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Decifrando Marina Silva (entrevista com Beto Almeida)
11 de julho de 2014
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Marina e suas indefinições. Revista Exame/Reprodução

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Por Rennan Martins | Brasília, 03/09/2014

E eis que, quando tudo apontava uma tranquila vitória da presidente e candidata a reeleição, Dilma Rousseff (PT), a trágica morte de Eduardo Campos (PSB) trouxe Marina Silva a frente da chapa pessebista e esta sacudiu toda a corrida presidencial.

Sua ascensão foi firme e hoje se encontra empatada com Dilma no âmbito nacional, e liderando as intenções de votos em grandes colégios eleitorais como São Paulo, onde tem 39% das intenções de voto, e no Rio de Janeiro, com 38%.

Porém, seu discurso vago gera inquietações por todo o espectro político. Se por um lado a esquerda a acusa de ser demasiado ortodoxa economicamente, por outro a direita desconfia de suas raízes políticas e suas bandeiras ambientais, as quais poderiam atravancar o setor produtivo.

Independente do quão dúbia tornou-se a política acriana, o fato é que tem a preferência de uma parte considerável da população.

Visando esclarecer melhor os posicionamentos de Marina, pautando suas propostas reais, conversei com o jornalista e conselheiro da rede de TV multi-estatal TeleSur, Beto Almeida. Beto considera que dificilmente ela conseguirá conciliar bandeiras progressistas com os compromissos firmados com o setor financeiro, pensa também que sua política externa fará um giro o qual preterirá o Mercosul e o BRICS, dando prioridade a acordos bilaterais entre os EUA e a União Europeia.

Confira a íntegra:

Em linhas gerais, como podemos definir a política econômica proposta por Marina?

Pelos sinais emitidos pela candidata Marina, ao convocar a assessoria de André Lara Resende, por exemplo, e pelos economistas que já trabalham em sua assessoria, como Gianetti, percebe-se que caso vitoriosa, aplicará uma política econômica de redução do papel do estado, combinada com forte ajuste fiscal, o que provavelmente implicará em corte nos investimentos do estado, especialmente os sociais. Não se espera, evidentemente, que Marina Silva, aliada ao banco Itaú e a economistas da corrente que promovem submissão total ás regras do mercado, sem planejamento estatal, promova qualquer reforma tributária de corte progressivo, ou que não ceda à pressão para elevar as taxas de juros a patamares que já frequentaram durante o governo FHC. Em resumo, uma política econômica com menos estado e mais soberania do mercado sobre a economia e a própria sociedade. Um retrocesso tremendo!

Uma das propostas mais alardeadas é a independência do Banco Central. O que seria isso? Que efeitos essa medida surte em um país?

A Autonomia do Banco Central é proposta sagrada para a oligarquia financeira, com o que Marina, ao anunciá-la desde já, revela que não teme ser considerada integrante da ideologia das oligarquias. Tal medida vai elevar  radicalmente a lucratividade dos bancos, segmentos mais rentáveis da economia já hoje. Além disso, provavelmente resultará numa redução do papel hoje desempenhado pelos bancos públicos, especialmente no financiamento a juros mais baixos para projetos de infraestrutura, programa habitacionais, agricultura em geral, mas especialmente à agricultura familiar. É uma brutal diferença com a política econômica que vem sendo aplicado nos últimos 12 anos, quando recursos do Tesouro capitalizaram os bancos públicos para a realização de financiamentos a empresas e a consumidores, dinamizando diversos setores da economia, com impactos positivos na distribuição de renda e na geração de emprego. A Autonomia do Banco Central aponta noutra direção. Ou seja, para a restrição do crédito, para o enfraquecimento financeiro da pequena e média empresa, portanto, trás de volta o fantasma do desemprego.

É possível conciliar políticas progressistas e distributivas a esta política econômica?

Dificilmente, são antagônicas. Quando no governo FHC as taxas de juros estavam a 48 por cento, o desemprego era elevado, a falência de pequenas e médias empresas era brutal, o salário mínimo não alcançava 100 dólares, não havia Bolsa Família, nem Prouni, a Carteira de Trabalho de Vargas parecia um objeto não identificado. O financiamento da agricultura familiar era escasso, a falência de bancos e o desemprego entre bancários avolumou-se. É preciso fazer escolhas. Me parece que quem diz que vai combinar políticas progressistas e distributivas com ajuste fiscal severo e autonomia do Banco Central não está dizendo agora, mas terá que fazer uma escolha. A Neca Setúbal já deve saber qual é a escolha!

E quanto a bandeira ambiental que sempre foi levantada por ela. Como ela conciliará ambientalismo com ortodoxia econômica?

Marina foi a única cidadã brasileira a ser convidada para encontro ambiental realizado em luxuosos iates no Rio Amazonas, com a presença do Príncipe Charles, representante da WWF, vinculada à Coroa Inglesa. Há um ambientalismo que é apenas a cortina de fumaça para programa de paralisação produtiva dos países emergentes da periferia do capitalismo. Acena-se com o palavrório do meio ambiente visando a desconstrução da capacidade energética, do programa nuclear – o que já foi anunciado em meias palavras – e, mais grave, há sempre a sombra ameaçadora da internacionalização da Amazônia, bandeira constantemente acalentada pelos países imperiais como Eua, Inglaterra, França, Canadá,. Holanda, Bélgica, etc. É importante conhecer as análises que a nova Doutrina Nacional de Defesa do Brasil estabelece para a Amazônia, onde concentra hoje suas principais ações de defesa, além de tropas e equipamentos. Entre eles helicópteros russos, comprados por meio de cooperação tecnológica Brasil – Rússia. Creio que com Marina, tais convênios podem não ter continuidade.

O programa de governo de Marina prevê menos atenção ao Pré-Sal. Que abordagem seria adotada? É possível que ela abra maior espaço as empresas estrangeiras explorarem nosso petróleo?

Dados seus notórios vínculos com economistas filiados a correntes do pensamento econômico imperial, é provável que a política de petróleo de Marina seja um retorno em certos aspectos ao se que praticava no governo FHC, quando houve a quebra do monopólio estatal e a tentativa frustrada de privatizar a Petrobrás. Ela já anunciou um redimensionamento na produção do petróleo pré-sal, o que, por si só, já traz grandes prejuízos aos investimentos feitos pela Petrobrás na área. Além disso, não desenvolver e não consolidar a economia do petróleo pré-sal agora é uma espécie de preparação de terreno para mudança da legislação mais recente, como a Lei da Partilha e, também os mecanismos que asseguram presença obrigatória da Petrobrás como operadora no setor. Certamente, as transnacionais do petróleo, que tanto atacam Lula e Dilma, nutrem grandes esperança por uma eventual vitória da Marina.

E quanto a política externa. Como Marina se comportará em relação ao Mercosul e o BRICS?

É um giro dizer que vai aproximar o Mercosul da Aliança para o Pacífico, que traz diversas concepções e ações que foram enterradas no anexionista projeto da Alca, que Lula, Kirchner e Chávez uniram-se para demolir. Quanto aos Brics, no máximo, o Brasil, em caso de vitória de Marina e dos interesses imperiais aos quais ela tem sintonia e simpatia, cumprirá um triste papel de desagregador interno. Os países imperiais não engoliram a criação do Banco dos Brics e Marina não expressou nenhuma simpatia por ele, muito embora seja uma decisão estratégica soberana com capacidade de ajudar a promover a multipolaridade planetária.

Gostaria de acrescentar algo?

Não vi nenhuma palavra da Marina, até agora, sobre a democratização dos meios de comunicação. Mas, tenho observado como a oligarquia midiática  trabalha intensamente para promover a vitória eleitoral desta candidata!

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