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As posições do Irã e da Venezuela
09 de março de 2011 Artigos Edições Anteriores Politica
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o jornal governista “Iran” emitiu críticas duras a Khadafi,
responsabilizando-o e até mesmo justificando as revoltas de alguns segmentos da
sociedade líbia. O presidente do Irã, Ahmadinejad, que não fez pessoalmente a crítica,
passou a concentrar seus discursos no ataque ao imperialismo e a uma provável
intervenção militar na Líbia, o que já está ocorrendo no apoio armado pelas grandes
potências aos chamados rebeldes. Esta aparente mudança no discurso de Ahmadinejad
coincide com a importante ação política de Hugo Chávez articulando politicamente
com vários presidentes no sentido de se formar uma Comissão Internacional de Paz
para a Líbia, contando com o apoio de Fidel Castro e dos países da ALBA. Chávez,
após contato telefônico com Kadafi, chegou a telefonar para um dos líderes da
sublevação armada que rechaçou qualquer mediação para uma solução pacífica. O
que por si mesmo revela a posição destes supostos revolucionários que recusam uma
mediação da Venezuela e pedem apoio à OTAN.

Logo no início do conflito líbio,

Provavelmente, a percepção mais clara de que de fato há uma intervenção mi­
litar em curso contra a Líbia, o que deixaria o Irã e a Síria numa posição mais isolada
na luta antiimperialista naquela região, fez com que a realidade dura e objetiva dos
fatos – concretamente a possibilidade da Líbia ser transformada em mais uma base
militar da OTAN – pesou nesta aproximação entre as posições de Ahmadinejad e Hugo
Chávez em nome da Alba. Isso reforçou a decisão de Ahmadinejad de diferenciar-se
de tendências internas no Irã, incluindo setores parlamentares, às quais interessa o
não-alinhamento com Unasur, para debilitar o papel do Executivo e de Ahmadinejad,
favorecendo um golpe interior contra-revolucionário. Os mesmos que apoiam os
chamados “rebeldes” na Líbia, terminam favorecendo os “verdes” de Mussavi.

As oligarquias árabes e islâmicas te-mem a explosão de novos movimentos re-
vo-lucionários e querem dividir as forças progressistas, isolando Khadafi, torcendo
para sua derrota, como meio de travar e conter a influência de mudanças que vai se
espalhando pelas massas da região.”

É possível que o antiimperialismo do Irã deslize assim, repentinamente, em direção
ao plano imperialista? Quais são as forças internas, quais as fraturas e os pontos de
apoio? O misterioso desaparecimento do Imam Musa Sadr, na Líbia em 1975, libanês
de origem iraniana que previu a revolução islâmica iraniana alguns anos antes de
seu advento, não é suficiente para explicar tal inimizade contra o governo de Khadafi
a ponto de determinar a escolha do campo neste conflito estratégico. Pode servir
como uma desculpa útil a ser aproveitada pelos plane-jadores da guerra imperialista
e ajudar às várias áreas do poder iraniano – entre os reformistas capitalistas e os
religiosos ortodoxos – que não suportam o governo o governo Ahmadinejad, para
acusá-lo de populismo socialista sintonizado com a esquerda revolucionária como
Chávez e os dirigentes da ALBA.

Não é de se estranhar que a maioria do parlamento, ferozmente anti-governista,
tenha tomado uma posição contra Khadafi desde o início do conflito. Porém, é

surpreendente ver como forças do próprio governo fazem-lhe eco: sejam o porta-
voz dos Negócios Estrangeiros, Mehmanparast, o comandante-chefe das forças
armadas, Firuzabadi, os articulistas do jornal oficial do Irã, usando essa mesma
frase lançada pelos círculos imperialistas contra “Kadafi que bombardeia o seu
próprio povo”. Enquanto isso, o jornal Kayhan, que é fundamentalista ortodoxo a
ponto de ser fanático e crítico em relação a Ahmadinejad falou da intifada líbica e
do genocídio do povo por parte do governo líbio acusando-o de haver pedido ajuda
a Israel que estaria enviando “ajuda maciça” para Khadafi, quando, ao contrário,
são os líderes desta revolta que apelam à OTAN para intervir militarmente, e que são
capazes de, em poucas semanas, levantar-se contra o exército líbio, bem armados e
bem treinados, mesmo considerando o fato que Kadafi não utiliza ainda grande parte
dos seus armamentos. Ahmadinejad atacou o imperialismo dizendo que não é mais o
tempo do “11 de setembro” e que, caso o imperialismo intervir contra os movimentos
populares, será derrotado. Mesmo o líder Ali Khamenei intervém constantemente
contra a tentativa do imperialismo de apoderar-se dos movimentos em curso. Mas são
insinuações muito leves para por em discussão o complô seja na Líbia que no Irã.

O jornal governista “Iran” publicou a posição da Venezuela que propõe a
intervenção de uma comissão de inquérito para apurar os fatos na Líbia, mas
continua a torcer pela queda de Trípoli e do governo de Khadafi. Os fatos vão ajudar
a esclarecer de forma inequívoca os planos de invasão imperialista na Líbia e sua
sintonia não só na Itália ou na Europa, mas no próprio Irã, onde a bomba líbia está por
causar um “11 de setembro”; mas, se chegar àquele ponto, não se sabe se as verdades
desvendadas poderão ainda ser úteis para recolocar a revolução iraniana no próprio
rumo internacional.
A falta de uma informação sadia e revolucionária, colocou até mesmo Dilma
Russeff no plano da crítica ao Irã no caso Sakiné, sendo lógico pensar que as relações
estratégicas não devem ser sacrificadas no altar dos “casos particulares”. Além
disso, o Irã como qualquer outro país não é todo homogêneo ou esquemático; a
contraposição de classes, dos poderes executivo com o jurídico e o legislativo, serve
aos planos imperialistas de desestabilização, contra os governos revolucionários que
debatem em um cenário de dualidade de poderes, para levar adiante um plano de
transformações sócio-econômicas. Neste contexto, o que era “um detalhe”, ou “um
caso particular”, se transformou em motivo pelo qual o “poder iraniano”, unido desta
vez, está trocando, interessadamente, a esperança de reencontrar o Iman Musa Sadr,
após 35 anos do seu desaparecimento sob o poder do Estado líbio e do governo de
Khadafi, com a sustentação de um movimento, aparentemente islâmico, mas com a
bandeira do sultão Idris – que mantinha o país norte-africano no atraso e no torpor –
que prepara a justificativa para a invasão e ocupação do próprio país.

Contra as forças reacionárias iranianas, aliadas com o sistema capitalista,
opositoras da idéia da exportação da revolução islâmica iraniana, os líderes e
tendências revolucionárias precisavam, há anos, de um novo vento e revoltas
populares, como aconteceu no Irã há 32 anos, para derrubar ditaduras no mundo
islâmico; o seu atraso motivou os líderes reacionários e a burocracia usurpadora a
combater contra a tendência revolucionária. Portanto, quando estourou a revolta das
massas árabes, sobretudo, egípcias, e também do Bharein e do Yeman, reavivaram-se
as razões da revolução de 1979. O fato de que os dois navios militares iranianos, no
regresso da Síria, na passagem do Canal de Suez, tenham feito homenagem às vítimas
da revolta egípcia contra o “Faraó” e saudado o exército egípcio é a conseqüência

lógica.

O fato que o parlamento expressou ontem um plano para afastar vários ministros,
apesar da resistência do governo (tentaram eliminar também o ministro das energias
há poucas semanas após o impeachment do ministro dos transportes), demonstra as
forças reacionárias que se aproveitam da “oportuna” aventura e confusão na Líbia.
Esta é, talvez, a conspiração mais perigosa realizada até hoje. Mas, seja como for, a
contra-revolução não vigorará. A sua força consistiria em atacar de surpresa e agir
com rapidez, mas tudo indica que estão perdendo tempo e terreno.

09 de março de 2011


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EDITORIAL:

Apoio incondicional à candidatura Haddad-Manuela e à coligação!
Pela composição mais ampla com todas as forças de esquerda, progressistas, nacionalistas e democráticas e dissidentes do regime ditatorial neoliberal e fascista! É preciso contar com as divergências do inimigo. É preciso emplacar Haddad no primeiro turno.
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