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O papel dos militares nesta etapa histórica. (Extratos de artigo de J.Posadas)
25 de setembro de 2012 J. Posadas
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Soldados carregam cravos vermelhos na revolução de 1975 em Portugal

Há situações  nas quais o exército intervém substituindo as funções normais dos partidos e do parlamento. Quando isso ocorre, ou seja, quando ele intervém para substituir o parlamento e o partido burguês é porque este não tem a força social e política para se sustentar. Mas, ao mesmo tempo que sustenta o capitalismo, o exército se corrói, porque lhe dão atribuições para a qual não está organizado, além de não ser a função histórica concreta. Quando intervém politicamente, inevitavelmente ele se decompõe, se desintegra interiormente, porque uma parte do exército recebe influências que são antagônicas à função que o fizeram cumprir, e dessa maneira desenvolvem-se tendências que voltam-se contra o capitalismo. Isso é inevitável.

     Nos países capitalistas desenvolvidos o exército intervém com muita segurança, porque não possui alas vinculadas à expectativa de desenvolvimento do capitalismo, como nos chamados “países semi-coloniais”. Nos países capitalistas centrais como Alemanha, França e outros, o exército intervém diretamente e é reacionário. Ao passo que nos “semi-coloniais” como na América Latina o exército sente a possibilidade de um desenvolvimento econômico e alas da burguesia o alentam, defendendo o mercado interno. Essas são as tendências nacionalistas que efetivamente vêm que há possibilidades de desenvolvimento do comércio e do mercado interno.

              A defesa do mercado interno já não é capitalista. Toda medida que se dirige a impulsionar o mercado interno se apóia inevitavelmente em outra medidas que vão contra o sistema capitalista. Porque em 1968, estatizar propriedades, expropriar o imperialismo, como no Peru, vão contra o sistema capitalista, estimulam diretamente medidas anti-capitalistas. Mesmo que os militares regulamentem estas medidas e jurem, como fizeram os militares peruanos, que “é uma exceção, que não é um princípio”, de repente, surgem outras alas que dizem: “agora expropriemos a mina de Cerro Del Pasco”. Eles quiseram regulamentar a reação das pessoas que, por terem uma boa noção da história, não respeitam os regulamentos.

              Uma parte do exército que intervém e vai percebendo que o capitalismo se decompõe, e inclina-se à busca de soluções, já não tem confiança no sistema capitalista. Foi o que nós colocamos no artigo sobre o general  Cândido López, da Argentina, no qual dissemos que não havia que toma-lo como um mero militar que quer salvar o capitalismo. Dizíamos que López é uma expressão da decepção de camadas militares com o sistema capitalista. É um indivíduo que vem diretamente do alto mando do sistema capitalista, que era instrutor político dos futuros oficiais e chefes do exército, dos formadores dos sujeitos que vão defender o sistema capitalista. Quando ele se decide a tomar medidas que vão contra isso é porque ele se conscientiza e sente-se decepcionado.

              A crise do capitalismo leva uma parte do exército a ter sentimentos de decepção, de pessimismo.Setores militares percebem que o capitalismo não tem força e constatam que estão exercendo uma função para a qual não estavam preparados. São situações diferentes dos países capitalistas desenvolvidos onde os exércitos são estruturados e têm uma maior preparação militar, econômica e uma origem social mais dependente do capitalismo. Nos países semi-coloniais uma parte do exército é mais acessível a ser ganha pela revolução.

              Em praticamente todas partes do mundo, uma parte do exército pode ser ganha à medida que a revolução avança, mas sobretudo nesses países semi-coloniais. Por isso, quase todos os golpes nacionalistas nesses países foi dado pelo exército. Não porque o exército seja uma exceção, mas porque as forças da revolução impulsionam e ao não  encontrar um canal  para se expressar, utilizam o exército; apóiam-se nessa condição histórica do exército porque uma parte dos militares não tem uma origem aristocrática, nem burguesa. Além disso, da mesma forma que a pequeno-burgusia se radicaliza, também parte do exército se radicaliza quando não vê soluções para os problemas sociais dentro do sistema capitalista. Mesmo de forma desordenada e empírica, os militares percebem o progresso de países socialistas como a China e Cuba.

              A simples existência de Cuba, como dissemos infinidade de vezes nos textos, é um constante estímulo ao progresso da revolução, porque demonstra como um pequeno país,em menos de dez anos de revolução e partindo das condições mais atrasados do mundo, alcança tal progresso econômico, através do qual eliminou uma boa parte da dívida externa, eliminou a fome, o desemprego, a miséria. Cuba é um país onde não existe a fome, as pessoas se alimentam decentemente e onde também foi eliminado  o analfabetismo. Isso se vê e sente. E o militar que é de carreira, ou que escolheu ser militar por profissão, pode ser influenciado.

              Na América Latina, existe uma quantidade enorme dessa tendências militares. Isso explica os golpes que existem e que não são simplesmente alas democrático-burguesas que buscam desenvolver o mercado interno. Ao pretenderem este desenvolvimento, abrem-se à influência da revolução, o que termina sendo predominante. É por isso que a burguesia perdeu uma quantidade enorme de intelectuais. No caso do exército, a quantidade de oficiais que são ganhos é menor, porque a profissão lhes impõe uma rigidez mental que os faz submeter-se às forças organizadas pelo capitalismo, à esquematização, ao esclerosamento decorrente da disciplina capitalista, tirando-lhes a vontade e a capacidade de ação individual. Mas, quando apesar de tudo isso os golpes militares ocorrem tão constantemente, está indicando que a revolução é mais poderosa que essa automatização que o capitalismo lhes impõe. É verdade que essa mecanização transforma a mente e a vontade. Mas, a revolução é mais poderosa que tudo isso. Por isso , ela ganha intelectuais, físicos, técnicos capitalistas, ganha também militres.

 

J. Posadas

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