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Eleições na Argentina neste 25 de outubro
27 de outubro de 2015 Artigos
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Argentina vota neste domingo para:

 

Avançar no projeto de soberania nacional ou retroceder ao neoliberalismo selvagem

 

Neste domingo, 25 de outubro, há eleição presidencial, legislativa e para governadores na Argentina. A eleição presidencial é decisiva para dar continuidade ao projeto de nação independente do controle do FMI, consolidado nestes 12 anos de governo peronista de esquerda da Frente para a Vitória (FPV), com Nestor e Cristina Kirchner, marcados por forte inclusão social, de quitação de divida externa e recuperação do Estado na economia, pela guerra aos especulativos fundos abutres, e pelos novos parâmetros da integração econômica com os países vizinhos da América Latina, via Unasul, Mercosul e Celac. 

 

A chamada “fórmula” da dupla, Daniel Scioli, candidato a presidente pela FPV (peronista e atual governador da Província de Buenos Aires) junto a Carlos Zannini, candidato a vice-presidente, e atual secretário legal e técnico da Presidência da República e leal defensor dos projetos de governo desde Néstor Kirchner a hoje) é fortemente apoiada pela presidenta Cristina Kirchner e pode assegurar a continuidade do projeto de transformação social. Em contrapartida, duas forças opositoras representam o retrocesso ao neo-liberalismo num cenário mundial pior que no período de Menen, extremado pela crise atual global do capitalismo: Mauricio Macri (PRO), neo-liberal comprometido com ex-ditadura militar e prefeito da Cidade de Buenos Aires, e Sergio Massa (UNA), prefeito de Tigre e peronista de direita.  

 

O clima eleitoral e o instrumento comunicacional

 

O vencedor deve levar 40% dos votos com uma diferença de 10 pontos em relação ao segundo candidato para se evitar um segundo turno (se houver, seria no dia 22 de novembro). As pesquisas de opinião (veja http://br.sputniknews.com/mundo/20151018/2468022/Candidato-Kirchner-deve-vencer.html) dão uma considerável vantagem a Daniel Scioli/Carlos Zannini. Não há previsões seguras, mas o que pode-se notar que prevalece, em meio a um nível de politização do povo argentino acima da média na América Latina e ao vazio e oportunismo do discurso dos opositores, um desejo de continuar a linha do governo atual, não obstante a campanha desestabilizante e golpista dos meios de comunicação como Clarin e La Nación, e provocações baixas de último momento contra o governo. Uma das conquistas destes últimos 12 anos foi fazer renascer no povo, sobretudo na juventude argentina, o debate político, sedimentado na tradicional combatividade social e sindical desde Peron, e abafado pela ditadura militar dos anos 76/82, e pelo neo-liberismo alienante dos anos 90.

 

O enfoque que a FPV consegue dar na campanha eleitoral, recorrendo a Jornais Populares como “Página 12”, “Tiempo Argentino”, e sobretudo, ao hábito constante da presidenta em dar o seu recado via cadeia nacional de rádio-televisão, a TV Pública, e a Telesul em canal aberto e digital, é sobre as conquistas econômico-culturais-científicas e sociais realizadas pelo governo. O tempo dedicado à propaganda eleitoral é relativamente pequeno em relação à urgência em ir concretizando e comunicando medidas atrás de medidas.  Nesse ínterim, o governo de Cristina Kirchner lança uma bomba comunicacional e científica: o Arsat-2, o segundo satélite geo-estacionário de fabricação nacional, anunciando lançar o Arsat 3 em 2019 e outros dois satélites nos anos posteriores. E via cadeia nacional, a presidenta diz levar ao Congresso um projeto de lei para declarar de interesse público o desenvolvimento da indústria de satélites.

 

O projeto da era Kirchner que deve continuar

 

Apesar de não poder mais participar diretamente na presidência, Nestor e Cristina Kirchner construíram um projeto que tem raízes sólidas na consciência dos trabalhadores, da juventude, dos movimentos sociais, de um setor importante da classe média que garantem a sua continuidade. Esse projeto definiu seu rumo anti-imperialista em 2005 a partir do “não” à ALCA em Mar Del Plata, com Chávez, Lula e Evo Morales, e abriram alas à justiça pelos 30 mil desaparecidos. É um projeto de desenvolvimento e real inclusão social que está em votação neste domingo. Disse Cristina: “Meu único interesse é que não se perca tudo o que fizemos” e destacou a importância fundamental do Estado no seu papel reparador e como sustentador de empresas e trabalho. É surpreendente o quanto se recuperou das empresas do Estado privatizadas nos anos 90 (Aerolíneas Argentinas, YPF, Empresa de Correios, Águas, Empresa Ferroviária “All Ferrocarilles”). Os discursos de Cristina ao lado de Scioli e Zannini na TV e nos comícios não tratam de promessas vazias eleitorais do que se fará, mas de consolidar o que já se está fazendo. Implantou-se a TV Digital Pública e Gratuita, criaram-se 48 Leis Trabalhistas, 6 milhões de novos postos de trabalho; salário mínimo vital e móvel (200 pesos em 2003 e 6.060 pesos em 2015); chegou-se a 6,9% de desemprego; 6 milhões de aposentados com o maior salário da América Latina e 2 aumentos anuais; Subsídio universal por filho (a famílias de baixa renda); reconhecimento do trabalho das domésticas; plano habitacional “Procrear”; lei da mídia,  total respaldo à luta pelos direitos humanos (das Mães e Avós de Praça de Maio, condenando repressores, reencontrando 117 netos sequestrados na ditadura), etc... Além de tudo, aprofundou laços de união com a América Latina, através da Unasul, Mercosul e Brics.  Por isso, Lula, no 10 de setembro, por ocasião da sua visita à Argentina no Congresso Internacional de Responsabilidade Social declarou seu apoio a Daniel Scioli, e que a sua vitória seria boa para o Brasil. Não há dúvidas de que o sucesso da FPV nestas eleições reforçará a Frente anti-imperialista contra a articulação global de golpes “suaves” ou mais duros que querem derrubar os governos constitucionais de Dilma no Brasil,  e de Nicolás Maduro na Venezuela (sugestão de leitura: artigo de FC Leite Filho no http://www.cafenapolitica.com/o-golpe-no-brasil-tambem-visava-cristina-e-maduro/)

 

A presidenta Cristina deixará a presidência em 10 de dezembro, mas deixa uma equipe de quadros, muitos kirchneristas que serão futuros ministros, governadores e deputados, além do vice-presidente, Carlos Zannini, que é uma espécie de avalista da continuidade.  O combatente ministro da economia, Axel Kicillof, protagonista da batalha contra os fundos abutres, candidato a deputado nacional, com chances de dirigir o futuro Congresso Nacional, reuniu sob grande ovação, mais de 10 mil militantes dos movimentos sociais no fim de campanha: “Dizem que nós estamos planejando deixar uma bomba. Nós estamos usando as bombas para extrair petróleo; vamos deixar bombas de consumo, bombas de salários, as que servem para produzir”. Máximo Kirchner, dirigente do “La Câmpora”, candidato a deputado nacional por Santa Cruz, injuriado com falsidades midiáticas pela revista Veja (replicando o Clarin), foi o mais votado nas primárias da FPV e exerce uma alta capacidade de mobilização da juventude. (Veja Axel Kiciloff no ato de clausura de campanha: https://www.youtube.com/watch?v=cluuBQVTeDs)

 

A vídeo-conferência entre Cristina e Putin

Um dos grandes destaques que brilhou no ar durante este período de campanha, coincidindo com o acontecimento de maior relevo internacional que é a intervenção da Rússia na Síria (em solidariedade ao seu governo e povo, vítimas dos ataques terroristas do chamado Estado Islâmico), foi a vídeo-conferência, transmitida pela TV Pública, em comemoração aos 130 anos de restabelecimento de relações diplomáticas entre a Rússia e a Argentina. Numa conversação entre os presidentes Cristina e Putin, este afirmou ser a Argentina o seu principal sócio na América Latina e disse: “Compartilhamos a sua postura firme e a integridade que assume a Argentina no seu enfrentamento contra os fundos especulativos que se baseiam unicamente nas decisões de um tribunal estadounidense”. A Assembleia Geral da ONU em setembro, aprovou com voto de 135 países a favor, 6 contra e 42 abstenções a proposta argentina para limitar a ação dos fundos especulativos nos processos de reestruturação das dívidas soberanas. Há repercussões dessa derrota política dos fundos abutres: o Tribunal de Comércio da Bélgica sentenciou que o BoNY, Bank of New York Mellon, deve transferir, independentemente da decisão do juiz norte-americano, Griesa,  o pagamento já efetuado pela Argentina aos credores  que aceitaram a renegociação das dívidas em 2005 e 2010. Caso isso não ocorra, apelarão a medidas de força. O chanceler, Héctor Timerman afirmou que impulsionará no Legislativo a que a resolução da ONU se torne lei argentina.

 

Assista a Vídeo-conferência Cristina Kirchner e Vladmir Putin:

https://www.youtube.com/watch?v=xZSzVPIFfwY

 

Nesta vídeo-conferência Cristina Kirchner declarou-se estar segura de que o seu substituto em 10 de dezembro aprofundará a integração com  a Rússia. De fato, as declarações de Scioli vão na linha de continuar a política externa de unidade latinoamericana. Ele esteve com Raul Castro em Cuba, Dilma no Brasil e Mujica no Uruguay e, além disso declarou que não vai ceder aos Fundos Abutres e ao FMI.

 

Cristina elogiou Putin pela luta contra o terrorismo global. Acrescentou: “o mundo deve deixar a especulação de parte e retomar a produção, o trabalho, as indústrias, a ciência e a tecnologia como verdadeiros motores de crescimento e desenvolvimento.” ... “A associação Rússia-Argentina é um modelo a ser levado ao mundo, que até agora esteve dividido entre aceitar o que dizia o mais poderoso ou sucumbir. Creio que isto terminou. Há um mundo multipolar e novas possibilidades.” Vale recordar que a Argentina nos últimos anos assinou vários acordos de cooperação com a Rússia. Entre outros, nas Obras hidroelétricas de Chihuidos em Neuquén; na produção de energia com fins  pacíficos na Central nuclear; acordos entre YPF e Gazprom; Investimento em maquinaria petroleira para extração; Cooperação econômica e técnico-científica. Pelo lado russo, há acordos comerciais com empresas argentinas, certificando a  importação de carne bovina no mercado russo e com sócios euroasiáticos.

 

Resumindo: neste domingo, a possível vitória de Scioli-Zannini será excelente para o aprofundamento da democracia e da justiça social, pela plena participação popular, pela unidade latino-americana, e para reforçar o bloco anti-imperalista na defesa da humanidade da Unasul, Alba e Celac ao lado da Rússia e China, e dos governos progressistas do Oriente Médio, Palestina, Irã, Síria.

 

 

 

 

 


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