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O debate na ONU sobre o Estado Palestino e a luta dos povos do Oriente Médio
26 de junho de 2012 Edições Anteriores
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Na recente Assembléia Geral da Nações Unidas, e em particular no debate sobre o reconhecimento do Estado Palestino, se expressou o clima de polarização e tensão entre governos frente à pressão político-social emanada de uma das crises econômicas mais profundas  do capitalismo, encabeçada pelas chamadas grandes potências, dentro de um cenário perigoso de conflitos e ameaça de guerra mundial decorrente desta situação.

Apesar de que os EUA e os governos europeus atuem descaradamente à revelia da ONU e da legalidade internacional, com ou sem o seu aval, por meio de instrumentos de força como a OTAN, detonando guerras como no Iraque, na Iugoslávia e mais recentemente na Líbia, e apesar de todos os salamaleques de Ban Ki Moon frente à ditadura do capital, mesmo assim fez-se sentir no plenário o clamor de uma série de países em nome do direito, da justiça e soberania dos povos. A primeira mulher a abrir a Assembléia na história, a Presidenta Dilma Rousseff, e o aguerrido Ahmadnejad do Irã, com diferenças de tom e estilo, expressaram o apelo majoritário dos países para exigir o reconhecimento do Estado Palestino.

A polarização entre os governos progressistas e os aliados do grande império, e também o seu isolamento, se expressou na retirada vergonhosa dos EUA, França, Inglaterra, Israel e vários representantes europeus diante do discurso de Ahmadinejad, que repropôs momentos históricos à altura dos que propiciou Che Guevara na ONU em 1962, e dos frequentes chamados à integração antiimperialista dos povos feitos por Fidel Castro e Hugo Chávez. Publicamos ao lado, pontos centrais do seu discurso deliberadamente ocultados pela mídia internacional.

O reconhecimento do Estado Palestino

O fato que 130 países dentre os 193 da ONU estejam a favor do reconhecimento do Estado Palestino a pleno título, sem dúvida é uma derrota do imperialismo e de Israel, produto da resistência inesgotável das massas palestinas, da Intifada e do Hamas, tanto armada como pelas urnas, em Gaza, depois de 60 anos de guerra. A libertação dos prisioneiros palestinos é uma vitória do Hamas, demonstrando que não há que se centralizar somente no terreno diplomático de Abbas. Israel já foi obrigado antes a liberar prisioneiros do Hezbollah, tendo sido derrotado na sua invasão ao Líbano em 2006. A solidariedade internacional, nas aguerridas “Frotilhas da Liberdade”, apoiadas pela Turquia, pelo Irã e por amplos setores da opinião pública mundial, desde à revolução de Khomeini às manifestações encabeçadas por Ahmadinejad, têm sido instrumentos insubstituíveis para essa conquista. Vale recordar que tudo isso foi antecedido pela maioritária votação na ONU contra o bloqueio a Cuba.

 

Evidentemente isso se dá dentro de um contexto em que as burguesias árabes que apoiaram o acordo de Camp David nos anos 70, rompendo com o nacionalismo de Gamal Abdel Nasser, hoje se encontram com uma situação econômica insustentável e uma pressão popular que vai do Egito, à Tunisia e ao Yemen. O reconhecimento do Estado Palestino, sendo uma concessão, reflexo de uma debilidade burguesa frente ao tsunami e colapso do capitalismo europeu, expressa seus limites e armadilhas. Por isso, ao mesmo tempo que se canta vitória, é preciso estar alerta! Por isso, o discurso de Khamenei, líder supremo da Revolução Islâmica, na sessão de abertura da V Conferência Internacional sobre a Intifada Palestina.

 

Aiatollá Khamenei: (…) “Dois pontos devem ser esclarecidos com antecedência. O primeiro ponto é que a nossa demanda é a libertação da Palestina, não a libertação de uma parte da Palestina. Qualquer plano para dividir a Palestina é completamente inaceitável. A idéia de dois Estados que foi camuflada por legitimar “o reconhecimento do governo palestino como membro das Nações Unidas” nada mais é do que ceder às exigências dos sionistas – ou seja, “reconhecer o governo sionista no territorio da Palestina”. Isso significaria desconsiderar os direitos da nação Palestina, ignorando o direito histórico dos refugiados palestinos e mesmo pondo em risco o direito dos palestinos residentes nas regiões  desde 1948. Isso significaria a permanência do tumor maligno intato e expôr a nação islâmica – especialmente as nações regionais – a um perigo constante. Isso significaria trazer de volta o sofrimento de décadas e desperdiçar o sangue dos mártires.”

 

Ao mesmo tempo em que se pressiona pelo reconhecimento do Estado Palestino é necessário ir consolidando-o como Estado revolucionário dentro de uma perspectiva de Federação socialista dos países do Oriente Médio, unida à luta do povo de Israel, aos seus movimentos “indignados”, que contestam o neo-liberalismo econômico e a função de gendarme de Netayanhu e seus go-vernantes. É importante o apoio da Venezuela, que acaba de estender seus laços de ajuda econômica e social com vários acordos de cooperação no campo da saúde (construção de hospitais e 37 médicos palestinos que se formarão na Venezuela), agricultura e comércio. O Mercosul também acaba de firmar um acordo de cooperaçao com a Palestina. Fundamental a ser seguido pelos chamados BRICS para dar um impulso políticoa uma verdadeira libertação da Palestina.

 

Não há perspectiva para o Estado Palestino, como país independente, como tampouco há futuro para um Estado de Israel racista, dominado por sionistas e com uma máquina bélica alimentada pelo imperialismo norte-americano. Por isso a proposta é uma única nação, árabe-palestina-hebraica, um Estado leigo, democrático, socialista. Isto está exemplarmente explicado nos extratos de um texto de J. Posadas que publicamos na página 4 e que, não obstante datado de 19 de fevereiro de 1968, traz elementos vigentes sobre as perspectivas e os avanços de um Estado Palestino para que não se paralise na armadilha de um sub-desenvolvimento capitalista ou dependente, sobretudo em fase de guerra mundial.

O veto da Rússia e da China no Conselho de Segurança da ONU contra o embargo à Síria

O veto da Rússia e da China na ONU ao embargo contra a Síria representa uma revisão tardia de suas posições equivocadas e débeis frente à invasão da OTAN na Líbia, pelas quais estão pagando caro as massas líbias e o governo de Khadafi que resistem heroicamente.  O importante é ver que o imperialismo e a burguesia européia, o CNT constatam que se meteram em um pântano que pode ser mais profundo que no Iraque; poderá ser mais um Vietnã que um Iraque, com uma resistência organizada militar e guerrilheira; e em condições piores de uma década atrás. A resposta à invasão à Líbia está aí: um tsunami de “indignados”, e desempregados em rebelião encabeçada pelo velho Marx que grita: “Proletários de todo o mundo, uni-vos!”.

 

Mas não só o imperialismo, também a burocracia chinesa que inicialmente se retirou da Líbia, cedo ou tarde tem que responder como Estado operário, porque não há como estar imune à crise, enquanto o capitalismo exista. Ou avançam Rússia e China como bloco de sistema socialista, econômica e militarmente, ou sucumbem. Além disso, nas divergências internas, seja na China, como na Rússia há setores dirigentes que tem consciência dos riscos da guerra nuclear eminente que o imperialismo pode lançar como resposta à sua crise sistêmica. Putin não é Medvedev. Putin responde em grande parte à consciência do exér-cito soviético na defesa da Rússia como representação da ex-Urss. O retorno de Putin, não indica ser uma simples mudança de guarda, caso contrário, como se explica sua viagem à China, para acordos antecipados.

 

As indicações são de que as possibilidade de negociações Medvedev Obama se esgotaram.  Washington está de olho no Uzbekistão e Kirkizistão oferecendo bases da Otan.O objetivo é também conter os progressos do Irã e seus convênios com a Russia. E no Afeganistão, não se retiraram, acabam de assassinar o irmão de Karzai e o poeta Rabbani, dirigente afegão e poeta próximo ao Irã. As provocações que fazem com o Irã, inventando um atentado não ocorrido contra o embaixador da Arábia Saudita nos EUA, são sinais de desespero para desviar, entre outras, a forte influência e intervenção do Irã na recente Conferência em Teerã sobre o “Despertar Islâmico e Humano no Oriente Médio e no mundo”.

 

Putin pode ser expressão de que se preparam aproximações militares mais profundas com a América Latina, o Irã e a Síria, onde já tem bases militares. Na contra-mão do terrorismo midiático, o canal venezuelano Telesur informa de gigantescas manifestação das massas sírias em apoio a Assad, em que manifestantes ostentam  bandeiras da Rússia e da China. A união Rússia-China com o processo de resistência e libertação dos povos da América Latina, África, Oriente Médio e Ásia rumo a uma Federação Socialista é fundamental para resistir à guerra imperialista que é já um fato.

 

A diplomacia brasileira vacila, pressionada pelas campanhas histéricas dos “direitos humanos”. Então deveria se pronunciar contra o massacre de civis na Líbia, onde estima-se que 50 mil morreram em bombardeios, e uma cidade que abrigava população preponderantemente negra foi arrasada, queimada, e a sua população de 40 mil pessoas exterminada. Racismo e massacres fascistas. O mesmo está sendo preparado na Síria, portanto a posição lógica é sustentar o atual governo contra as conspirações e ações militares, entre elas os franco-atiradores mercenários a serviço da Otan que disparam contra as manifestações, como denuncia insistentemente o governo Sírio, que não teria interesse algum em atirar contra manifestantes inermes, isso está fora de qualquer lógica elementar, a não ser que se queira demonizar um governo, como feito contra Khadafi. Até o momento as Nações Unidas estão devendo as provas dos “massacres” contra a população civil líbia, que foram o detonador da guerra. Como pode então a diplomacia brasileira basear-se nos boletins de guerra da Otan e do imperialismo franco-britânico para atuar no panorama internacional? Essa não é a maneira de adquirir credibilidade para postular um lugar no Conselho de Defesa!

 

A credibilidade enorme do Brasil nos governos de Lula vieram da postura independente, firme, ao enfrentar o imperialismo na questão iraniana e em tantas questões, inclusive no reconhecimento do Estado Palestino. Jogar tudo isso fora por sentir-se intimidados com a máquina de propaganda e guerra imperialista seria uma lástima e nos conduziria a uma posição subalterna no cenário internacional. Rússia e China parece que aprenderam a lição da guerrana Líbia. O Brasil precisa prestar mais atenção nesses graves fatos, condenando aquela guerra colonialista, inclusive porque a partida está longe de terminar e a resistência é heróica, apesar das toneladas de bombas. E se terminar mal para o CNT e o imperialismo? De que lado vai estar o Brasil?

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