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Cuba-Brasil, 25 anos do reatamento
27 de julho de 2011 Artigos Edições Anteriores Politica
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Neste mês de junho, completam-se 25 anos do reatamento das relações entre Brasil e Cuba.
Era Sarney o presidente. A ruptura veio no golpe de 64. Sob a ditadura muitos trabalharam para
pavimentar o caminho da retomada. Chico Buarque, o jornalista Fernando Moraes com o seu
livro “A ilha”, a imprensa alternativa e de esquerda, Frei Betto e Frei Boff e tantos que fizeram um
trabalho anônimo para que hoje Brasil e Cuba tenham as excelentes relações que possuem, Mas,
podem expandir-se
Há uma nova situação política na região, que pode ser melhor aproveitada pela Solidariedade
a Cuba, que também neste mês de junho, realiza sua Convenção Nacional. Para além de todas as
bandeiras históricas já defendidas, há imensas possibilidades de ampliar e qualificar as relações
bilaterais Brasil e Cuba, que neste momento já cooperam em importantíssimos programas.
Com financiamento do BNDES, constrói-se o Porto de Mariel, decisivo no fortalecimento
econômico de Cuba. Será o maior porto do Caribe. Na prática, empresas brasileiras furam o
bloqueio à Ilha. Em outro projeto, Brasil e Cuba estão cooperando na produção de vacinas para
a África, inclusive na especialização de médicos timorenses formados em Cuba que passam pela
Fiocruz antes da volta ao Timor.
Para citar mais um, Cuba e Brasil estão cooperando também no sistema de saúde do Haiti, com
financiamento brasileiro de 80 milhões de dólares, mais pessoal e tecnologia. Eis porque Fidel,
visionário, declarou em encontro internacional, em 2005, preferir soldados brasileiros a marines
dos EUA no Haiti. Como indica o raciocínio de Castro, a cooperação Brasil-Cuba é estratégica
para muitos povos. E pode ser qualificada com mecanismos de cooperação melhor trabalhados.
Exemplo: na área da informação, colocando-se em prática o convênio da EBC com a Prensa
Latina e a Telesur, para que o povo brasileiro escape do bloqueio informativo de que padece sobre
as conquistas sociais da Ilha.
Mas, além disso, o momento também é sugestivo para se discutir a integração latinoamericana,
de modo mais amplo, e, diante dos evidentes limites em que está metida a Revolução Cubana,
cabe uma reflexão, imprescindível, sobre a impossibilidade da construção do socialismo em um
só país, tema que já foi motivo de polêmica há décadas no seio do movimento revolucionário
internacional e que, face às severas lições de história, revela-se hoje com força cada vez mais
incontestável. Esta reflexão e o debate construtivo se fazem ainda mais necessários diante
da incompreensão instalada em alguns círculos da esquerda sobre a importância decisiva
destas políticas impulsionadas por Lula, mantidas por Dilma, para instalar empresas brasileiras
em território cubano, retirando concretamente Cuba do isolamento, e contribuindo para o
desenvolvimento de suas forças produtivas.
Apesar da evidente importância destes acordos e desta política, há críticas sugerindo que
isto é apenas comércio e de que revelaria de fato uma tendência sub-imperialista no governo
brasileiro, quando o desenvolvimento das forças produtivas, seja em Cuba, na Bolívia ou no
Paraguai, indicam a possibilidade de um desenvolvimento com a redução da hegemonia dos
EUA. Quantas décadas deveriam esperar Cuba para ter sua própria capacidade de engenharia
nacional para construir este Porto de Mariel? Ou para retirar explorar o petróleo que tem em sua
plataforma marítima, o que ela não pode fazer por limitações tecnológicas intransponíveis no
momento? O subdesenvolvimento e sua herança também pesam mesmo sob Cuba que realizou
uma revolução social. E implicam em dar prioridade na formatação do que Trotsky chamava de
Federação Socialista Latino-americana. Ele desenvolveu importantes análises quando estava
no México e apoiava o nacionalismo revolucionário de Cárdenas e de Getúlio Vargas, por ele
identificados como fenômenos progressistas sui generis, destacando seu conteúdo antiimperialista
e de potencial revolucionário, sustentando – face a evidente limitação objetiva para um qualquer
curso de desenvolvimento isoladamente – que fossem apoiados pelos revolucionários mesmo de
diante de sua formação híbrida. diante da constatação dos limites objetivos de cada um dos países
isoladamente. Esses movimentos nacionalistas revolucionários jamais foram compreendidos
pelos partidos comunistas que adotaram a equivocada política da oposição tanto a Cárdenas,

como a Vargas, como a Perón, ou mais tarde à Revolução Inca, no Peru, com o general Alvarado
à frente. Fidel Castro, em entrevista recente a Ramonet, destacou a função revolucionária das
correntes militares progressistas latino-americanas, o que não foi nunca uma linha política dos
partidos comunistas. O tema é atual, com as adaptações e diferenças de contextualização. O que
a Venezuela não pode desenvolver na área da industrialização e da infra-estrutura, desenvolve-
se agora com a parceria com o Brasil, sobretudo para superar a pesada herança de seu atraso na
agricultura, resultado da chamada “maldição do petróleo”.
O debate do tema deve ser muito mais estimulado pela CUT, o PT e os movimentos sociais,
mas, sobretudo pelo governo que pode, por meio da implementação do convênio da TV Brasil com
a Telesur, trazer ao conhecimento dos brasileiros a importância das políticas de integração, com a
participação do BNDEs, e que podem ser muito mais aprofundadas, no que receberá ainda maior
apoio popular, como se observou na generosa política do Brasil para com o Paraguai e a Bolívia.

Julho de 2011


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EDITORIAL:

Apoio incondicional à candidatura Haddad-Manuela e à coligação!
Pela composição mais ampla com todas as forças de esquerda, progressistas, nacionalistas e democráticas e dissidentes do regime ditatorial neoliberal e fascista! É preciso contar com as divergências do inimigo. É preciso emplacar Haddad no primeiro turno.
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