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Aliança do governo Dilma com os movimentos sociais para enfrentar os desafios da crise mundial
06 de novembro de 2011 Artigos Edições Anteriores Editorial
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São complexos os desafios que o governo Dilma passa a enfrentar. Não apenas a permanente tentativa de desestabilização da direita, que não vai parar um minuto sequer. Mesmo diante da crescente popularidade da Presidenta, indicando a sabedoria das massas que não se deixam levar pelo moralismo de oportunidade oposicionista, que manipula descaradamente informações, contando com a mídia golpista. Esta mesma mídia que agora faz até plantão (TV Globo) nas ruas torcendo avidamente para que as manifestações sejam massivas, foi aquela que escondeu do povo brasileiro a Campanha das Diretas-Já, quando milhões foram às ruas para derrotar a ditadura, sempre apoiada pela oligarquia midiática.

É mais difícil enfrentar este oposicionismo moralista-golpista se o go-verno e o PT ainda não se deci-diram por organizar um instrumento midiático para fazer o contraponto, para a Batalha das Idéias com a direita. Esta lacuna é um trunfo para a direita. Afinal, um partido que elege o seu terceiro presidente não tem justificativas para alegar dificuldades em criar um instrumento popular de comunicação, como, aliás, estão sendo construídos, com sucesso, na Argentina, na Bolívia, no Equador e na Venezuela, pelos governos populares que aí governam. Esta renúncia é uma opção da direção petista, que sequer dispõe-se a colocar em prática a tese de construção de um jornal popular aprovada em congressos de anos atrás, razão pela qual soa ininteligível a queixa sistemática contra a ditadura mediática, se não vem acompanhada de uma ação concreta por construir uma mídia popular, massiva, como já foi no passado, por exemplo, o Jornal Última Hora.

Assim como o Ministro Mantega teve que mudar subtamente – há alguns meses, ele fazia o discurso de defesa dos juros altos, justificandoo baixo crescimento e o “PIB potencial” – e agora passa a falar de juros de 2 ou 3 por cento, também em relação à construção de um meio de comunicação popular, certamente, haverá uma reconsideração, sob pressão dos fatos, com o necessário cumprimento das decisões do congresso do partido sobre o tema.

Correções na política externa

A complexidade dos desafios que cercam Dilma – que a levam a corrigir sua política monetária, peitando a pressão da oligarquia financeira – muito provavelmente a levarão também a cuidar com muito mais rigor de sua política externa. A simples declaração de Marco Aurélio Garcia, seu assessor internacional, de que a resolução aprovada na ONU sobre a Líbia autorizou um verdadeiro morticínio ali, uma confissão de culpa, é reflexo de um debate interno. A posição distinta do Itamaraty sobre a Síria, quando os BRICS, com o apoio do Brasil, negam autorização à OTAN para nova agressão militar contra este país é prova disto. É surpreendente e estarrecedora a posição de segmentos da esquerda européia apoiando o imperialismo nesta invasão à Líbia, pois se trata de um apoio descabido a governos imperialistas que, além de promoverem guerras de rapina, estão jogando as massas trabalhadoras no desemprego, estão combatidos nas ruas pelos Indignados por corte de salários, repressão e por prepararem um retrocesso sem limites no que resta das conquistas do estado de bem-estar social que durante décadas existiu na Europa ocidental. Enquanto isto, pesquisas em vários países da Europa Oriental, como na Romênia recentemente, mostram que o povo achava melhor viver sob o regime socialista do passado. A notícia de que mesmo em meio a uma falência generalizada a Grécia acaba de comprar 400 tanques de guerra dos EUA dá uma pista de que se não houver uma saída progressista para a crise, com a derrubada destes governos e a formação de governos de esquerda, o que virá, sob a orientação da OTAN, será a formação de regimes que tentarão aplicar medidas claramente fascistas, como já fazem na economia e contra a Líbia agora.

Este é o quadro que cerca o governo Dilma. Sendo correto e corajoso o discurso da presidenta, tanto na ONU, como também na Bulgária e, mais recentemente, na África do Sul – quando criticou as grandes potências por insistir na aplicação da mesma terapia que gerou as crises – preocupa quando a Embaixadora do Brasil na ONU faz críticas à situação de direitos humanos ou da mídia na Venezuela, quando lá não um único jornalista preso e a mídia empresarial pró-EUA defende abertamente até o magnicídio de Chávez. O que faz o Brasil juntar-se ao discurso imperialista contra Revolução Bolivariana? E o chanceler Patriota ainda disse que era apenas posição pessoal da embaixadora!!! Posição pessoal, na ONU?? Sobre um tema desta dimensão??

Tais posições, que devem ser corrigidas enérgicamente, vão na contra-mão do discurso da integração da América do Sul, sem dúvida uma das mais corretas prioridades da política externa brasileira, como forma de enfrentar a crise global do capita-lismo. Como já insistimos antes, foi também diante de uma crise profunda do capitalismo nos EUA, em 1929, que em 1930 o Brasil adotou medidas concretas, a partir da Era Vargas, para dar início a um processo de industrialização e de criação de direitos laborais e sociais, com apoio de estado. Estas condições estão ainda mais presentes agora, para serem aprofundadas. Além do que, não há rigorosamente qualquer outra alternativa senão fortalecer a presença do estado na economia. E é neste ponto em que o governo Dilma apresenta contradições. A hostilidade que o imperialismo registra contra a Líbia, a Síria, o Irã, e a também na manutenção das prepotentes políticas de guerra comercial e monetária contra a economia internacional, esmagando as indústrias periféricas, apontam para um agravamento dos conflitos entre os BRICS, o Brasil, com sistema imperial. O importantíssimo veto da Rússia e da China a uma intervenção militar contra a Síria, e o anunciado retorno de Putin, buscando selar um novo nível de cooperação com a China e o Irã, dão idéia do quadro de polarização cada vez mais agudizada em que o Brasil terá que se mover. Para a qual deve se preparar, não só retomando sua indústria bélica, como corretamente assinalou o Ministro da Defesa, Celso Amorim, como também aumentando o controle soberano do estado sobre as riquezas nacionais.

Contradição, desindustrialização e desnacionalização

Sindicatos apoiados pelo MST se mobilizam contra a privatização dos aeroporto

Mas, contraditoriamente ao discurso que Lula e Dilma vêm fazendo nos últimos anos, há sinais preocupantes de desindustrialização, combinados com desnacionalização na economia brasileira. O grave alerta do IPEA e de Bresser Pereira de que “o Brasil está virando, desgraçadamente, um México”, em razão de uma pauta de exportação crescente apenas nos produtos primários, deve servir para uma necessária correção de rumos. Há sinais de redução no crescimento do emprego – houve uma inesperada manifestação da FIESP com as Centrais Sindicais contra a importação descontrolada e contra juros altos – com retrocesso na atividade industrial, perda de competitividade, fechamento de fábricas de calçados etc Mais grave é que estes sinais acompanham medidas de desnacionalização de setores importantes como o etanol, o nióbio (ver artigo específico), na telefonia e até mesmo na nova lei da TV paga, quando se abriu o setor para 100 por cento do capital estrangeiro, sem qualquer limite à oligopolização, o que poderá até mesmo anular as frágeis cotas para a produção audiovisual nacional, tal como ocorre em todos os setores em que o capital oligopólico internacional domina, como é o caso de fertilizantes, fármacos, eletro-eletrônicos etc.

As condições para uma política popular ofensiva

A manifestação dos movimentos sindicais, com apoio de empresários, diante do Banco Central, pedindo aceleração na redução dos juros é iniciativa realmente legítima e decisiva para criar um novo patamar de aproximação e aliança entre o governo e sua base sindical, com base em um programa. Quando sindicatos e empresários se unem em apoio à redução das taxas de juros, dá uma medida de como o governo pode ir bem mais longe, com apoio popular. Esta manifestação é mais decisiva que todas estas supostas marchas contra a corrupção. Enquanto nos EUA e na Europa crescem os movimentos dos indignados anti-capitalistas contra a ditadura dos banqueiros, a tarefa aqui no Brasil, apoiando Dilma que propõe outro rumo e outro programa, é a cons-trução, totalmente possível, de uma política de governo mais ofensiva, baseada nos sindicatos, aprofundando as medidas populares, combinadas com o Programa Brasil Sem Miséria. Medidas que atendam, mais e mais, as necessidades gritantes das massas mais empobrecidas seja em moradia, obras públicas e emprego. A começar por destravar a reforma agrária, incluindo a nacionalização progressiva do etanol, criando um sistema de participação de cooperativas e de assentamentos de trabalhadores rurais nesta produção, viabilizando sua capacidade de criação massiva de empregos e geração de renda, descentralizando a produção por centenas e centenas de municípios, que, inclusive, podem alcançar a soberania e autonomia energéticas. O fundamental é solidificar esta aliança do governo e sua base sindical e movimentos sociais criando a condição política para enfrentar os efeitos da crise que capitalismo mundial já está descarregando sobre o povo brasileiro.

06 de novembro de 2011


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