Home
Videos
Edições impressas
Jornais anteriores
Contato
Sobre nós
Conjuntura Econômica no Governo Lula
10 de junho de 2007 Economia Edições Anteriores Editorial
Recomende essa matéria pelo WhatsApp
Programa Luz para Todos

Governo O Governo Lula e o PT estão quebrando vários preconceitos em relação a como fazer corretamente política dentro do chamado campo da esquerda. Em primeiro lugar, para um partido de esquerda que defende o socialismo, o Governo Lula foi capaz de entender que antes de conquistarmos o socialismo, o povo de menor baixa renda precisa comer, vestir, calçar, habitar, comprar eletrodomésticos, ter mais saúde, educação, laser. É possível tirar milhares da miséria e ir construindo as pontes para uma sociedade socialista. Os miseráveis não precisam esperar o socialismo para viver melhor.

 

Logicamente, que não dá para ter a pretensão de resolver todos os problemas da miséria acumulados durante anos em apenas 8 anos de governo e dentro das limitações de uma sociedade capitalista. Mesmo porque para Lula se eleger teve que fazer várias concessões à elite do país. Ele é fruto de uma combinação de Lula conquistado e Lula consentido. Lula conquistado em virtude de sua origem de retirante, das lutas sindicais, da luta contra a ditadura militar e pela democratização do país, da luta pela construção de um partido de esquerda, das lutas políticas. Lula consentido pela elite do país sem alternativa, depois do fracasso do neoliberalismo no Brasil, de certa forma “permitiu” um Lula que assumiu determinados compromissos – através da Carta ao Povo Brasileiro, de manter as regras já estabelecidas, como a manutenção dos atuais contratos. O capital tem a capacidade de sabotar qualquer governo quando se sente lesado, e mesmo não sendo atingido na sua essência, buscou destituir o Governo Lula quando dos acontecimentos envolvendo o chamado mensalão.

 

O PT aprendeu, depois de muito rejeitar, que sem fazer alianças que pressupõe fazer concessões, não elegeria um Presidente da República. Tática que se faz necessária agora também para a eleição da candidata Dilma à Presidência da República.

 

É neste contexto e com esta concepção que o Governo Lula conseguiu avanços estupendos para a classe mais pobre do país. O PSDB está tão desesperado que até busca dizer que a política do Governo Lula é uma continuidade do governo FHC. Nada mais falaciosa que esta afirmação.

 

As diferenças têm seus primeiros fundamentos, na concepção de classe. O PSDB governa para a elite brasileira. O Governo FHC ao abraçar a concepção de Estado mínimo, não o fez apenas por acreditar no princípio neoliberal mas porque o neoliberalismo se traduziu em privatizar o patrimônio público. O Governo FHC cometeu crime de lesa pátria ao “doar” empresas como a Companhia Vale do Rio Doce. O Governo FHC privatizou por 105 bilhões de dólares, 70 empresas estatais federais e estaduais. Descontados os benefícios concedidos, esse valor é ainda menor.

 

Uma das primeiras medidas do Governo Lula foi interromper o processo de privatização das empresas estatais, resgatá-las e fortalecê-las e com muita diplomacia conseguiu afastar o seu governo da Aliança para o Comercio das Américas – Alca e do Consenso de Washington.

 

FHC queria mudar o nome de Petrobrás para Petrobrax visando a sua privatização total. Parte da empresa foi privatizada em 2001, com a venda de 4,84 bilhões de dólares em ações. Atualmente, essas ações valem 70 bilhões de dólares. A indústria naval quase desapareceu, ficando restrita a um contingente de apenas 6 mil trabalhadores. No Governo Lula, a Petrobrás foi resgatada com um dos principais símbolos do patrimônio público e do desenvolvimento nacional; foi responsável pela auto-suficiência em petróleo e pelas descobertas do pré-sal. Seu valor de mercado passou de 15,4 bilhões de dólares, em 2002, para 208 bilhões em novembro de 2009. Com as compras realizadas pela Petrobrás, a indústria naval foi reerguida e já é a 6ª maior do mundo, além de empregar 45 mil trabalhadores. Para o novo marco regulatório do petróleo e do gás, Lula adotou o regime de partilha. A riqueza do pré-sal será apropriada pela sociedade graças à criação de um Fundo Social para investimentos em educação, ciência e tecnologia, saúde, preservação do meio ambiente e no combate à pobreza. A Petrobrás será operadora exclusiva do pré-sal e será criada a Petrosal, inteiramente pública, já que a Petrobrás tem uma expressiva participação privada. O Governo Lula soube muito bem direcionar o desenvolvimento da economia interna com o crescimento dos países chamados emergentes; com particular atenção aos chamados Estados operários, como a China e Rússia. Países que estão reestruturando suas economias depois da crise do bloco socialista, mas, como o Brasil, buscam se desenvolver com uma forte presença do Estado. Pré-condição hoje para o desenvolvimento com distribuição de renda.

 

Com Lula, O Brasil diversificou bastante o destino de suas exportações. Houve redução no fluxo de exportações para os Estados Unidos, mas aconteceram avanços significativos em relação a China, América Latina e outros continentes. Corretamente, o Governo Lula percebeu que nos últimos dez anos, o crescimento dos países emergentes foi 3 a 4 vezes superior à dos países desenvolvidos, que já haviam começado a estagnar e agora estão rumando para baixo, de modo acentuado. A crise está demonstrando a importância dos países emergentes. E foi neste rumo que o Governo Lula, corretamente, direcionou as relações comerciais do país, sem abandonar, logicamente, o comércio tradicional. O Governo Lula soube negociar com a correção política necessária com a Bolívia a questão do gás, com o Paraguai a questão da tarifa de energia. Ampliou relações comerciais com Cuba e a Venezuela, dizendo para todo mundo que se faz necessário ampliar o comércio sul americano. Daí a constituição da Anasul. Não adianta o Brasil crescer e o seus vizinhos ficarem estagnados. Para o Brasil crescer, toda a América do Sul tem que crescer junto e com distribuição de renda, do contrário podemos ser envolvidos nesta crise monumental do capitalismo. Situação que levará o capitalismo central a fazer novas guerras pelo mundo.

 

No Governo Lula o superávit foi de 136 bilhões de dólares, de 2003 a 2008. Esta quantidade de dólares foi, em grande medida, comprada pelo Banco Central, que reforçou as reservas internacionais do Brasil. O país fechou 2008 com saldo de 206 bilhões de dólares de reservas internacionais. Foi este colchão de reservas que blindou o país na crise econômica, reduziu as especulações contra o Real e minimizou as conseqüências negativas em termos de crescimento econômico e geração de empregos. Foram criados 11 milhões de empregos em 7 anos de governo. Com Lula, O Brasil atravessou bem a crise, não teve perdas de reservas. Ao contrário, elas continuam crescendo e já passaram de 230 bilhões de dólares. O Governo FHC fechou com um déficit de 768 milhões no Balanço de Pagamento, apesar das inacreditáveis concessões realizadas ao grande capital – privatizações selvagens, dolarização da dívida interna e aumento dos juros para até 45% ao ano. Nem assim os tucanos conseguiram convencer os grandes capitalistas a financiarem o Brasil.

 

O Programa Bolsa Família passou de um patamar para outro completamente diferente em uma perspectiva quantitativa – atingiu 12 milhões de famílias – , qualitativamente as políticas sócias foram transformadas em direito. Em um país como o Brasil, com sua tradição clientelista, conseguir dizer que política social não é instrumento de clientelismo, é direito das pessoas, é muito mais importante do que a quantidade de Bolsa Família que foi distribuído, em que pese a importância do Bolsa Família para tirar milhares de pessoas da miséria e ser um fator de fortalecimento do mercado interno.

 

No Governo Lula houve transferências de 305 bilhões de reais de renda ás famílias através do INSS, do Bolsa Família, do Seguro-desemprego, abono salarial, BPC e aos servidores inativos. Neste Governo, em cinco anos, 32 milhões de pessoas ingressaram nas classes C e AB, que passaram a representar 60% da população. 20 milhões de brasileiros saíram da situação de pobreza e extrema pobreza em cinco anos. Na área da educação o Governo criou o Fundeb para toda a educação básica. Construiu 214 escolas técnicas; criou o piso nacional do magistério; criou os programas de formação para professores, livro didático, 1.125 creches e escolas infantis, o ensino fundamental passou de 8 para 9 anos; construiu 14 novas universidades e mais 104 extensões universitárias; as vagas de ingresso passaram de 113 mil para 228 mil; contratação de 30 mil novos professores; com o ProUni garantiu bolsas para 596 mil estudantes; o Pronaf da agricultura familiar passou de 2,2 bilhões de reais para 16 bilhões de reais; e criou o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar – PAA, inédito no país, garantindo a compra, por um preço justo, da produção agrícola e destinando os alimentos para populações em insegurança alimentar. Foram realizadas várias políticas direcionadas para fortalecer a agricultura familiar e dar mais qualidade à reforma agrária que precisa avançar muito ainda, pois um dos fatores de concentração de renda no pais se traduz na elevada concentração de terra.

 

Hoje, O Brasil tem uma taxa de crescimento de renda dos que ganham menos maior que a taxa de crescimento dos que ganham mais. No século XX ocorria o inverso, porque o país apostava sua economia no crescimento dos mais ricos. Apostou-se no consumo insatisfeito da grande maioria da população brasileira, com crédito, capaz de gerar desenvolvimento econômico para o país. Quem antes comprava um par de sapatos, hoje pode comprar dois; quem comia uma vez por dia, hoje come três vezes. Isso gera dinamismo na economia, faz ela rodar. E outra mudança importante que estamos construindo: o aumento do consumo nas classes intermediárias, a redução das classes de menor renda e concentração do aumento da massa de renda nesse meio.

 

Ninguém tem dúvida de que ainda existem milhares de pessoas excluídas das condições básicas de vida, analfabetas, sem teto. Um grau alarmante de violência com altíssimos índices de mortalidade, principalmente de jovens. Mas a vida está mudando. A recomposição do poder de compra do salário mínimo em 38% é uma conquista importante para o povo, pois trata-se nada mais nada menos do que corrigir as perdas decorrente dos anos de alta inflação.

 

O Governo Lula zerou a dívida interna lastreada em títulos cambiais do Brasil. Com as reservas internacionais, a dívida externa pública liquida tornou-se negativa, ou seja, nosso país tem mais reservas em dólar do que deve aos bancos e organismos internacionais. E mais: mesmo a dívida externa total – pública e privada – é também negativa, ou seja, as reservas do governo e das empresas privadas no exterior são superiores à dívida total. Foi isso que blindou o Brasil na crise econômica de 2008 e evitou os ataques especulativos contra o nosso país. Se por um lado o governo conseguiu liquidar com a dívida externa e sua subordinação ao FMI que hoje conta com empréstimos do Brasil, mantém uma carga tributária que penaliza a população mais pobre. É verdade também que, mesmo assim, houve uma aceleração do crescimento do PIB e da produtividade. Neste sentido, é importante perguntar para onde está indo o aumento da carga tributária.

 

Alguns pontos centrais precisam ser encarados de frente, no momento certo, como a reforma tributária e política. As políticas de distribuição de renda precisam ter continuidade e para que tenham consistência duradoura o país precisa modificar a carga tributária que é regressiva, isto é, penaliza as populações mais pobres. Pesa na sociedade a ausência do imposto sobre grandes fortunas que tem um alto poder de arrecadação. Questões que não serão resolvidas com este Congresso Nacional, daí a necessidade de se fazer um plebiscito popular ou uma Constituinte especifica para resolver estes problemas fundamentais para o país.

 

Diante da brutal crise do capitalismo e diante das ações criminosas do imperialismo, como os preparativos de guerra, com utilização de artefatos atômicos, em torno do Oriente Médio que levará o mundo de roldão, o país precisa se fortalecer, mais do que nunca, em torno de uma política de soberania nacional. Concepção esta que possibilitou o Brasil a se posicionar corretamente com soberania e não se alinhar com as ações imperialistas anglo-americanas. Neste sentido, o Governo Dilma precisa se posicionar contra a desnacionalização das terras e da agroenergia no país. Grandes empresas como a Shell estão adquirindo nossas usinas de agrocombustível, retirando as vantagens fenomenais que o país tem em produzir energia renovável. Da mesma forma como as reservas de petróleo precisam ser protegidas, a agroenergia precisa ser preservada como um patrimônio nacional e ser explorada com a incorporação das pequenas e médias propriedades rurais, com sustentabilidade, com respeito à natureza, de forma descentralizada e com distribuição de renda. São estas mudanças estruturais que possibilitarão o país transitar de um modelo ainda estruturado sob o poder econômico nacional e internacional para um modelo de profundas transformações sociais, verdadeiramente democrático e popular.

 

02 de Julho de 2010


{Acessos: 214}
Recomende essa matéria pelo WhatsApp


Faça seu Comentário



Comentários
Nenhum comentário para esse conteúdo.
EDITORIAL:

Eleições na Venezuela e a luta pela liberdade de Lula
Jamais uma revolução social enfrentou tantas eleições, em condições extremas de guerra econômica e ameaças do imperialismo, conspiração interna e sabotagens; mesmo assim teve continuidade com base no voto popular. Aprender as lições da Venezuela; centrar fogo na libertação e eleição de Lula em 2018.
Receba nossa newsletter

Videos recentes
Suplementos Especiais
Links Recomendados
Matérias recentes
Noticias recentes
Batalhas de Ideias
Comunicação
Ganma Hispan TV Press TV Russia Today TeleSUR
Palavras-chave
J. Posadas - Obras publicadas
Leituras sugeridas
A FUNÇÃO HISTÓRICA DAS INTERNACIONAIS Del Nacionalismo Revolucionario al Socialismo Iran - El proceso permanente de la revolucion Iran - El proceso permanente de la revolucion La musica, El Canto, La Lucha Por el Socialismo
Desenvolvido por Mosaic Web
Recomendar essa matéria: