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Cristina senadora: “Aqui não termina nada, aqui começa tudo!”
02 de novembro de 2017 Artigos
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Cristina senadora: “Aqui não termina nada, aqui começa tudo!”

Com estas palavras, Cristina Kirchner admitiu o resultado eleitoral, em pleno bunker de campanha da Unidade Cidadã, com quase 38% dos votos alcançados frente aos cerca de 42 % de Cambiemos na Província de Buenos Aires, a mais numerosa da Argentina. Nesta frase não há sentimento de derrota, mas um compromisso de luta, uma evocação séria de logros, uma admissão objetiva dos erros e a decisão de lançar um novo projeto: lutas, batalhas, projeto de nação popular! Nada de festa, balõezinhos, passinhos de dança americanizados e champanhe como fez o clube do governo Macri, festejando sua vitória eleitoral, burlando-se das desgraças da maioria do povo argentino, em pleno luto por Santiago Maldonado, safando-se de todas suas responsabilidades. É a mesma escola, ou classe social, a indigna expressão de descaso que presenciamos no Congresso brasileiro, onde deputados reacionários dedicavam o “impeachment” de Dilma à mulher, aos filhos, à avó, ao cachorro e aos amigos. Sinais dos tempos de uma direitização global em que as burguesias mostram sem pudor sua natureza cínica e opressora, com descarado apoio midiático e judicial. Entretanto, os votos são voláteis, apoiam-se em circunstâncias transitórias que merecem análises, reflexões e um projeto rápido de recomposição de forças sociais, amplo e profundo, não só no plano parlamentar.


A festa vergonhosa de Macri e seu governo

Esta eleição indica uma polarização. Dois projetos de país antagônicos nos dois blocos majoritários: Cambiemos e Unidade Cidadã.  Delineiam-se dois blocos de classes sociais opostas que vão rumo a um embate até 2019.  Cristina Kirchner perde nos números, mas os seus votos expressam uma qualidade, a do chamado núcleo duro, ou do eleitorado kirchnerista mais consciente, produto de uma depuração do peronismo. São os votos dos que reconheceram o benefício social das medidas econômicas do governo anterior, e nestes primeiros 2 anos de Macri, não cansaram de colocar multidões na rua, contra todo o “ajuste” econômico, os atentados aos direitos trabalhistas e humanos, à memória social. São votos que tem uma energia social profunda.

Passados somente quatro meses após o seu lançamento no estádio Arsenal, e a ruptura com o peronismo de direita, a União Cidadã de Cristina não conseguiu derrotar “Cambiemos” mas foi a única que cresceu em poucos meses, pela sua coerência, enquanto que o resto da oposição a Macri, contrariamente, foi derrotada, como Sergio Massa (Frente Renovadora), e Randazzo (Cumprir); dedicaram-se a uma campanha de críticas ao governo anterior de Cristina, com grande apoio financeiro e midiático, relegando em segundo plano o ataque às atrocidades cometidas pela gestão de Macri. O carreirismo, as personificações oportunistas, lhes custaram uma grande derrota: Massa e Randazzo não foram eleitos, estão fora da arena parlamentar; em crise também os peronistas do PJ (Partido Justicialista) em Salta, e o chamado socialismo de Santa Fé. “Avançaram as oposições firmes e claras”, enfrentando a campanha destrutiva do Judiciário e do Clarín e TVs hegemônicas contra Cristina, no mesmo estilo Globo-Moro contra Lula. Não obstante, Cristina inicia uma nova era até 2019, com pleno protagonismo nas lutas, tanto no ataque como na defesa. Com 107 deputados, Cambiemos é a primeira bancada da Câmara de deputados, mas não alcança o quórum de 127. A Frente para a Vitória e o Partido Justicialista (com o apoio da Unidade Cidadã) conservam a atual estrutura de 80 cadeiras. Porém, no jogo parlamentar são sempre imprevisíveis as reações, composições e alianças para impor freios ao avanço dos ajustes neoliberais.

 

Falando em números, vale a pena fazer algumas considerações. Comparando os votos ao kirchnerismo nas eleições de 2015 (presidenciais) e 2017 (legislativas)  na província de Buenos Aires, Cristina Kirchner ganhou mais 500 mil votos, mesmo considerando que Randazzo drenou seus votos. Sempre na província de Buenos Aires, Daniel Scioli recebeu 3.019.000 em 2015 e Cristina agora, 3.500.000. Enquanto isso, “Cambiemos” obteve 3.100.000 em 2015, e agora 3.400.000, mas considerando que, em 2015, Massa obteve mais de 2.000.000 de votos e agora apenas 1.000.000. Essa diferença migrou  para “Cambiemos” na sua grande maioria. Portanto, na realidade “Cambiemos” perdeu parte do seu eleitorado que foi substituído pela derrubada de Massa.

“Cambiemos”, como primeira força a nível nacional, apoia-se numa parte de um eleitorado entorpecido pelo jargão midiático: “tudo o que temos que fazer de 2016 para cá: os ajustes, demissões, cortes, tarifaços, privatizações, etc..., é culpa do governo anterior kirchnerista que deixou o país destroçado”, “temos que fazer sacrifícios, abrir-nos ao mundo, mas já vamos melhorar, deem um tempo! Estamos na metade do rio!”

Até quando pode durar a fidelidade deste eleitorado que dá um tiro no próprio pé, que apoia o corte dos subsídios sociais, que vota num governo que promete cortar seus direitos, seu nível de vida, em plena campanha eleitoral, e o executa pontualmente após as eleições: acabam de aumentar em 10% o preço da gasolina, anunciam novos “tarifaços” de luz e gás, a imposição de novas leis de flexibilização dos direitos trabalhistas, “reforma” da aposentadoria, tal como no Brasil?  A prisão com show midiático do deputado Júlio de Vido (FPV), ex-ministro do Planejamento (2003-2015), vítima de uma operação tipo “Lava-Jato” argentina, é mais um desses fatos inventados, sem provas, para encobrir a execução das reformas trabalhistas, e tirar da tela o caso Maldonado.

O governo Macri delira com o suposto aval recebido para os próximos dois anos, com a cumplicidade da burocracia sindical da CGT que capitula.  Mas a rebelião social baterá em pouco tempo às portas dos sindicatos combativos, das CTAs (Professores), da Corrente Federal (Bancários, CGT), ATE (servidores públicos), e o processo não se resumirá à luta parlamentar, mas continuará nas ruas, nos  sindicatos e organismos populares. Isso é o que prevê Hugo Yasky, presidente da CTA (dos Argentinos) e deputado eleito pela “Unidade Cidadã”, ao falar no programa do canal C5N. Fica um desafio enorme para Cristina Kirchner e a “Unidade Cidadã” atrair forças e “ampliar sua base de crescimento, ser generosos, inteligentes e compreender que outra Argentina é necessária, privilegiando a unidade, sem subjetivar. Um projeto de país e não em pessoas. “Unidade Cidadã” (UC) será a base, não a totalidade da construção da alternativa a este governo.” (palavras de Cristina no bunker eleitoral do Clube Arsenal de Sarandi).

Eduardo Aliberti, conhecido cronista argentino diz: “Com Cristina sozinha não chegamos, mas sem a Cristina é impossível”. O cenário atual demonstra que Cristina é a única candidata capaz de derrotar o Macri ou o candidato de “Cambiemos” em 2019. Um desafio para a “Unidade Cidadã” e o kirchnerismo que se coloca na ordem do dia para construir um novo movimento que amplie esta base social que se manifestou nas eleições, apoiados na juventude, na  exemplar capacidade sindical (livrando-se dos aparatos burocráticos e cooptadores), nos novos prefeitos kirchneristas, cientistas e intelectuais, artistas, jornalistas pela verdade, vizinhos de bairro, comitês de fábrica, que tem feito da Argentina, um polo irredutível de luta e resistência. Definir um Programa de transformações sociais, de recuperação da soberania e defesa irredutível dos direitos dos trabalhadores. Não será batalha fácil.  É de se esperar a crescente agressividade do judiciário e da mídia hegemônica contra Cristina, como estão fazendo com a prisão do deputado Júlio De Vido (FPV).

É de se lamentar, nesta expressiva crise do centro-esquerda, do velho peronismo, a miopia política, o subjetivismo, incluindo o de alguns setores da esquerda, a dispersão da atenção quanto ao inimigo central, à direitização do país, o destrutivo ataque à sociedade, a fascistização, o ajuste econômico e as ameaças aos direitos humanos em plena vigência com o macrismo. A falência do chamado centro-esquerda é a sua obsessão por atacar o kirchnerismo, tanto antes quanto depois das eleições. O seu foco agora é: “porque perdemos?”. “A culpa é sempre de Cristina”. Mas, o fato objetivo é que Cristina é senadora e muito mais; será protagonista de uma nova era, difícil, mas não impossível.

26/10/17

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