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Importante momento histórico do Partido dos Trabalhadores
25 de março de 2015 Artigos Editorial
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O discurso do Lula, em Belo Horizonte, em comemoração aos 35 anos do Partido dos Trabalhadores tem um significado importante porque reconhece a grande contribuição histórica do partido para a democracia e os avanços sociais com as gestões petistas nos governos municipais, estaduais e a nível federal.


O quadro político se torna complexo principalmente por fazemos política num ambiente em que prevalece a mentira difundida pelos meios de comunicação. Fazer política já não é uma coisa fácil mas fazer política com a maioria da mídia buscando destruir o PT, requer um partido com vida política além do parlamento e dos escritórios. É preciso não só apoiar as manifestações de ruas mas ser a própria rua. Seguramente, saberemos separar o trigo do joio. Precisamos colher o trigo em meio a toda esta confusão.


Reiteradas vezes vários segmentos do partido defenderam a importância de se ter um jornal de massas para fazer o bom combate, mas insistentemente a direção nacional do partido não tem encaminhado esta proposta. Se queremos defender o PT contra os abutres da burguesia, a direção do PT precisa começar por articular um jornal que diga a verdade ao povo brasileiro. A todos os desvios do partido apontados pelo Lula, acrescentamos como um dos principais, a indecisão do PT de publicar um jornal de massas. Tivemos no governo, o nosso ex-ministro das comunicações que em nada favoreceu uma mídia popular. Ao contrário, foi mais representante da mídia que meios de comunicação popular. O atual governo aprova leis que vão contra as rádios e TVs comunitárias.


Nunca antes neste país, como gosta de falar o Lula, se combateu tanto a corrupção. Mas perplexos perguntamos por que ela continua? Em primeiro lugar, novamente somos vítimas da mídia. Combatemos a corrupção e este combate se volta contra nós, com a mídia atribuindo toda a corrupção ao PT. Em segundo lugar, pode-se aprovar quantas leis forem necessárias – como a lei da ficha limpa –, que a corrupção vai continuar. Porque a corrupção é parte das relações sociais e comerciais do capitalismo. Com um funcionamento político precário do PT, nos tornamos vulneráveis a este funcionamento.


A pergunta que se faz é a seguinte: o que fazer? Em primeiro lugar, como defendeu o Lula, o funcionamento do PT precisa mudar. Precisamos sair dos gabinetes e repartições públicas para ir para as ruas e organizar o povo. Precisamos acabar com o mando dos deputados sob o comando do partido. Na realidade, não há funcionamento de partido. Não se pode confundir reuniões da direção estadual ou nacional com funcionamento do partido. Confundir organização das eleições com funcionamento de partido. O militante só é ouvido ou tem participação na época das eleições e olhe lá. As eleições fazem parte da nossa estratégia de poder mas não pode se bastar em si. Construir uma nova sociedade requer muito mais capacidade que eleger governos e deputados.


Construir uma nova sociedade requer participação popular. Controle popular sob as empresas e serviços públicos. Vida de ideias, de cultura, de estudos, de conhecimento da economia. É um equívoco dizer que temos as passagens para o futuro porque realizamos avanços sociais importante nestes 12 anos de governo federal. Tudo pode se desmoronar se não houver funcionamento partidário com as bases, os movimentos sociais. E este ambiente possibilita o fisiologismo, o carreirismo, o burocratismo, a acomodam e até mesmo a corrupção política que a pior de todas.


Não basta dizer que há orçamento participativo e conferências temáticas – que são importantes –, mas é preciso que o povo tenha poder de decisão sob o que foi deliberado. Do contrário ele se sente enganado. O PT precisa chamar a companheira Dilma e dizer-lhe que não cabe mais tomar medidas sobre os rumos da economia e os direitos dos trabalhadores sem consultar os movimentos sociais e os sindicatos. Precisamos voltar a defender o Decreto Presidencial que foi derrubado no Congresso Nacional sob os Comitês de Participação Social.


Historicamente, o PT sempre discutiu e defendeu um Projeto para o Brasil. Este assunto foi pauta de encontros, congressos e conferências e muitas vezes, motivo de acalorados debates e disputas saudáveis nos núcleos de base, nas reuniões do diretório, nos movimentos sociais e sindicais do campo e da cidade, nas reuniões dos núcleos de base da igreja, nas universidades, entre intelectuais. Junto das bases sociais que construíram este partido.
Por quê já não há este funcionamento? É possível resgatá-lo? Substituímos este funcionamento pelo parlamento, pelos cargos nos governos – logicamente que precisamos legislar e governar –, mas precisamos tomar consciência política que precisamos funcionar em outros patamares.


Tendo consciência que propiciamos avanços importantes nestes últimos 12 anos, precisamos tomar consciência das graves fragilidades por que passa a sociedade brasileira. Fragilidade na violência, na mobilidade urbana, na saúde, na educação, na reforma agrária, na utilização de agrotóxicos na produção de alimentos, no desmatamento da Amazônia e tantas outras. Estas são as nossas bandeiras. Fazer um balanço nacional com todos os movimentos sociais e construir um outro Projeto para o Brasil tendo como base as conquistas alcançadas. Não estamos defendendo voltar ou retroceder nos primórdios do PT mas saltar para outro patamar.


Precisamos saltar para outro patamar e não ter medo de dizer que precisamos avançar neste ou naquele campo social, nesta ou naquela medida econômica. Fazer este movimento e enfrentar a fúria da elite brasileira – que cada dia mais cria condições para nos combater e ao nosso projeto –, precisamos criar condições para um salto no funcionamento do partido. Se houver maturidade política, compreensão da gravidade da conjuntura política, honestidade política, a vontade política de não se destruir e deixar destruir temos condições de criar um grande consenso no partido para pensar para as próximas décadas.
Isto não virá com medidas burocráticas mas com decisão política. Honestamente, vamos discutir os nossos problemas na Petrobras, mas vamos defender a Petrobras. Honestamente, vamos discutir a questão agrária e agrícola no país, mas vamos criticar a indicação da Katia Abreu para o Ministério da Agricultura e propor mudanças. Não somos esquerdistas ao ponto de achar que a Presidenta Dilma não tenha que tomar medidas amargas para a economia mas queremos partilhar deste poder pois a fim de contas, fomos nós que a elegemos.


A composição da nova Câmara de Deputados e a eleição de Eduardo Cunha para a Presidência vai criar dificuldades enormes para o Governo Dilma e retrocessos nas conquistas sociais. Fomos derrotados e daí? Só há uma forma de enfrentar este poder constituído: organização popular. Mas alguns vão argumentar que somos poder e não oposição. Mas neste momento, nos transformamos em oposição dentro da Câmara de Deputados. De maioria nos transformamos em minoria. Por quê? Porque as lideranças petistas no Congresso Nacional do Estado de São Paulo, colocaram seus interesses acima do Partido. Eis um funcionamento que precisa passar pela crítica e mudanças dentro do partido. Do contrário, vamos perdendo terreno.


Lula com seu discurso nos 35 anos do PT, abriu a porteira. Acreditamos que apenas se inicia uma maior reflexão sobre o momento político que passamos – sob fogo cruzado da direita –, e a necessidade de mudanças profundas no PT. E não dá pra privilegiar uma ou outra causa. Temos que atuar nos dois campos de batalha. Estão dadas as condições históricas para o PT organizar as suas bases em torno de um debate de um “Projeto para o Brasil – um salto a frente”.

Eduardo Dumont

Belo Horizonte


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