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O Primeiro de Maio e a Greve Geral no Brasil
01 de maio de 2017 Editorial
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Neste Primeiro de Maio

Apoiar-se no sucesso da Greve Geral para fortalecer a Frente Única para resgatar a democracia e derrotar os planos golpistas

O sucesso da greve geral do dia 28 de abril que paralisou quase quarenta milhões de trabalhadores e trabalhadoras em todo o país, seguida de grandes mobilizações de norte a sul e de leste a oeste, foi determinante para barrar a agenda política do golpe que ao que tudo indica já está esgotada. 

O país parou e mandou um recado curto e grosso ao governo: a de que não permitirá qualquer retrocesso nas suas conquistas trabalhistas e previdenciárias, plano do ilegítimo governo de Michel Temer que com a desculpa de déficit nas contas da Previdência enviou ao Congresso Nacional um Projeto de reforma que, se aprovada, irá impactar de maneira brutal a vida de mais de 35 milhões de brasileiros com a retirada de direitos, herdados da era Vargas e consolidados por Lula/Dilma.

A aprovação da Terceirização na Câmara dos Deputados no dia 22/04, acendeu um sinal de alerta levando a sociedade organizada a uma forte reação para barrar a votação no Senado e impedir o governo de impor novos retrocessos. Ao longo destes dois anos, a população tem mostrado nas inúmeras manifestações iniciadas desde a instalação do golpe, que não está disposta a pagar o preço pela crise criada por este governo golpista e corrupto, principalmente porque já percebeu a quem interessa este desmonte do Estado; já percebeu o falso discurso do governo Temer de que “a economia vai melhorar" e já entendeu que estas medidas antipopulares e antinacionais só servirão para engordar as grandes corporações do empresariado, as redes de monopólio dos meios de comunicação, o setor financeiro e os interesses internacionais. E é isso que a população assiste todos os dias, a entrega do pré-sal, a venda de terras aos estrangeiros, as privatizações, os leilões das várias unidades da Petrobrás, o desmonte da indústria naval causando um desemprego recorde no país com quase 14 milhões de desempregados.

Um segmento importante da classe trabalhadora industrial, bancária, educacional, dos meios de transportes, demonstrou com esta greve que não irá admitir que esta pauta política conservadora siga adiante, ainda que isto signifique o enfrentamento com a repressão, com a luta corpo a corpo para defender a soberania popular e garantir o retorno das conquistas  arrancadas pela política neoliberal devastadora deste governo usurpador. Já com 61% de rejeição, Temer apoiado pelo golpismo midiático-judicial-parlamentar, conseguiu esvaziar até mesmo o movimento da classe média, dos pró-impeachment, desde os embandeirados de verde-amarelo aos iludidos ou envenenados da Rede Globo, restando os fascistas, que atuam abertamente ou disfarçados de “black-blocs” destrutivos e provocadores, com os quais nada tem a ver o movimento organizado dos grevistas e movimentos populares.

Lula, junto à Dilma no Rio Grande do Sul
contra o desmonte da indústria naval

As centrais sindicais, a Frente Brasil Popular e Povo sem Medo, e o MST (Movimento dos Trabalhadores sem Terra) já admitem uma pauta muito mais profunda de lutas sociais. A greve geral foi determinante para que estas direções sigam adiante unidas pela retomada das conquistas e pela definição de uma Frente Única por um Projeto Popular. Amplia-se o debate em torno a iniciativas como a de Bresser Pereira por um Projeto Brasil Nação. Muitos parlamentares já começam a recuar no apoio às medidas do governo. Renan Calheiros avisou que o Projeto Trabalhista não passa no Senado sem um amplo debate com as Centrais Sindicais. A perda de apoio à Lava Jato e ao juiz Moro e o anúncio da libertação de José Dirceu é um primeiro indício de debilidade do poder anticonstitucional, do fracasso da tentativa de impor uma ditadura do judiciário e expressa o efeito do recado social inesperado dado pela greve histórica de 28 de abril.

Estas constantes manifestações das várias categorias profissionais, das mulheres, dos estudantes, e de muitos outros segmentos que estão na rua desde o início da crise que resultou no impeachment da presidenta Dilma, permitiu o amadurecimento do debate e do que fazer. Uma das conclusões deste processo foi a necessidade de ampliar a participação popular, o resgate dos organismos de base, de fábrica, bairros, escolas, no campo e na cidade. Em todos os processos de governos progressistas da América Latina, ameaçados pela onda golpista neoliberal do novo Plano Condor, coloca-se na ordem do dia, o debate da superação do reformismo, e das alianças táticas progressistas de governo, necessárias sem dúvida, mas com uma demarcação inadiável da independência dos movimentos sociais e sindicais, para impedir o retrocesso e avançar rumo às transformações sociais favoráveis aos trabalhadores. É preciso fortalecer os movimentos organizados e sobretudo as organizações nos bairros, fábricas, os comitês eclesiais de base e neste sentido é importante destacar o papel que está cumprindo a igreja católica neste processo de mobilização estabelecendo o debate com os fiéis sobre as reformas e na convocação da greve. 1/3 do episcopado apoiou incondicionalmente; freiras e franciscanos carregaram faixas e cartazes nos protestos contra o governo. Presente está a Teologia da Libertação à qual não está alheio o Papa Francisco que rompe as masmorras do Vaticano, se mete na política mundial, critica o capitalismo, toma partido e defende a justiça a favor dos pobres.

Após estas jornadas de lutas de abril organizadas pelas Centrais Sindicais, Frente Brasil Popular, Povo Sem Medo, estudantes, Igreja católica, setores evangélicos e outros seguimentos sociais, é preciso manter esta unidade, que foi condição sine qua non para o sucesso da Greve Geral e das grandes mobilizações por todo o país. Esta unidade mostrou que é possível alcançar e ampliar muito mais objetivos, inclusive como superar a barreira do terrorismo midiático da Globo e outros monopólios que, por erro e insuficiente decisão política na gestão democrática anterior, não foi combatido. Daí a importância de discutir uma pauta unificada de lutas em defesa da democracia, por uma Assembleia constituinte pela mudança da constituição que permita convocar eleições diretas já e um programa amplo de retomada do desenvolvimento da economia e dos direitos destruídos por todas as PECs de Temer; de recuperação da anterior política exterior pelo Mercosul, BRICs, e Unasul como instrumentos de defesa dos interesses latino-americanos, de apoio ao governo constitucional da Venezuela do presidente Maduro, e de união com a luta dos trabalhadores contra Macri na Argentina. Torna-se eixo central a defesa das estatais que estão sendo entregues sem qualquer critério para a exploração do capital estrangeiro, em defesa da soberania nacional, contra a privatização da Petrobrás, da indústria naval como tem reiterado Lula nas recentes manifestações, aguerrido e decidido a voltar a ser presidente e protagonista político decisivo no Brasil.

Viva o Primeiro de Maio dos Trabalhadores!

 Comitê de Redação

1 de Maio de 2017

Assista discurso de Lula, junto à Dilma no Rio Grande do Sul contra o desmonte da indústria naval.
http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/292971/Lula-critica-desmonte-da-indústria-naval-e-pede-reação-urgente.htm


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