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As estatizações, os direitos democráticos, a função dos sindicatos e o progresso revolucionário no Peru
26 de julho de 1973 Edições Anteriores J. Posadas Politica
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Apresentação:

A vitória eleitoral de Humala Ollanta reforça as possibilidades de retomar o processo
nacionalista revolucionário dos anos 70 no Peru, da “Revolução Inca”, promovido
pela corrente do general Velasco Alvarado e interrompido por sucessivos governos neo-
liberais dos últimos 30 anos (desde o golpe de Morales Bermudez, a Fujimori, Toledo e
Alan Garcia). Apesar de toda a pressão contrária, e da campanha midiática desonesta a
favor da filha de Fujimori, apoiada abertamente pela BBC de Londres, o povo peruano
mostrou que, quando há uma proposta que une as forças sociais, sua consciência se
manifesta, recuperando o que está na memória social, e revelando, uma vez mais, o papel
das correntes militares progressistas. No contexto atual do fracasso global e sistêmico
do capitalismo que tem levado ao surgimento de governos progressistas na América
Latina, desde a Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina, Uruguai, Brasil, Nicarágua
e os países da ALBA, o triunfo de Humala amplia o cordão unificador dos países
soberanos e povos da região contra o imperialismo. De fato, o seu governo já iniciou
bem, presidindo a recente reunião de emergência de UNASUR em Lima, diante da crise
econômica mundial, onde predominou a linha de não aceitação de que o FMI e os EUA
descarreguem sua crise sobre as economias dos novos países insurgentes da América
Latina e, que medidas como uma nova moeda, o “sucre” e a implementação do Banco do
Sul, estão na ordem do dia.
Humala Ollanta, declarou no dia da sua posse tres decisões importantes: um imposto
sobre as mineradoras; o pagamento de uma aposentadoria para todos os idosos (uma
espécie de “bolsa família” ou de Funrural dos militares); e o não reconhecimento da
Constituição de Fujimori.
Oportunamente, estamos republicando o artigo de J. Posadas que deu a devida
importância a processos militares nacionalistas de então, como Juan Torres na Bolívia
e Torrijos no Panamá, bem como ao governo de Alvarado que nacionalizou o petróleo,
a indústria da pesca, criou organismos de mobilização popular como a SINAMOS,
estabeleceu relações com vários países socialistas de então. A contribuição essencial
deste texto se refere às medidas necessárias para fazer avançar governos nacionalistas
a estruturas sociais de Estado revolucionário e poder popular para impedir golpes e
avançar rumo a transformações socialistas.
Este artigo foi traduzido e extraído do livro “América Latina: do Nacionalismo
Revolucionário ao Socialismo”, de J. Posadas, publicado em Co-edição entre a
Edição Ciência Cultura e Política (Brasil) e a Editora “Perro y La Rana” do Governo
Bolivariano da Venezuela. Por questão de espaço, o texto não vai na íntegra nesta
edição. Leia-o na versão completa no site: wwwrevolucaosocialista.com

 

 

As estatizações, os direitos democráticos, a função dos sindicatos e o progresso revolucionário no Peru

26 de novembro de 1973
J. Posadas

No Peru, o governo quer avançar impulsionando a propriedade social, que é um dos pontos
mais difíceis para a direção nacionalista; está buscando formas para o desenvolvimento da
economia, afirmando o movimento operário e impedindo o reforço, a extensão, a reprodução da
burguesia como classe.

É preciso promover um debate sobre os problemas da propriedade privada, da comunidade
industrial, da propriedade social e a propriedade estatal, a função e importância histórica dessas
formas de propriedade e os seus resultados concretos na história. Tanto a comunidade industrial,
como a propriedade social, são veículos muito débeis para o desenvolvimento da economia (1).
O problema consiste na capacidade de produzir, de desenvolver, de associar a população à
produção e à rentabilidade para o desenvolvimento conjunto da economia, e não somente para a
empresa. A rentabilidade não pode ser medida em função de uma empresa ou outra, pois cada
uma tem seu interesse privado. A rentabilidade para ela se baseia no seu bom funcionamento,
a custas dos demais. Desta forma se desenvolve o interesse de um ou outro, numa espécie de
autogestão minimizada.

Através destas formas de propriedade, estão buscando que seja mais eficiente e se eleve a
produção. A intenção é boa, mas não é este o caminho. Esta experiência indica que o governo de
Alvarado quer avançar, mas ficam ainda na área limitada das formas de propriedade. Não se pode
desenvolver a produção se não se basear no interesse social, de acordo à necessidade social e à
planificação.

As formas de propriedade são fundamentais para a produção. A comunidade industrial, mesmo
com a intervenção dos operários, não é uma saída. Os operários podem melhorar a produção
dessa fábrica, impedir o roubo e o desperdício. O custo de produção será um pouco inferior a
antes, mas de todas as maneiras terá que competir com os demais. Desta forma, a apropriação se
reduz ao interesse dessa fábrica, sem lhes importar como vão as outras, nem como se coordena
a matéria prima, a venda, o uso, a acumulação do capital, a rentabilidade em todo o país, a não
ser o da própria empresa. Portanto, há um desperdício geral e uma falta de acumulação suficiente,
porque cada empresa faz o que quiser, cada uma vai querer tirar o maior proveito à custas dos
demais; cada fábrica determinará em função do seu lucro, e o preço e a matéria prima, às custas
da população e dos setores menos pagos da fábrica.

A planificação da produção não serve para realizar a equidade e a igualdade, mas é a forma
necessária para que avance a produção geral de todo o país. O Peru é um país que precisa
competir no mundo; não tem a força para desenvolver uma economia que abasteça a população.
Para isto, é necessária a planificação e a estatização da economia. A planificação se faz de acordo
à capacidade, à necessidade, a força que tem o país e, consequentemente, não à acumulação de
uma ou outra fábrica onde cada um trabalha sem lhe importar o outro.

O problema geral a resolver é: quê forma de propriedade é necessária para construir um grande
Peru que produza para toda a população. O Peru é um país essencialmente camponês e com um
mercado consumidor muito estreito. Para criar um grande mercado consumidor, necessita-se de
uma grande produção industrial. Mas, o país não tem o tempo para realizar, nem os meios e as
condições através desta forma atual de propriedade. Mas, se fizer a expropriação e a estatização,
tendo o Estado todo nas suas mãos, será possível planificar a produção. Se a propriedade social
se eleva rumo à planificação, então já estaremos falando de propriedade estatizada. Neste
caso, não se trata somente do interesse de uma ou outra fábrica; não será mais o pessoal ou os
administradores de fábrica os que decidirão, mas o Estado na forma centralizada.

É preciso referir-se às experiências dos Estados operários, mesmo com todos os seus erros e
com a falta de democracia soviética proveniente da era “staliniana”. A China passou, em 25 anos
de propriedade estatizada, de um país oprimido pela fome, pela seca e inundações, matanças e
miséria, a exportar máquinas e energia atômica. A União Soviética, em 65 anos, passou de ser o
país mais atrasado da Europa capitalista, ao país mais adiantado do mundo depois dos EUA e em
muitos aspectos superior. Apesar de erros e limitações devido à anulação da democracia soviética,
e de todos os erros cometidos na época de Stalin, que a propriedade estatizada, a planificação da
produção levou adiante semelhante progresso. O que é preciso melhorar nos Estados operários é
a planificação e a intervenção democrática das massas.

A estatização, a planificação da economia e a intervenção democrática das massas são os
três elementos insubstituíveis do progresso da população. Inclui-se a democracia soviética, ou
seja, o direito à liberdade de discutir publicamente todos os problemas, inclusive, a diferença de
salários, a limitação que a diferenciação representa. Isto cria na população o sentimento de justiça,
de compreensão, de resolução coletiva que é a forma mais completa da chamada comunidade.
Caso contrário, sempre existirá a diferenciação interior entre o operário que recebe menos e o
administrador ou o planificador que têm interesse em produzir de maneira a ganhar mais. Em
geral, o operário não tem esse interesse, mas não decide. Então, os que planificam, os que
determinam a vida da fábrica, farão tudo para conseguir o melhor resultado: a forma de produzir, o
quê produzir, a forma de vender, a materialização do preço, tudo de acordo ao que lhes convém.
As massas não podem intervir porque não têm a possibilidade de pesar e decidir.

Não é necessária esta dependência aos administradores ou planificadores. É verdade que é
preciso administrar e planificar, mas isso pode ser feito por toda a fábrica. É preciso desenvolver
na população os elementos de conhecimento cultural, político, social, econômico para que
intervenha, através dos sindicatos operários, camponeses, do movimento estudantil, elevando a
sua participação na discussão de todos estes problemas.

É essencial que o exército intervenha como parte de todo este processo, submetido a esta
forma; não imediatamente porque o exército tem uma ala reacionária que se prepara para dar um
golpe, mas é preciso estimular os sindicatos camponeses e operários a influí-lo com este objetivo.
O poder deve estar em mãos da população, seja através do governo, dos órgãos que sustentam o
governo, para que exerça a função de controle para impedir atentados, sabotagens ou oposição a
estes planos de desenvolvimento da economia coletiva.

Todos os países que se desenvolvem devem encarar, inevitavelmente, a estatização dos
setores estratégicos da economia e a planificação da produção; desenvolver a produção com
planificadores ou com gerentes, conduz a que estes levem uma parte da produção e planifiquem
de acordo com seu próprio critério e usufruto privado. Para impedir isso, é preciso impulsionar a
população a que intervenha e construa um partido de massas. Esse é um problema difícil para os
militares, porque se vêem diante da necessidade de criar um partido baseado nas massas, sem ter
nenhuma noção disso.

É preciso organizar uma intensa atividade cultural e revolucionária junto aos camponeses,
aos operários e estudantes, levando este programa e enfrentando todas estas alas reacionárias
do APRA (2) que estão preparando um golpe contra o governo, fazendo greves como as que
fizeram no Chile de Allende, como esta greve da SUTEP (3) que é uma greve reacionária. Apesar
de pedir reivindicações atendíveis, como um aumento salarial, a finalidade da mesma é contra-
revolucionária. É uma escusa para golpear o governo.

Chamamos o governo peruano a que responda a esta necessidade e que dê a plena
democracia aos operários das fábricas, das minas, e aos camponeses. Que façam comícios e
que dêem sua opinião com plena democracia sindical. Se o governo não fez isso ainda é porque
não se sente com a força e porque seu programa é limitado. Isto conduzirá a encerrar e a limitar o
desenvolvimento da economia.

A democracia sindical é um fator fundamental para o desenvolvimento da economia. Caso
contrário, o deixam em mãos dos técnicos, dos gerentes que, de toda maneira, confiam na
propriedade privada. Com a sua capacidade individual, à custa dos operários que são os que
produzem, eles tiram maior proveito para a propriedade privada. Pelo contrário, sob o controle
operário, desenvolvendo técnicos e engenheiros, com a mesma capacidade, mesmo sem títulos,
se atua com o interesse nacional e não em benefício pessoal.

Os operários e os camponeses devem concretizar esta tarefa; desenvolver muito mais a
coletivização da agricultura, passando da comunidade agrária à coletivização da produção. Se
não há meios técnicos, a planificação se reduz e é lentíssima. Mas, mesmo sem uma coletivização
geral, podem-se fazer algumas experiências importantes acompanhadas de cooperativas. Isto
deve ser apoiado por uma vasta atividade de planificação educacional, de distribuição mais
eqüitativa, de participação das mulheres e das crianças, realizando planos de trabalho; mesmo
com meios técnicos escassos ou falta de maquinários é preciso desenvolver estes planos. Pode-se
realizar experiências de comunas, como na China, nas quais se organize as forças dispersas das
zonas camponeses em territórios comunais, com plena democracia soviética para discutir todos os
problemas e planificar a produção.

Tudo isto requer organizar um partido, uma direção, ter programa e objetivo para estas
conclusões. Indubitavelmente, o governo e todos os setores militares não podem ter confiança
neste processo, mas não o rechaçam. Eles têm demonstrado compreensão e realizado
progressos. Uma das resoluções desta equipe de militares é avançar na economia. Eles são
conscientes; declararam e demonstraram que o capitalismo não pode desenvolver a economia e
buscam de forma cada vez maior o apoio dos Estados operários.

É preciso ajudar a esta equipe militar a alcançar esta compreensão. Isto requer organizar as
massas, as equipes de operários, camponeses e estudante em organismos políticos de discussão
e planificação. Estes militares não têm experiência e sentem que podem ser superados; junto
com um progresso muito grande, eles demonstram certo temor, cautela, desconfiança; temem
a direita do exército que está esperando para dar o golpe e levantar-se. Portanto, é essencial
mostrar que é preciso mobilizar a população, não somente através da agitação política, mas
expropriando as fontes de poder da burguesia. Expropriar a terra, o comércio, a imprensa!
Expropriá-los! Esse é o caminho para avançar. O capitalismo vai cair encima, mas também vai
surgir o apoio. No Chile, o imperialismo pôde golpear porque não se expropriou. Mas, o fato que
demorou tanto para isso, indicou que não estava seguro. O apoio virá da Argentina para reanimar
o Chile; e também da Colômbia, do Equador, da Venezuela, do México e do Panamá. A situação
do Panamá é formidável. É um pequeno país, que vive submetido, atrelado ao imperialismo, e
mesmo assim, se anima a acusar, ameaçar e a chamar a lutar contra ele. Esta equipe de militares,
de civis nacionalistas revolucionários no Panamá tem tal decisão porque é um reflexo da revolução
mundial. O Panamá não tem a possibilidade de estender-se por suas próprias forças. O que lá
ocorre é um movimento popular apoiado nos sindicatos, universitários e camponeses. Ajudar o
Panamá é desenvolver a revolução no Peru. É preciso ajudá-lo econômica, política e militarmente
e, ao mesmo tempo, fazer com que no Panamá se organize um movimento revolucionário que
leve adiante as tarefas das estatizações, expropriações e expulsão do imperialismo. Tudo isso
acompanhado pela luta revolucionária na América Latina e no resto do mundo.

A função insubstituível dos sindicatos no Peru.

O movimento operário se move sempre em função do interesse social, não da propriedade
ou das novas formas de propriedade. Por isso a autogestão na Iugoslavia fracassou. Todas
as tentativas de autogestão terão o mesmo fim. A autogestão na Iugoslavia resultou na
descentralização, no enriquecimento poderoso de camadas que se vincularam com o imperialismo
e que tentaram esmagar o Estado operário iugoslavo. Mas, sua estrutura econômica foi mais
poderosa que todos os erros e os superou, liquidou a todos os que estavam contra a propriedade
centralizada, estatizada e planificada e agora se está reanimando.

Os sindicatos têm um papel essencial com sua intervenção porque objetivamente buscam
o desenvolvimento da produção, da sociedade; não têm interesses individualis. Os operários
de Cerro de Pasco no Peru disseram: “se estatizam as minas, trabalhamos doze horas por
dia”; enquanto que a patronal de Cerro de Pasco lhes reivindicavam seis horas de trabalho. Os
camponeses também disseram: “se é para o desenvolvimento do Peru, estamos dispostos a
trabalhar; mas, se é para a oligarquia, no”. Os operários demonstram que não têm interesse de
casta e de classe oposto à necessidade do desenvolvimento do país. O interesse dos operários
coincide, é harmônico com o interesse do desenvolvimento do país.

É preciso desenvolver o movimento sindical e pedir democracia sindical para todos: discutir,
falar, resolver e fazer as demandas e reivindicações necessárias. Discutir com o governo aquelas
que devem ser limitadas e as que não. Por exemplo, os operários de Cerro de Pasco estão
dispostos a limitar suas reivindicações se o governo nacionaliza a empresa.

É preciso chamar a criar um movimento que contemple o desenvolvimento, os direitos
democráticos e conter os pedidos particulares de aumentos de salários. Os sindicatos também
querem desenvolver o Peru e acompanhar esta experiência. Posteriormente, é preciso colocar
todas as reivindicações. Estas reivindicações de categorias (como a dos professores) não são
totalmente indispensáveis, dada a situação atual do Peru e a dos setores mais necessitados da
população.

É preciso mostrar aos professores que o que eles reivindicam é justo, mas que, se eles
quiserem conquistar com todo custo, fazem uma mobilização que favorece ao imperialismo. É
preciso manter as reivindicações imprescindíveis, mas ter em conta, ao mesmo tempo, a situação
existente no Peru de modo a fazer uma frente com o governo a fim de avançar. Há que dizer:
renunciamos aos nossos pedidos particulares se vocês nacionalizam as minas de Cerro de Pasco
sem indenização. Renunciamos a nossas reivindicações se vocês coletivizam as terras. Isso não
significa renunciar à luta de classes, nem ao interesse de classe, mas por o interesse de classe a
serviço do processo revolucionário.

É preciso dirigir-se persuasivamente ao governo, para apoiá-lo na resistência contra o
imperialismo, manifestar-se no rechaço ao imperialismo e o apoio à política nacionalista; chamar a
expropriar tudo o que resta da oligarquia, seja na imprensa, as terras, as fábricas. As mobilizações
sindicais devem se apoiar nestas bases. Há que condenar todo movimento que sirva à preparação
da contra-revolução como ocorreu no Chile com os motoristas de caminhão, e ter consciência de
que o imperialismo está à espera de dar um golpe.

Por sua vez, o governo nacionalista não pode pedir aos operários, estudantes e professores
que deixem de reivindicar quando se pode satisfazê-los. É necessário construir a direção e o
partido para ordenar as reivindicações, sem ceder ao inimigo de classe, apoiando o governo
nacionalista para que avance nas medidas antiimperialistas, enquanto se constrói o partido
operário baseado nos sindicatos.

O governo deve reduzir a dependência aos técnicos e aos engenheiros. Diante da ameaça
da penúria de técnicos é preciso formar rapidamente novos profissionais, acudindo aos Estados
operários para que colaborem na sua formação; enviar equipes de operários para a formação
técnica e aprender na marcha; realizar cursos e estudos nos sindicatos para discutir a técnica, a
planificação, a administração; que se realizem escolas e programas de educação onde se estude,
desde a escola primária à universidade, a necessidade da planificação para desenvolver o Peru
contra a oligarquia, contra o imperialismo, contra os latifundiários que são um impedimento ao
progresso.

Temos interesse em que este governo revolucionário avance no sentido de que o Estado
Revolucionário salte em direção a um Estado Operário. A condição essencial é o desenvolvimento
do movimento operário, camponês e estudantil, que possam ser o suporte de um partido

operário baseado nos sindicatos e que impulsione a revolução nacionalista com um programa de
estatizações, de planificação da produção e relações com todos os Estados operários. Unificar
o Peru, Chile, Bolívia, Equador dentro de uma planificação que conforme os Estados Unidos
Socialistas Soviéticos da América Latina.

A crise atual do sistema deixa claro que nenhum Estado capitalista e, muito menos um
capitalismo tão atrasado como a América Latina, pode sair da miséria e competir com os grandes
países desenvolvidos; excepcionalmente algumas camadas podem enriquecer-se, mas o país,
não. Portanto, é preciso buscar as formas de produção e de propriedade que permitam superar
o atraso: propriedade estatizada e produção planificada. O exemplo dos Estados operários
mostra que esta é a saída. O que é preciso corrigir é a direção política, seja o stalinismo, sejam as
experiências posteriores como na China (onde liquidaram dirigentes como Lin Piao). Essas não
são falhas da revolução, mas da direção política que não responde à necessidade. Sem embargo,
demonstrou-se que a propriedade estatizada sob planificação impulsionou o desenvolvimento da
China, de Cuba e dos demais Estados operários. Chamamos o governo revolucionário peruano a
basear-se nestas experiências para avançar.

Não se podem inventar formas intermediárias já que a economia não é resultado de uma
elaboração teórica de uns ou outros, mas da imposição de uma estrutura da história: a propriedade
capitalista não pode ser substituída por um sistema que não a elimine.

Os governos nacionalistas militares do Peru e do Equador devem observar a atitude das
massas do mundo. Quando realizam um movimento importante, tendem a ocupar a fábrica,
fazê-la funcionar, demonstram que funcionam sem problemas sob uma direção operária: com
lucro, melhor produção, menos acidentes e sem disputas. Os capitalistas estimulam a disputa.
Estes dirigentes militares nacionalistas devem aprender dos operários da Europa e da América
Latina. Veja-se o exemplo dos operários que ocupavam as fábricas no Chile e as punham em
funcionamento, eliminando os déficits. Os operários não tem interesse no lucro, mas na produção e
buscam a forma mais elevada de planificação com o resto do país.

Não há formas intermediárias da economia, nem da propriedade. Não há como combinar a
propriedade privada com a propriedade social. Pode-se determinar, como agora no Peru, uma
categoria de propriedade distinta, mas isso não leva a um progresso da economia; isso facilita e
mantém a propriedade privada e aos que detêm o poder. A razão pela qual o governo peruano não
conta com a confiança completa das massas é por esta situação. A confiança se obtém mostrando
que está disposto a avançar num processo mais profundo de estatizações.

Na Argentina, as massas demonstraram que sustentaram Perón porque esperavam que
ele cumprisse essa tarefa. Por isso, apoiaram Câmpora que aplicou uma série de medidas
anticapitalistas. Mesmo que não fossem diretamente no campo da economia do país, as impôs
através do reconhecimento dos Estados operários e da facilitação de uma série de medidas como
uma espécie de monopólio do comércio exterior.

Eis é uma medida que devem tomar os governos do Peru e do Equador: o monopólio do
comércio exterior. O lucro vai para o Estado e este pode reinvestir no desenvolvimento da
economia do país, melhorando as condições de vida da população; pode determinar onde investir,
debilitando a propriedade da oligarquia. Esta incorrerá na sabotagem e na contra-revolução, e
encontrará sempre no APRA a tendência para isso. Mas a base da APRA pode ser ganhar. Para
isso, os setores que estão dispostos a avançar na revolução devem aplicar medidas contra a
propriedade privada.

O movimento operário deve também avançar, discutir a aplicação deste programa e impulsionar
o movimento nacionalista revolucionário do exército, uma corrente que avance na defesa deste
programa, sem deixar de apoiar as numerosas medidas concretas e progressistas deste governo.
A atividade independente dos sindicatos mostra que se pode ir muito mais longe do que o governo.
A limitação e timidez do governo se devem à falta de confiança e falta de pontos de apoio. O

movimento operário independente estes elementos para que a equipe militar avance e que
progrida em base à concepção da propriedade estatizada, a planificação da produção, a aliança
com todos os Estado operários e o desenvolvimento da democracia baseada nos operários,
camponeses e estudantes. Isto é o real desenvolvimento do Peru.

É preciso dar também um grande apoio ao Panamá. A resolução deste pequeno país de
enfrentar o imperialismo ianque é um exemplo para todos. É um pequeno Vietnã na América
Latina. O fato de que este pequeno país, que depende quase totalmente do canal, se anime a levar
a luta contra o imperialismo e chame à expropriação, à derrubada do imperialismo ianque, mostra
as condições existentes, a decisão e a segurança de avançar que provem do Vietnã, e da luta das
massas de todo o mundo. A melhor ajuda ao Panamá é estender a luta contra o imperialismo em
toda a América Latina.

É preciso chamar o exército a intervir e que os soldados intervenham nesta forma, realizando
cursos sobre todos estes temas. Tanto o soldado como o general, deve realizar esta tarefa:
desenvolver o Peru para todos os peruanos, e não para um pequeno grupo seleto. Todos os
peruanos são partes da América Latina e do mundo. Há que tomar medidas dentro do exército,
introduzir os direitos sindicais, civis e os direitos políticos. Não se deixa de ser cidadão ao trabalhar
no exército. Da mesma forma como não perde seus direitos quando vai ao trabalho ou ao colégio.
Porque os perderia ao entrar no exército? É preciso manter os direitos políticos e sindicais. Isso
aumentará o peso das alas, dentro do exército, que apoiarão as medidas revolucionárias do
governo, chocando contra a estrutura, sem afetar absolutamente a função militar.

A função do militar não está determinada pela rigidez da disciplina, mas pelo objetivo que
sustenta. Os melhores exércitos do mundo são aqueles que mostraram que defendem o progresso
da sociedade: o exército soviético, o chinês e o cubano. As massas cubanas derrotaram a invasão
de Playa Girón. O exército vermelho derrotou o imperialismo nazista em Stalingrado. Os chineses
derrotaram Chang Kai Chek e o imperialismo mundial. O povo coreano, sem nada, venceu contra
a Coréia do Sul, que atuava em nome do imperialismo ianque e derrotaram a Mac Arthur. São
exemplos para não esquecer. Os vietnamitas derrotaram o imperialismo ianque, com o apoio
militar soviético e das massas do mundo que não intervêm pessoalmente nas lutas militares, mas
nas lutas sociais contra o imperialismo, impedindo que este interviesse como classe no Vietnã.
São exemplos nos quais devem se apoiar os dirigentes revolucionários dos exércitos e governos
nacionalistas do Peru e do Equador.

(1) Lei de Empresas de Propriedade Social que (criada pelo governo nacionalista do general Velasco Alvarado em 2 de
maio de 1974)
(2) APRA; Aliança Popular Revolucionaria Americana, partido burguês conservador
(3) SUTEP: Sindicato Unitário de Trabalhadores na Educação do Peru.

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