Home
Videos
Edições impressas
Jornais anteriores
Contato
Sobre nós
Escola Pública Itinerante: resistência e apoio popular à luta pela dignidade dos professores
25 de abril de 2017 Artigos
Recomende essa matéria pelo WhatsApp

Video Escola Pública Itinerante Argentina (9 min)
https://www.youtube.com/edit?o=U&video_id=PiSk7ho59iU

Argentina:

Escola Pública Itinerante: resistência e apoio popular à luta pela dignidade dos professores

Os professores, junto aos seus sindicatos, Ctera, Suteba, UTE e outros, continuam firmes na luta pela dignidade, educação, ciência e cultura como um bem público irrenunciável do povo argentino. Mantêm-se em pé de luta na batalha pela Lei das Paritárias contra a muralha, que Macri e seu Ministro da Educação, Esteban Bullrich, levantam, burlando a constituição, delegando às negociações provinciais, como a da governadora títere do “Cambiemos, Eugenia Vidal, de Buenos Aires, que se nega a conceder o justo aumento salarial, oferecendo um irrisório 20% (quando a inflação chega a 40%), sequer apelando ao Fundo federal (que o mecanismo paritário permitiria), oferecendo prêmio salarial de frequência laboral, ou seja, estimulando o fura-greve.

A linha dura do governo, não se justifica numa crise econômica, nem em déficits de fundos atribuído à herança kirchnerista, quando opta vergonhosamente por não cobrar mais retenções às empresas mineradoras, aos agronegócios, aos grandes produtores rurais, apoderando as lobbies privadas de energia, dando aos ricos o que o Estado havia dado aos pobres,  suprimindo o direito social ao gás e à luz, aos transportes, liberando as importações, derrubando a indústria nacional, incrementando a dívida à finança internacional, enfim, o que todos já sabem do pacote destrutivo deste golpe neoliberal veloz, a todo vapor, que devassa a Argentina de 16 meses para cá, e chegou ao Brasil com Moro e Temer. É uma decisão política, uma linha macrista, de matriz EUA, para estigmatizar a luta dos professores como “incompetentes”, “vagos” e atrair o apoio da população, como fizeram nos últimos 16 meses com dezenas de milhares funcionários estatais, demitidos e demonizados com cumplicidade midiática como “noques”, “inúteis”, “gordura militante”. E desta forma, consolidar a ideia da privatização versus Estado, como a melhor. Ensino privado superior ao “decadente” ensino público.

Os professores, buscando a via pacífica, das negociações, ideou a Escola Pública itinerante, baseada na resistência dos anos 90, quando funcionou a chamada “Carpa Blanca” (Tenda Branca) que foi um centro histórico de luta e debate nacional dos professores, por 3 anos até conquistar a Lei das Paritárias e o Financiamento do Estado à Educação com Nestor Kirchner. Porém, a Escola Itinerante, pretende ser uma forma e conteúdo superior de luta organizada à Tenda Branca. Os sindicatos dos professores decidiram recriar esta forma de luta e discussão com a população, explicando as causas do seu movimento, erguendo uma escola azul, itinerante, dando aulas, debates, diante do Congresso Nacional. No domingo, dia 9 de abril, apesar da chuva torrencial, iniciaram a construir a Escola, já de conhecimento das autoridades. Não obstante, foram brutalmente reprimidos pela polícia por ordem federal. O fato criou muita comoção na sociedade que não hesitaram em dar solidariedade aos professores.  Após um dia de greve, contando com a solidariedade de pais e avós, os sindicatos reconquistaram o direito de levantá-la na praça do Congresso. Veja no vídeo abaixo, este exemplo magnífico de luta pela dignidade, pelo Ensino Público como um bem social, apoiado por professores e familiares de todo o país. Todos os dias, no interior desta Escola, transcorrem debates sobre vários temas relativos à educação, à ciência e à cultura, com a participação de intelectuais, escritores, artistas, mães e avós da Praça de Maio, famílias que vêm, diariamente, dar o seu apoio, em fila para entrar, compondo um quadro de resistência, amor à democracia e à dignidade humana, tendo como cenário oposto o Congresso Nacional.

Há várias coisas que impactam ao visitar esta Escola Itinerante. Uma delas, o colorido de milhares de bilhetes de pais e alunos, colados na cerca,  em solidariedade com os professores. “As únicas classes (aulas) que importam ao governo são as classes altas”. “Enquanto haja um professor em pé, não haverá um povo ajoelhado”. “A Cultura é uma arma carregada de futuro!”.  Impacta ver um grupo de professores militantes, jovens, e até aposentados, com o avental dos sindicatos, trabalhando em turno, protegendo com a palavra e o corpo a escola, atendendo os visitantes, recebendo junto aos abraços, uma enorme quantidade de lanches solidários trazidos pelos visitantes. Impacta presenciar, a herança política que deixou a golpeada “Lei de Médios” na vanguarda argentina. Macri a demoliu, mas há uma resistência de jornalistas pela verdade que vão contra a corrente dos 90% que compõem a corporação midiática do Clarín. A Escola itinerante se inaugurou com o programa “El destape” (C5N) ao vivo de Roberto Navarro. Há uma rádio permanente instalada no local. A famosa Am750 transmitiu um dos programas matinais diário de Victor Hugo Moráles diretamente do recinto da Escola Itinerante. Ao mesmo tempo, há permanentemente uma Rádio Comunitária instalada. Este apoio midiático tem sido essencial para visibilizar as mobilizações contracorrente.

Não deixou de estar presente a solidariedade da Internacional da Educação com dirigentes sindicais vindos de vários países: Austrália, Bélgica, Finlândia, Barcelona, Estados Unidos, Chile, Brasil, Paraguai, Uruguai que unidos aos professores argentinos, Roberto Baradel (Suteba), Sonia Alesso (Ctera), Eduardo López (UTE) e Hugo Yasky (CTA), se pronunciaram pela luta contra a privatização e mercantilização da educação a nível mundial, e a decisão de levar à OIT o caso argentino de desrespeito à Lei Paritária, e o recato e ameaça governamental aos trabalhadores da educação.  Deputados da FPV (Frente para a Vitória) estão levando a batalha parlamentar, intimando Macri a respeitar a Lei das Paritárias, mas, impossibilitados, até o momento, pelo obstrucionismo de “Cambiemos” que conta com os aliados governistas da FR (Frente Renovadora).

A guerra à cultura nacional e popular vai atropelando a todo vapor: o governo Macri demitiu por falsa acusação o diretor da autarquia, INCAA (Instituto Nacional do Cinema e Artes Audiovisuais); provocou a renuncia solidária do diretor ENERC (Escola Nacional de Experimentação e Realização Cinematográfica), e ameaça por a mão no Fundo de Fomento Cinematográfico, cortando o financiamento do cinema nacional. Ontem, diante do Cine Gaumont (*), artistas, cineastas, técnicos de cinema, estudantes de cine e audiovisual, confluiram em massa na defesa do cinema nacional, exigindo a demissão de Avelluto, Ministro da cultura. (file://localhost/Leia/ https/::www.pagina12.com.ar:32887-no-al-desfinanciamiento-del-cine-nacional). O ataque ao INCAA, mereceu vídeos de solidariedade de artistas como Ricardo Darin, e de Viggo Mortensen que condenou os “fanfarrões neoliberais” do governo Macri.

É um quadro triste e sem fim de ataques às conquistas do Projeto Nacional e Popular. Soma-se a tudo, a ameaça à Rádio Nacional, com uma lista negra de 21 jornalistas e técnicos, ameaçados de demissão por serem kirchneristas. É uma decisão política de derrubada, à força, do que é nacional e estatal, evidente em todos os atos e palavras transloucadas e ditatoriais de Macri e seus ministros. Tudo isso, enquanto o governo firma acordos de compra de armas de fogo, tanques anti-manifestações, dos EUA e da Itália. Importam 15 mil pistolas italianas, enquanto reduzem à metade a distribuição prevista de notebooks às crianças das escolas secundárias (Plano Conectar Igualdade, criado por Cristina Kirchner).

Porém, tudo isso não ocorre sem a reação em massa diante do Cine Gaumont, sem as gigantescas manifestações de 6,7, 8 e 24 de março, e sem a recente greve geral que assolou o país; sem as estatísticas que já apontam uma queda de apoio a Macri a 30%, a poucos meses das eleições legislativas de outubro. E sem a Escola Itinerante dos professores que durará ainda até 5 de maio, concentrando forças, interagindo e elevando a consciência popular.

H. Iono

Correspondente TV Cidade Livre

20/04/2017

(*) Cine Gaumont: em 2003 o INCAA alugou o cinema dos seus proprietários e transformou-o em espaço para projetar filmes nacionais a preço popular.

 

Veja vídeo de Ctera:

https://vimeo.com/212789042


{Acessos: 182}
Recomende essa matéria pelo WhatsApp


Faça seu Comentário



Comentários
Nenhum comentário para esse conteúdo.
EDITORIAL:

Liberdade imediata de Lula para retomar a soberania e o desenvolvimento do país
Diante deste cenário desolador não há outra saída possível e necessária senão a imediata libertação de Lula e eleições diretas. Neste sentido vale reforçar a importância da unidade das esquerdas em torno da candidatura Lula e de um projeto de desenvolvimento nacional.
Receba nossa newsletter

Videos recentes
Suplementos Especiais
Links Recomendados
Matérias recentes
Noticias recentes
Batalhas de Ideias
Comunicação
Ganma Hispan TV Press TV Russia Today TeleSUR
Palavras-chave
J. Posadas - Obras publicadas
Leituras sugeridas
A FUNÇÃO HISTÓRICA DAS INTERNACIONAIS Del Nacionalismo Revolucionario al Socialismo Iran - El proceso permanente de la revolucion Iran - El proceso permanente de la revolucion La musica, El Canto, La Lucha Por el Socialismo
Desenvolvido por Mosaic Web
Recomendar essa matéria: