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O Pasdaran, história, consistência e atualidade
28 de abril de 2018 Artigos
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O Pasdaran, história, consistência e atualidade

Todas estas organizações são apenas a ponta de um iceberg com base no passado remoto que não inicia na revolução islâmica de 1979 e no início da guerra contra o Iraque em 1980. O próprio exército do velho regime monárquico continha fortes aspectos nacionalistas apesar de depender do imperialismo USA, dos armamentos aos 36.000 conselheiros militares americanos. Muitos pilotos iranianos da Força Aérea do Xá, educados nas escolas americanas, participaram na defesa do Irã e morreram combatendo na defesa do Estado Islâmico criando histórias épicas de capacidade, abnegação e coragem. Ocorreu o mesmo com a Marinha que passaram do comando do Rei ao da revolução islâmica; enfrentaram, com pouco ou nada, à aviação USA e sucumbiram. O exército do Xá apoiou o aiatolá Khomeini e o próprio Xá não quis reprimir muito, sem ordenar o bombardeio e ataques com tanques em Teerã. Mesmo os americanos, que planejavam a substituição do Xá que já chocava com os EUA, com o governo laico de Bazargan que pressionava por enviar Khomeini ao exílio religioso no seu Vaticano em Qom. Todos estes comportamentos do próprio Xá e Khomeini tinham raízes longínquas na resistência e na guerra contra as forças de choque do império otomano, na russa ou contra o colonialismo inglês, com a separação da província do Afeganistão; a ocupação do porto de Bushehr no Golfo Pérsico durante a revolução russa; o saqueio do abastecimento de grão pelo exército inglês, que causou a carestia, epidemias e morte de quase um terço, ou um quarto da população iraniana; esta, em 1918 era próxima a 18 milhões. Desta forma, mesmo em 1942, com o exílio de Reza Palevi, o pai do Xá, diante do vazio de poder, repartições da chamada gendarmeria (política de fronteira) e do exército tomaram o poder onde pudessem contra o alto comando e dos ingleses.

Com a tentativa de golpe de uma parte da aviação e do governo provisório depois da tomada de reféns dos funcionários da embaixada americana e a tentativa de invasão dos EUA no deserto de Tabas (cujo aniversário se comemorara neste 25 de abril), e a posterior invasão do exército iraqueno sobre o território e as cidades iranianas e a crise do exército, Khomeini ordenou a criação de uma organização militar popular paralela ao exército para combater melhor a invasão, de forma organizada, englobando a grande mobilização e as milícias espontaneamente organizadas na defesa da revolução, e desta forma nasce o Sepah do Pasdaran, o exército dos Guardiões da Revolução Islâmica.  Isto englobou a milícia popular ainda existente, o Jihad para a construção ativa nos primeiros anos da república islâmica na construção da infraestrutura e no campo da agricultura (posteriormente dissolvida por Rafsanjani, quando se tornou presidente depois que Banisadr foi deposto). Desta forma constituiu-se o duplo poder revolucionário diante da contrarrevolução que se formou, como se fossem dois gêmeos siameses no poder e nos órgãos e aparatos da república islâmica.

O Pasdaran não era somente uma questão nacional, seja porque a ideologia de Khomeini foi a luta entre a justiça e a injustiça não somente no Irã, mas no mundo e na história da humanidade com a intenção de exportá-la em todo o mundo islâmico, seja porque os combatentes iranianos como o comandante Chamran, que depois se enfrenta com o jovem Rohani (chefe dos serviços de investigação) e, depois, morre assassinado num atentado, estavam presentes antes do início da revolução islâmica no Irã e no Líbano, junto ao Imam Mussa Sadr, formando o Hezbollah libanês para combater a invasão de Israel no Líbano, com certo vínculo com a revolução líbica. Estes combatentes, iranianos e árabes, queriam que o Pasdaran se transformasse numa organização revolucionária de libertação internacional em todo o mundo islâmico. Esta ideia não foi aprovada por Khomeini, mas permaneceu viva na prática dos fatos. Isso significa que o exército do Pasdaran tinha um caráter, tarefas e práticas entre revolução nacional, regional e internacional popular e anti-imperialista.

Todas estas potencialidades e cinéticas dos fatos permitiram à organização do Pasdaran uma estrutura e funcionamento tão forte que o tornou irreversível e resistente frente a todas as intrigas, assassinos individuais ou de grupo dos comandantes, complôs internacionais, degenerações e corrupções internas com o dedo de Israel sempre presente.  Durante os oito anos de guerra contra o exército iraqueno, o Estado Revolucionário da Síria foi o único país árabe junto ao Irã (além do apoio inicial do Estado Revolucionário da Líbia com o envio de duas naves cheias de munições, depois interrompidas com a provocação e o desaparecimento do Imam Mussa Sadr) que, sendo árabe, impediu que a guerra se transformasse de ideológica a étnica entre o mundo árabe e o mundo iraniano; este, por sua vez, tem raízes históricas durante as convulsões do império islâmico por séculos, transformando-se em formações xiitas e sunitas, enfrentadas em guerra civil permanente. Portanto, a defesa da Síria e a presença do Pasdaran na Síria junto ao exército e às milícias sírias, têm sido para o próprio Pasdaran uma linfa vital para manter-se como tal, temperando-se e reforçando o próprio caráter internacional, revolucionário e anti-imperialista, junto à potente e essencial presença do exército russo na Síria. Por consequência, cada oscilação política nas forças russas, entre Medvedev e Putin se transformava diretamente nas oscilações políticas e divergências e dualismos internos no Irã, refletindo-se nas filas do Pasdaran.

Estes são brevemente os dois fatores nacionais e internacionais que formaram e reforçaram o exército de guardiões da revolução islâmica iraniana. Há dois anos, o líder iraniano Ali Khamenei declarou em relação ao Pasdaran que o pior já havia passado. Não disse precisamente, mas denunciava o perigo de uma implosão do Pasdaran com a morte contínua dos seus dirigentes, direta ou indiretamente através de acidentes aéreos.

O outro aspecto, que o torna potente e irreversível na guerra do dualismo dos poderes contra a burguesia privatista (estes, também bem radicados nos aparatos e poderes paralelos), é o seu enraizamento, presença na atividade social, cultural e produtiva no campo infra-estrutural, agrícola, civil, militar, nuclear e missilístico.  Sobre este último, o dos mísseis, não há notícias diretas, mas o resultado se nota na potencia e variedade dos seus produtos como os mísseis tipo S300 russos, adaptados às situações do país. Daí a pressão de Trump para alargar o acordo de supressão das atividades nucleares de enriquecimento ao dos mísseis. A sua potencia se vê quando as naves da Otan, os porta-aviões Truman e Charles De Gaule e os cruzadores ingleses tiverem que se distanciar das 12 a 70 milhas das águas nacionais no ilha de Fars, após o Irã ter dado o prazo necessário para que se afastassem.

No campo produtivo o Pasdaran interviu com o exército para a construção, o Sepah Sazandeghi, denominado Gharargah Khatamolanbia.  Esta organização é para-estatal, mas na prática é estatal, composta de 350 sociedades privadas e um milhão de adeptos; é a maior organização produtiva do país.  Intervém na construção das infraestruturas, das estradas, autoestradas, oleodutos, obras e navios-cisterna; construiu a maior refinaria do Oriente Médio, da chamada Estrela do Sul (terminada em 90%, quando foi suspensa por sabotagem do governo, como no caso dos navios-cisterna).

O Pasdaram interviu com força depois do recente terremoto em Kermanshah, junto ao exército, levando conforto e construindo containers provisórios nos vilarejos, enfrentando as dificuldades opostas pelo governo que resistia à intervenção estatal. Uma parte do Pasdaran intervém nas atividades agrícolas com o apoio de um Banco, do Basij, e milícias populares, que fazem parte integrante do Pasdaran. Os novos latifundiários monopolizaram o acesso à água e a exportação dos produtos agrícolas prejudicando o mercado interno, justificando a importação de produtos agrícolas com a desculpa da seca e de acordo com o plano de dependência ao WTO; aos acordos do governo com os produtores de transgênicos (Monsanto). Há um boicote à construção de dessalinização das águas e de novas centrais nucleares realizadas em cooperação com a Rússia, o Basij e o Sepah, junto à população em várias partes do Irã; várias zonas abandonadas nos centros foram transformadas em centros de produção agrícola de vanguarda, recuperando-se e revitalizando-se os velhos Ganat, o Kaariz, as galerias de água subterrâneas de tradição milenária do território semiárido do planalto iraniano.

O Sepah Pasdaran com o Basij está presente também nas atividades culturais de educação, nas campanhas de alfabetização, construção das escolas nas vilas e organizações dos casais separados das famílias pobres, dos jovens com dificuldade pelo alto custo das cerimônias de casamento.

Por outro lado, existe há muitos anos uma propaganda da alta burguesia e dos ambientes ligados aos Estados capitalistas contra o Sepah e o Basij, que circula entre os jovens, difundindo que “cada casa que não funciona ou cada especulação imobiliária é realizada pelos Guardiões ou lhes pertence”. O aiatolá Khamenei denunciou esta conspiração várias vezes e impulsionou a que o Sepah estivesse presente também nas universidades, entre as associações estudantis e professores; que cada pessoa estivesse presente segundo a sua possibilidade diante da falta de um programa do ministério da educação ou da ciência e diante dos obstáculos colocados por toda a grande burguesia e os “ocidentalizados”.

Há uma luta contínua, em todos os níveis que agora será alimentada de uma parte ou outra pelo que fará Trump com o acordo nuclear e missilístico. A Rússia e a China juntas, haviam proposto no grupo 5+1 de retira do embargo a atividade missilística do Irã, mas foram os próprios diplomatas iranianos que quiseram mantê-lo por cinco anos. No fim desse limite se verão as novidades, seja no campo imperialista, seja nas lutas internas de poder no Irã, o que fará o Pasdaran contra as submissões e conciliações.

De S. Bavh

24/02/2018


Palavras-chave: pasdaran;guardioes da revolução;irã

{Acessos: 198}
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