Home
Videos
Edições impressas
Jornais anteriores
Contato
Sobre nós
O debate na ONU sobre o Estado Palestino e a luta dos povos do Oriente Médio
04 de julho de 2011 Notícias
Recomende essa matéria pelo WhatsApp

Na recente Assembléia Geral da Nações Unidas, e em particular no debate sobre o reconhecimento do Estado Palestino, se expressou o clima de polarização e tensão entre governos frente à pressão político-social emanada de uma das crises econômicas mais profundas do capitalismo, encabeçada pelas chamadas grandes potências, dentro de um cenário perigoso de conflitos e ameaça de guerra mundial decorrente desta situação.

Apesar de que os EUA e os governos europeus atuem descaradamente à revelia da ONU e da legalidade internacional, com ou sem o seu aval, por meio de instrumentos de força como a OTAN, detonando guerras como no Iraque, na Iugoslávia e mais recentemente na Líbia, e apesar de todos os salamaleques de Ban Ki Moon frente à ditadura do capital, mesmo assim fez-se sentir no plenário o clamor de uma série de países em nome do direito, da justiça e soberania dos povos. A primeira mulher a abrir a Assembléia na história, a Presidenta Dilma Rousseff, e o aguerrido Ahmadnejad do Irã, com diferenças de tom e estilo, expressaram o apelo majoritário dos países para exigir o reconhecimento do Estado Palestino.

A polarização entre os governos progressistas e os aliados do grande império, e também o seu isolamento, se expressou na retirada vergonhosa dos EUA, França, Inglaterra, Israel e vários representantes europeus diante do discurso de Ahmadinejad, que repropôs momentos históricos à altura dos que propiciou Che Guevara na ONU em 1962, e dos frequentes chamados à integração antiimperialista dos povos feitos por Fidel Castro e Hugo Chávez. Publicamos ao lado, pontos centrais do seu discurso deliberadamente ocultados pela mídia internacional.

O reconhecimento do Estado Palestino

O fato que 130 países dentre os 193 da ONU estejam a favor do reconhecimento do Estado Palestino a pleno título, sem dúvida é uma derrota do imperialismo e de Israel, produto da resistência inesgotável das massas palestinas, da Intifada e do Hamas, tanto armada como pelas urnas, em Gaza, depois de 60 anos de guerra. A libertação dos prisioneiros palestinos é uma vitória do Hamas, demonstrando que não há que se centralizar somente no terreno diplomático de Abbas. Israel já foi obrigado antes a liberar prisioneiros do Hezbollah, tendo sido derrotado na sua invasão ao Líbano em 2006. A solidariedade internacional, nas aguerridas “Frotilhas da Liberdade”, apoiadas pela Turquia, pelo Irã e por amplos setores da opinião pública mundial, desde à revolução de Khomeini às manifestações encabeçadas por Ahmadinejad, têm sido instrumentos insubstituíveis para essa conquista. Vale recordar que tudo isso foi antecedido pela maioritária votação na ONU contra o bloqueio a Cuba.

Evidentemente isso se dá dentro de um contexto em que as burguesias árabes que apoiaram o acordo de Camp David nos anos 70, rompendo com o nacionalismo de Gamal Abdel Nasser, hoje se encontram com uma situação econômica insustentável e uma pressão popular que vai do Egito, à Tunisia e ao Yemen. O reconhecimento do Estado Palestino, sendo uma concessão, reflexo de uma debilidade burguesa frente ao tsunami e colapso do capitalismo europeu, expressa seus limites e armadilhas. Por isso, ao mesmo tempo que se canta vitória, é preciso estar alerta! Por isso, o discurso de Khamenei, líder supremo da Revolução Islâmica, na sessão de abertura da V Conferência Internacional sobre a Intifada Palestina.

Aiatollá Khamenei:  “(…)Dois pontos devem ser esclarecidos com antecedência. O primeiro ponto é que a nossa demanda é a libertação da Palestina, não a libertação de uma parte da Palestina. Qualquer plano para dividir a Palestina é completamente inaceitável. A idéia de dois Estados que foi camuflada por legitimar “o reconhecimento do governo palestino como membro das Nações Unidas” nada mais é do que ceder às exigências dos sionistas – ou seja, “reconhecer o governo sionista no territorio da Palestina”. Isso significaria desconsiderar os direitos da nação Palestina, ignorando o direito histórico dos refugiados palestinos e mesmo pondo em risco o direito dos palestinos residentes nas regiões desde 1948. Isso significaria a permanência do tumor maligno intato e expôr a nação islâmica – especialmente as nações regionais – a um perigo constante. Isso significaria trazer de volta o sofrimento de décadas e desperdiçar o sangue dos mártires.”

Ao mesmo tempo em que se pressiona pelo reconhecimento do Estado Palestino é necessário ir consolidando-o como Estado revolucionário dentro de uma perspectiva de Federação socialista dos países do Oriente Médio, unida à luta do povo de Israel, aos seus movimentos “indignados”, que contestam o neo-liberalismo econômico e a função de gendarme de Netayanhu e seus go-vernantes. É importante o apoio da Venezuela, que acaba de estender seus laços de ajuda econômica e social com vários acordos de cooperação no campo da saúde (construção de hospitais e 37 médicos palestinos que se formarão na Venezuela), agricultura e comércio. O Mercosul também acaba de firmar um acordo de cooperaçao com a Palestina. Fundamental a ser seguido pelos chamados BRICS para dar um impulso político a uma verdadeira libertação da Palestina.

Não há perspectiva para o Estado Palestino, como país independente, como tampouco há futuro para um Estado de Israel racista, dominado por sionistas e com uma máquina bélica alimentada pelo imperialismo norte-americano. Por isso a proposta é uma única nação, árabe-palestina-hebraica, um Estado leigo, democrático, socialista. Isto está exemplarmente explicado nos extratos de um texto de J. Posadas que publicamos na página 4 e que, não obstante datado de 19 de fevereiro de 1968, traz elementos vigentes sobre as perspectivas e os avanços de um Estado Palestino para que não se paralise na armadilha de um sub-desenvolvimento capitalista ou dependente, sobretudo em fase de guerra mundial.

O veto da Rússia e da China no Conselho de Segurança da ONU contra o embargo à Síria

O veto da Rússia e da China na ONU ao embargo contra a Síria representa uma revisão tardia de suas posições equivocadas e débeis frente à invasão da OTAN na Líbia, pelas quais estão pagando caro as massas líbias e o governo de Khadafi que resistem heroicamente. O importante é ver que o imperialismo e a burguesia européia, o CNT constatam que se meteram em um pântano que pode ser mais profundo que no Iraque; poderá ser mais um Vietnã que um Iraque, com uma resistência organizada militar e guerrilheira; e em condições piores de uma década atrás. A resposta à invasão à Líbia está aí: um tsunami de “indignados”, e desempregados em rebelião encabeçada pelo velho Marx que grita: “Proletários de todo o mundo, uni-vos!”.

Mas não só o imperialismo, também a burocracia chinesa que inicialmente se retirou da Líbia, cedo ou tarde tem que responder como Estado operário, porque não há como estar imune à crise, enquanto o capitalismo exista. Ou avançam Rússia e China como bloco de sistema socialista, econômica e militarmente, ou sucumbem. Além disso, nas divergências internas, seja na China, como na Rússia há setores dirigentes que tem consciência dos riscos da guerra nuclear eminente que o imperialismo pode lançar como resposta à sua crise sistêmica. Putin não é Medvedev. Putin responde em grande parte à consciência do exér-cito soviético na defesa da Rússia como representação da ex-Urss. O retorno de Putin, não indica ser uma simples mudança de guarda, caso contrário, como se explica sua viagem à China, para acordos antecipados.

As indicações são de que as possibilidade de negociações Medvedev Obama se esgotaram. Washington está de olho no Uzbekistão e Kirkizistão oferecendo bases da Otan.O objetivo é também conter os progressos do Irã e seus convênios com a Russia. E no Afeganistão, não se retiraram, acabam de assassinar o irmão de Karzai e o poeta Rabbani, dirigente afegão e poeta próximo ao Irã. As provocações que fazem com o Irã, inventando um atentado não ocorrido contra o embaixador da Arábia Saudita nos EUA, são sinais de desespero para desviar, entre outras, a forte influência e intervenção do Irã na recente Conferência em Teerã sobre o “Despertar Islâmico e Humano no Oriente Médio e no mundo”.

Putin pode ser expressão de que se preparam aproximações militares mais profundas com a América Latina, o Irã e a Síria, onde já tem bases militares. Na contra-mão do terrorismo midiático, o canal venezuelano Telesur informa de gigantescas manifestação das massas sírias em apoio a Assad, em que manifestantes ostentam bandeiras da Rússia e da China. A união Rússia-China com o processo de resistência e libertação dos povos da América Latina, África, Oriente Médio e Ásia rumo a uma Federação Socialista é fundamental para resistir à guerra imperialista que é já um fato.

A diplomacia brasileira vacila, pressionada pelas campanhas histéricas dos “direitos humanos”. Então deveria se pronunciar contra o massacre de civis na Líbia, onde estima-se que 50 mil morreram em bombardeios, e uma cidade que abrigava população preponderantemente negra foi arrasada, queimada, e a sua população de 40 mil pessoas exterminada. Racismo e massacres fascistas. O mesmo está sendo preparado na Síria, portanto a posição lógica é sustentar o atual governo contra as conspirações e ações militares, entre elas os franco-atiradores mercenários a serviço da Otan que disparam contra as manifestações, como denuncia insistentemente o governo Sírio, que não teria interesse algum em atirar contra manifestantes inermes, isso está fora de qualquer lógica elementar, a não ser que se queira demonizar um governo, como feito contra Khadafi. Até o momento as Nações Unidas estão devendo as provas dos “massacres” contra a população civil líbia, que foram o detonador da guerra. Como pode então a diplomacia brasileira basear-se nos boletins de guerra da Otan e do imperialismo franco-britânico para atuar no panorama internacional? Essa não é a maneira de adquirir credibilidade para postular um lugar no Conselho de Defesa!

A credibilidade enorme do Brasil nos governos de Lula vieram da postura independente, firme, ao enfrentar o imperialismo na questão iraniana e em tantas questões, inclusive no reconhecimento do Estado Palestino. Jogar tudo isso fora por sentir-se intimidados com a máquina de propaganda e guerra imperialista seria uma lástima e nos conduziria a uma posição subalterna no cenário internacional. Rússia e China parece que aprenderam a lição da guerra na Líbia. O Brasil precisa prestar mais atenção nesses graves fatos, condenando aquela guerra colonialista, inclusive porque a partida está longe de terminar e a resistência é heróica, apesar das toneladas de bombas. E se terminar mal para o CNT e o imperialismo? De que lado vai estar o Brasil?


{Acessos: 209}
Recomende essa matéria pelo WhatsApp


Faça seu Comentário



Comentários
Nenhum comentário para esse conteúdo.
EDITORIAL:

Apoio incondicional à candidatura Haddad-Manuela e à coligação!
Pela composição mais ampla com todas as forças de esquerda, progressistas, nacionalistas e democráticas e dissidentes do regime ditatorial neoliberal e fascista! É preciso contar com as divergências do inimigo. É preciso emplacar Haddad no primeiro turno.
Receba nossa newsletter

Videos recentes
Suplementos Especiais
Links Recomendados
Matérias recentes
Noticias recentes
Batalhas de Ideias
Comunicação
Ganma Hispan TV Press TV Russia Today TeleSUR
Palavras-chave
J. Posadas - Obras publicadas
Leituras sugeridas
A FUNÇÃO HISTÓRICA DAS INTERNACIONAIS Del Nacionalismo Revolucionario al Socialismo Iran - El proceso permanente de la revolucion Iran - El proceso permanente de la revolucion La musica, El Canto, La Lucha Por el Socialismo
Desenvolvido por Mosaic Web
Recomendar essa matéria: