Home
Videos
Edições impressas
Jornais anteriores
Contato
Sobre nós
O desastre do governo Macri e a reação social na Argentina
02 de março de 2016
Recomende essa matéria pelo WhatsApp

A apenas 2 meses da posse de Maurício Macri (“Cambiemos”, direita e neo-liberal) que venceu por apenas 2,7% (equivalente a apenas 700 mil votos) a Daniel Scioli (“Frente para a Vitória”, peronista-kirchnerista), o governo argentino tem acionado uma avalancha de medidas de desmonte do projeto nacional e popular realizado com tanta luta, sob oposição feroz dos grandes grupos financeiros e multinacionais, da oligarquia ganadeira e midiática, nos 12 anos passados da gestão de Néstor e Cristina Kirchner, em sintonia com todo o processo de união dos governos progressistas da América Latina, da Venezuela, Equador, Bolívia e Brasil.

O ministro das Finanças, Prat Gay, reabre as portas ao FMI em Davos, às negociações com os Fundos Abutres de Nova Iorque, aos que já Axel Kiciloff (ex-ministro da economia) se havia negado de pagar pela extorsão de valores absurdos de juros de dívida que chegavam a 1608%. É de causar espanto, a urgência de Macri em aplicar as fórmulas do FMI, do ajuste, das demissões em massa (já superando 50 mil, dos quais mais de 36 mil na área das instituições estatais, e há anúncios de novas que continuarão). A falsa razão de demissões arbitrárias no Estado, alegando que eram “nhoques” (funcionários vagos), sem comprovação, a jovens trabalhadores, numa evidente perseguição política, é a tentativa de repetição de um filme dos anos 90 que tratou de desmontar o Estado e justificar as privatizações de Menen e F.H. Cardoso no Brasil.

A eliminação do controle ao dólar (deixando-o à mercê da flutuação do mercado), e a exorbitante desvalorização do peso argentino, tem provocado a já prevista e descontrolada alta dos preços, sobretudo dos alimentos (40%). A inflação já dispara a quase 5% em fevereiro (quando a anual de 2015 totalizava 23%). Não entram a avalancha de dólares no Banco central, como dizia Prat Gay, muito pelo contrário, aumenta a fuga de capitais. As exportadoras de carne e cereais, mesmo favorecidas pelo corte às chamadas retenções em dólar não chegam a gerar a entrada de dólares prevista. No governo kirchnerista, os 15% de retenções se revertiam em gastos sociais. A liberalização da entrada de 18 mil produtos de importação, começa a destruir a pequena e média indústria nacional, têxtil e de sapatos,  já afetada pelo decreto de Macri que elimina o subsídio estatal às tarifas eléctricas, encarecendo-as em 700%. Os trabalhadores pagam isso no boleto, e indiretamente, com o desemprego no comércio e na fábrica que começam a fechar pelo alto custo de produção e falta de mercado. A Argentina kirchnerista que tomava o rumo da ruptura ao cerco da crise internacional, fortalecendo um Estado soberano, arrisca agora uma recessão difícil de vencer.

Os apagões elétricos, dependendo agora plenamente das distribuidoras privadas (Edenor, Edesul), vêm respaldados pelo apagão midiático. O jornalismo progressista, do Programa 6,7,8 da TV Pública, da Rádio Nacional, Victor Hugo Moráles da Rádio Continental, da TV Senado, das TVs e rádios comunitárias, tem sido calado.  A “Ley de Medios”, que esteve sob custódia da AFSCA (abolida por decreto junto a seu diretor Martin Sabatella), criada no governo kirchnerista e parcialmente aplicada,  para regular o monopólio econômico privado do grupo Clarin sobre os meios de comunicação, está sob ameaça total. O discurso macrista de justificar o desastre e as medidas econômicas que afetam os trabalhadores, apoiando-se em falsas justificativas de que a culpa é da “herança”kirchnerista, do governo de Cristina que “deixou um país em bancarrota”, tem sido rebatido por sindicalistas e canais televisivos e rádios independentes que sobrevivem à repressão informativa do governo atual.

Evidentemente, a maioria do povo argentino está sendo vítima de um golpe, e boa parte dos cidadãos que votou em boa fé, se vê enganada pelo slogan eleitoral vazio de “Cambiemos”, “todos juntos”; ela ainda está por se despertar e entender a mentira e constatar que a mudança está sendo só a favor dos ricos contra os pobres. Dependerá dos setores conscientes da vanguarda sindical, intelectual e juvenil, deputados da Frente para a Vitória, dos verdadeiros peronistas, se unirem para dar o tom da batalha. A democracia, os direitos humanos, no sentido amplo da palavra: econômico, social e político, estão ameaçados; inclusive a organização das madres e avós da Plaza de Mayo. O diretor, Horacio Pietragalla, do Arquivo Nacional da Memória, da ESMA, já foi demitido. A deputada do Parlasul e dirigente notória do movimento popular de Tupac Amaru, Milagro Salas, presa sob acusação, sem provas. A ministra do Interior, Patricia Bulrich, diante dos protestos sociais, cortes de estradas pacíficos que chamam a atenção da sociedade, ameaçou-os com protocolo, à repressão policial. Coisa que nunca ocorreu nos 12 anos anteriores de democracia.

Mas, a Argentina, é a memória pelos 30 mil desaparecidos, a de Peron e Evita, do peronismo/kirchnerismo organizado em sindicatos, comissões operárias e movimentos juvenis conscientes. Após manifestações massivas de protesto semanais desde o governo Macri, a ATE (Sindicatos dos trabalhadores estatais) já acabou de realizar uma greve geral da categoria, com mobilizações de apoio da CTA argentina, e da CTA autônoma, no dia 24 de fevereiro, chegando a quase 50 mil manifestantes, com cortes pacíficos de algumas ruas da capital, exigindo a reintegração dos funcionários demitidos. No dia 1o. de março reabre o novo Congresso e a luta da FPV para enfrentar o Cambiemos governista será dura e decisiva em muitos aspectos.

Helena Iono

25/02/2016

 

Vejam cobertura da TV Cidade Livre no:

https://www.youtube.com/watch?v=e-U4aFY5ozU

 

 

 

 

 


{Acessos: 253}
Recomende essa matéria pelo WhatsApp


Faça seu Comentário



Comentários
Nenhum comentário para esse conteúdo.
EDITORIAL:

Liberdade imediata de Lula para retomar a soberania e o desenvolvimento do país
Diante deste cenário desolador não há outra saída possível e necessária senão a imediata libertação de Lula e eleições diretas. Neste sentido vale reforçar a importância da unidade das esquerdas em torno da candidatura Lula e de um projeto de desenvolvimento nacional.
Receba nossa newsletter

Videos recentes
Suplementos Especiais
Links Recomendados
Matérias recentes
Noticias recentes
Batalhas de Ideias
Comunicação
Ganma Hispan TV Press TV Russia Today TeleSUR
Palavras-chave
J. Posadas - Obras publicadas
Leituras sugeridas
A FUNÇÃO HISTÓRICA DAS INTERNACIONAIS Del Nacionalismo Revolucionario al Socialismo Iran - El proceso permanente de la revolucion Iran - El proceso permanente de la revolucion La musica, El Canto, La Lucha Por el Socialismo
Desenvolvido por Mosaic Web
Recomendar essa matéria: