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Frente ao agravamento da catástrofe do capitalismo internacional, avançar na soberania, nas conquistas sociais e na aliança entre os países emergentes!
05 de julho de 2011 Edições Anteriores Editorial
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AGRAVA-SE A CRISE DO CAPITALISMO INTERNACIONAL

Se você realmente quer a paz, prepare-se para a guerra (“Igitur qui desiderat pacem, praeparet bellum”, do
especialista militar romano Vegecio, 390 D.C.), devem estar pensando o Ministro Mântega e o estado-maior
do governo Dilma frente à guerra cambial desencadeada pelos Estados Unidos e pelos bancos e especuladores
internacionais, ao tomar a decisão de cobrar taxa de 1% em operações com dólares futuros, aumentáveis até a 25%.
Porque, justamente, de guerra se trata.
O imperialismo se prepara para jogar nas costas do mundo inteiro as crises sem solução da Europa e dos
Estados Unidos. Há evidências gritantes de que se trate do “Big One”, o grande terremoto tão esperado um dia
pela Califórnia, desta feita representando uma crise econômico-financeira internacional violenta, insolúvel pelo
capitalismo. A possibilidade de calote dos EUA faz tremer o mundo. A debilidade da zona Euro e a fragilidade da
União Européia estão a mostrar que o sistema capitalista e imperialista pode tentar encontrar, como sempre fez a
saída da guerra total para cobrir a própria catástrofe. Em primeira mão, atacam ainda mais as conquistas sociais dos
trabalhadores nos próprios países: saúde, aposentadorias, educação, habitação e emprego. As privatizações serão
apenas um biombo para cobrir o massacre, afinal, os capitalistas são especialistas em massacres sociais: os “Estados
democráticos” se livram dos empregados das estatais privatizando e deixando livres as mãos dos verdugos. Mas
mesmo assim, de onde virão os capitais que assumirão o patrimônio público? Já não há candidatos sequer para a
privatização selvagem.

Que o digam os capitalistas brasileiros, que ultimamente se dão por desertar até mesmo de licitações de obras
públicas (Belo Monte, trem de alta velocidade, obras de infra-estrutura, PPPs). Melhor especular, enviar dinheiro
para os paraísos fiscais, viver da renda dos títulos públicos. Até onde der! Em 2011, a burguesia brasileira enviou
69 bilhões para paraísos fiscais!

Desta feita, não haverá mais dinheiro nos Bancos Centrais dos países para cobrir os títulos podres, as
especulações, os derivativos, como em 2008. Naquela época, empurrou-se com a barriga, a toque de emissões
irresponsáveis de Euros e Dólares, de manobras. As moedas vão se derreter. Os déficits fiscais e de balança de
pagamentos são insolúveis sem mudanças estruturais.

Daí para a guerra comercial total, às custas de manipulações cambiais, é só um passo. A América Latina já é o
celeiro dos lucros das multinacionais, entre eles os bancos, muitas delas só sobrevivem graças às remessas de lucros
das vendas enormes que realizam na região, graças, paradoxalmente, à elevação do nível de vidas de milhões de
pessoas devido às políticas progressistas dos governos brasileiro, argentino, boliviano, venezuelano, equatoriano.
A expansão econômica da América Latina é em grande parte o fruto da integração continental, das políticas de
distribuição de renda, da retomada da soberania e das políticas industrialistas e desenvolvimentistas.

É evidente que o fluxo de capitais externos geralmente especulativos, mas também produtivos, à procura
desesperada do lucro e da “realização”, contribui para o crescimento dos PIBs, mas as remessas de lucros e a perda
de soberania envolvida nessas operações são o flanco descoberto dessas operações.

As oportunidades da América Latina e dos países emergentes podem-se converter em tragédia se não há
uma mudança drástica no modelo de desenvolvimento global, em favor de uma sólida intervenção estatal e
desenvolvimentista, uma forte integração regional e inter-blocos como entre os BRICS e outros parceiros em
desenvolvimento, que os libere das garras do sistema financeiro internacional dominado pelas metrópoles, do FMI,
e garanta o atual ciclo de distribuição de renda e elevação do nível de vida das populações desses países. Esta é a
única maneira de garantir a estabilidade do crescimento, torná-lo menos dependente da exportação de commodities
ou das exportações para os países “ricos” cada vez mais em ruínas, industrializar e garantir a soberania dos países,
e empreender outras vias de desenvolvimento com planejamento econômico estatal, investimentos produtivos,

erradicação da pobreza e do analfabetismo, políticas de pleno emprego e de crescimento de longo prazo, que
permitirão empreender, finalmente o caminho inevitável do socialismo.

O bombardeio diário da mídia sobre a corrupção, as propinas, os atropelos dos partidos aliados do governo, a
pressão sobre os ministros e funcionários, não visa resolver problema algum além da disputa pelo poder. Tenta-se
por todos os meios condicionar e intimidar o governo de Dilma Roussef, deslocá-lo à direita, bloqueá-lo ou orientá-
lo para interesses de grupos poderosos como são o agronegócio e seus eternos aliados, as multinacionais, que de
lambuja estão levando as usinas de etanol.

Às propinas e aos caixas dois, que deveriam chamar-se de “sobrecustos”, acompanham toda e qualquer obra
pública desde os tempos do Império. Tanto no Brasil dos “milagres” quanto no Brasil do PAC, o desenvolvimento
se faz enriquecendo grupos capitalistas vorazes e predadores. Antes que perguntar-se qual o político ou o
ministro, ou o partido responsável por uma “partilha”, é preciso perguntar-se qual foi o grupo capitalista que
impôs o saqueio. Porque disso se trata, os grupos capitalistas chantageiam o governo, sabotam as obras do
PAC, multiplicam e falsificam os custos, não há TCU que agüente, não há uma planilha exata, os governantes e
administradores são impotentes para controlar uma licitação sequer, todas combinadas, às barbas da tão famosa
quanto impotente Lei das Licitações (8666). Os capitalistas já tentaram sabotar a usina hidrelétrica de Belo Monte,
e o governo Lula decidiu fazer a obra assim mesmo. Agora, decidiram sabotar o trem-bala, desertando a licitação.
Onde há uma obra, há um roubo. Agora tentam até macular os batalhões do exército, que fazem as obras que os
capitalistas esnobam. Enfim, o capitalismo tupiniquim não joga a favor do país, além de chorar pela proteção
cambial. Somente um Estado poderoso e orientado pela audácia, pela idéia de forte soberania nacional e inseparável
sensibilidade social pode enfrentar a quebradeira geral do capitalismo que se aproxima.

O sistema político é e sempre será o “balcão de negócios” da burguesia, como o definiu Lenin e ninguém
conseguiu desmenti-lo. Balcão de negócios do setor agrário, dos construtores, dos industriais, dos banqueiros, da
criminalidade organizada em empresas. Este é o sistema capitalista, não o sistema “político”. O sistema eleitoral
é o que é, a reforma tributária não sai do papel, as leis anti-corrupção são letra morta, os fichas-sujas transitam
impunemente, e toda e qualquer obra esconde o “por fora”, o sobrepreço, o financiamento oculto. Qual é a
novidade? Então fala-se de “custo-Brasil”, de “modernização do Estado”, mas esta não é possível sem reverter a
lógica do Estado a estar ao serviço dos grupos capitalistas, e colocar o Estado para servir ao povo e à Nação. Este
é o verdadeiro embate, ideológico, político, que tem tudo a ver com a idéia do socialismo. Por exemplo, não fora a
iniciativa de recriar a Telebrás, seria impossível pensar na universalização do acesso. E é preciso fortalecer ainda
mais esta estatal para que a banda larga seja barata e acessível a todos, escapando da hegemonia dos teleoligopólios.
Sem o “Luz para Todos”, milhões de pessoas ainda estariam na penumbra. Graças à expansão do orçamento estatal
na saúde, milhões de brasileiros recebem gratuitamente remédios para a hipertensão e diabetes.

Na verdade precisa-se de cada vez mais e mais Estado, mas com mais e mais participação, democracia,
transparência, propostas audazes de concessão de direitos de cidadania, como a erradicação completa e urgente
do analfabetismo, a radical democratização da mídia com a quebra dos monopólios privados atuais, a solução
definitiva para a pobreza extrema e a questão agrária, ainda mal resolvida e ainda por cima desnacionalizada. Esta
é a principal modernização do Estado! Não é colocar um capitalista “eficiente”, dar um pito geral, aumentar a
atividade da Polícia Federal, do TCU. Tudo isto está bem, exigir da base do governo pelo menos a indicação de
pessoas tecnicamente preparadas, “decentes”, isso é normal, mas totalmente insuficiente. O que quer a oposição,
em última instância, não é eficiência, é comprometer a governabilidade. A base aliada é terreno fértil de interesses
alheios ao desenvolvimento do Estado e do país. Entretanto, as cruzadas moralizantes NÃO VISAM MUDAR
ESTE QUADRO, mas mudar a gestão para outros interesses, todos inimigos do governo progressista, ao qual há
que prestar apoio e firme solidariedade.

Não basta proclamar os “60 milhões de novos membros da classe média” se o parâmetro é o consumo de carros
ou eletrodomésticos, num mundo dominado pela financeirização e pelo endividamento de milhões de pessoas. Os
parâmetros têm que ser IDH, qualidade de vida, cidadania real, defesa do ambiente, dos direitos das minorias, a
efetiva aplicação dos ditados constitucionais que garantam educação, saúde, casa decentes para toda a população.

AS PRESSÕES CONTRA A POLÍTICA EXTERNA PROGRESSISTA

Paralelamente, os eternos quintas-colunas, os servos do império, continuam ativos na campanha contra a
integração latino-americana, no bombardeio contra o Mercosul e em particular a Argentina, nas especulações
anti-chavistas, enquanto uma tempestade de bombas desaba sobre o povo da Líbia, na indiferença total da
mídia “democrática”. Esta é a mídia que celebra qualquer vacilação da política exterior, como foi a de condenar
o Irã pela falta de “direitos humanos” ou cumprir medidas assessórias nas sanções anti-Líbia. Os torcedores da
política externa pró-yankee ainda circulam nos corredores do Itamaraty. Pena que o mundo não lhes ajuda: ou o
Brasil afirma a sua soberania, ou vai sucumbir no abismo da crise do Império, que vai lançar provocação atrás de
provocação, como se vê na cobertura descaradamente manipulada dos fatos da Síria, ou no atentado na Noruega.

Os sinais do governo Dilma, a esse respeito, são contraditórios, tímidos. Assina-se o contrato para a construção
do submarino nuclear, decladamente para defender a soberania e o petróleo, o que é extremamente positivo e
urgente; mas prorroga-se a compra de aviões de combate avançados, como se houvesse muito tempo pela frente.
O país se abstém sobre os ataques à Líbia, mas é obrigado a regulamentar as medidas de saqueio e bandidagem da
Otan, não levanta a voz contra a barbárie contra aquele país. São as turbulências de um mundo que não promete
paz, frente ao qual o governo progressista tem que se preparar com firmeza e determinação, como é a batalha
contra o dólar que, aliás, há muito não deveria ser a nossa principal fonte de reservas internacionais. Neste
sentido, é importante a reunião de emergência de chefes e chefas de Estado da UNASUR, realizada em Lima, sob
a presidência inaugural de Humala Ollanta, onde até mesmo a Colômbia se alinhou com o Brasil e a Argentina na
urgência de uma firme posição de união e soberania frente à crise do império do FMI, e as posições da Venezuela,
Equador e Bolívia, pela nova moeda, o “sucre”, e o Banco do Sul, tomam corpo como única solução alternativa de
independência da América Latina frente à crise.

OS PARTIDOS PROGRESSISTAS E MOVIMENTOS SOCIAIS NÃO DEVEM ABAIXAR A GUARDA

A crise mundial atual é a crise da falta de ideologias, e é de grande responsabilidade das esquerdas que se
intimidaram após a queda do muro de Berlim e consideraram que o desaparecimento da Urss era o “fim da história”
do socialismo. Todos estavam equivocados. A crise atual do capitalismo mostra que o socialismo é mais atual que
nunca. Sem as suas propostas, sem as concepções de igualdade social, planejamento econômico, racionalidade,
união entre nações, o mundo vai para o abismo da 3ª. Guerra mundial.

É preciso que partidos, sindicatos, organizações sociais, igreja progressista, movimentos rurais, todos se unam
para dar suporte ao governo Dilma para que não se intimide e avance, para que assuma a sua responsabilidade e
enfrente a tempestade que se aproxima, para que gire à esquerda, para que aprofunde tudo aquilo que a era Lula
fez de mais avançado. É importante também a decisão de Lula continuar a luta, discursando recentemente aos
militares na ESG, chamando à consciência nacionalista. à união das Forças Armadas no desempenho de uma
função social. O Partido dos Trabalhadores tem que sair da letargia governista e dos entrelaçamentos políticos
para assumir a vanguarda das propostas progressistas, partindo do reconhecimento que se trata de um governo de
alianças e acordos, mas ir depurando o governo, os governantes, os administradores, os seus próprios militantes,
excessivamente envolvidos em eleitoralismos de cabotagem, para que respondam primordialmente aos interesses
nacionais e do povo brasileiro, ajudando o Executivo a tomar as medidas necessárias, fortes, para dar continuidade
à luta por um Brasil soberano, uma América Latina unida e socialista.

 

Julho de 2011


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EDITORIAL:

Liberdade imediata de Lula para retomar a soberania e o desenvolvimento do país
Diante deste cenário desolador não há outra saída possível e necessária senão a imediata libertação de Lula e eleições diretas. Neste sentido vale reforçar a importância da unidade das esquerdas em torno da candidatura Lula e de um projeto de desenvolvimento nacional.
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