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A vitória eleitoral de Ahmadinejad e os novos desafios do nacionalismo-revolucionário no Irã
15 de junho de 2009 Artigos Edições Anteriores Politica
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O artigo abaixo foi escrito logo após a vitória eleitoral do presidente Ahmadinejad no Irã. A
duas semanas das eleições, é contundente e revelador o que disse à BBC Newsnight, o ex-
secretário de estado Henry Kissinger: “se o protesto fracassar e o governo baseado nas
manifestações populares não se instalar, podemos concluir que nós devemos trabalhar para
a mudança do regime no Irã desde fora”. Referindo-se a um governo popular não instalado,
dialoga com John Bolton, o ex-representante de Bush na ONU, que dizia: “Em primeiro
lugar, vamos tentar desestabilizar o regime. Se isso falhar, golpeamos militarmente. “No
desenrolar dessa estratégia, os iranianos pagarão em perda de independência ou em
sangue, pela ingenuidade da sua secular juventude e pelos mullahs confiantes em Musavi”.
O complot para derrubar o governo é evidente. O método escolhido foi o de “veludo”, e
realizado por uma minoria perdedora contra uma maioria vencedora, apoiando-se nas
suas características débeis. Mas, sendo socialmente uma minoria, ou vencem no primeiro
round ou não vencem. A oposição proclamou a greve geral para terça-feira, dia 23 de junho,
e a convocação caiu no vazio; fracassou. Ninguém parou: nem a grande indústria, nem
as infra-estruturas ou o setor dos transportes; e nem sequer o comércio principal, o de
Teerã.Também já foi demonstrado que as balas que mataram as pessoas não partirem das
armas das forças de segurança iranianas. A situação tende a normalizar-se. Muitos eleitores
de Musavi declararam de ter mudado de idéia, ao perceber as provocações e, 60% das
pessoas detidas declaram de não terem participado nas eleições e de não se interessarem
por política. A luta interna resulta a favor de Ahmadinejad e a sua política revolucionária
pelas transformações sociais e econômicas segue com o Programa Qüinqüenal já em
elaboração.

A posse do governo em julho se dará com depurações em pleno curso.

26 de junho de 2009

A reunião do Grupo de Xangai em Ekaterimburgo, na Rússia, foi muito importante, entre outras,
pelos planos de cooperação aprovados onde o presidente Ahmadinejad fez propostas como a do
Banco Único, a moeda única, a troca direta em espécie, o estudo do programa comum político
e econômico para o desenvolvimento e a integração, tendo sido acolhido pelos grandes do
BRIC, a Rússia, a China, a Índia e o Brasil, como o grande vencedor das eleições. Isto elevará
o papel deste país revolucionário no cenário mundial, de modo a não mais permitir que o campo
imperialista insista na tentativa de derrubá-lo, pelo menos com a “revolução de veludo”. E é isto
que a CNN, a BBC, ou Fox News e os governos da Inglaterra, França e Alemanha continuam a
perseguir nestes dias, apoiando manifestações contra os resultados eleitorais que, na realidade,
encobrem os provocadores e os atos de vândalos que estão destruindo parte do norte de Teerã,
tentando desestabilizar o país. Os governos e organizações que até o momento se congratularam
com a vitória esmagadora de Ahmadinejad confirmam o fato de que as eleições presidenciais
no Irã são um indicador das forças internacionais entre revolução e contra-revolução, e nisso se
encontra o perigo de uma provocação, e sobre tudo, de agressão imperialista se os protestos
falirem.

Para melhor analisar o confronto de sistemas antagônicos das potências mundiais nas eleições,
vejamos quem saudou a vitória de Ahmadinejad e quem não. Chávez foi o primeiro, depois vieram:
Qatar, isolado e pressionado pela Arábia Saudita, República Popular da China, Federação Russa,

o Nassrolla pelo Hezbollá, Turquia, Síria, Paquistão, Afeganistão, Iraque, Oglú pela Organização
dos países islâmicos, Amru Mussa pela Organização dos países árabes, Kwait, Coréia do sul,
Líbano, Gebril (secretário da Frente pela Libertação da Palestina), Armênia, Bielorussia, Tajikistão,
Cuba, Omman, Yemen, Coréia do Norte e outros tantos. Enquanto isso, Kuchner, francês, declarou
solidariedade com a sociedade civil que protesta nas ruas de Teerã; o vice de Obama se preocupa
com fraude e os governos inglês e alemão condenam a “repressão” aos manifestantes. Obama
transfere à definição do mecanismo burocrático de recontagem de votos para que outros decidam.

O complô da chamada “revolução de veludo verde” é evidente, e se baseia na falsa informação
que surgiu de dentro do Ministério do Interior, antes do início da contagem de votos, de que
Musavi teria vencido com 19 milhões de votos. As fontes de informação da oposição disseram
antecipadamente à mídia imperialista de que Musavi teria vencido criando um mecanismo e uma
atmosfera como a da “revolução das rosas” na Geórgia, a “alaranjada” na Ucrânia e no Kirkizistan,
onde venceram os que haviam perdido. Quando as suas cifras foram desmentidas como falsas,
os grupos de choque entraram em ação, buscando sangue entre os manifestantes, enquanto
destruíam Bancos, ônibus, metrôs, casas, lojas e coletores de lixo. Uma jovem bailarina mostrava o
sutian, o anti-chador islâmico, com a escrita verde de Musavi; e a foto de um jovem com cueca de
Kalvin Klein foi propositalmente transmitida ao mundo.

Ahmadinejad denuncia o fato que logo depois da revolução islâmica, um grupo se apoderou
da revolução como se fosse sua propriedade e se separou da população acumulando poder
e dinheiro, infestando o país e a economia com corrupção e negócios impróprios; e acusa a
família de Rafsanjani e outros; denuncia o governo de Khatami(1) como colaborador da Nato
no Afeganistão e no Iraque, entregando a atividade nuclear iraniana, fechando as centrais
e oferecendo as chaves do país para qualquer controle, a qualquer hora e sem pré-aviso.
Ahmadinejad, nestes 4 anos, iniciou a limpeza contra essa máfia.

As verdadeiras operações estão ainda por vir agora. Shahrudi, o chefe do poder judiciário, após
8 anos de resistência às pressões do líder supremo, Ali Khamenei, que chamava a denunciar os
grandes usurpadores econômicos já condenados, declarou ontem que, de agora em diante, os
processos serão abertos aos jornalistas e os nomes dos condenados serão publicados; e saudou a
vitória do Presidente. Isto indica uma ameaça contra o poder judiciário e o próprio poder islâmico,
dado que se este cair, aquele também cai. O fato que ele abandona a Rafsanjani pode ser muito
significativo. O poder judiciário que não interveio contra os provocadores e a violência, se ligou
imediatamente ao poder Executivo, sentindo o verdadeiro perigo da desestabilização e o perigo do
golpe de uma revolução dentro da revolução, onde ele mesmo teria perdido o poder. Ao mesmo
tempo, o faz para conter Ahmadinejad.

Estas eleições começaram na realidade já durante as 60 viagens do governo nas capitais das 28
regiões e em Teerã, em dois turnos, durante os quatro anos. Foram viagens de vários dias, com
30 visitas de ministros e do próprio Ahmadinejad às cidades e vilarejos remotos onde nenhum
dos governos anteriores tinha jamais colocado os pés, aclamado por uma enorme massa de
mulheres e homens, sobretudo jovens com propostas e os mais variados slogans e milhões de
cartas. Nestes anos, o governo desenvolveu todas as redes de infra-estrutura no país, gás, água
potável, rede elétrica, academias de esporte, escolas, hospitais e outros serviços, concluindo
centenas de obras incompletas que há anos estavam em estado de degradação, concertando as
estradas onde morriam 30 mil mortos ao ano num país com 70 milhões de habitantes. O governo
itinerante criou na realidade um segundo parlamento paralelo no país, provocando a ira de muitos
parlamentares e dos apoiadores da minoria opositora que se sentiram superados pela planificação,
e investimentos em todos os lados, e começaram a sabotar os decretos, os programas sociais e o
balanço anual do governo. Agora, tudo se nivela e não há um obstáculo que possa agüentar o rush
final do décimo governo da República. Dá-se o salto de qualidade no processo das transformações
sócio-econômicas, inundando de alegria todas as massas que vêem no Irã um centro de guia e de
propulsão revolucionário.

As eleições tiveram como nunca o caráter de classe e revolucionário dado que o Irã, como cada

país do mundo prisioneiro do apodrecido sistema capitalista, não vive tanto entre revolução e
reforma, quanto entre revolução e contra-revolução; portanto, as forças capitalistas e os auto-
proclamados reformistas, que nasceram já desde o início meio abortados, e com caráter e ações
contra-revolucionárias, não podem pretender vencer sem a ajuda e a intervenção das forças
imperialistas do mundo. Uma improvável vitória de Musavi não teria afastado uma provável
agressão, mas, ao contrário teria incentivado uma intervenção, e a tal da “salvação à democracia”
teria dado uma oxigenada e esperança ao moribundo sistema capitalista europeu e mundial;
mas, de toda forma, como no caso do Paquistão, não teria podido mudar a rota do processo
iraniano, criando, pelo contrário, desordem, guerras e tantas outras mortes. A consciência das
massas populares já se consolidou e não volta atrás com os eletrochoques eleitorais. Isso requer
do imperialismo, uma verdadeira provocação, como de fato fez com a explosão de nove vagões
cisternas “esquecidos” num túnel ferroviário; bem como as explosões nas grandes urnas de
votação que foram descobertas a tempo. Uma delas, confessada pelos presos, ocorreu na sede
onde a mulher de Rafsanjani votou e onde declarou de antemão que haveria irregularidades.
Em caso de explosão que levaria à morte da Sra. Rafsanjani, o mecanismo seria semelhante ao
sacrifício de Benazir Bhuto no Pakistão para fazer vencer o seu partido.

Votaram a favor de Musavi, toda a máfia; boa parte do grande aparato burocrático estatal; os
extratos capitalistas não-produtivos; e os vira-casaca que, talvez graças ao irmão caído na
guerra, tiveram proteção e maiores oportunidades que os transformou em milionários; os agiotas
que, graças à política parcial dos Bancos, a cobertura da magistratura e a ajuda das forças de
segurança se apoderaram de fabulosas cifras; e parte da alta pequena-burguesia pró-ocidental
que, até ontem andava disfarçada e agora, sob o luxo prefere, ao invés da expatriação ao
ocidente, trazer o ocidente capitalista para o seu país. Os amantes de Kalvin Klein, Benetton,
Gucci e Coca-Cola não chegariam aos consolidados 13 milhões de Musavi. Aqui há dois fatores.
Um, os truques e a entrada em cena de última hora dos atores da “revolução verde”, que tiveram
um certo efeito; o outro, é que numa guerra de classe se encontra politicamente ausente a classe
proletária, que está com Ahmadinejad, bem como os aposentados, a classe operária de modo
independente, com as próprias organizações sindicais e os próprios programas de apoio ao
Presidente. A demonstração é que há 5 anos, 12.000 operários, ao festejar o primeiro de maio
numa sala, organizaram a chamada Casa dos Operários; com a chegada de Rafsanjani, eles
a abandonaram de uma só vez, criando a ira dos organizadores da tendência Tudeh(2) e dos
sustentadores de Rafsanjani. A presença direta e organizada dos operários teria tido peso sobre
a pequeno-burguesia isolando mais ainda os setores mais ricos e ligados diretamente à chamada
burguesia pró-ocidental; aquela que insulta Ahmadinejad, Evo Morales e Chávez de feios como
macacos.

Análise do voto

Resumidamente se analisa que houve um aumento da participação popular de 25% em 4 anos,
entre o primeiro e segundo mandato de Ahmadinejad, passando dos 59,76% aos 85% (dos com
direito a voto) agora, com 7 milhões de votos a mais; enquanto isso, os votos entre o primeiro e o
segundo mandato de Khatami, passaram em 4 anos, dos 79,9% aos 67,77, com uma queda de
12,16%. Agora, dos quase 44 milhões com direito ao voto, 39 milhões, equivalente a 85%,
participaram nas eleições. É o percentual mais elevado com relação a todas as votações
realizadas até agora. Destes 24,5 milhões para Ahmadinejad, ou seja, 62,63%, Musavi teve 13,2
milhões (33,75%), e os outros dois, 2% e 1%, sendo 1% votos nulos. O Ministério do Interior
anunciou os votos em número e percentual de todas as 28 regiões e da capital. Somente na
cidade de Teerã e duas regiões – no Sistan Belucistan, na fronteira com o Afeganistão, Paquistão
e o Mar de Omman e, no Azerbajão Ocidental, na fronteira da Turquia – Musavi venceu com uma
pequena maioria. Na cidade de Teerã, 2,166 milhões contra 1,809 milhões de Ahmadinejad. Em
Sistan Belucistan, 507 mil contra 450 mil de Ahmadinejad. No Azerbaijan Oeste, 656 mil contra 623
mil de Ahmadinejad. Em Teerã região, 3,819 milhões para Ahmadinejad e 3,371 milhões para
Musavi, enquanto uma diferença notável pode ser vista em Kerman, Região de Rafsanjani, aliado
de Musavi, com 1,160 milhões para Ahmadinejad e 0,318 milhões a Musavi. Em Mazandaran,
região de Nateqnuri, aliado de Musavi, 1,289 milhões para Ahmadinejad e 585 mila a Musavi.

Enquanto que na região natal de Ahmadinejad, ele teve 77% dos votos com 295 mil contra 77 mil a
Musavi. Estas duas, Azerbaijan e Sistan Beluchistan são as regiões limítrofes onde o contrabando
de gasolina de 0.6 centésimos de euro/litro em Irã para a Turquia (de quase 2 dólares/litro) foi
eliminado com os sistema eletrônico e de quotas pró-capita, golpeando a mafía e os seus
ajudantes. Pode-se dizer a mesma coisa para Sistan Belucistan com o grande contrabando do
Afeganistão, de ópio, através do porto livre de Chabahar no mar de Umman que havia se
transformado em lugar de importação de açúcar, arroz, chá e objetos de luxo, contra os mesmos
produtos nacionais e contra as importações oficiais com tarifas e taxações nacionais. Musavi,
instigava também os curdos e os beluci, enquanto minorias étnicas. Rezai, outro candidato de
oposição, propunha criar uma federação econômica. Dois dados importantes: no Khuzistan
petroleiro e industrial, foram 1,303 milhões para Ahmadinejad contra 552 mil a Musavi. Khorasan
Central 2,214 milhões para Ahmadinejad e 884 mil a Musavi. Em Isfahan, 1,799 milhões contra
746 mil de Musavi. Em Fars, 1,7 milhões contra 706 mil de Musavi.

Em Teerã, se entende a o porquê da menor diferença, pois é onde a subdivisão do balanço estatal
teve a parte do cérebro, onde fica o centro dos Bancos, das finanças, das possibilidades e das
relações e informações dos negócios, com as famílias dos carreiristas e prepotentes, inflados por
um enriquecimento enorme improvisamente, com uma pequena-burguesia que já se sentia livre
dos trajes e normas islâmicas. Um centro corrupto na moral, com comportamentos e relações no
mercado do sexo. Um lugar onde estas famílias têm tido sempre acesso às TVs estrangeiras,
VOA, BBC, CNN que são as que nestes dias colocam falsamente que a República Islâmica está
à beira do desmanche; e onde foram publicados panfletos em formato A4 e A3, com papel grosso
e brilhante, congratulando-se pela “revolução verde” antes que saíssem os resultados oficiais;
onde se fez um centro, apoiado pelo imperialismo, para o controle das votações, colocando-as em
dúvida já antes das eleições.

As eleições estimularam o confronto de classe e agora, estamos caminhando para a guerra de
classe com os personagens internacionais que já conhecemos. É preciso que todos tenham
idéia e convicção para intervir onde estão. Na grande manifestação de Ahmadinejad com mais
de um milhão de sustentadores no centro norte de Teerã, ele disse que é preciso ter paciência
revolucionária e esperar que as coisas sigam pelas vias legais, e que o povo deve conter a
própria raiva sem ceder às provocações. Ele está contendo o impulso e a raiva popular tratando
de canalizá-los sem se afastar de Ali Khamenei, o guia supremo. Na manifestação estavam
misturados jovens, mulheres e homens respeitosos entre si, sem divisões ou quaisquer obrigações.
No fim do comício, ninguém queria ir-se, nem as pessoas, nem Ahmadinejad que se manteve
no palco, saudando e esperando que a multidão se movesse. Foi uma verdadeira simbiose,
um diálogo contínuo entre o orador e a população onde ele parava, mas ouvindo os slogans e
respondendo.

Do nosso correspondente no Irã
15 de junho de 2009

1 Ex-presidente, reformista neo-liberal e apoiador do candidato da oposição burguesa
2 Partido Comunista


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