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Homenagem a Hugo Chávez 30 dias após o seu desaparecimento físico
07 de abril de 2013 Artigos
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Nicolás Maduro discursa na Academia Militar (Foto ABN – 5/4/2013)

Passados 30 dias da morte de Hugo Chávez, o governo e o povo venezuelano rendem-lhe homenagem, em pé de luta, nos diferentes fronts de batalha pela eleição presidencial, para dar vida e continuidade ao projeto da revolução bolivariana, ao “Plano para a Pátria” (*), legados inapagáveis deixados pelo “comandante supremo”, na memória e nos atos vindouros do “bravo povo” da Venezuela, rumo ao socialismo.

 

A primeira homenagem, na Academia Militar do Forte Tiúna, aquela saudação de Nicolás Maduro aos comandantes das 810 unidades das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) foi mais que um símbolo, um contundente recado. Este foi um ato de reconhecimento e destaque às raízes deste líder revolucionário, nacional e universal: soldado de origem humilde que iluminou a sua farda, dando transcendência social e verdadeiramente patriótica à sua função militar, revolucionando as Forças Armadas como defensor do povo, recuperando a memória de militares anti-oligárquicos da história venezuelana como Ezequiel Zamora, Cipriano Castro, de Medina Angarita, bem como movimentos militares nacionalistas latino-americanos que sustentaram a insubordinação, a soberania nacional, o peronismo, o varguismo, o nacionalismo revolucionário de Torres (Bolívia), Alvarado (Peru), Torrijos (Panamá) e outros. Enquanto a grande mídia demonizou por anos a Hugo Chávez até a morte, pela sua origem militar, chamando-o permanentemente de ditador, Nicolás Maduro, de origem operário-sindical, absolutamente indicado por Hugo Chávez, como um dos mais capazes executores do “Plano da Pátria” e leais à causa bolivariana, rende-lhe a justa homenagem no Forte Tiúna, diante dos comandantes e quadros militares das 5 Armas bolivarianas (Exército, Marinha, Aeronáutica, Guarda Nacional e Milícias), para que o mundo não se esqueça que, Hugo Chávez rompeu paradigmas (e até o ecletismo anti-dialético de alguns pensadores de esquerda), demonstrando que um soldado é capaz de ter consciência, rebelar-se e tirar o seu povo da miséria, lutar contra a opressão capitalista, dirigir um levante cívico-militar (4 de fevereiro de 1992), transcender a fronteira nacional e chegar a ser um líder socialista e revolucionário internacional, sem deixar de ser um cidadão comum e chegar à presidência da República, elegendo a Constituição mais democrática e completa do planeta, submetendo-se a 15 pleitos eleitorais (das quais perdeu somente uma), sem deixar de ser soldado entregando a própria vida para o bem do seu povo e da humanidade. A colocação da sua tumba (antes da definitiva no Panteon da Pátria, quando aprovado por emenda constitucional pela Assembleia Nacional) no Quartel da Montanha com vistas ao Palácio Miraflores, num salão iluminado pelo sol, de onde dirigiu o levante cívico-militar de 4 de fevereiro de 1992, nas proximidades do bairro popular, “23 de Enero” de grandes resistencias contra a ditadura de Pérez Jiménez, resume o percurso revolucionário da sua vida.

 

Hugo Chávez chegou a coronel, estudioso não só de estratégia militar, mas de história, teoria econômica, desde Nietsche a Che Guevara, Marx, Lenin, conhecendo perfeitamente o papel do Exército vermelho desde Trotsky a Mao-Tsé-Tung; como presidente e comandante-chefe das FANB foi o arquiteto e aplicador de 14 anos de revolução com todos seus projetos econômico-sociais (chamadas Missões) que fez da Venezuela um emissor e receptor de luz para toda a América Latina e o mundo. Ele foi uma síntese de uma necessidade histórica transformadora da humanidade inteira,   A revolução bolivariana com Hugo Chávez concentrou um renascimento de forças mundiais, uma reação ao grande choque que foi para a humanidade, a desintegração da URSS e todas suas consequências, crises e incertezas do movimento comunista mundial. Com Chávez renasceu a esperança no socialismo, desencadeou-se a luta anti-imperialista na América Latina, no Irã, no Oriente Médio, a aliança China-Rússia, e a reafirmação de Cuba, e chegou-se até ao seu chamado histórico por uma Quinta Internacional Socialista do século XXI (**). Ele reabriu a era dos valentes como Che Guevara na ONU, começando pelo famoso “aqui há cheiro de enxofre”, referindo-se a Bush. Foi este militar, meio indio venezuelano, que comprendeu outro militar revolucionário negro, Thomas Zankara (ex-presidente assassinado de Burkina Faso), e defendeu contundentemente a Líbia de Kadaffi, Síria e Irã. Não há dúvidas de que ele foi a consciencia dos conscientes da transição do século XX ao XXI. Foi “Um relâmpago” que iluminou uma nova época histórica, como dito por Maduro, ou bem dito por um tal Plejanov, no livro, “O papel do indivíduo na história”:  a humanidade cria e concentra em um indivíduo, muito especial (que não surge a cada dia nem em todo lugar), a sua representação consciente para promover uma transformação revolucionária para a inteira humanidade. Hugo Chávez tinha plena consciência do seu papel, dos riscos de uma vida que poderia ser curta (com mil ameaças comprovadas de golpe e magnicídio) para consolidar todo o sonho socialista latino-americano e mundial. Como ele mesmo citava ao poeta espanhol Antonio Machado: “caminhante, não há caminho, faz-se o caminho ao andar”,  se dedicou a deixar o exemplo, não somente no papel, mas nos atos. A energia, o dinamismo e a urgência com que atuou Hugo Chávez evidenciados nas grandes realizações em poucos anos deixa indicadores inquestionáveis: analfabetismo zero, povo indigente que hoje é culto, esportivo, politizado e atuante; povo solidário e internacionalista que está vencendo a torpeza e o individualismo incutidos pelos ex-magnatas do petróleo, por Capriles Radonski, e seus grandes meios de comunicação e Globo Vision; povo protagonizando os 21 mil conselhos comunais já existentes (com meta de 40 mil conselhos comunais, unidas por 3 mil comunas socialistas até 2019); povo soerguendo com suas próprias mãos operárias, junto ao Estado e a cooperação internacional (da China, do Irã, Brasil, Portugal, Bielorussia, Russia e Cuba) a “Grande Missão Casas” incluindo prioritariamente os desabrigados das chuvas (com 350 mil já entregues até chegar aos 2 milhões em 2017), sem contar a reforma agrária galopante, Missões agro-alimentarias (com auto-abastecimento e empresas socialistas e distribuição estatal de alimentos, via Mercal, PDVAL). Há que ler e estudar o “Plano da Pátria”, um plano sexagenal deixado por Hugo Chávez e o governo atual, de desenvolvimento para avançar a um Estado Socialista. É um projeto venezuelano? Sim, mas com tanto entrelaçamento econômico internacional e compromisso com a integração latino-americana, com a Unasul, a Celac, a Alba, Mercosul, com o BRICs, portanto, o Brasil, nós, brasileiros, temos muito a ver; como temos que ver com Petrosul, Banco do Sul, Telesul, o Conselho de Defesa do Sul, e todos os projetos de unificação dos países que tem optado por não depender do FMI e do Banco Mundial, promotores da falência do mundo capitalista.

 

A homenagem de Nicolás Maduro a Hugo Chávez na Academia Militar não deixou de ser também um alerta. “Rodillas al suelo!”(Alerta!). As ameaças golpistas e desestablizantes, manipuladas desde os EUA, para impedir o processo eleitoral, ou sabotar a altíssima chance de vitória de Maduro são permanentes. Diante das macabras provocações midiáticas de Capriles Radonski e da direita opositora, a sabotagem contra a VTV (estatal) por corporações privadas multinacionais de transmissão a cabo; do pane nas centrais elétricas, os apagões em vários estados (Barinas, Mérida) contra os comícios eleitorais do presidente Maduro, as FANB foram convocadas a atuar na defesa do processo democrático eleitoral, assegurando, com ampla mobilização e controle, o funcionamento pleno das centrais elétricas. Eis aí um ato de união cívico-militar. O Exército, as FANB, além de 22 mil milicianos estarão salvaguardando o andamento pacífico para o livre exercício democrático do povo venezuelano no dia 14 de abril.

 

 

A maior homenagem a Hugo Chávez já teve início há 30 dias, na comovedora maré de 2 milhões de homens, mulheres, anciãos, jovens e crianças, que entre lágrimas e gritos acompanharam o seu caixão desde o Hospital Militar à chamada Capela Ardente do Forte Tiúna, onde ficou exposto por 24 horas, durante 9 dias para intermináveis filas, estimando-se uns 10 milhões de pessoas que foram “agradecer e declarar compromisso ao comandante”. Sem contar os velhos, os cadeirantes e enfermos que não puderam ir. A persistência dos que deram passos, noite e dia, por 14 até 24 horas até saudar a Hugo Chávez, equivalem não somente a contar cada indivíduo caminhante como voto seguro para Maduro, mas algo mais: um compromisso revolucionário profundo, que ultrapassará o próprio pleito eleitoral. Vários cantos, poesias, vídeos com imensa criatividade humana e revolucionária, vários cantores de Ali Primeira, declarações pessoais, de famílias inteiras, de pobres que foram beneficiados com uma casa ou apartamento (pelos projetos “Grande Missão Casa” ou “Minha casa bem equipada), luz elétrica, saúde, educação, de intelectuais, educadores, de núcleos da chamada “classe média socialista”, do povo transformando dor e lágrimas em decisão de luta até as últimas consequências. “Todos somos Chávez!”. “Todos somos filhos de Chávez!” “Não passarão!”.

 

Hugo Chávez disse sempre, citando a Trotsky: “a revolução avança com as chibatadas da contrarevolução”.  Golpe mais profundo não podia ser que a morte de Chávez. Mas, o povo venezuelano, a união cívico-militar que se vê nas ruas (soldados levando água ao povo nas filas do funeral), a unidade dos ministros e do governo deixados por ele, a qualidade surpreendente de Maduro, como dirigente de massas, tudo é uma eclosão, um salto de décadas. Estes 10 e mais dias na Venezuela que comoveram o mundo, como os dias descritos por John Reed na tomada do poder na revolução russa, mesmo tendo um significado histórico diferente (não se chegou ainda a um Estado socialista na Venezuela como nos anos 1917 na Rússia), para muitos que viveram de perto o comportamento do povo e dos soldados venezuelanos, sentem na Venezuela destes dias uma lição de princípios, programa, moral, consciência e projeto socialista para a humanidade, das mais profundas deste início de século XXI. Há tanto para escrever e aprender deste processo bolivariano e do legado de Hugo Chávez. Os intelectuais deverão interpretar com a cientificismo e objetividade,  a dialética marxista o pensamento, o projeto chavista, bem como o “Plano da Pátria” que é um verdadeiro projeto para avançar do chamado Estado Democrático e Participativo para um verdadeiro Estado Socialista. E sem esquecer o pensamento  de Marx inscrito na própria tumba em Londres: “os filósofos se dedicaram a interpretar o mundo; agora, trata-se de transformá-lo”.  Para isso, basta ter um olho de atenção ao que está ocorrendo na Venezuela, dela aprender e aplicar, sem rodeios.

 

Sem dar voltas, o povo venezuelano está aprendendo muito rápido para também dar lições. Os comícios de Nicolás Maduro tem sido exemplos de Assembleia Popular, de diálogo e interação entre comoção, alegria e compromisso entre homens novos, forjados e educados por uma nova moral, um novo ser humano. Hugo Chávez se dedicou a construir, como uma das metas do socialismo, a um homem novo, como fez a revolução cubana de Che Guevara e Fidel. Estimulou com o seu exemplo, de amor verdadeiro, aos oprimidos, indefesos, às crianças, aos jovens, mulheres e anciãos, de rechaço aos corruptos e burocratas. O histórico recolhimento de famílias vítimas das inundações ao Palácio Presidencial de Miraflores e ao Forte Tiúna em dezembro de 2010 (às quais, 3 anos após, lhes entregou casas novas e bem equipadas), foi lição de conduta e moral revolucionaria e de ação cívico-militar. O povo, auto-denominado, “filhos de Chávez” não esquecem, e estão estruturando as bases para um salto no poder popular, no avanço do PSUV, no exercício das comunas socialistas. Maduro chama a que o povo esteja mobilizado, reiterando o que sempre Chávez alertou: a revolução bolivariana é pacífica, mas não desarmada. E na Academia Militar, clamou a que o exército esteja unido, que nunca mais haja lugar para um Pinochet que impediu o processo democrático e revolucionário de Allende.

 

Venezuela, nem Cuba, nem Irã, nem Síria, nem Coréia do Norte podem triunfar só. Chávez, relembrando sempre à “Revolução Permanente” de Trotsky, dizia: “Não há como construir o socialismo em um só país. É necessário que a revolução se estenda mundialmente”.   Por isso, impulsionou e construiu, ALBA, Unasur, Celac e chamou à Quinta Internacional Socialista. Chávez morreu, mas deixou vários elementos para a humanidade continuar esta tarefa. O presidente do Irã, no coração do Oriente Médio, o entendeu profundamente, e chorou, a grande perda que significa para sí e para a humanidade. Todos as forças progressistas e revolucionárias, de mais de 55 países que renderam homenagem a Chávez, desde Raul Castro, Lula, Dilma, Lugo, Ortega, Correa, Evo, Mujica, Cristina Kirchner , Putin, os russos, os chineses, são irmãos de criação desta integração latino-americana e mundial. A Venezuela, com Maduro continuará a ser central, anfitriã de vários encontros internacionais, incluindo a próxima Reunião dos Países não Alinhados. A mensagem enviada por Lula ao povo, a Maduro e ao governo venezuelano, apoiando a continuidade do processo democrático e revolucionário construído por Hugo Chávez foi a melhor homenagem que poderíamos ter feito neste momento, impulsionando a união Brasil-Venezuela e todos os mecanismos e políticas de integração Latinoamericana.

 

 

Brasil, 5 de abril de 2013

(*)Plano da Pátria: Programa do governo bolivariano para o período 2013-2019 aprovado democraticamente pelo povo venezuelano na eleição de Hugo Chávez, em 7 de outubro de 2012.

(**) Em novembro de2009, Hugo Chávez propôs formar um organismo uma Quinta Internacional Socialista, por ocasião do Encontro Internacional das Esquerdas, e do I Congresso Extraordinário do PSUV, em Caracas.

Veja o video: “Um amor em quatro tempos”


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