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O ataque do PT a Campos e a necessária resposta à guerra midiática
25 de janeiro de 2014 Editorial
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A celeuma da grande mídia sobre o ataque do PT ao Governador Eduardo Campos em sua página de Facebook deve ser vista como um dos inúmeros capítulos da guerra midiática em curso e em preparação para as eleições de 2014. Não há inverdades, nem ataques gratuitos, poderia se tratar de um normal texto de propaganda política contra um adversário que, evidentemente, faz um jogo perigoso entre as suas raízes de esquerda e a direitização da política no país, acenando com alianças com setores abertamente neoliberais. Em lugar de argumentar para a base socialista, em defesa da aliança tradicional com o PT, o artigo ajuda a cerrar as fileiras do PSB em função anti-Dilma e anti-PT.

Isso significa que a direção do PT não está aprofundando a análise sobre a situação real na sociedade brasileira, que está na base destes movimentos de Campos e Marina Silva. Se o fizesse, poderia compreender melhor, seja os movimentos de Campos, seja como atuar para impedir que o PT fique cada fez mais isolado e termine por colocar em risco a ampla aliança que até o momento lhe permitiu governar o país.

A grande massa dos eleitores e da população não vai se orientar pela linguagem muitas vezes sibilina da política, porque o contexto não é o da boa informação e do bom debate, mas do linchamento midiático. Basta ver os comentários postados ao pé da própria nota do PT para entender que a burguesia não vai ter muito trabalho para continuar o linchamento e o terrorismo. Difícil no momento é distinguir se os internautas são da classe A, B ou C, e afirmar com certeza que os proletários estão fora do debate, porque têm mais o que fazer ou não têm acesso à Internet. O fato é que na arena pública, no discurso dominante, o PT agrediu de maneira vil o “pobre” Eduardo Campos. E isso serve de pretexto para empurrá-lo mais rapidamente para a nova composição neoliberal.

O PT deveria discutir mais no plano programático, e não propagandístico. Há um projeto nacional em curso, embora não explícito como o da Argentina, que prevê crescimento econômico e institucional, distribuição de riquezas, prosperidade, soberania, cujo eixo central é a determinação do PT em resgatar a dívida social dos setores mais pobres da sociedade brasileira.  Estes sentiram o impacto transformador deste projeto nos últimos 12 anos, caso contrário não teriam sido possíveis os dois governos de Lula e o primeiro de Dilma. Esse projeto permitiu neutralizar, até certo ponto, os ataques da mídia dominante, a verdadeira vanguarda e partido político da elite conservadora.

Ocorre que os prazos e ritmos de execução do projeto dependem em muito dos acordos com o setor empresarial rural, a burguesia industrial e financeira, e dos investidores estrangeiros. O PT não tinha forças para impor à coalisão a socialização da economia, não tinha e não tem os instrumentos teóricos, institucionais e materiais – como um forte setor estatal na economia – para ditar as regras, tudo tem que ser negociado com os aliados, da saúde à educação, da tecnologia à soberania, da gestão dos grandes centros urbanos à reforma do próprio Estado, da infraestrutura à gestão geral da economia. Num contexto de dificuldades econômicas internacionais, com inúmeros condicionantes externos, o ferramental de que dispõe o PT num contexto de alianças, é muito limitado. Panorama muito diverso da China, que tem um Partido Comunista na liderança do país em todas as esferas, toma decisões sem obstáculos, e tem o total controle da economia estatal para isso. Pode mobilizar todas as forças e resolver todos os problemas em breve prazo, como efetivamente faz.

Diz-se que as nossas dificuldades são típicas da “democracia”: tudo deve ser negociado, e isso é preferível a qualquer ditadura. Ocorre que numa sociedade profundamente dividida em classes, a parte negociadora que leva vantagem é, não por acaso, a que tem poder real na economia. O Congresso Nacional é a alma desta representação desigual, e com ele o Executivo tem que negociar.

Esta é a explicação mais lógica para a lentidão do governo em abater a pobreza, evitar ou compensar as tragédias das populações severamente punidas pelas inundações no centro-sul, pela prolongada seca do Nordeste, resolver com celeridade os problemas da mobilidade urbana, criar mecanismos eficazes de contenção da violência, melhorar a saúde e as condições de vida da população em geral, enfim, partir o bolo do orçamento nacional em favor da imensa maioria da população.   

Reconhecer que, mesmo assim, o PT tem alavancado o maior progresso social, não superado desde a era Vargas, é obrigatório. Como é obrigatório reconhecer que a trajetória em que se encontra o país é progressista, de constantes melhoras e com um futuro brilhante pela frente. Os dados reais sobre os vários programas implementados nestes últimos 12 anos são terminantes e incontestáveis, e apontam para uma Nação forte, rica, integrada à América Latina, aos Brics, respeitada no panorama internacional e socialmente cada vez mais justa.

Mas as insaciáveis elites apontam o dedo para o que falta, o que falha, o que não funciona, o que ainda é devido, para os fracassos. E, entre os mais graves, a ainda abominável péssima distribuição de renda. A fim de bem? Claro que não. Para bloquear este processo ascendente. É uma disputa política. A realidade é falseada. Mas numa escala colossal, propagandística, midiática, tão poderosa, que é capaz de alterar a noção de coisas básicas. Difundem assim, o famoso “complexo de vira-lata” do brasileiro comum, principalmente das classes médias.

A elite já roubou as bandeiras tradicionais da esquerda, a “ética”, a honestidade, o compromisso cidadão, e republicano, e agora já exibe nas telas setores populares completamente ofuscados pelas críticas, manipulados, que atribuem todas as lentidões e os males do país ao PT e à esquerda. O “Mensalão”, o justicialismo contra os “mensaleiros”, a “corrupção” (dos “políticos” em geral, categoria em que o PT foi submergido indiscriminadamente), e todos os outros males que são atribuíveis aos “governantes”. Por isso foi tão difícil distinguir, nas manifestações de junho de 2012, um motivo específico de insatisfação.

A guerra psicológica estende-se à economia, que estaria ladeira abaixo, com o seu “pibinho” (como se PIB fosse indicação de distribuição de renda e progresso social), e a inflação, “descontrolada”. A ameaça de rebaixamento do Brasil na classificação das famosas e mentirosas Agências de Classificação de Risco é um fantasma agitado dia e noite. A hipótese da deserção dos investidores estrangeiros, jamais confirmada, é declarada como iminente há mais de um ano. Não adianta que o Ministro Mantega saia a público declarar que a inflação está dentro da meta, como de fato está, amplifica-se o sentir popular de que “tudo aumenta”, ignorando que os salários dos mais pobres têm aumentado e continuam a aumentar acima da inflação, que há ganhos reais em todos os salários; quando um indicador é positivo, trata-se de “contabilidade criativa”. A ladainha neoliberal de sempre, da “redução dos gastos da máquina estatal”, volta à carga com insistência, sem explicar como manter os programas sociais em pé. O pagamento de juros aos banqueiros, este fica em páginas internas. Mas a alta de juros não veio para derrubar a inflação? Juro alto é “ruim”, mas não para banqueiro. Mas o rombo do orçamento é culpa do “mau governo” e não da ditadura do setor financeiro, que tem a sua correspondente lobby no Congresso e manieta o próprio governo.

Ou seja, qualquer que seja o argumento, a mídia canalha tem um arsenal pronto para derrubar. E de maneira “goebeliana”, repete as mazelas, amplifica as manchetes negativas, completamente falsas, principalmente nas seções de economia, mas também na saúde, na educação, carregando na crônica policial para criar pânico, insatisfação. Jamais jorrou tanto sangue nas telas da mídia brasileira. Não que a violência não seja real, mas não tem proporção com os feitos desta gigantesca Nação.

Não há percepção ou instinto popular que fique imune frente a esta campanha. A figura carismática de Lula compensava em grande parte o ulular das hienas, a sobriedade e integridade de Dilma serenava os ânimos da sociedade, contra os que instigam o ódio. Mas esta fórmula está se revelando insuficiente, devido à lentificação das transformações, dada pela própria natureza do capitalismo. Ao querer mais e já, a população está dizendo que mudanças mais profundas são possíveis, mas esta justa reivindicação é transformada em ódio antipetista, em impaciência inconsequente, em falsas promessas que reconduzirão o país à gestão direta das elites mais conservadoras.

Este é o jogo, então não se devem utilizar as velhas ferramentas do embate político – mesmo que os fatos sejam verdadeiros – acreditando que por se estar do lado da justiça, o eleitor, o cidadão comum, o trabalhador, vá acreditar automaticamente na boa fé da esquerda. É um embate novo, em contexto fascistizante, de histeria e terrorismo midiático. E em que o PT e boa parte da esquerda fora dele ainda não fez a autocrítica necessária por não ter promovido um milhão de vezes mais a participação popular, a gestão direta das instituições, empresas, a mídia popular, substituindo tudo isso pelo poder dos gabinetes e pelas articulações políticas mais heterogêneas e em muitos casos indigestas, determinadas pela governabilidade a todo custo.

A esquerda ficou refém da mídia, que hoje a condena, e rouba à população os seus sonhos e utopias. Não é postergável o PT assumir este tema como prioritário, essencial, acreditando piamente no mito da “imprensa independente” dos primórdios das instituições burguesas, que jamais o foram realmente. Ou já não bastam as evidências do interminável e sádico linchamento midiático dos presos políticos do PT? Pode-se esperar algum comportamento republicano desta mídia fascistizante?

Já passa da hora em que o PT promova uma mídia independente, sejam rádios, TVs ou jornais, não necessariamente partidária, mas popular, séria, de qualidade, que responda pontualmente aos ataques e difamações, às agressões e conspirações da mídia comercial, canalha e antinacional que parece não ter limites. E que informe corretamente e prepare o país para seguir na trilha da soberania, do desenvolvimento sustentável e do resgate da dívida social.

Quando o Governo tem que se dirigir à nação, como fez a Presidenta Dilma no fim do ano, para informar à população sobre os seus feitos e dissipar de negativismo e ataques insanos, listando feitos e realizações consideráveis — e cumprindo com o seu dever institucional —, é atacada porque o discurso não foi transmitido em linguagem de Libras (diga-se de passagem, falha imperdoável da assessoria de imprensa), e não pelos seus conteúdos, incontestáveis. Ou pelo caráter “eleitoreiro”.  O dever de fiscalizar o poder é transformado em arma de ataques quotidianos, todos com viés, todos contra a base aliada do governo, e nada contra a oposição. O ocultamento das dimensões do escândalo do cartel dos trens de São Paulo contrasta com a fiscalização pontual das diárias dos ministros, das suas viagens, até nos atos menores e insignificantes. 

É hora de rever utilizar uma poderosa ferramenta para que a mídia privada cumpra o que dita a Constituição e deixe de atuar como partido político: cortar radicalmente o lauto financiamento de fundos públicos aos grupos mais poderosos, democratizá-lo, utilizá-lo para a promoção da boa informação destinando-o aos meios populares, alternativos, comunitários, como uma recente lei no DF propõe. Reforçar a atuação de todos os meios alternativos, não somente as redes sociais, promover a boa cultura e a boa informação, aplicar as decisões da primeira Conferência Nacional das Comunicações. Urge uma nova Lei Geral da Comunicação, doa a quem doer. A alternativa é o prevalecer do fascismo e do terrorismo midiáticos, ativíssimos contra todos os governos progressistas da América Latina.

Conselho Editorial

11 de janeiro de 2014


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