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O caso Skripal em Salisbury, significado e repercussões
01 de abril de 2018 Notícias Noticias
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Reuters/Peter Nicholls

(Título do Comitê de Redação)

Em Salisbury, onde o ex-espião russo Skripal e sua filha foram supostamente envenenados com um agente tóxico nevrino, no dia 4 de março, os vizinhos acusam as autoridades de esconder o perigo de contaminação. O governo diz que não há que preocupar-se mais. Porém, a chefe da Saúde Publica da Inglaterra declara que há rastros de contaminação no pub e no restaurante.

Há uma grande mobilização da polícia, da imprensa e de investigadores, inclusive soldados com roupas de proteção contra agentes neuro-tóxicos. Fazem um escândalo muito grande e, ao mesmo tempo, o noticiário diz que tudo está sob controle.

As autoridades locais não dizem as mesmas coisas que as autoridades estatais. Os mais conscientes do que ocorre querem alarmar o povo e atentá-lo contra a Rússia; mas não há órgãos sociais para canalizar as reações das pessoas. As pessoas estão cépticas e com certa indignação. Fala de um 11 de setembro e duvidam de tudo.

 

Tereza May diz que “é muito provável que a Rússia seja responsável”. Ela e seu governo se apressam e nem querem investigar; da mesma forma acusaram a Síria pelo uso de bombas à chlorina. Há poucos dias, sobre Gotha del Este (de Damasco), acusaram o Assad de outro ataque com chlorina; esta campanha durou 24 horas e dias depois, não se falava mais. Não querem esperar provas, pois são eles que a possuem.

Quando Teresa May saiu a acusar e sancionar a Rússia há poucos dias, um dos dirigentes trabalhistas que havia se lançado contra Corbyn, na disputa da direção do Partido Trabalhista (Labour Party), David Milband, irmão de Ed Miliband, que foi dirigente do partido antes de Corbyn, apresentou-se na TV, no dia 16 de março. Declarou que Teresa May tinha razão e que “não havia que ser débil com a Rússia”(referencia indireta a Corbyn) porque esta anexou a Criméia, invadiu a Georgia e atacou a democracia na Ucrânia. Este cara se encontra em todas as funções dirigentes trabalhistas.

Há um ambiente de crise no país e possibilidade de eleições gerais devido à debilidade do governo.  Este David Miliband apresentou-se à imprensa como a alternativa a Corbyn, sem adverti-lo. Seria a alternativa se o trabalhismo vencesse as eleições. Trata-se de uma pequena Salisbury dentro do Partido Trabalhista, e pode ser útil aos preparativos contra a Rússia. Dezoito deputados trabalhistas pronunciaram-se oficialmente em apoio ao governo conservador de May, dizendo que ela “tinha razão”.

Desde o começo, Corbyn insistiu que não havia provas, e que há normativas em tais casos, em que um país acusado tem 7 dias de prazo para defender-se, não 24 horas. O país acusado tem o direito de receber informações sobre o que ocorreu. Aquí nada disse se leva em conta.

May disse que “é muito provável que a Rússia seja responsável”. A imprensa disse a mesma coisa. Os dirigentes capitalistas não podem ir a fundo e acusar completamente. Isso expressa sua debilidade social. Queriam fazê-lo com todos os seus poderes, mas o povo não aceita. Com o ocorrido no Iraque, o capitalismo perdeu o respeito da cidadania. Há vários intelectuais, professores de universidade em greve; estudantes e mulheres mobilizados na rua, educadores, críticos que rechaçam o alto nível de arbitrariedade vigente.

No Partido Trabalhista, a esquerda não diz nada, tratando de evitar maiores divisões. Continuam apoiando o Corbyn, timidamente. Há divisões por outros assuntos, temor de infiltrações, expulsões da esquerda, que continua no Partido Trabalhista, com acusações anônimas (de anti-semitismo por apoiar a Palestina), etc...

No movimento “Momentum”, também silenciam em geral, ou não querem continuar discutindo o assunto de Salisbury quando surge algum comentário. Mas, há um setor do “Momentum” que defendeu a posição de Corbyn de que não se pode acusar sem provas. O líder do “Momentum”, Jon Lansman também não comentou nada.

Corbyn insiste que é preciso aguardar provas. Apesar de considerar horrendo tal ataque em Salisbury, êle diz que não há provas e é preciso respeitar os acordos internacionais (que dá direitos ao país acusado).

Corbyn falou bem. Referiu-se em como a guerra no Iraque se fez “com mentiras” por parte dos mais poderosos no governo e nos serviços de inteligencia. A questão é que sua secretária de defesa, Nia Griffith falou em pleno Parlamento contra ele, alinhado com Teresa May. Assemelha-se com a SPD na Alemanha. Desta vez, Corbyn não recebeu o apoio completo de seus grandes sustentadores (que são poucos nas cúpulas). Há certa preocupação dos seguidores de Corbyn. Trata-se da “defesa nacional”. É um processo dinâmico que, exige cada vez mais posições revolucionárias. E ainda não há segurança suficiente ou equipes.

Os imperialistas sabem que para enfrentar escândalos como o de Salisbury, Corbyn não tem dirigentes preparados e seguros. Ao contrario, Corbyn tem que atuar num aparato absurdo que no parlamento comporta 20 deputados trabalhistas apoiando a May contra a Rússia e Corbyn. A base da esquerda trabalhista quer um “governo Corbyn”, mas não possuem deputados. Tem as massas, as bases, os sindicatos, os pobres, os operários e muito intelectuais.

Este escândalo em Salisbury é uma provocação contra Corbyn e a esquerda trabalhista. Para os conservadores de Teresa May também convén uma política de guerra. Porque, de repente, os a favor do Brexit e os são pela permanência na UE se estão dando as mãos, e os líderes trabalhistas se aproximam para dar-lhes as mãos. Diante disso, May se sente reforçada.

Mas, no fundo, creio que o ocorrido em Salisbury forma parte das transformações que se realizam nos EEUU para impor ao Trump que represente os interesses mundiais e de classe do imperialismo, ao invés de representar os interesses protecionistas da grande agencia comercial Norte-americana. Por isto, tiraram o Tillerson (que também está contra a Rússia, e pode voltar) e colocaram o chefe da Cia. Enquanto reorganizam a equipe de Trump (podem “reorganizar” a êle também); a mulher Nikky Haly contribui aos planos do Pentágono.

O Pentágono e Teresa May obrigaram a França e a Alemanha a pronunciar-se contra a Rússia. A Otan parece não haver-se ainda pronunciado. A Turqui compra os mísseis S-400 da Rússia. Há um mal estar político muito grande dentro da Otan. A Alemanha também não pensa abandonar as relações com a Rússia. A União Europeia depende do gás da Rússia e de outros aspectos. A Rússia tem uma grande autoridade no mundo. Os líderes imperialistas se lançam para cortar esta autoridade. Mas isto não tem valor militar estratégico. A militarização do imperialismo se faz em base ao lucro, enquanto que o da Rússia se faz em base ao necessário e lógico.

No discurso de 1 de março, Putin se dirigiu não somente ao conselho da Federação Russa, à Duma, aos membros do governo, às regiões, aos governadores e órgãos do Estado, mas ao mundo capitalista sobretudo. Falou como dirigente de uma parte vital da humanidade. O site do Sputinik informa que Putin mostrou através de um vídeo uma nova arma russa capaz de atacar os EUA a partir de qualquer lugar do planeta.

O jornal “El País” disse que Heather Nauert (em nome do governo Trump) respondeu com dureza ao anuncio do presidente russo de que “seu país modernizou seu arsenal nuclear, desenvolvendo um invencível míssil balístico intercontinental” capaz de dar resposta imediata contra qualquer ataque nuclear por parte dos EUA.

Agora, os EUA dizem que a Rússia (no mundo e em Salisbury) “vulnera o tratado de 1987 que limita os mísseis de alcance médio”. Que isto é “descumprir e exibir força na reta final da sua campanha eleitoral”. Reconhecem, sem dizer, que Putin tem uma população que não se levanta contra a intervenção russa na Síria, ao contrario, apoia e o votará nas eleições. Aqui se mede, a verdadeira natureza do povo russo e da sua atual organização política, que não é inerente ao capitalismo. Isso é válido para a China.

Houve implosão na Urss, mas o antagonismo mundial de classe continuou, não desapareceu. O antagonismo com a Rússia tem razões de concorrência econômica, mas esta concorrência envolve populações – como a da Rússia e da China – que sentem alegria pela vitória da Síria. Isto não se vê nos países capitalistas.

Desde Londres

16/03/18

 

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Palavras-chave: Skripal;Salisbury

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