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Conclusões do Fórum Social Mundial 2002
28 de janeiro de 2012 Artigos Edições Anteriores Politica
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O Fórum Social Mundial 2002 em Porto Alegre foi uma grande demonstração de força e resolução dos movimentos populares na busca de uma coordenação da luta contra a globalização capitalista expressa nas gigantescas manifestações, greves, ocupações nos últimos tempos. Mesmo com os limites que pretendem impor alguns componentes burgueses ou reformistas da direção, o Fórum não perde a sua força e importância. No fogo cruzado de uma guerra imperialista em ato, essa tentativa de coordenação de forças, tem servido como alerta e resposta aos EUA por todas as ações de guerra perpetradas desde o Afeganistão, à Palestina, à Colômbia, ao Iraque, pelas ameaças ao Irã e à Coréia do Norte, pelas provocações contra Chávez, Milosevic até Mugabe, coroadas pelo anuncio descarado de Bush sobre um aumento de 50 bilhões de dólares nos investimentos de guerra.

Foram 70.000 participantes, 5.000 organizações de todo o mundo, 15.000 delegados de 150 países em 28 conferencias, 100 seminários e 700 oficinas que não passaram inobservados à burguesia já incomodada pelas contes­tações explosivas desde Gênova, Buenos Aires, à heróica Palestina. A manifestação final dos 50 mil contra a Alca foi o ponto alto deste encontro e deu o sentido e a orientação revolucionária que o movimento necessita, compensando em parte os limites da falta de resoluções escritas e de um programa anti-capitalista. Essa foi uma resposta  aos riscos que este Forum corre ao abrir as portas a forças conservadoras, como os membros do governo frances, os representantes do Banco Mundial, cortando por outro lado, o convite a Fidel Castro e a Chávez da Venezuela. Não foi um acaso que neste ano houve nos painéis de debate uma conotação maior aos temas econômicos do que aos políticos, quando no Forum anterior contamos com presenças políticas da importância de Ahmed Ben Bella da Argélia; de Ricardo Alarcon, presidente do Parlamento Cubano; de Lúcio Edwin Gutierrez, Coronel do Exército Sociedade Patriótica 21 de janeiro do Equador; e com uma participação em primeiro plano de João Pedro Stedile do MST e Lula do PT. Foram tratados temas importantes, mas com uma orientação economicista, como a questão do comércio mundial, das corpo­rações multinacionais, da dívida externa, do trabalho, do controle sobre os capitais financeiros, do militarismo, dos organismos inter­na­cionais, da arquitetura do poder mundial, e assim por diante, sem questionar nem entrar na raiz dos problemas que é o sistema capitalista, e deixando de longe o tema do socialismo. Por isso da crítica ao capitalismo se passava à solu­ção reformista, como a implementação da Tobin tax que atinge somente 5% das movimentações de capitais, quando 70% dos capitais são especulativos, sem lastro; ou em temas sobre a OMC, na qual se divagavam com inúteis al­te­rações nas cláusulas contratuais para resolver o problema das desigualdades nas relações econômicas entre os países desenvolvidos e dos do terceiro mundo.

Como diz James Petras: …  “Na realidade, o FSM 2002 se dividiu entre reformistas e radicais. Uma divisão que encontrou sua expressão no interior das dife­rentes organizações e indivíduos presentes. Esta divisão foi evidente até na localização física das discussões, assim como no estilo da apresentação e com­posição da audiência. A maior parte do que se escreveu sobre ele está baseado no que ocorreu na Universidade Católica (PUC). Os eventos da PUC não foram representativos do Forum, pelo menos aos olhos de muitos ativistas do movimento. Os organizadores destacaram que aproximadamente uma quinta parte (10.000) dos participantes do FS estiveram na PUC; em geral, os de mais de 40 anos de idade e na sua maioria profissionais da classe média. Fora da PUC, aproximadamente 50.000 pessoas participaram num outro espaço politizado, que incluiu debates e discussões sobre a luta pelo socialismo”… Lamentalvelmente estes grandes temas sofreram um boi­cote branco por parte dos organizadores do Forum, constringindo organizações de esquerda, mais combativas como o MST, a Via Campesina e outros a buscarem esse espaço alternativo de debates, o auditório Araújo Viana.

Aí se tocou um tema vasto que requer aprofundamento, tornado-se essencial para dar um norte anti-capitalista ao movimento anti-global. Desta discussão é preciso extrair conclusões de que instrumentos teóricos como o marxismo são mais do que vigentes na interpretação do processo da luta de classes atual. Bertinotti admite sua validade, mas depois diz que os tempos mudaram, que a classe operária não é a mesma, que há que mirar à pequenoburguesia. O proletariado como classe não desaparece, mesmo com a sua redução numérica, produto da tecnificação, da concentração capitalista, do desemprego em massa ou empobrecimento de camadas da pequenoburguesia; o protagonismo do programa de classe do proletariado se reforça neste processo de transformação da sociedade na luta contra o grande capital. Esta globalização capitalista hoje em xeque, con­tra­ditoriamente, facilita por outro lado, e unifica a luta do proletariado mundial, como previu Marx. O seu pensamento é presente, merece lugar de honra na tribuna do Forum Social Mundial. Da mesma forma, Bertinotti e os comunistas não podem falar em socialismo desconhecendo experiências e conquistas da história, da revolução russa, chinesa, cubana, Lenin e Trotsky e do Partido Bolchevique, apesar de todos os reveses apresentados nos países socialistas no pós-91. É preciso corrigir, aprender da história, mas não há que cancelá-la. Não se pode confundir stalinismo com a experiência dos 7 primeiros anos da revolução russa; nem burocratismo com os pilares da estrutura econômica  e social de um Estado operário. Como J. Petras se referia, Cuba é um exemplo da vitalidade das experiências socialistas, assim como a China e o Vietnã. Se houve crise nos países socialistas, essencialmente por falta de direção marxista, não houve tampouco nenhuma de­mons­­tração de vitalidade do capitalismo. Ao contrário, este chega ao limite da sua sobre­vivência, lança o grito de guerra, numa verdadeira agonia moribunda. O movimento anti-global deve discutir e aprofundar este temário, sem o quê se reduzirão os seus horizontes e os riscos de um esvaziamento serão reais.

O acontecimento mais importante neste Forum foi a manifestação final contra a ALCA pela sua combatividade e pela mensagem político-programática que deixou. Foi uma resposta ao documento aprovado pela direção do FSM, eurocentrista firmada pela ATTAC e grande parte da delecação italiana e da CUT. Foram mais de 50 mil que partiram do auditório Viana, num multicolor de bandeiras e consignas anti-imperialistas: “ALCArajo” e “Fora da Argentina, fora do Brasil, fora a ALCA e o FMI”.

…”Com Fidel e Cuba, com Chávez e Venezuela, João Pedro Stedile dirigente do MST, convocou a enfrentar a ALCA (como braço fundamental da intervenção ianque na América Latina) com a organização e a unidade popular. “Aqui estamos porque a ALCA não é somente um acordo comercial, a ALCA é um plano estratégico do imperialismo para entregar o nosso território e suas riquezas às empresas norteamericanas”disse Stedile“Estamos ao borde de uma guerra, e querem fazer não somente com aviões, mas também com suas multinacionais. Volto a repetir que a América Latina está em guerra e já começamos algumas batalhas: a primeira delas é defender o povo de Cuba e por isso a Campaña Brasileira contra a ALCA convidou com muito orgulho o companheiro Fidel para esta aqui. A segunda trincheira é Venezuela: estamos dispostos a defender a Chávez e ao povo venezuelano na sua luta contra a oligarquia. A terceira frente de batalha é a Argentina,  onde afaaram o seu povo e se apoderaram ilegalmente de seu governo. Por isso, lhes dizemos, companheiros, que temos que nos organizar, arregaçar as mangas e praticar a luta das massas”. E concluiu com o chamado à orga­ni­zação dos plebiscitos regionais con­tra a ALCA.

 Todos os acontecimentos posteriores ao FSM por si mesmo superam e esvaziam os limites impostos no temário dos seus debates na PUC. Urge a unificação da luta de todos os povos através de uma Internacional comunista de massas que reúna todos os movimentos combativos dos movimentos anti-globalização, comunistas, sindicatos e partidos revolucionários, representantes dos países socialistas, como Cuba, China, Vietnã, contra a guerra imperialista , pelo desconhecimento das dívidas externas de todos os países pobres, contra a política imposta pelo FMI. Sem estas conclusões, sem um programa anti-capitalista e pelo socialismo,  não existem perspectivas para novos Forums, e nem um “novo mundo será possível”.

Janeiro de 2002


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