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Argentina comemora “Uma década ganha”
04 de junho de 2013 Artigos Notícias
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Cristina Kirchner discursa na comemoração de 25 de maio 2013na Praça de Maio

No dia 25 de maio, comemoraram-se em Buenos Aires, 203 anos desde a independência do jugo espanhol, e 10 anos de governo desde o falecido Néstor Kirchner à presidenta atual, Cristina Kirchner. Recuperando as raízes da tradição peronista, os Kirchners vem lutando contra as reminiscências da ditadura, mas sobretudo contra os estragos da dependência ao neo-liberalismo realizados pelo entreguista e corrupto Carlos Meném.

 

Os quase 700 mil que transbordaram a Plaza de Mayo e as ruas centrais de Buenos Aires representam um significativo apoio popular à presidenta que tem sido vítima de ataques de setores da direita, aliados à burocracia sindical de um setor da CGT (como  o dos transportes de caminhão), e da ultra-esquerda. Unidos no jargão comum da luta anti-corrupção, os opositores tentam derrubar a presidenta junto às várias medidas nacionalistas e de recuperação dos setores estratégicos privatizados por Menem. Ela renacionalizou a Empresa de Correios, a Aerolineas, e parcialmente a Repsol; nacionalizou a Empresa Ferroviária “ALL Ferrocarilles”, está nacionalizando a Cia Papel Prensa, além de fortalecer a TV Pública; criou canais televisos publicos, como o Canal Encuentro, implantou a TV Digital Pública e Gratuita.

 

A “Lei da mídia” (1) que rompe o monopólio e retira o poder da grande burguesia proprietária dos meios de comunicação, como a do Clarin, democratizando o espaço radio-elétrico para as TVs universitárias e sindicais, a apropriação em conteúdos sociais da TV Pública, sem dúvida toca no poder midiático do imperialismo, que comprovadamente tem sido a arma fundamental de desestabilização de todos os processos revolucionários, da Venezuela à Líbia ou Síria. O ex-presidente Lula, esteve em maio em Buenos Aires, reunindo-se com 50 dirigentes argentinos, e compartilhando a inauguração da Universidade Metropolitana para a Educação e o Trabalho (UMET). Nessa ocasião destacou o poder conservador dos grandes meios no processo latino-americano: “É incrível, quando alguém os critica, dizem que os estão atacando; mas quando os meios nos atacam, dizem que isso é democracia”. Acusou os canais privados de “fomentar a anti-política”, como elemento perigoso. Disse: “os que criticam o Néstor e a Cristina deveriam ver o que havia antes. Não há saída sem política. Temo quando vejo alguns meios de comunicação criar uma imagem negativa dos partidos políticos e dos sindicatos. Isso é perigoso! Podem não gostar como a Dilma ou a Cristina governam. Mas, façam política!”

 

Cristina Kirchner em guerra contra a Suprema Corte, está tocando em alguns centros nevrálgicos do poder burguês, com o poder supremo do Judiciário. O chamado sexto projeto presidencial sobre a reforma do Conselho da Magistratura e a eleição popular dos Conselhos, por parte dos magistrados, advogados e acadêmicos, foram aprovados por maioria parlamentar com o voto de 131 deputados contra 86. Um bom exemplo para um Brasil onde o poder Judiciário, apoiado pela grande mídia, decide a condenação dos acusados do “mensalão”, sem transparência, à revelia da opinião popular, e opondo-se à participação do poder Legislativo (eleito pelo povo). Mas, a Suprema Corte na Argentina acaba de derrubando esta lei votada democraticamente pelo povo.

 

Nesta “década ganha”, de 2003 com a eleição de Kirchner a hoje, se consolidaram vários projetos sociais no campo habitacional, educacional e da saúde pública, que possilitaram o povo argentino superar a pobreza e a indigência, e até a fome, do período do “corralito” (2), e reduzir relativamente o problema da insegurança, com uma política de ruptura com o FMI e a ALCA, e de integração latino-americana (através do Mercosur, ALBA, UNASUR) da qual Néstor Kirchner foi figura proeminente. O acento do discurso de Cristina foi de que o povo deve apoderar-se das conquistas desta “mudança histórica”, do peronismo, com o poder popular.  Cria corpo a conclusão de que há que mobilizar as massas para defender os governos revolucionários. Uma das últimas medidas é o chamado “Plano Olhar para Cuidar”, contra a especulação dos preços de 500 produtos de super-mercados, congelados até outubro, onde a população, as donas de casa, estão convocadas a controlar e denunciar o descumprimento da tabela. Vários anciãos aposentados se mobilizam voluntariamente para garantir esse Plano. Cria-se um mecanismo de controle social, do qual o povo argentino tem grande tradição herdada do peronismo. No campo social, criou-se um aumento na chamada “Subsídio Universal por filho”, um subsídio familiar, por filho e por gravidez, além de uma bolsa escola.

 

O chamado “governo de rua” de Maduro na Venezuela, a decisão de Cristina dirigir-se à massa mobilizada, composta na sua maioria por uma juventude trabalhadora e estudantil, repleta de energia contagiante, tambores e cantos, faixas e cartazes que incluíam o memorável Hugo Chávez, são um sinal de que estas direções estão chegando à conclusão de que não há como saltar do governo ao poder, sem o povo mobilizado.

 

A gigantesca manifestação, era composta por várias agrupações como “Evita”, “La Cámpora”, “Kolina”que formam parte da “Frente pela Vitória” que pertence ao Partido Justicialista (peronista); pelo partido “Novo Encontro” que são parte da “Frente Nacional e Popular” que é também integrada por outras organizações sindicais como a CTA e as organizações sociais como “A TupacAmaru, Martin Fierro”, etc… Neste processo, o papel do exército que ainda é questionado, pelas feridas do período ditatorial, remarcadas pela inapagável memória do combativo movimento das “mães da praça de maio”, não é claro e definido como o exército revolucionário consolidado pela revolução bolivariana. Não obstante, a Argentina tem precedentes de que Peron era militar nacionalista, de que houve uma operação Dorrego, onde houve ações cívico-militares no passado, e recentemente, Cristina Kirchner, pela primeira vez destacou no discurso da Praça de Maio, a participação dos militares nas ações de salva-vidas durante as inundações de La Plata, junto à população civil.

 

O papel dos militares nacionalistas argentinos, deverá se forjar com a retomada da discussão sobre a soberania da Argentina nas ilhas Malvinas, que é parte importante da defesa do processo revolucionário, contra o imperialismo inglês ameaçador, via base da Otan, que hoje se atreve a estabelecer laços com a Colômbia e ameaçar a soberania do continente latino-americano.

 

 

30 de maio de 2013

 

 

  (1) Lei 26522: Regulamenta o sistema público e privado dos meios áudio-visuais, abrindo e garantindo a participação das organizações sociais, sindicatos, universidades e a cidadania no seu conjunto como produtores ativos da comunicação social. Além de tudo limita a propriedade de setores privados sobre o número de meios de comunicação, jornais, rádios e TVs.

(2) corralito:  congelamento de poupanças e depósitos bancários imposto pelo ministro da economia Domingo Cavallo, no governo de Fernando de la Rúa, e intensificadas pelo governo de Eduardo Duhalde, que criou uma rebelião popular.


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