Home
Videos
Edições impressas
Jornais anteriores
Contato
Sobre nós
O Afeganistão, o imperialismo, a Urss e a construção do socialismo
05 de janeiro de 1980 Artigos
Recomende essa matéria pelo WhatsApp

A intervenção dos soviéticos no Afeganistão expressa a segurança do Estado operário, sua potência, transcedência e perspectiva. Por outro lado, reflete a debilidade do sistema capitalista, sua divisão e temor que tem. Os soviéticos não tiveram dúvidas em intervir no Afeganistão. Estiveram tentando conciliar com Amim e quando o derrubaram foi porque atuavam em função de proteção do Estado operário e da extensão de suas fronteiras, mesmo enfrentando a possibilidade de reações desfavoráveis por parte do Irã, dos ianques, do Paquistão e da China. Apesar de tudo isto, os soviéticos intervieram. Isto expressa segurança e resolução na defesa do Estado operário, mas também, e ao mesmo tempo, uma capacidade organizativa e de manobra política muito mais profunda que antes, porque sairam cortando a possibilidade de que os feudais tomassem o poder no Afeganistão e dessem acesso de forma indireta ou direta aos ianques. Isto significa que o Estado operário manifesta às massas do mundo: “Estamos dispostos a defender esta conquista histórica, ainda que tenhamos que ir à guerra”. As massas do mundo entendem, compreendem e aprendem a desenvolver a capacidade de manobra política de acordo à finalidade histórica; não ao interesse de casta dirigente. 

As intervenções anteriores da União Soviética, por exemplo, a da Polônia e da Finlândia antes da Segunda Guerra mundial, tinham a mesma resolução, porém com menos capacidade teórica e menos aceitação por parte das massas do mundo. Na Polônia intervieram contra o “aliado” nazista e foram apoiados em parte pela população polonesa. Agora, ao contrário, toda a população afegã apoia a intervenção soviética. Toda a população que vive e participa, apoia. Afeganistão é um país povoado por tribos nômades, de contrabandistas, de ladrões. A imprensa burguesa fala do “pobre povo afegão que está lutando, resiste à Urss, derruba aviões, destroi tanques”, porém, não diz quem dá a estes rebeldes armas, o treinamento militar, os meios de transporte. As declarações dos capitalistas tem a coerência do gangster, do assassino, que não tem mais coerência que a que ele estabelece. E coerência seria compreender como estas tribos do Afeganistão, que são gente pobre, que não tem nada aparecem, de repente, com um armamento capaz de derrotar o exército soviético! O exército soviético que derrotou os nazistas, que faz com que o imperialismo não se anime a atacá-lo, pode ser derrotado pelos “pobres rebeldes do Afeganistão” com fuzis de brinquedo! É preciso ter uma mentalidade estúpida para pensar que isto seja assim. Todas essas notícias são mentirosas, antes disseram as mesmas mentiras sobre a rebelião contra a Etiópia na Eritréa. Se os eritreus eram capazes de destruir “quinze tanques soviéticos” – como dizia a imprensa capitalista – era porque tinham armas muito modernas. E se têm estas armas é porque os imperialistas lhes dão.  

Esta intervenção não é uma anexação, é uma ajuda. As massas do mundo vêem esta intervenção e a julgam pelos resultados, e pela atitude soviética. Uma invasão submete a um país, no Afeganistão se desenvolvem a economia, a sociedade, as relações humanas. Então que tipo de “invasão” é essa? Assim como a ciência e a cultura contribuem para o conhecimento e o desenvolvimento, a intervenção soviética também contribui para o desenvolvimento do país. Isto não é uma invasão. Além disso, as massas estão aprendendo que as relações se decidem entre as grandes forças da história: os Estados operários e os países capitalistas. O capitalismo é a morte, é o retrocesso, é a sepultura da cultura, da economia. Ao imperialismo interessa a economia e não os seres humanos, por isso leva em conta o desenvolvimento do aparato produtivo para acumular o lucro e não melhorar as condições de vida. Em troca, o Estado operário tem interesse na vida da população e em colocar a economia a serviço da população. As massas vêem isto e medem a intervenção de acordo às necessidades do progresso de cada país, então julgam mediante este resultado, esta interpretação. Não é uma invasão, é uma ação que desenvolve o país cultural, economica e científicamente. Na guerra de 1945 foram os soviéticos que ocuparam a Alemanha e construíram o Estado operário, apesar de Stalin. Na Polônia e nos demais Estados operários também foi assim. As pessoas lembram-se disso, recordam-se que os soviéticos tinham tropas nestes países, e todos eles passaram a ser Estados operários. Foi o exército soviético que ajudou a desenvolver os Estados operários. E o exército soviético podia ter permanecido. Mesmo quando Stalin quis se impor à Iugoslavia e Tito se opôs não houve invasão por parte dos soviéticos. Não pela pressão e ameaça do capitalismo e sim porque o exército e a população soviética estavam contra s medidas militares contra a Iugoslávia e contra a China. Também poderiam ter invadido a China, ou seja, ainda sob Stalin, mas não era a burocracia de Stalin que determinava a conduta, mas sim o desenvolvimento em marcha que, depois, liquidou Stalin e Kruschev.  

O progresso e o desenvolvimento da humanidade não está determinado pelos países pequenos e sim pelas grandes forças que são as que determinam o curso da história. A existência do capitalismo significa manter a vida de atraso das massas; com mais de 300 anos de existência, mantém a metade da humanidade na área da fome. Em todos os países capitalistas dezenas e centenas de crianças morrem de fome, e na produção. Na Índia e no Paquistão as crianças trabalham já aos cinco anos de dez a doze horas por dia.  

Não se pode analisar a história dizendo: “É preciso respeitar a independência de cada país”. É preciso defender a independência de cada país, mas para impulsionar o desenvolvimento do progresso da história. Não é verdade dizer que os povos de cada país decidem o seu destino. É o governo imperialista ianque que toma decisões. E nos países como Afeganistão, não são os povos os que decidem, nem sequer eleitoralmente porque 80% da população não participa das eleições, são os grandes latifundiários e feudais que decidem e são os mesmos que impedem o desenvolvimento do país. A ajuda soviética elimina estes indivíduos e então desenvolve o país. Isto não é uma invasão, e sim uma participação no desenvolvimento do país dessa maneira, porque é preciso eliminar esses setores que são os que impedem o desenvolvimento econômico e social. É assim que se deve analisar. Isso é válido para a Etiópia e para os demais países da África e da Ásia.  

        É preciso apoiar a reforma agrária e dar a ela formas sistemáticas. Entregar terra aos camponeses, produzir através de cooperativas coletivas e por meio do Estado. Expropriar as terras dos grandes latifundiários e entregá-las aos camponeses com um plano de produção apoiado pelo Estado, com supervisão técnica do Estado ou através de terras estatizadas e trabalhadas sob controle do Estado. Ao mesmo tempo levar a vida sindical, política, a organização de cooperativas, intensificando a educação, o plano de alfabetização, de educação política e fazer um plano de produção industrial. Aumentar a produção a serviço das necessidades da população: casas, ruas pavimentadas, vias de acesso, transporte, hospitais, água encanada, gás, eletricidade e produção de todo tipo de alimentos. Que a população sinta e veja que e programa em função de suas necessidades. A população tem que ver que o programa não é em benefício ou dedicado aos setores capitalistas que orientam a produção de modo a afirmar, intensificar e reproduzir seus interesses capitalistas, desenvolvendo interesses de exploração. A população tem que ver e comprovar que a produção está sendo feita em seu benefício. Criar órgãos nas escolas, fábricas, bairros que discutam sobre este programa e os planos de aplicação, de modo que se eleve a capacidade política e cultural da população para intervir na produção. Isso vai lhe dar uma segurança imensa.

J. Posadas

5 de Janeiro de 1980

Extratos do Livro do autor com o mesmo título


{Acessos: 194}
Recomende essa matéria pelo WhatsApp


Faça seu Comentário



Comentários
Nenhum comentário para esse conteúdo.
EDITORIAL:

Eleições na Venezuela e a luta pela liberdade de Lula
Jamais uma revolução social enfrentou tantas eleições, em condições extremas de guerra econômica e ameaças do imperialismo, conspiração interna e sabotagens; mesmo assim teve continuidade com base no voto popular. Aprender as lições da Venezuela; centrar fogo na libertação e eleição de Lula em 2018.
Receba nossa newsletter

Videos recentes
Suplementos Especiais
Links Recomendados
Matérias recentes
Noticias recentes
Batalhas de Ideias
Comunicação
Ganma Hispan TV Press TV Russia Today TeleSUR
Palavras-chave
J. Posadas - Obras publicadas
Leituras sugeridas
A FUNÇÃO HISTÓRICA DAS INTERNACIONAIS Del Nacionalismo Revolucionario al Socialismo Iran - El proceso permanente de la revolucion Iran - El proceso permanente de la revolucion La musica, El Canto, La Lucha Por el Socialismo
Desenvolvido por Mosaic Web
Recomendar essa matéria: