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Entrevista de Lula a Roberto Navarro do C5N na Argentina
29 de novembro de 2016 Artigos
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Assista na íntegra a entrevista de Lula no C5N: http://www.eldestapeweb.com/durisimas-criticas-lula-macri-n23087 ou no
https://www.youtube.com/watch?v=QFROEDNGJJ8&feature=youtu.be

 

Dois dias depois da morte de Fidel, onde a dor, o silêncio, as reflexões, as lembranças, as lágrimas inundam o mundo, e até o céu de Buenos Aires se empanou de chuvas melancólicas, o povo argentino recebeu um jato de luz e de esperança ao assistir, domingo à noite, no programa “Economia e Política”, do canal de televisão C5N, a entrevista exclusiva de Roberto Navarro, que foi especialmente ao Brasil para dar voz, nesta 6a. feira,  25 de novembro de 2016, ao ex-presidente Lula da Silva, um dia antes do último suspiro do comandante eterno.

Esta entrevista, seguramente, ignorada, senão ocultada na mídia hegemônica e nas redes sociais brasileiras, foi vista por milhões de argentinos, telespectadores deste programa de enorme audiência na Argentina (e no mundo), que tem concentrado um exemplar esforço jornalístico de resistência contra o apagão midiático da era Macri.  No jornal Página12, outro meio de circulação nacional diária apoiado por jornalistas democráticos e populares, publicou-se com destaque, no dia seguinte, uma nota resumindo os pontos principais das palavras de Lula que impactaram os argentinos pela lucidez com que expôs as semelhanças entre os processos de direitização no Brasil e na Argentina, entre Temer e Macri que possuem a mesma concepção da economia, e um discurso único sustentado na “crise”e na necessidade do “ajuste”; denunciou a identidade das ações desestabilizantes do Judiciário comandado pela Mídia hegemônica (Globo/Clarin), os mesmos ataques político-judiciais à Cristina e ao Lula, de desmonte das heranças sociais das décadas de governo kirchnerista e de criminalização do PT, visando impedir sua reeleição em 2018 e a possível candidatura de Cristina. Enfim, Lula na realidade destrinchou, sem nominar, os mecanismos do Plano Condor na região, que já foram denunciados por Rafael Correia no recente Encontro dos governos progressistas da América Latina no Equador.

Lula também não deixou de ser transparente na autocrítica necessária expondo seu ponto de vista sobre falhas na gestão PT/Dilma. Ao mesmo tempo, não descarta voltar a ser candidato à presidência do Brasil “se for necessário para recuperar uma forte política de inclusão social”, deixando claro que “gostaria que o meu partido tivesse outro candidato, capaz de construir uma Frente Ampla”. Disse que, por ele, a vida política já estaria encerrada, mas que “a única coisa que ele teme é trair o povo brasileiro”. Lula fez transparecer seu compromisso, sua visão estratégica irrenunciável por um governo que responda às necessidades dos mais pobres, de continuidade do projeto que tirou mais de 50 milhões da miséria e gerou 18 milhões de novos empregos em uma década, num país continental, transformando o Brasil na 9a maior economia mundial. Lula, apareceu frente ao povo argentino, decidido a recuperar um Estado forte a favor do povo, e disse essencial lutar por um programa; defendeu os acordos bilaterais que cresciam entre Argentina e Brasil (que Macri e Serra querem desmontar com o novo Mercosul), e não deixou de citar o papel de Chávez, e a unidade latino-americana construída nos últimos anos de governos progressistas.

O mais importante, a chave de ouro da entrevista é que Lula anuncia uma reunião para novembro entre os ex-presidentes progressistas, como Cristina/Lula/Dilma: "Estamos pensando em realizar um encontro de ex-presidentes para discutir o que deixamos no nosso período de governo, o que deixamos de fazer e que facilitou os nossos adversários. Agora devemos preparar-nos para que o povo possa recuperar nas próximas eleições os governos progressistas para governar novamente a nossa América do Sul”.

O curso da recuperação no Brasil e na Argentina deve ser perseguido com mobilização popular crescente que, por si só não são suficientes; instrumentos organizados, centro politico, direção unificada e programa são centrais. A Argentina talvez renasça com maior força, fruto de um ano de tremendo desgaste do governo de Macri, no bojo de uma resistência organizada contínua, e herdeira de um projeto anterior de nação kirchnerista mais avançado, de claro embate ao neo-liberalismo e às finanças internacionais, de reforço do estado em áreas estratégicas, de uma lei de “medios” (inaplicada, mas não morta), conquistas políticas anti-ditatoriais, sustentadas na juventude e nos sindicatos (mesmo com divisões internas). São forças latentes, apesar de elementos de crise interna no peronismo, de debandada de alguns setores que abandonam o projeto popular. Mas a união popular está na ordem do dia, com o papel inquestionável de direção de Cristina Kirchner que evita a discussão de candidaturas agora para concentrar-se na necessidade de uma Frente Cidadã, da mobilização do povo em torno a um projeto social unificador.

O Brasil, de Lula/Dilma avançou em conquistas sociais inclusivas, porém com tantos freios opositores internos (evidenciados no impeachment à Dilma), e sérias falhas na conquista do poder comunicacional público e popular na gestão PTista. A dificuldade é de maiores proporções que na Argentina, mas o Brasil pode reagir com a mobilização popular, a força desta nova juventude estudantil, personificada em exemplos como Ana Júlia e nas cabeças pensantes das 240 ocupações de escolas contra a PEC-55, na reativação do movimento sindical e na conformação do debate dificultoso, mas necessário por uma Frente Ampla das forças progressistas e movimentos sociais.  O fracasso das delações premiadas contra Lula, e o cambalear de Temer são indícios de sintomáticos desacordos dentro do golpe.  Provavelmente a direita mais atroz tente ocupar terreno, mas a alternativa de “Diretas Já” não se exclui. Apontar rumo a uma Assembleia Constituinte é um ponto de discussão. Lula está certo em buscar a mobilização das ruas, o diálogo com o povo, e a comunicação com a mídia, inclusive a internacional, como fez nesta entrevista com Roberto Navarro na C5N. É inútil, chorar pelo leite derramado, deter-se entre a denúncia contra Globo e a mea-culpa, a crítica e autocrítica de não termos tido uma política comunicacional para dar poder ao povo e ao projeto de nação. É hora de atacar, vestir o pulôver enquanto tecemos, ocupar todos os espaços: Telesur, TVT, redes sociais, jornais populares, rádios e tvs comunitárias. Acionar a Rede da Legalidade como o exemplar Brizola, as Rádios Rebeldes de Fidel e Che que derrubaram uma ditadura imperial, acabaram com o analfabetismo, a prostituição, deram dignidade e cultura a um inteiro povo e edificaram este imbatível farol, a revolução cubana. Agradecemos aos hermanos argentinos e sua exemplar luta comunicacional ao dar voz ao ex-presidente Lula, dirigente histórico central para o Brasil e a América Latina. Desta forma, iniciamos a voltar; vamos voltar, disse Lula (Volver, vamos a volver! Como cantam os argentinos)


Helena Iono
Desde Buenos Aires
28/11/2016






 


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Diante deste cenário desolador não há outra saída possível e necessária senão a imediata libertação de Lula e eleições diretas. Neste sentido vale reforçar a importância da unidade das esquerdas em torno da candidatura Lula e de um projeto de desenvolvimento nacional.
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