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Como repercute a Copa 2014 no Brasil e na Argentina
10 de junho de 2014 Editorial
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BRASIL E ARGENTINA:

Analisando os fatos pelos dois campos antes do primeiro chute da Copa 2014

Brasil

Iniciemos pelo Brasil, onde está por se iniciar a Copa mundial do futebol com grande expectativa da maioria do povo brasileiro para quem o futebol, como o carnaval e o samba estão enraizados na cultura popular. Não há dúvidas de que o entusiasmo pelo futebol e o carnaval, elevam a sua autoestima como povo e nação, sem que isso signifique embriagar-se na alienação e na negação das dificuldades e carências da vida diária. Nenhum pós-carnaval, nem Copa do mundo redundaram em passividade popular ou guerra civil. Há porém, os que, ou por desamor em relação ao futebol e ao samba, ou por intenções extranacionais, pretendem transformar a realização da Copa do mundo, num fim político-social para desacreditar o governo brasileiro, estimular tumultos e desestabilizar a gestão da presidenta Dilma Rousseff que se recandidata às próximas eleições de outubro.

Dilma copaCertamente, forças oligárquicas e opositoras ao governo, sustentadas pela mídia dos grandes grupos econômicos multinacionais, Globo, etc…, não pretendem perder esta grande oportunidade em que o Brasil é alvo dos holofotes do inteiro planeta, para instigar manifestações e focos desestabilizadores no país apoiados num caldo de cultura em que se combinam algumas insatisfações frente a problemas sociais não superados (numa sociedade que tem um governo progressista de esquerda, mas baseado numa estrutura capitalista subsistente) com o acirrar de elementos provocatórios (com características neo-nazistas) que dão o tom maior da crítica à gestão presidencial e por consequência, do PT. Não foram casuais, nem espontâneas a maior parte das manifestações de junho de 2013. Combinaram-se reivindicações justas como a do passe-livre em São Paulo, que por sinal foram respondidas positivamente pela prefeitura de Haddad (PT, com a instrumentalização posterior de forças desestabilizadoras que contaram com o jogo repressor de máfias empresariais de ônibus e de polícias da PM (onde se aninham herdeiros da ditadura). Tudo se diluiu na luta genérica e oportunista da bandeira “anti-corrupção”, respaldada na farsa judicial montada por juízes como Joaquim Barbosa contra o “mensalão”, concluindo na prisão injusta de Dirceu, Genoíno, João Cunha e outros dirigentes do PT. A meta final da oposição conservadora foi e continuará sendo, desacreditar nesta Copa a candidatura da presidenta Dilma Rousseff. Esse é seu objetivo.

 

Não são casuais as greves no metrô e a queima anterior de ônibus em São Paulo, criando o caos às vésperas da Copa. É preciso ver qual o nível de participação dos sindicatos. Em junho, o sindicato dos metroviários em discussão com a prefeitura chegou a propostas elevadas como a estatização do metrô. Os que falam em 12,5% são os mesmos que chegaram à conclusão de que estatizar é mais decisivo que reduzir-se a uma corporativa reivindicação salarial? A patronal que negocia é o governo do estado de São Paulo (do PSDB cujas falcatruas são silenciadas pela mídia). Mas o ônus do caos e da campanha midiática recai sobre a administração PTista da cidade. Quem organiza esta greve agora? Nas greves anteriores no Rio de Janeiro, falou-se de um grupo minoritário que se organizou via redes sociais à revelia do sindicato. Operários organizados não ateiam fogo nos seus instrumentos de trabalho e num serviço público.

As manifestações no Brasil no contexto da Copa

Aqui vão algumas considerações interessantes que chegaram do Brasil:

(Do jornalista Irae Sassi)

“…Agora, as manifestações com o pretexto anti-copa, serão sobretudo para chegar às eleições e jogar a população contra o governo. Acho que temos que ter isso bem claro. Quem, ingenuamente, cai na demagogia de que o dinheiro da Copa poderia ter servido para hospitais, escolas, segurança, etc. esquece que os 20 bilhões acima são 5% talvez daquilo que se paga aos banqueiros, cada orçamento. Estes sim, poderiam pagar pela educação padrão Fifa. Então, onde está o inimigo? O inimigo é o capitalismo, mas isso ninguém quer ou vai dizer. Eles estão lá, encastelados no Banco Central, no Parlamento, tranquilos. 

A Copa nisso tudo entra de roldão, a manipulação é enorme. Essas palavras de ordem  como “saúde padrão Fifa”, “educação padrão Fifa”, são ambíguas. O “padrão Fifa” é um enorme esquema capitalista de exploração do esporte para fins capitalistas, comerciais. Não poderia ser diferente. Futebol e negócio aqui aparecem com a sua cara real. Exigir que se utilizem os mesmos “padrões” na gestão do Estado é bonito, mas sem falar de capitalismo é demagógico. 

O ministro do TCU, Jorge Hage, afirmou que dos 28 bilhões da Copa, somente 8 foram investidos em estádios. Os outros 20 em mobilidade urbana, obras urbanas duradouras como os aeroportos. E dos 8, uma boa fatia, investimento privado. Disse com todas as letras que havia manipulação na campanha contra os gastos da Copa. Mas os problemas do Brasil não pioraram pela realização da Copa aqui. Seria bom fazer um balanço da África do Sul, não só entre ganhos e perdas, mas sobretudo para entender porque continua sendo um país capitalista e profundamente desigual, Copa ou não. E este é o verdadeiro problema, que os movimentos anti-copa não discutem, nem querem, nem podem. Porque uma boa parte deles é gente da direita! …

Ao mesmo tempo, reforçando os argumentos de que são infundadas as críticas ao governo, contrapondo escolas, casas versus estádios, transcrevemos o parecer do militante, metalúrgico anistiado, Celso Agra:

… “ é fundamental considerar a política de unidade latino-americana defendida por Lula e continuada por Dilma, apoiando a CELAC, a UNASUL , as metas de grandes obras que a Dilma está fazendo como a da transposição do Rio São Francisco, da Ferrovia Norte Sul que permitirá no futuro interligar-nos com toda a América do Sul, na política educacional que permitiu o acesso de um milhão de novos universitários de extratos populares, e que para as provas do ENEN chegamos próximo aos dez milhões. O projeto “Minha Casa Minha Vida” favoreceu 3 milhões de famílias pobres, a retirada de mais de 40 milhões de pessoas da miséria absoluta; há mais de 20 milhões de empregos gerados para brasileiros e estrangeiros que aqui vem trabalhar.” …

Eduardo Dumont, economista do PT de Minas, comenta que  “recentemente, a Presidenta Dilma Rousseff ordenou que sua equipe encontre uma forma de incluir os sem teto no programa Minha Casa Minha Vida e que se adie o lançamento da terceira geração do programa para elaborar uma proposta que contemple os movimentos. Dilma junto ao Prefeito Haddad de São Paulo acenaram com a possibilidade de desapropriação de área ocupada por 4.000 famílias, chamada de Copa do Povo. O Prefeito Haddad se comprometeu a transformar a ocupação Nova Palestina, no Jardim Ângela, na zona sul, em área para habitação popular. Haddad prometeu entregar 55 mil moradias durante seu mandato, que vai até 2016. Para zerar o déficit habitacional na maior cidade do país, São Paulo, seria necessário entregar 230 mil moradias.

Argentina

2014-05-25 15.17.01Na Argentina, recentemente, comemoraram-se 204 anos da Revolução de Mayo, com a presença da presidenta Cristina Kirchner numa manifestação que reuniu mais de 300 mil na praça de Maio, diante da Casa Rosada. Não faltaram os cordões massivos dos manifestantes jovens e trabalhadores das várias organizações de apoio, com os tradicionais tambores: La Campora, Movimento Evita, Os Descamisados, Kolina, TupacAmaru. Discursou a presidenta: “Convoco nesta festa pátria à unidade nacional. Mas não qualquer unidade. Não me interessa a unidade nacional para voltar atrás. Não me interessa a unidade nacional para não ocupar-se dos pobres e dos excluídos.”…. “O futuro veio para ficar; hoje está mais firme do que nunca e o vamos continuar levando adiante”! “Por isso, devemos recordar que pode sempre haver povo e não revolução. O que nunca pode ocorrer é revolução sem povo. Nós temos isso bem claro”. “Sinto que cumprimos uma parte importante da tarefa, mas ainda falta muito. Porque enquanto houver um só pobre nesta pátria, estaremos em dívida com ela”.

Um fato importante como este esteve obviamente ausente das manchetes da mídia dos grandes grupos econômicos como Clarin e La Nación, com exceção da TV Pública, e dos jornais El Tiempo, Página 12 e O Argentino (distribuído grátis no metrô). Ao contrário, o que lhes ocupa as capas da oligarquia midiática são as notícias sobre as acusações de setores da oposição contra o vice-presidente, Amado Boudou, no caso da aquisição da Calcográfica Ciccone (http://www.diarioelargentino.com.ar/noticias/137781/amado-boudou-fue-citado-a-indagatoria-por-el-caso-ciccone).  É sintomático como a oposição, mancomunada com forças no Judiciário, reanimou a denúncia no mesmo dia que o ministro da economia, Axel Kicillof assinava acordos com o chamado “Club de Paris” sobre o pagamento da restante dívida externa, convenientes à Argentina, à revelia do FMI (veja sobre o acordo no http://www.pagina12.com.ar/diario/economia/2-247564-2014-06-01.html). O juiz, Ariel Hijo, convocou o julgamento para o dia 15 de julho, no mesmo dia em que a presidenta Cristina Kirchner deverá se ausentar do país para participar da reunião do BRICs  em Fortaleza no Brasil, a convite de Putin. Diante de evidentes manobras, o próprio vice-presidente, Amado Boudou, solicitou a antecipação da audiência para esta segunda-feira, dia 9 de junho, com a transmissão aberta à cidadania pelos meios televisivos. O Juiz aceitou o primeiro pedido, mas não a abertura ao público via TV.

Isso ocorreu, enquanto a presidenta Cristina aprovou várias medidas progressistas de cunho social no arco destas 2 semanas: Aumentou em 40% as gratificações salariais por filho, incrementou a lista das vacinas obrigatórias (de 16 para 19, e gratuitas, via serviço público) para 3 mais (rotavirus, meningococo e varicela), e lança em votação congressual um decreto para dar aposentadoria a 500 mil pessoas que trabalharam sem registro. E os porta-vozes do Clarin criticam-na por ter anunciado em cadeia nacional tais medidas.

Enfim, mecanismos semelhantes de obsessão pelo poder por parte dos grandes grupos econômicos (que já sofreram uma rasteira com a Nova Lei da Mídia), ocorrem entre o Brasil e a Argentina. Cristina e os Kirchners que contam além de tudo com a simpatia do Papa (que lhe enviou saudações pelo 25 de Maio, falsamente negado pela grande mídia), avança em projetos econômico-sociais com a marca da soberania nacional. E a Argentina se prepara para as eleições presidenciais de2015, com algumas opções internas na Frente para a Vitória (a ser definida nas próximas primárias). Portanto, a estratégia imperialista para derrubar o candidato sucessor (FPV) de Cristina em 2015, como Dilma em outubro de 2014, tem modelos semelhantes. No Brasil, o Joaquim Barbosa e a maioria do Judiciário, apoiados no circo midiático, levaram Dirceu, Genoíno e os chamados “mensaleiros” do PT, à prisão, sem provas. Na Argentina, a vítima escolhida foi o vice-presidente, Amado Boudou, que até provar sua inocência, o Clarin já terá feito o dano midiático com fins eleitorais.

Em termos de tumultos sociais organizados, como têm sido os chamados “guarimberos” na Venezuela contra o presidente constitucional, Nicolás Maduro, ou “anti-coperos” depredadores no Brasil, há ações suspeitosas na Argentina também. Como é possível que funcionários da rede de trens, chamada Sarmiento, recentemente nacionalizada e equipada com modernos trens chineses, sofram paralizações, por uma semana, sem a aprovação do Sindicato dos ferroviários? E o pior: os grevistas exigem indenização pela nacionalização. Com razão, Cristina inaugurou um centro de controle das estações de trem. Já houve caso de maquinistas, comprometidos com uma máfia ferroviária de direita que deixaram ocorrer 2 comprovados acidentes na capital. Nestes dias, há 6 instalações siderúrgicas da SIDERAR que estão bloqueadas por boicote de fornecimento por parte do Sindicatos dos motoristas de caminhão, dirigidos por uma burocracia mafiosa.

O papel da mídia

Neste contexto, o papel da mídia continua sendo fundamental. Na Argentina, em compensação houve uma Lei da Mídia que em parte deteve o poder dos grandes, e a TV Pública tem sido bem utilizada para o debate político, e a comunicação governo-povo. O chefe do gabinete presidencial, Jorge Capitanich, dá uma coletiva de imprensa na Casa Rosada todas as manhãs, a partir das 7h30, sobre as medidas do governo, via TV Pública. Telesul, com o qual a Argentina é conveniada, vai em todas as casas via TV a Cabo, pelos sistema digital. Todos os jogos da Copa do Mundo, por exemplo, serão vistos em todos os locais públicos. Há jornais populares como o “El Argentino”, gratuito, e o Página 12. É surpreendente como num dos programas da TV Pública, chamado 6,7,8, que vai todas as noites ao ar, com participação de expertos jornalistas políticos (dos quais 4 são mulheres) o debate sobre a Copa do mundo no Brasil, demonstrou uma clareza política (escassa no nosso país) que têm sobre a natureza da guerra mídiatica demolidora e oportunista contra Dilma. Há parâmetros avançados aqui, como a tradição de mobilização sindical, peronista, anti-ditadura, movimentos sociais combativos como os “Unidos e Organizados”, apesar de divisões internas no movimento sindical que não favorecem. Há muito por fazer em termos de poder popular, e as correntes nacionalistas no exército ainda são uma incógnita.

No Brasil, temos ainda muito por avançar em termos de mídia. Além do intocável poder da Globo, a TV Brasil e a EBC ainda são subaproveitadas em conteúdos políticos que possibilitassem o debate, maior exposição do governo e o seu diálogo com a população, para contra-restar o terrorismo midiático das agências de notícias. Telesul não chega nem por cabo, nem pelo sinal aberto. Lula criou TV Brasil e bem nos tem alertado sobre a necessidade de mídia própria, via internet inclusive, e se prepara para um novo Fórum de debates, com projetos para definir marcos regulatórios da mídia.  Certamente, faltam-nos jornais populares gratuitos com tantas gestões municipais, governamentais do PT em giro. Os acontecimentos golpistas na Ucrania e as ameaças constantes contra a Venezuela, baseados no nefasto papel da grande mídia internacional, demonstram a urgência dos movimentos sociais se apoderarem de seus próprios meios midiáticos, com ajuda do Estado e dos governos progressistas.

Com estas reflexões sobre o momento atual da Copa, não pretendo discorrer sobre questões estruturais do processo político brasileiro, nem abster-se da constatação de insuficiências ou metas ainda a serem alcançadas no Brasil para uma verdadeira inclusão social, reforma agrária, reforma política, autocrítica e correções no PT e balanços sobre precárias alianças eleitorais sem definições programáticas e estratégia de futuro como país soberano, onde todo o legado de Vargas ainda não foi recuperado, como requer a conjuntura atual, de guerra, de crise mundial capitalista por um lado e enormes esperanças que a unidade Rússia-China põe por outro lado, para solidificar uma Frente Única antiimperialista. Este é tema para outro debate.

H. Iono

Conselho Editorial

7 de junho de 2014


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