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O campo minado das eleições no Irã e o aprofundamento da luta pelas transformações sociais
06 de maio de 2008 Artigos Edições Anteriores Politica
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Em fins de abril de 2008 se realizou o segundo turno das eleições para o novo Parlamento do Irã,
dando a vitória aos radicais-fundamentalistas que atingiram 75% dos votos com a completa derrota
das tendências liberais. O processo das transformações continua com uma maior aceleração de
substituição de ministros pró-capitalistas favoráveis às privatizações. O Parlamento, apoiando o
executivo e o presidente Ahmadinejad, tem colocado sob pressão o poder Judiciário para que defina
e publique rapidamente todos os dossiers de denúncia de corrupção. O próximo passo será de uma
importancia revolucionária decisiva para os destinos do país e da revolução para o Irã e toda a
região.

O terreno das eleições políticas do Irã foi cuidadosamente minado, passo a passo em todos os aspectos
da vida cotidiana e do trabalho, sobretudo nos últimos meses antes das eleições. O poder econômico,
após haver perdido o executivo nas eleições presidenciais de 3 anos atrás e o legislativo há 4 anos,
sabotou todo tempo a cada passo, conduzindo todos os bens de consumo a um mercado selvagem, com
altas incontroladas dos preços até o ponto em que as pessoas comuns, a poucos dias do início do ano
novo persa, não conseguissem comprar nada: nem frutas, nem alimentos, nem vestidos novos. Tudo o
que se tocava se converteu em ouro. O transporte público, após a privatização silenciosa, tem piorado e
os ônibus lotados têm apresentado atrasados cruéis; e em alguns lugares, não existem mais porque foram
eliminados para dar lugar à rede privada que cortou os ramos secos. Os vôos aéreos chegam com um
atraso inexplicável. As redes privadas ficam sem combustível porque há anos estão endividadas com
o Estado; fazem chantagens utilizando imagens das enormes filas de espera; e a companhia estatal em
determinado momento não fornece mais combustível culpando os consumidores.

Os depósitos e os trâmites alfandegários nos portos ficam retidos por meses, e os navios aguardam
inutilmente pedindo ressarcimento de danos ou boicotando os portos iranianos. As contas não batem
e a divisas estrangeiras que, contrariamente ao parecer do executivo, ficam em milhões de dólares nos

Bancos imperialistas e subordinados ao embargo, ao congelamento e ao seqüestro, não são oficializadas.

Os empresários e os produtores não são pagos e se dirigem aos usurários cobertos pela jurisdição e pelos
Bancos, terminando na cadeia. Os trabalhadores não são pagos há meses. Os Bancos não pagam os
salários dos trabalhadores que foram reduzidos ao mínimo. O governo aumenta o salário, mas as fábricas
não pagam. Quando o governo abaixa o custo do dinheiro com um decreto, os Bancos não fazem mais
empréstimos. A inflação aumenta porque cada Banco imprimiu ilegalmente a sua moeda, aumentando
a massa monetária. Enfim, um plano de sabotagem bem preciso para dispersar as pessoas, retomar o
parlamento e derrubar o governo de Ahmadinejad.

A burguesia carreirista não tem nome. Os ultra-ricos que têm tudo, principalmente no exterior e nos
Bancos de Dubai, de onde comerciam e importam através de portos francos, não têm cara e nem nome
e, portanto, não pagam impostos. Mas, se alguém for à Câmara de Comércio de Teerã, os encontrará lá.
Eles estão na testa de todo o grande comércio, da distribuição das grandes fábricas de cada gênero. Mas
ali se encontram também alguns dos fundamentalistas que controlam a parte do “Bazar” tradicional.

A esta sabotagem se agregam as ameaças que cada dia o imperialismo tem feito contra o Irã com
prováveis bombardeamentos nucleares. Além disso, se juntam as pressões políticas e as chantagens
da Comunidade Européia. Eles prevêem que a central nuclear de Bushehr, com o combustível russo
não funcionará jamais. Contudo, não conseguiram nada. Ahmadinejad realizou mais de 300 viagens
ao interior do país com o seu governo itinerante levando a sua política social e antiimperialista; fez
denúncias veementes contra a corrupção nos Bancos, contra as privatizações dos grandes grupos, contra
os que se sentem donos do país, contra os espiões de cima. A última foi que o irmão de Khatami, o ex-
presidente neo-liberal, é informante dos embaixadores alemão e inglês que instigavam o Conselho de
Segurança da Onu a acelerar a decisão de condenação ao Irã contra a sua atividade de enriquecimento
de urânio. Se não fosse por este turbilhão de atividades que criou um centro de intervenção das massas,
a renovação do parlamento teria tido maus resultados dando início a qualquer tipo de provocação. O
exemplo deste risco é dado pelo fato que em Teerã votaram somente 35% ao passo que nas periferias
pobres votaram 65%. Desta forma o grande centro se apresentou perigosamente isolado do resto do país.
Quem são os que não foram votar? A burguesia tinha todas as razões para intervir; tinha os candidatos,
o dinheiro e a economia, os planos de desestabilização e votou! Mas, a burguesia socialmente não tem
tanto corpo social.

Enquanto isso, a pequena burguesia descontenta que não se sente realizada e tem medo de perder o
pouco que tem, que não é protegida legalmente para poder reivindicar os próprios direitos, que não é
muito pobre, que acompanha o ocidente em tudo e que é a matéria prima para sustentar uma “revolução
de veludo”, não votou em Teerã, onde se concentra a riqueza e o poder.

Em Teerã capital é preciso considerar um outro fato. Neste ano, na manifestação do aniversário da
revolução islâmica, houve uma enorme participação. A provável razão porque nem todos votaram, é que
enquanto naquela festa se agruparam política e socialmente entorno ao presidente, eleitoralmente não
se identificaram, não encontraram o instrumento, o partido próprio e os personagens em quem votar.
O fato que a classe operária não intervém de forma independente com um programa anti-capitalista
confunde a pequeno-burguesia. Mas este vazio vem sendo substituído pelo desenvolvimento das
medidas de Transição e Transformações Sociais de Ahmadinejad, que saudou o Primeiro de Maio e
destituiu dois ministros capitalistas. O novo ministro da Economia e Finanças impôs ao Banco Central
de fechar as “veias abertas” e as torneiras, enquanto o Parlamento de fim de mandato publicou uma
longa lista de Bancos, alfândegas, ministérios, imobiliárias e comércios corruptos passando por cima,
declaradamente, do Poder Judiciário, intimando-o a terminar as demoras processuais, com quase 120
tramitações burocráticas, e declarar nome e sobrenome dos condenados, o que seria uma verdadeira
explosão no cenário iraniano. E agora, o parlamento acaba de impor a destituição do Diretor do Controle
Alfandegário e o da Receita Federal. Foi também afastado o chefe de Governo para os Bancos e
Seguros. A limpeza continua sem se esperar pela decisão da Magistratura.

Apesar de todos os fatores negativos objetivos e subjetivos, a participação em porcentagens
aumentou em 10 pontos com relação a 4 anos; dos 60% dos participantes 70% votou pela chapa dos
fundamentalistas que por sua vez se renovou em quase 70% eliminando os que haviam conciliado com
a burguesia. Portanto, o problema continua sendo a crise de programa dos próprios fundamentalistas,
entre Reforma de estrutura e Transformações Sociais por um lado, e por outro lado a corrida contra o
obstáculo às privatizações em curso. Enquanto isso houve um encontro em Teerã entre os 12 países
fundadores da OPEC do gás, tendo na cabeça a Rússia e o Irã como dois dos maiores produtores de
gás. A reunião definitiva será dentro de poucos meses em Moscou contra todas as ameaças dos países
imperialistas europeus e dos EUA.

Do nosso correspondente no Irã
6 de maio de 2008


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EDITORIAL:

Apoio incondicional à candidatura Haddad-Manuela e à coligação!
Pela composição mais ampla com todas as forças de esquerda, progressistas, nacionalistas e democráticas e dissidentes do regime ditatorial neoliberal e fascista! É preciso contar com as divergências do inimigo. É preciso emplacar Haddad no primeiro turno.
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