Correia ou Ortega.

Dentro em breve, ocorrerá o aniversário dos 33 anos da revolução islâmica em meio aos preparativos das eleições parlamentares – uma das mais decisivas na história da revolução e da luta pelas transformações anticapitalistas no Irã. A viagem de Ali Larijani tem também seu peso e suas contradições. Erdogan, o primeiro ministro da Turquia, membro da Otan, tenta derrubar o governo de Assad na Síria, intervém junto aos emissários americanos em apoio a Tariq al Hashemi, ex-vice do primeiro ministro iraquiano, acusado de haver colaborado com o terrorismo de estado e ameaçado debaixo do pano ao governo iraniano. Mas, a Turquia não é somente o seu governo e muito em breve não será Erdogan a decidir os seus destinos.

As intervenções incessantes das massas que bem se vê em um pequeno país como o Bahrein, sede da V Frota Naval dos EUA, estão trazendo à luz a verdade, revelando o verdadeiro caráter dos contrarrevolucionários e dos reacionários que até hoje fingiram de ser verdadeiros islâmicos, nacionalistas ou revolucionários no Irã, como no Oriente Médio, ou nos Emirados do Qatar com a sua emissora Aljazeerah, que até a guerra contra a Líba parecia ser amigo do governo iraniano.

Isto sucede em todos os países como no Egito e sobretudo no Irã onde o peso do processo contraditório da revolução no Oriente Médio incide e estimula a intervir na formação das novas direções revolucionárias antiimperialistas e anti-capitalistas. A viagem de Ahmadinejad à Venezuela de Chávez até o Equador de Rafael Correa demonstra uma clara vontade e possibilidade de separar-se das pressões, recatos e insídias internas e tirar de cima o peso nefasto e asfixiante das burguesias reacionárias mafiosas, contrabandistas e parasitárias representadas por Rafsanjani e todos aqueles que estão por trás do golpe de veludo verde de 2009. Em menos de um ano o Irã passou do perigo de um golpe de estado sutil que obrigou Ahmadinejad a desaparecer de circulação por 11 dias, à sua viagem aos países do ALBA e a discutir por 3 horas com Fidel Castro preparando planos para os próximos passos.

Ahmadinejad, o dirigente revolucionário iraniano transporta consigo a força da revolução iraniana e do Oriente Médio aos países latino-americanos e retransporta o prestígio do Estado operário cubano e dos Estados revolucionários da América Latina e das suas idéias de transformação revolucionária no meio da turbulência e formação de novas direções revolucionárias do Oriente Médio.

Há poucas semanas, uma importante comissão parlamentar apresentou um relatório de 700 páginas sobre tudo o que ocorreu nos bastidores da contrarrevolução de veludo de 2 anos atrás com tantos personagens importantes comprometidos com personagens e o ambiente imperialista, desde Khatami, Mussavi até Mehdi Hashemi Rafsanjani. Apesar de que a sua leitura foi interrompida, ele existe e funciona como detonante e obriga também o Judiciário a se posicionar, ou a se dividir; e de toda forma, estará diante de uma encruzilhada e terá que intervir.

Há uma semana, finalmente após 30 anos de absoluto poder dentro da maior universidade do Irã, Jaspi, braço direito de Rafsanjani, foi caçado. Há muito que já o deveriam ter caçado. Mas, é muito importante o fato de que tenha se decidido a acabar com a festa destes fantoches usurpadores que se enriqueceram às custas das massas e das energias e possibilidades da revolução iraniana.

A viagem de Ahmadinejad realizada a contragosto da oposição interna no Irã, bem como da direita na Venezuela, não foi um salto mortal e nem tem pernas curtas. A sua velocidade não expressa debilidade, mas ao contrário, uma grande decisão da direção revolucionária e de Ali Khamenei numa situação efervescente, sem possibilidade de postergação, nem de espera, sem se submeter ao recato de vários “caciques” de aiatolás reacionários ou dos aparatos parasitas e de todo o mecanismo de corrupção do passado e do presente. Os prazos se encurtam e se impõem. Após as eleições parlamentares resta somente um ano e meio para o executivo terminar tantos projetos iniciais e incompletos, seja pela lentidão das intervenções, seja pelos recatos e sabotagens do parlamento e dos aparatos financeiros, bancos, previdência social, bazar e a magistratura, etc… Dito isto, significa esperar de agora em diante muitas novidades que significarão limpeza, seleção e saltos na direção das transformações sociais, mas que não serão absolutamente indolores. Há de se prever que a reação intervirá com toda sua força para se vingar e criar maiores danos possíveis.

Os revolucionários sabem onde e como intervir e o que falta até o momento, camuflada sob o manto da paciência islâmica para evitar maiores danos. Agora, se revela nesta decisão que levou o presidente revolucionário nesta viagem que foi, nada mais, nada menos que aos países da ALBA e a Fidel Castro.

O ataque à Líbia, que teve , entre outras coisas, o objetivo de separar e de isolar o Irã dos seus aliados estratégicos na América Latina, como já ocorreu em relação à Russia, para fazer vencer os amigos oportunistas e conciliadores da Otan, agora, se transforma no seu contrário, com possibilidades de um salto de qualidade nas decisões indispensáveis para as transformações socialistas e para organizar a Frente Única Antiimperialista mundial.

Do correspondente do
Jornal Revolução Socialista em Teerã
M.K


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