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MERCOSUL: sobe o tom político antiimperialista do bloco
18 de janeiro de 2007 Artigos Economia Edições Anteriores
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A mais recente reunião de Cúpula do Mercosul, no Rio de Janeiro, foi uma
expressão clara da elevação dos processos de intervenção das massas no
continente sul-americano, formatando um novo desenho político, uma nova
composição e uma relação de forcas políticas que favorecem a luta contra o
imperialismo.

Destaque-se que os presidentes que compareceram, em vários momentos
chegaram a polemizar em público, como ocorreu com Evo Morales, da Bolívia,
que criticou a Colômbia por sua submissão ao imperialismo, provocando reação
do presidente colombiano, logo em seguida também criticada por Hugo Chavez,
que defendeu a posição boliviana e ainda pediu que os debates da reunião fossem
amplamente divulgados a público, quando normalmente, essas reuniões não
passam de discursos solenes, sem que a sociedade possa tomar conhecimento
do verdadeiro debate. Isto mudou, e mudou graças a presença de presidentes
claramente de esquerda, como Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa, que
politizam os debates, apresentam propostas mais além do convencional.

Hugo Cháves recebeu a medalha Tiradentes do deputado Paulo Ramos (PDT-RJ)
na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro e discursou defendendo Tiradentes,
Abreu de Lima, Vargas e Jango, e atacou a Globo.

Nesta reunião no Rio de Janeiro, além de trazer acordos concretos, como o
firmado entre Brasil e Venezuela para a construção do gasoduto ligando o território
venezuelano ao nordeste brasileiro, também foi debatida a proposta de criação

de um Banco do Sul, apresentada por Hugo Chávez. Apesar de uma reação inicial
defensiva por parte do Brasil, que contra-argumentou propondo um novo uso
dos instrumentos já existentes – o que indica a forte dependência que o governo
brasileiro mantém ante a oligarquia financeira mundial – pouco a pouco estas
propostas de integração verdadeira, soberana, vão se tornando conhecidas mais
amplamente, para desespero da mídia capitalista, que, de modo incorrigível, não
tem como impedir que Hugo Chavez se dirija ao público, fazendo debates públicos,
agendas com lutadores de esquerda, como foi a visita a Oscar Niemeyer. Pela sua
malignidade intrínseca, a mídia busca transformar Chavez no demônio, mas suas
idéias penetram, alcançam círculos mais amplos, como foi o discurso que proferiu
na Assembléia Legislativa do Rio, onde recebeu a Medalha Tiradentes, quando
defendeu o socialismo, e que foi televisionado pela TV Alerj.

A elevação do tom antiimperialista desta reunião do Mercosul foi tão significativa
que em certos momentos a mídia chegou a defender Lula como o mais sensato
dos presidentes, mesmo quando Lula apresenta propostas de cooperação com a
Bolívia de Evo Morales, que esta mesma mídia combateu furiosamente quando os
bolivianos nacionalizaram seus recursos energéticos.

Evidentemente, falta muito ao MERCOSUL para transformar-se de fato num
instrumento eficaz de integração e de impulso a um desenvolvimento com justiça
social na região, pois as economias mais importantes são ainda controladas
pelo capital externo, pelas multinacionais, com o que muitas das disputas e

divergências, são na verdade, expressão da disputa de mercado destas empresas,
como por exemplo no conflito entre Argentina e Brasil em função das fábricas de
embalagens pet, fomentado por uma multinacional instalada na Argentina contra
outra instalada aqui.

Muito superior é a proposta do Banco do Sul. Enquanto, atualmente os governos
sul-americanos recebem taxas de juros baixas ao depositarem em Bancos norte-
americanos, e pagam elevadas taxas de juros se solicitarem empréstimos dos
mesmos Bancos para aplicação de seu próprio capital, com o Banco do Sul essas
reservas nacionais passariam a ser depositadas num banco próprio, livre de
ingerências da oligarquia financeira, em disputa com elas, e com critérios de
aplicação de massa de recursos em projetos prioritários para uma integração
que não obedeça à lógica das empresas multinacionais, e que não se submeta às
constantes e sistemáticas pressões do imperialismo, que se opõe a qualquer forma
de integração.
É muito importante que os movimentos sociais, os sindicatos e partidos
políticos também acompanhem essas reuniões apresentando propostas para
estimular a integração com a participação direta dos trabalhadores, como, por
exemplo, no financiamento que o governo da Venezuela vem concedendo a
várias fábricas ocupadas de São Paulo e Santa Catarina, inclusive comprando
antecipadamente sua produção, impedindo a falência e o desemprego, já que
haviam sido abandonadas pelos patrões. Tais experiências devem ser divulgadas
poderosamente como uma verdadeira escola de como a integração, com a
participação direta dos trabalhadores, encontrará um nível de objetividade e
solidariedade capaz de superar todos os limites que ainda predominam nas
agendas das reuniões oficiais de presidentes.

Os movimentos sociais do continente devem apoiar decididamente a intenção
de Hugo Chávez, agora sustentada firmemente por Rafael Correia, de criar o
Banco do Sul, face à hesitação dos demais governos de enfrentar a oligarquia
financeira mundial. E que apresentem projetos concretos para a geração de
empregos, a produção de alimentos, projetos na área do biodiesel, modelo
energético que vem sendo gradualmente controlado por empresas multinacionais.
O MST pode apresentar projetos para a produção de sementes ecológicas, os
sindicatos podem apresentar projetos para a recuperação de fábricas à beira da
falência ou já falidas, destinando sua produção a alvos concretos que beneficiem
o desenvolvimento social da região. E estes projetos não necessariamente devem
ter caráter nacional, podem ser instalados para beneficiar os paises mais pobres,
mais necessitados, como a Bolívia, onde faltam fábricas de sapatos, de móveis,
de fogões, de eletro-domésticos, e os trabalhadores podem fazer uma aliança
direta com o Banco do Sul para a instalação de unidades produtivas onde for
mais necessário, mais adequado, mais conveniente, segundo um planejamento de
acordo às necessidades das massas exploradas, não sob critérios mercadológicos.
O Banco do Sul, proposta que assustou a burguesia nesta reunião do Mercosul
pode inclusive atrair os pequenos produtores rurais e urbanos, hoje asfixiados

pelos altos juros, sem qualquer condição de concorrência num mercado dominado
pelos cartéis do grande capital.

De todo modo, é absolutamente indispensável que a esquerda, os movimentos
sociais, os sindicatos realizem uma ampla vida política de discussão de todas
essas propostas que estiveram em tela na reunião do Mercosul, sobretudo a partir
da intervenção mais elevada, pelo presidente Hugo Chávez, que sempre, com
iniciativas audaciosas e concretas, demonstra que as relações de forca alteraram-
se significativamente no continente. Mas, com uma vida política rotineira,
burocrática, convencional, as forças progressistas, sobretudo suas direções,
terminam por reduzir o enorme impacto do papel desempenhado por Hugo
Chávez nestes encontros. Mas a direita percebeu a sua importância e o perigo
que ele representa, por isto esta campanha destinada a demolir com mentiras
e manipulações informativas a sua imagem. Os movimentos sociais, o PT – que
esteve praticamente ausente do ato político com Chávez na Assembléia do Rio
de Janeiro – deveria debater com sua militância e a sociedade as propostas do
venezuelano; a Radiobrás deveria divulgar amplamente estas propostas, assim
como a mídia alternativa. A reunião do Mercosul, o seu tom antiimperialista,
demonstra as condições para a organização de uma Frente Antiimperialista
na América Latina, com sindicatos, movimentos sociais, intelectuais, igreja
progressista, militares nacionalistas que estão observando o poderoso exemplo de
Hugo Chávez, visando implementar as propostas mais fundamentais e defender
estes governos do assedio das oligarquias e de sua mídia mais venenosa.

 

Janeiro de 2007


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Diante deste cenário desolador não há outra saída possível e necessária senão a imediata libertação de Lula e eleições diretas. Neste sentido vale reforçar a importância da unidade das esquerdas em torno da candidatura Lula e de um projeto de desenvolvimento nacional.
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