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O 33 aniversário da Revolução Islâmica no Irã.
11 de dezembro de 2012 Artigos Edições Anteriores Politica
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Há 33 anos, num 11 de fevereiro,  a Revolução Islâmica sacudia as estruturas retrógadas da sociedade do Irã, derrubava a ditadura pró-imperialista do Xá Reza Pahlevi e, sob a direção do Aiatolá Khomeini, com tremendo apoio popular, a ponto da constituição de milícias armadas e com a incorporação de mulheres  –  com chador e tudo   –  dava início a um período de significativas transformações sócio-econômicas e políticas, apesar de todas as hostilidades, agressões militares, sanções econômicas e manipulação informativa que só comprovam com este processo revolucionário incomoda profundamente o império.

 

Só com forte apoio popular é possível suportar e vencer o cenário hostil que a Revolução Islâmica teve que enfrentar. As agressões foram de vários tipos. Quando agora em dezembro um avião não tripulado dos EUA , tipo drone, invadiu ilegalmente o espaço aéreo iraniano e foi –  com absoluta legitimidade   – capturado por meio de uma tecnologia de controle remoto que os norte-americanos não calculavam existir, um simbolismo imenso surgiu diante do Pentágono. Os Eua enviam naves ao espaço sideral, mas não puderam impedir que o controle remoto sobre o drone lhe fosse tomado por aquilo que foi construído em 33 anos de desenvolvimento tecnológico independente.

 

 Ou seja, nestes 33 anos de revolução iraniana, a nação persa adquiriu soberania tecnológica em vários setores, a despeito das agressões e dos boicotes. Ou, exatamente por causa deles, foi obrigada  a contar com suas próprias pernas. Hoje, o Irã possui a esmagadora maioria de seus cientistas na idade média de 30 anos dirigindo projetos de excelência tecnológica, entre as quais, a que lhe confere um dos mais avançados programas espaciais do mundo, estando previsto, ainda para 2012, o lançamento de uma nave tripulada ao espaço sideral.

 

Analfabetismo é um telhadão de vidro

 

Só para contextualizar um pouco, vale mencionar que  o Brasil, denominado a 6 economia do mundo, não tem ainda qualquer previsão para alcançar a maioridade em matéria de tecnologia espacial. Aliás, não há nem mesmo sequer previsão sobre quando eliminará o analfabetismo, o que a Bolívia, a mais frágil economia do continente, já alcançou, sob o comando de um índio que, na infância, vivendo no norte da Argentina,  foi condenado como inepto para a leitura e a escritura. Os telhados de vidro mencionados pela Presidenta Dilma em Cuba, analisando com coragem a hipocrisia que cerca o debate sobre direitos humanos, vale também para outras áreas da política, como o desenvolvimento científico-tecnológico.

 

Praticamente toda a tecnologia da potente indústria petroleira do Irã foi nacionalizada e está sob o comando de 100 por cento de técnicos iranianos, formados nas modernas universidades que se multiplicaram no país como efeito da Revolução Islâmica de 11 de Fevereiro de 1979. Vale relembrar: 70 por cento dos universitários do país são mulheres, quando na Arábia Saudita as mulheres são proibidas do voto, de dirigir automóveis e são punidas com a degola. Mas, a mídia imperial silencia sobre os podres do aliado. Desde a Revolução Islâmica, nenhuma iraniana foi punida com a pena de apedrejamento, apesar de todo o dilúvio de mentiras que se lança sobre Sakhine, cidadã iraniana condenada pelo assassinato do marido  –  o que é crime em qualquer parte do mundo   –    mas apresentada ao mundo, cotidianamente, como se tivesse sido condenada ao apedrejamento por adultério.

 

Dilúvios de mentiras

 

Os dilúvios de mentiras contra o Irã são cortinas de fumaça para que não sejam desnudados os verdadeiros interesses imperialistas na região: fortalecer Israel a qualquer custo, impedir o desenvolvimento econômico e tecnológico de um país do porte do Irã, com 70 milhões de habitantes, e, por fim, rapinar o petróleo persa, tal como se fez na Líbia, mediante sanguinária ocupação da Otan, com o apoio de uma certa esquerda otanista na Europa.

 

O progresso do país deve-se fundamentalmente à nacionalização dos setores fundamentais da economia, a começar pelo petróleo, medida adotada ainda sob a direção de Aiatolá Khomeini. Com significativa presença do estado na economia, políticas públicas foram consolidadas nestes 33 anos de Revolução levando a nação persa a praticamente ter erradicado o analfabetismo que na época da ditadura do Xá alcançava mais de 90 por cento da população. O salto educacional e cultural do Irã neste período é digno de nota. Com a expansão universitária, a multiplicação de centros científicos, o Irã tem hoje indústria própria nos setores de automobilismo, aeronáutica, armamentos, navegação, ferrovias, tratores, setor petroquímico, farmacêutico.

 

Humanismo e estratégia comunicativa

 

 No plano da cultura, deve-se refletir acerca das repetidas premiações do talentoso cinema estatal iraniano,  prêmios alcançados apesar da hostilidade midiática ocidental, da hegemonia esmagadora de Hollywood, e da ditadura da estética da mediocridade a que a humanidade está submetida. O cinema iraniano pensa o gênero humano, convida a refletir sobre causas nobres, promove a delicadeza do olhar, da sonoridade, de uma plástica que acaricia o pensamento e eleva a capacidade inteligente. Conquista também da Revolução Islâmica. Se os iranianos fazem bom cinema, provavelmente poderão fazer também boa televisão: para comunicação com o mundo, nasceu a HispanTV, canal iraniano de tv em espanhol, indicando visão estratégica por lá. Na Era Vargas, que o FHC tentou destruir, a Rádio Nacional era a terceira mais potente emissora do mundo, irradiava em 4 idiomas, chegava aos quatro cantos do mundo. Ainda hoje, a TV Brasil não pode ser sintonizada plenamente nem em toda a cidade de Brasília.

 

 É isto e muito mais  o que se pretende esconder e destruir por meio de sanções, pela agressão militar do Iraque, quando Sadam esteve fazendo o serviço sujo para os EUA. E é isto o que se pretende demolir também com os sinistros atentados, os assassinatos de renomados cientistas, e com a acusação de que o Irã é um perigo nuclear para a região e o mundo. Ora, o Irã nunca agrediu nenhum país, ao contrário de Israel que agrediu e foi derrotado no Líbano, do próprio Iraque antes, da Arábia Saudita e do Qatar, que participaram da agressão à Líbia, sob as bênçãos da esquerda otanista, que ainda  hoje aplaude a TV Al-jazeera , mesmo que a emissora tenha sido totalmente tragada pela indústria petroleira dos EUA.

 

Israel tem 300 ogivas e acusa o Irã?

 

Israel , com 300 ogivas nucleares, brada que o Irã é que é o perigo para a humanidade. Ao contrário, o Irã é um berço da humanidade, ali se elaborou a primeira carta de direitos humanos universais que nossa civilização tem notícia, inscrita no Cilindro de Ciro.

 

Em seu discurso na Assembléia Geral das Nações Unidas, o presidente Mahmud Armadinejad, fez proposta límpida e cristalina, até hoje escondida e sonegada á humanidade pelos meios de desinformação do capital: Energia Nuclear para todos, Armas Nucleares para Ninguém!!!! A criminosa hipocrisia dos países super-armados, mas que se esforçam para impedir que esta informação circule dá a medida dos planos sinistros que se preparam contra a nação persa, já postos em marcha, com agressões externas encobertas, contra a Síria. Mas, o alvo é outro.

 

Telhado de vidro

 

As relações entre Brasil e Irã progrediram muito durante o governo Lula. É bem verdade que houve um voto matreiro do Brasil na ONU aliando-se à hipócrita campanha dos direitos humanos e que teve como alvo o Irã, autorizando o país que mais carnificina faz a seguir com suas sanções e pressões contra os persas. No entanto, é bem provável que  algo esteja sendo rediscutido com mais realismo no Itamaraty quando o tema é direitos humanos. Com mais de cem homicídios em poucos dias de greve da PM na Bahia, com novo assassinato de jornalista no Estado do Rio de Janeiro, é preciso avaliar com mais rigor e concretude o tema direitos humanos.  Especialmente após a Presidenta Dilma ter lembrado que, nesta matéria, todos têm telhado de vidro, o que na prática, desautoriza o próprio voto brasileiro na ONU contra o Irã, logo no início do governo.

11 de fevereiro de 2012


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