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Irã: Entre reforma e revolução
25 de junho de 2007 Artigos Edições Anteriores Politica
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O presidente Ahmadinejad com grande consenso popular

O império de Bush,

depois do Iraque,

prepara um ataque ao Irã

 

O Irã se encontra no meio de um turbilhão de fatos e eventos que o conduzem a uma situação onde tudo adquire uma conotação de reação ou revolução. As vias reformistas capitalistas estão já queimadas pelas tentativas anteriores; reformas que não ocorreram e tomaram características de usurpação ou de liberalismo da OMC ou de outras organizações imperialistas. Reformismo que se tivesse continuado teria submetido o Irã às trágicas consequências da globalização imperialista.

Uma das razões da falência das tentativas reformistas é a inexistência de uma sólida classe burguesa, que na tentativa de organizar um Estado islâmico capitalista conseguiu somente criar uma super-estrutura burocrática mafiosa e ramificada nos grandes aparatos do poder político e econômico, mas separada da sociedade iraniana, criando uma profunda discriminação social; um abismo entre o extrato usurpador mafioso, enriquecido rapidamente, através da guerra e das facilidades internacionais capitalistas, e a maior parte da população. Isto se configurou geograficamente com uma enorme concentração em Teerã, às custas da agricultura, das tribos nômades e dos tecidos sociais já abalados violentamente pela guerra passada entre Irã-Iraque. Um Irã essencialmente agrícola, sem se transformar num país industrial que pudesse justificar a concentração nas cidades. Em pouco tempo afluiu 73% da população em direção às periferias das cidades; uma migração forçada, dado que as pequenas empresas familiares, ou as tribos nômades autônomas, e parte do eco-sistema, foram obrigadas a emigrar para as cidades, tornando-as invivíveis, sem identidade, infra-estrutura, emprego, suporte social e com tanta miséria e violência como em todas as metrópoles capitalistas do chamado terceiro-mundo.

As privatizações no período anterior de Rafsanjani e Khatami

Após a revolução, a grande propriedade concentrou-se nas mãos do Estado; e a Constituição prevê os serviços sociais gratuitos. Nos 8 anos da política de “equilíbrio” de Rafsanjani, a propriedade do Estado foi parcialmente privatizada e manipulada pelas famílias incrustadas no poder burocrático.  Mas, não ocorreu uma verdadeira privatização e a união entre os Bancos e os Poderes judiciário e policial arrasava a todos, pequenos e médios, que tentassem criar uma atividade produtiva, subordinando-os aos usurários e depois, enviando-os à prisão. A privatização foi uma forma mercantil de entrelaçamento como se a propriedade fosse a mercadoria para ser compartilhada, passando de mão em mão até aumentar falsamente o seu valor. Os hospitais foram privatizados e fechados para aqueles que não podiam pagar. Grandes fábricas faliram, depois foram privatizadas e apropriadas gratuitamente, ou com as facilidades bancárias, presenteadas e depois, vendidas de forma rentável. A mudança da destinação do uso, virou lei. Os arrozais e os pequenos campos de chá viraram mansões; os mercados e os parques viraram arranha-céus; bairros populares desintegrados e cancelados deram lugar a edifícios construídos com dinheiro sujo; florestas destruídas e as minas privatizadas para o uso das quadrilhas das exportações.

Durante os 8 anos de Khatami as privatizações e a vontade de estruturar a burguesia continuaram, mas desta vez a nível internacional e submetida às políticas imperialistas do OMC. Ele aplicou uma lei, ainda em vigor, que veta a intervenção do Estado nas atividades produtivas e econômicas. Foi um desastre. Iniciou a eliminação dos subsídios sociais. Uma tragédia para um país economicamente atrasado onde tantas famílias vivem graças à ajuda direta do Estado. Isso levou a um enfrentamento com as fundações e as organizações sociais, criando um grande descontentamento das massas que há um ano e meio derrubaram a direção política das instituições.

O debate interno

Um novo poder executivo trabalha agora entre reforma e revolução. É uma formação sem Partido, sem um programa anti-capitalista bem definido. Não pôde limpar o aparato administrativo dos velhos personagens corruptos, mas em cada semáforo vermelho fez descer alguém. Não pôde escolher os ministros como queria e além disso se defrontou imediatamente com o novo parlamento que, apesar de estar no mesmo campo, tem diferentes comprimentos de onda mesclados num complexo reformista, dedicado a pequenos negócios, enredado em pequenas leis, que buscam contentar a todos. Um ministro propôs que o salário não podia superar 7 vezes o mais baixo. Um outro propôs 10 para 1.  Porém, não conseguiram abaixar aqueles máximos, incalculáveis e intocáveis, e nem elevar os mais baixos. A oposição e parte dos fundamentalistas alegam que “é impossível porque isso criaria inflação, porque não há fundos”. A solução intermediária que encontraram foi congelar os altos e aumentar gradualmente os baixos, de trás para a frente, mudando pouco e deixando intacto enormes privilégios.

O obstáculo principal é a oposição obtusa do poder judiciário contra a depuração dos terroristas do sistema econômico financeiro. É uma guerra com vários incidentes. O incidente mortal ao ministro da justiça que começava a abrir os nomes dos ladrões já condenados, e a fuga ao exterior de um grande especulador, levaram à queda de 4 poderosos do judiciário, indicando o início da sua desarticulação. Sem a máscara judiciária o aparato mafioso fica nu e desmembrado.

Ahmadinejad fala com o povo

O presidente Ahmadinejad atiça o fogo do povo; incita as massas, durante as sessões do seu governo itinerante, para que intervenham. O povo grita, sobretudo as mulheres jovens que agitam as faixas de reivindicações, junto a milhões de cartas, denúncias e pedidos. Não podendo superar os obstáculos, o presidente os manobra mobilizando continuamente as massas intervindo com os meios do poder executivo que são tantos! Ele fala da planificação centralizada e da aplicação descentralizada, escreve contra a burocracia, a sua história e o seu peso parasitário: “quanto maior é a participação das massas na administração dos seus interesses, mais diminui o peso da burocracia e do Estado”. Essa é uma concepção revolucionária. Ao mesmo tempo, retirou o poder hierárquico da Organização da Programação e Orçamento que concentrava tudo nas próprias mãos, conduzindo, permanentemente, viagens inúteis de 350 dirigentes de diversos locais até Teerã, para dar com a porta fechada na cara. Ahmadnejad deu financiamento e poderes de decisão às secretarias regionais, que são designadas pelo ministro do interior para contornar os poderes fortes, civis e religiosos das máfias locais. Mas, quem controla o controlador? Neste caso, Ahmadnejad se dirige diretamente à população e a incita a intervir e denunciar, e a criar sintonia e ressonância. Agora, cabe aos Conselhos locais tornar-se idôneos para as suas próprias tarefas.

Estamos entre reforma capitalista e revolução. Finalmente se pretende aplicar o artigo da Constituição que afirma a economia mista, entre 20% estatal, 40% privada e 40% cooperativista. Esta última foi a Cinderela nos precedentes 16 anos e cancelada do orçamento do governo Khatami, mas agora, o Executivo pretende dar-lhe maior peso com o próprio Banco e o orçamento. Estamos na terceira onda de privatizações; mas desta vez realizada por um poder híbrido revolucionário. A partir do momento em que este artigo entrou em vigor, Ahmadinejad iniciou a socializar as propriedades compreendidas nos 40% cooperativista da economia, e distribuiu, até o momento, as ações das fábricas ativas a até 9 milhões de famílias pobres e camponesas, e operárias no próximo passo. Essas são ou não são medidas revolucionárias? Não são medidas anti-capitalistas, mesmo que não sejam assim denominadas?

Naturalmente, ele é atacado como quem esbanja riqueza ou como um populista. Os liberais e a máfia estatal, por sua vez, tratam de combatê-lo com a privatização veloz e de baixo custo das ações dos gigantes da siderurgia, da mineração do cobre de Kirman, mantendo os monopólios e a distribuição; sem contar que ainda não é clara a destinação das indústrias petrolíferas. Os poços, as indústrias militares, o Banco e a Companhia de Seguro Centrais fazem parte da quota de 20% do Estado. Uma Bolsa transparente deveria controlar as transações limpas, e por isso, expulsaram toda a gestão precedente da Bolsa. Mas, a compra de milhões de toneladas de aço por parte de um Banco privado e o salto do seu preço demonstra a impossibilidade de reformar o sistema com boas maneiras, e como este é inconciliável com a necessidade das transformações sociais.

Apesar da lei contra a intervenção do Estado na economia, o governo oferece terreno grátis como forma de abaixar o preço das casas (1). Mas não basta isso, enquanto o aço e o cimento, como o açúcar, a pesca ou a fruta, tiverem os seus próprios sultões e especuladores privados.

Irã e a sua política exterior

No campo internacional as coisas são claras: o afã dos imperialistas em sufocar o Irã com o pretexto do nuclear, é por medo ao novo poder que cria obstáculo aos planos imperialistas na zona.  Não é casual que os governos revolucionários da Venezuela e de Cuba se aliem ao iraniano com uma atividade comum como o Banco Irã-Venezuela, destinando dois bilhões de dólares para o desenvolvimento da América Latina e outras atividades agro-industriais. Igualmente, não são casuais os acordos com o governo palestino do Hamas, ou da Síria, e os mercados e infra-estruturas interligadas com os países limítrofes como Iraque, Turquia, Armenia, Azerbaijan, Russia, Afeganistão, Pakistão e India. Em geral, o Irã expressa relações de forças mundiais que a protegem, que são a Federação Russa, a República Popular da China, a India e o Pakistão, apesar de todos os problemas em que se encontram.

Ahmadinejad diz que o trem da revolução já partiu e que deixou de lado o freio da energia nuclear. Enquanto isso coloca no “mercado” um remédio, à base vegetal, contra o AIDs, grátis, feita em colaboração com os cubanos. É um processo revolucionário que deve combinar cada passo reformista com medidas sociais e revolucionárias.  É uma revolução permanente. Um trem que não vai parar na estação de um capitalismo sui generis, que, se não sair do trilho, continuará até transformar-se completamente. Se não se toma uma decisão rápida seguindo o trilho das medidas revolucionárias, o trem tomará a direção do trilho minado. Os ministros da Economia e o da Bolsa propõem abrir os bancos privados externos e vender até 33% das ações estatais à Bolsa internacional. O governo não pode acessar os petrodólares depositados no exterior, enquanto deve fazer empréstimos com juros altíssimos. Ahmadinejad deu ordem de substituir a direção corrupta da Companhia de Seguro Estatal do Irã, criticando o ministro da economia, e indiretamente a magistratura, provocando uma reação furiosa dos ambientes próximos à Direção Suprema que insiste sobre uma via intermediária, enquanto o Parlamente treme. Mas, o Irã não pode mais voltar para trás. Se Ahmadinejad cai, não vencerão o neoliberalismo e a globalização capitalista. A situação é bastante explosiva.

A não solução de um conflito no Líbano deixou aberta a mão ao imperialismo que está atiçando fogo para intervir militarmente, buscando a justificativa na provocação de um grupo, ativo também no Iraque. Mas, estas armas não podem deter a força do Hesbollah que conta com o apoio quase total da população.  Agora ele é mais forte que durante a guerra dos 33 dias. Anos atrás, depois do assassinato de Rafiq Hariri por parte de Israel, o Hesbollah declarou que o Líbano não era uma Ucrânia, que não foi uma revolução de veludo laranja. Agora a Rússia vende 50 mísseis à Síria, que oferece 10 ao Irã, contornando o embargo; e mesmo a França, amiga de Siniore, mantém uma linha crítica aos EUA sobre o Líbano. O presidente do Irã, Ahmadinejad, já advertiu que se ousarem fazer do Líbano um outro Iraque, isso terá graves conseqüências para o Estado sionista. O imperialismo está provocando uma bomba incendiária, demonstrando a queda das suas posições em todo o Oriente Médio, caso perca o fantoche governo de Siniore.

junho de 2007

Do nosso correspondente no Irã

(1) Devido ao anterior cancelamento das Normas de Edificação, se havia estimulado uma maior renda e especulação imobiliária, aumentando a incidência do valor do terreno no preço das casas.


{Acessos: 229}
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